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28.2.05

Oscares



Não me posso pronunciar sobre todas as categorias porque não vi todos os filmes nomeados, mas há quatro estatuetas em que a Academia acertou em cheio: Melhor filme (Million Dollar Baby ), melhor realizador (Clint Eastwood), melhor argumento original (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) e melhor argumento adaptado (Sideways). Não é todos os anos que há um lote destes.
(PS: No entanto, aqui só para nós, deixem que vos diga uma coisa: se 'Sideways' tivesse ganho o Oscar de melhor filme, não seria eu quem protestaria...)

26.2.05

Brevemente...



As primeiras do Fantas

Eu não diria melhor...



Sobre os Oscares (só não concordo com a última parte do último ponto)

25.2.05

Million Dollar Baby



Este filme, sobre uma jovem que quer ser boxeur e o seu relutante treinador, pode ser dividido em duas partes, correspondendo cada uma a um género clássico de Hollywood.
A primeira é o Western, obviamente sem índios nem cowboys. Frankie/Clint Eastwood é o Sheriff (ou o capitão de cavalaria, ou...), um solitário de poucas falas, com uma angustia interior devido a algo do seu passado (a história da filha que nunca conhecemos), uma personagem Fordiana por excelência; Eddie/Morgan Freeman é o ajudante do Sheriff, o velhote com bom coração que conhece melhor que ninguém as suas virtudes mas também as suas fraquezas; Maggie/Hilary Swank (espantosa actuação) condensa duas personagens: o jovem talentoso que o Sheriff inicialmente rejeita, mas que acaba por ensinar e reconhecer como seu, e a mulher mais jovem que consegue penetrar no seu coração há muito fechado. Depois, há os secundários típicos: o maluquinho (por vezes é o bêbado) perdido na vida (Danger/Jay Baruchel), os maus (os índios, os fora da lei) como só o são nos westerns, maus mesmo (a família de Maggie), etc., etc.
A segunda parte é o melodrama. Uma história de amor tornado impossível; o acto mais difícil que se pode exigir ao apaixonado.
Talvez não seja um filme tão 'perfeito' como Mystic River. Há uma ou outra cena forçada, e talvez a segunda parte não seja tão equilibrada como a primeira. Mas é um filme hipnotizante e perturbante como poucos, e está a milhas de quase tudo o que anda por aí.

Blood Simple-Sangue por sangue



Este filme negro melancólico e absurdo foi a opus 1 dos irmãos Coen. Vinte anos e dez filmes depois, permanece a sua obra-prima nunca superada.

21.2.05

Garden State



Quase todos os anos há um filme assim: um filme que mesmo sabendo que não é uma obra-prima, gostamos bastante, nos toca em algum lado. Sentimo-nos em casa ao vê-lo, quase como quando estamos a ver um episódio da nossa série de TV favorita. Geralmente é um filme sem grandes meios, alicerçado nos actores e num bom argumento, em que tudo está no sítio certo. O ano passado aconteceu-me com 'Café e Cigarros', mas o exemplo de há dois anos ainda é melhor: 'Roger Dodger'. E lembro-me de outros, de repente vem-me à mente 'Trees Lounge/O bar da esquina' de Steve Buscemi...Este ano, já adivinharam, esse filme é 'Garden State', realizado e interpretado por Zach Braff, mais conhecido pela série 'Scrubs'. Este interpreta um actor de segunda com problemas existenciais, que regressa à terreola para o funeral da mãe e conhece a rapariga que lhe vai mudar a vida: uma despistada, mentirosa compulsiva e arrapazada Natalie Portman (noutra excelente interpretação). A não perder.

18.2.05

O Aviador



Dos realizadores ainda no activo, Scorcese é um dos meus dois ou três preferidos. Não obstante, 'Gangues de Nova Iorque' desapontou-me bastante e confesso que temia que 'O aviador' fosse outro pastelão. Felizmente não é nada disso, mas sim um belo 'biopic', género difícil, que tirando raríssimas excepções (como 'Lawrence da Arábia') não costuma trazer nada de novo. Claro que a matéria-prima era de eleição: a ascenção e queda de Howard Hughes, personagem bigger than life , pioneiro da aviação, produtor e realizador de cinema, playboy que incluiu no curriculum Katharine Hepburn ou Ava Gardner, e acabou paranóico e na mais completa solidão. Mas o filme tem mais trunfos: um surpreendente Leonardo di Caprio que veste na perfeição o fato de Howard Hughes, um ritmo inquebrável durante as 3 horas e, pese embora o facto de se centrar principalmente sobre os anos gloriosos e não sobre a decadência de Hughes, sente-se o Scorcese touch, algo de todo em todo ausente do seu filme anterior. Não é um 'Mean Streets', um 'Taxi driver' ou um 'Casino', mas é um filme que vale a pena ver e que talvez dê finalmente o merecido Oscar a Scorcese.

15.2.05

Saraband

Porque é que Saraband é um filme perfeito?



Os rostos. Os grandes planos dos rostos.



As palavras: "Eu sem ti seria mais pobre ou outra palavra que ainda não existe"



A música. As cores. As imagens.



A solidão. A repressão dos sentimentos. A ausência de sentimentos. A incomunicabilidade. O incesto. A morte. O medo da morte. As relações pais-filhos. As mulheres. O pessimismo. Alguma esperança.

