O que me veio primeiro à mente ao ver 'Vergonha' foi 'Psicopata Americano', o de Bret Easton Ellis, bem adaptado por Mary Harron à tela há uma dúzia de anos. Aqui temos um sex addict e não um assassino, mas o vazio existencial é o mesmo, a fria Nova Iorque dos endinheirados a mesma. Neste aspecto, pareceu-me que 'Vergonha' conta a mesma história de sempre.
Posto isto, Steve McQueen é realizador (já toda a gente falou de Carey Mulligan a cantar 'New York, New York' com todo o vagar do mundo, do dificílimo diálogo do jantar a dois, do exasperado jogging nocturno de Brandon Sullivan) e - mérito que também lhe deve ser atribuído - encontrou um actor do caraças para os seus filmes. Michael Fassbender, melancólico, de sorriso triste, senhor de um desespero tranquilo, quase prestes a desabar, é mais, muito mais de meio filme. Na minha opinião, bate aos pontos o Ryan Gosling de 'Drive', e eu gostei muito de 'Drive'. É mais sofisticado, tem mais pinta e menos pose. Consegue mais com menos. O filme é impensável com outro actor.
Shame, Grã-Bretanha, 2012. Realização: Steve McQueen. Com: Michael Fassbender, Carey Mulligan, Nicole Beharie, James Badge Dale e Hannah Ware.




















