Recent Posts

30.8.05

Filmmuseum / FOAM

A quem visite Amesterdão recomendo duas preciosidades: O Film Museum www.filmmuseum.nl - cinemateca holandesa - fica num parque muito bonito (Vondelpark), e tem inclusive sessões ao ar livre. Como os holandeses não dobram os filmes, ir a uma sessão é opção, mas pode-se simplesmente gozar a vista para o parque na esplanada do café 'Vertigo' do museu.

No museu de fotografia FOAM www.foam.nl descobri O. Winston. Ele tirou fotografias dos últimos comboios a vapor americanos. Os comboios eram apenas um pretexto para retratar cenas do quotidiano. As fotos são muito curiosas. Ao primeiro olhar parecem espontâneas, fruto de um acaso feliz, ou de um fotografo persistente, mas salta à vista que há qualquer coisa errada. Todos os pormenores importantes estão bem distintos apesar de se tratarem de cenas noturnas, todos os elementos estão focados, e o comboio apesar de se deslocar a grande velocidade está bem definido e só o fumo revela o movimento. Na verdade as fotos são encenadas. O. Winston - http://www.linkmuseum.org/ - preparava minuciosamente a iluminação e a disposição de cada elemento retratado. Brilhante.

Por fim um icone kitsh do cinema, que descobri no museu e que nunca tive oportunidade de ver. Com Faye Dunaway, Peter O'Toole e Mia Farrow.

The comfort of strangers/Estranha sedução



Quem esperaria que um filme realizado por Paul Schrader (o argumentista de Taxi Driver e Touro Enraivecido), com argumento de Harold Pinter baseado numa novela de Ian McEwan, banda sonora de Angelo Baladamenti e com um elenco que inclui Christopher Walken, Rupert Everett, Natasha Richardson e Helen Mirren fosse um estampanço completo? Eu não esperaria, certamente, quando o comprei um dia destes a preço de saldo na Valentim de Carvalho. E no entanto...
Exceptuando a excelente banda sonora que dá um tom lúgubre às belas imagens de Veneza, nada neste filme nos convence. O argumento é confrangedoramente banal e inverosímil - uma história de homossexualidade reprimida e devaneios sádicos devido a complexos de uma infância marcada por um pai autoritário, um casal à procura de relançar a chama em Veneza, uns pós de critica politica, presume-se que à Inglaterra de Tatcher; as interpretações de Rupert Everett e Natasha Richardson são no mínimo indigentes (salva-se, como sempre, Christopher Walken); a realização é arrastada, a tender para o esotérico... Conclusão: compre a banda sonora e passe ao largo do filme.

26.8.05

De tanto bater o meu coração parou



Ao contrário do que é habitual, este filme é uma adaptação por parte de um realizador francês, Jacques Audiard, de um filme americano, o razoavelmente desconhecido 'Fingers', de James Toback.
Tom/Romain Duris trabalha no ramo imobiliário (como o pai), usando no seu dia a dia meios mais ou menos musculados para levar os seus fins por diante, desde largar ratos num prédio até fazer despejos à força de ocupantes indesejados. Um dia um encontro inesperado faz-lhe renascer uma paixão há algum tempo adormecida: tocar piano (como a mãe, já morta, que era pianista profissional). Tocar piano, não como hobbie, mas a sério, ou seja, mudar radicalmente de vida aos vinte e tal anos, já entrado na idade adulta. Rejeitar a herança paterna e assumir a materna. Para expor esta vontade interior de mudança, Audiard conta com um grande trunfo: Romain Duris e a sua caracterização. O actor lembra-nos Robert de Niro nos seus papeis de rufia, mas também o Belmondo d´'O Acossado' (o papel era desempenhado no filme original por Harvey Keitel), devido não só ao seu ar sério e duro mas atraente, como também, achado do realizador, ao seu visual: camisa às riscas e gravata, blusão de couro sem gola, botas de salto. A perfeita imagem do escroque menor, que se entranha perfeitamente dentro de nós e nos convence depois da genuína dificuldade do seu desejo de ser pianista. Um filme muito interessante.

25.8.05

Rushmore/Todos gostam da mesma




Rushmore (1998) é o segundo filme de Wes Anderson. Já lá estão todos os elementos que compõem a Andersonlandia - galáxia paralela no universo cinematográfico contemporâneo- desde as pequena obsessões do realizador (uma personagem cita Costeau; outra constrói um aquário gigante para reconquistar a mulher amada), passando pela estética retro e culminando no conteúdo (as pessoas especiais a debaterem-se num mundo feito por/para pessoas normais; a beleza melancómica). E, importante, é o primeiro filme em que trás Bill Murray para o seu universo, cinco antes de Sofia Copolla (e ficam bem os dois realizadores no mesmo post) o relançar definitivamente na ribalta. É, claro, um grande filme a prometer a obra-prima que viria a seguir.

