Ted e Marion (Jeff Bridges e Kim Basinger - ambos excelentes) são um casal que se afundou depois da morte dos dois filhos adolescentes num acidente de viação. Um dia, Ted, que é um famoso escritor de contos infantis, contrata um jovem universitário que o admira para seu assistente. Este apaixona-se por Marion, que até aí vivia alheada do mundo e à beira da ruptura emocional, e para seu espanto esta encoraja-o e acaba por se envolver com ele. A metáfora é óbvia: ela vê nele os filhos que perdeu, tendo assim uma relação incestuosa (para não falarmos em necrofilia...) por interposta pessoa. Quanto a Ted, entretém-se pintando mulheres nuas e sendo-lhe infiel com elas. No meio disto tudo, move-se a pequena Ruth, a filha de quatro anos do casal, obcecada com as fotografias dos irmãos mortos que nunca conheceu e que cobrem toda a casa (acabando por se ferir ao partir o vidro de uma), que assiste a uma cena de sexo da mãe com o adolescente e ao pai a passear-se nu pela casa... mais cenas simbólicas e metafóricas para mentes Freudianas analisarem! Aliás esta é uma marca deste estranho (digamos assim) filme-baseado num livro de John Irving-e até temos direito a uma personagem secundária que só aparece para nos explicar o sentido metafórico do título 'A porta no chão'...