11.2.05

Ordo



Louise é uma actriz famosa mas com a vida sentimental de rastos, depois de uma série de casamentos falhados. Se estivesse a morrer, provavelmente a sua última palavra não seria 'Rosebud', mas 'Ordo'. Ordo é o homem com quem casou aos 16 anos, muito, muito antes de ser uma celebridade. Ela pensa que ele foi o único homem que amou, ou quer voltar ao tempo em que era uma jovem inocente, e por isso resolve atraí-lo de volta. Instala-o na sua mansão e envolvem-se novamente, mas nem um nem outro parecem saber muito o que estão a fazer. O filme fez-me lembrar 'Swimming pool', não só pelas constantes cenas passadas na piscina, como pelo seu tom frio e cerebral, típico de Ozon. É um filme bem feito, com um argumento interessante, um grande actor e uma bela actriz, não desmerecendo os 5 euros, mesmo que daqui a 1 semana já esteja muito longe do nosso pensamento...

O nosso fantasma

O bug que ataca regularmente este blog e o faz desaparecer tornou a entrar em acção. É já uma companhia cá da casa, uma espécie de fantasma que volta e meia aparece para nos assombrar (ou ensombrar!). Assim, tal como um certo fantasma voltou para buscar uma certa senhora, quando este blog desaparecer de vez os leitores já sabem quem o levou...

10.2.05

Vera Drake



Vera Drake é uma força da natureza. Sendo empregada doméstica em casa de familias ricas, dedica o seu tempo livre a ajudar os pobres. Visita-os, leva-lhes um cházinho, convida-os até para jantar em sua casa. Dentro deste espírito, tem também uma actividade que os seus próximos não suspeitam: 'ajuda raparigas em dificuldades', como ela diz. Ou seja, faz abortos clandestinos, uma vez que o aborto ainda é ilegal na Inglaterra dos anos 50, onde decorre a acção. Mike Leigh, um veterano do 'realismo inglês', tem aqui um dos seus filmes mais políticos e simultaneamente com mais sucesso: vencedor do Leão de Ouro em Veneza e nomeado para 3 Oscares. Mas, quanto a mim, o problema está justamente neste lado político do filme, que leva Mike Leigh a um esquematismo que torna tudo pouco credível. Comecemos pela família de Vera Drake, género pobrezinhos mas honrados, com o marido empregado na oficina do irmão e sempre a dizer que têm muita sorte, a filha sempre curvada que trabalha numa fábrica de lâmpadas, o seu namorado que mal abre a boca e está sempre com ar infeliz (apesar de sentir muito feliz por ter conhecido aquela família). Por contraste temos os ricos, superficiais e arrogantes, e aquela que é a personagem mais ridicularizada pelo realizador/argumentista: a cunhada de Vera Drake, que já foi pobre mas agora tem algumas posses e se comporta como nova-rica. Mas há mais: se é fácil acreditar que Vera Drake não levava nada pelo seu trabalho clandestino, uma vez que tudo era feito num espirito de ajuda aos mais desfavorecidos, já é mais difícil acreditar que não soubesse que a sua amiga não cobrava nada às 'clientes' que angariava, ou que não tivesse noção dos riscos do que fazia para as mulheres que ajudava. E que em vinte anos ninguém tivesse morrido em consequência destes abortos caseiros e sem condições. Ou seja, para demonstrar a sua 'tese' (e o problema não está na tese), que Vera Drake - e, subentende-se, as outras mulheres que faziam abortos clandestinos- era uma heroína/mártir e que a lei é que estava errada, Mike Leigh pinta tudo a preto e branco, quando sabemos que no mundo real as coisas raramente assim são: geralmente não são pretas nem brancas, são cinzentas. Por isso, apesar do tom realista, raramente me acreditei tão pouco nas personagens como nas deste filme.

9.2.05

Em fuga



Este filme, realizado em 1999 por Bruno Almeida, um português radicado nos Estados Unidos, é curioso a vários níveis. Desde logo, pelos nomes nele envolvidos: o argumentista é Joseph Minion, o mesmo de 'Nova Iorque fora de horas', e os dois actores principais são Michael Imperioli e John Ventimiglia (respectivamente Chistopher e Artie - o chef, dos Sopranos). Este último é Louie, um presidiário que foge duas semanas antes de acabar a pena e telefona ao seu amigo Albert (M.Imperioli), que a principio se tenta descartar dele, mas que acaba por o acompanhar ao longo da noite. Os dois vão deambulando por Nova Iorque, vivendo diversas peripécias que por vezes roçam o absurdo, mas que vão reforçando a sua amizade. Pelo caminho vão-se cruzando com diversas personagens da fauna nova iorquina, o que permite ao espectador ir identificando uma série de secundários conhecidos como Joaquim de Almeida, Joseph R.Gannascoli (Vito dos... Sopranos), Drena de Niro (enteada de Robert) e até... Agnés Jaoui! Tudo isto filmado com uma fotografia sombria, que dá ao filme um ar 'sujo', algo artificial, uma espécie de continuação 'caseira' de 'Nova Iorque fora de horas'. Ou seja, estando longe do que se espera dum filme português, também está distante das produções hollywoodianas típicas, não tendo sequer os 'tiques' de que enferma muito do cinema independente Americano. Talvez seja um filme que está, como dizia António Variações da sua música, algures entre Braga e Nova Iorque...

4.2.05

Out of the past/O arrependido



Há vários finais de filmes de que gosto particularmente. Desde o famosíssimo final de 'Citizen Kane', passando pelo do 'Homem que matou Liberty Valance' ou o do 'Vertigo'. Mas o deste filme, com Virginia Huston a perguntar ao miúdo surdo-mudo se ele acha que Robert Mitchum ia fugir com Jane Greer, é inultrapassável.