19.8.05

A Ilha














Isto de ter um blog com uma secção dos arquivos intitulada "Scarlett Johansson" não é fácil, obriga a uma atenção constante aos filmes em que a menina entra. Depois de ter perdido Uma boa mulher devido ao período estival, eis-me refastelado logo na estreia d´'A Ilha', para compensar!
Começamos então a ver um filme de ficção científica, sobre um grupo de pessoas (todas nuns fatinhos brancos) que sobreviveram a uma qualquer 'contaminação' da terra e se encontram isoladas numa espécie de base, onde toda a sua vida é controlada ao milímetro. O seu único alento é um dia serem sorteadas para irem para a Ilha, um local não contaminado no mundo exterior. Até aqui tudo bem, o filme até me fez lembrar o muito bom Gattaca, devido ao ambiente e ao casal-maravilha (aqui Ewan McGregor/Scarlett Johansson, lá Ethan Hawke/Uma Thurman, nos respectivos fatinhos). O pior é quando o casal foge da dita base, e vem para o 'mundo real': Michael Bay de repente lembra-se que é um realizador de blockbusters de acção (realizou coisas como O Rochedo, Amageddon e Pearl Harbor - confesso que não vi nenhum) e toca a enfiar-nos perseguições automóveis, explosões, tiros, berrarias, tudo em estilo XXL, embrulhado numa banda sonora que oscila entre uma batida irritante e o épico tipo Vangelis. Uma coisa de fugir, a quilómetros do pior Jackie Chan. No final ainda volta à ficção científica, mas apenas para nos presentear com um dos finais mais pirosos dos últimos tempos...
O filme foi um flop monumental nas bilheteiras americanas, o que é bem feito para a menina Scarlett aprender a não se meter em estopadas destas, e pensar duas vezes com quem trabalha, ela que tem no seu curriculum filmes de Woody Allen, Sofia Coppola, Terry Zwigoff ou os irmãos Coen. Os fãs agradecem.

18.8.05

9 canções













Matt e Lisa levam uma vida de 'sex, drugs and rock´n´roll'. Nos intervalos entre os concertos que vão ver (muitos), metem droga (alguma) e, sobretudo, fazem sexo (montes). Enfim, quem é o adolescente que não sonhou passar umas férias, digamos, nesta vida?
Já enquanto material para realizar um filme é curto, e vai daí Michael Winterbottom optou por mostrar tudo, literalmente. Temos direito a excertos de concertos (as 9 canções do titulo) mais ou menos longos e a cenas de sexo explicitas (incluindo um blow job, again). O tom sépia, granuloso, afasta completamente o filme da estética Sexy Hot ou algo no género, mas não podemos deixar de nos perguntar o porquê desta opção hardcore. A sensualidade presente, por exemplo n'Os Sonhadores (com a bela Eva Green) está totalmente ausente e o factor surpresa/choque já foi gasto há muito por Vincent Gallo ou Catherine Breillat...
O que é que fica então no final (e passemos à frente o lado esotérico do filme, com umas metáforas sobre a Antártida...)? Fica o rock'n'roll: Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Franz Ferdinand. Não se pode dizer que salve o filme, como Lou Reed disse que salvou a sua vida, mas cria-nos uma certa empatia com o ambiente geral da coisa e evita que demos como totalmente mal gastos os 5 euros...

3.8.05

Ondskan/Cruel



Nos primeiros minutos do filme parece que vamos adivinhar o conteúdo deste: um filme sobre um puto violento que foi expulso de uma escola, apesar das boas notas, e ingressa noutra para continuar a sua saga de agressividade e gosto pelo sangue. Mas não. Há imensa crueldade neste filme, mas não parte do seu protagonista, sendo ele e os mais próximos os alvos. A catarse em várias fases, as razões e as consequências, com tudo a seu tempo, torna este filme sueco ordenado e metódico, como até seria de esperar de tais latitudes. Há beleza e repúdio, amor e ódio, sangue e flores, moral e falta dela, tudo na dose certa, criando um clima de contraste que torna esta obra de Mikael Håfström um dos filmes obrigatórios da silly season.

[O Puto]

2.8.05

War of the Worlds/Guerra dos Mundos



Intencional ou não, é quase uma regra nos filmes em que Tom Cruise participa que esses mesmos filmes sejam feitos para ele, e este não é excepção (nem o Kubrick escapou). Esta megaprodução de Spielberg, que adapta o clássico de H. G. Wells, focaliza-se em Ray Ferrier e na sua família, tendo como cenário de fundo uma invasão de extraterrestes. Inicialmente parece uma continuação do "Top Gun", com Tom na pele de um miúdo irresponsável, mas agora com dois filhos a seu encargo.
Não há dúvida que os efeitos especiais são espectaculares, com pormenores bem cuidados e por vezes aterradores, porém duas questões paralelas dominam o enredo - a invasão propriamante dita e os family issues -, alternando-se os níveis macro e microscópico. Expõe o bom e o mau que o ser humano demonstra em situações extremas (Tim Robbins desempenha um caso típico), ao mesmo tempo que a família Ferrier se dedica a juízos, disputas e resoluções. A menina-prodígio (Dakota Fanning) está soberba ao encarnar todas as manias modernas das crianças, não descurando uma atenção exacerbada em relação a tudo. Mas isto não é de admirar num filme com a mão de Spielberg. Um bom filme de entertenimento, com um final que tem tanto de disparatado como de verosímil. Fica-nos a ideia de uma metáfora dos tempos de crise em que outros problemas são resolvidos, encarando a catástrofe como uma dead line.

[O Puto]

1.8.05

Birth - O Mistério




Eis um filme que começa de forma brilhante graças à fotografia e banda sonora excelentes e acaba ligado à máquina de ventilação tal é o vazio de ideias.