
Este filme, sobre uma jovem que quer ser boxeur e o seu relutante treinador, pode ser dividido em duas partes, correspondendo cada uma a um género clássico de Hollywood.
A primeira é o
Western, obviamente sem índios nem
cowboys. Frankie/Clint Eastwood é o
Sheriff (ou o capitão de cavalaria, ou...), um solitário de poucas falas, com uma angustia interior devido a algo do seu passado (a história da filha que nunca conhecemos), uma personagem
Fordiana por excelência; Eddie/Morgan Freeman é o ajudante do
Sheriff, o velhote com bom coração que conhece melhor que ninguém as suas virtudes mas também as suas fraquezas; Maggie/Hilary Swank (espantosa actuação) condensa duas personagens: o jovem talentoso que o
Sheriff inicialmente rejeita, mas que acaba por ensinar e reconhecer como seu, e a mulher mais jovem que consegue penetrar no seu coração há muito fechado. Depois, há os secundários típicos: o maluquinho (por vezes é o bêbado) perdido na vida (Danger/Jay Baruchel), os maus (os índios, os fora da lei) como só o são nos westerns, maus mesmo (a família de Maggie), etc., etc.
A segunda parte é o melodrama. Uma história de amor tornado impossível; o acto mais difícil que se pode exigir ao apaixonado.
Talvez não seja um filme tão 'perfeito' como Mystic River. Há uma ou outra cena forçada, e talvez a segunda parte não seja tão equilibrada como a primeira. Mas é um filme hipnotizante e perturbante como poucos, e está a milhas de quase tudo o que anda por aí.