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31.1.08

Filmes de Janeiro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



Nada é sagrado, William A.Wellman, 1937 (7,5)
O diabólico Dr.Mabuse, Fritz Lang, 1960 (9,5)
A noiva estava de luto, François Truffaut, 1967 (7,5)
Lady Frankenstein, Mel Wells, 1971 (5)
The Black Windmill, Don Siegel, 1974 (7)
They Call Her One Eye, Bo Arne Vibenius, 1974 (5)
Ecce Bombo, Nanni Moretti, 1978 (9)
Zombie 2, Lucio Fulci, 1979 (5)
Finalmente!, François Truffaut, 1983 (7,5)
Re-Animator, Stuart Gordon, 1985 (4)
Showgirls, Paul Verhoeven, 1995 (6,5)
E a tua mãe também, Alfonso Cuarón, 2001 (7,5)
Shaun of the Dead, Edgar Wright, 2004 (6)
Napoleon Dynamite, Jared Hess, 2004 (8)
Klimt, Raul Ruiz, 2006 (5,5)
Exiled, Johnny To, 2006 (7)
Raça assassina, Nicholas Mastrandea, 2006
We Own the Night, James Gray, 2007
Call Girl, António-Pedro Vasconcelos, 2007
Jogos de poder, Mike Nichols, 2007
Cassandra's Dream, Woody Allen, 2007
Expiação, Joe Wright, 2007
O assassínio de Jess James pelo cobarde Robert Ford, Andrew Dominik, 2007
4 Meses, 3 semanas, 2 dias, Cristian Mungiu, 2007
The Darjeeling Limited, Wes Anderson, 2007
Hotel Chevalier, Wes Anderson, 2007

Comecei o mês (e consequentemente o ano) a ver "Showgirls", e isso já diz muita coisa. De resto, ocupei as minhas tardes de Sábado a ver 'clássicos' de terror/zombies, seleccionados por uma especialista. Desde "Lady Frankenstein", um 'Italian Sexy Horror Movie', featuring... Joseph Cotten!, até "Zombie 2", famoso pela sua lendária luta entre um zombie e um tubarão (enquanto a mocinha, vestida com uma botija de ar e um fio dental, observa), muito haveria a salientar. Mas o destaque vai para 'Napoleon Dynamite': pela primeira vez na vida gostei de um filme de nerds. É obra!
(para os leitores sérios, também estão aí em cima duas obras-primas de Moretti e Lang, dois dos suspeitos do costume)

30.1.08

Raça assassina



A maior virtude de Nicholas Mastandrea (habitual assistente de Wes Craven, que produz o filme), nesta sua primeira obra, é não inventar. Ou seja, não acrescentando nada ao género (terror), cumpre todas as suas regras com eficácia e destreza: apresenta bem a situação (um grupo de amigos que vai passar um fim de semana a uma ilha 'deserta'), gere bem o suspense até revelar o 'inimigo' (há um grupo de cães hostis na ilha) - sem rodriguinhos desnecessários, explora bem os conflitos que surgem no grupo (incluindo, naturalmente, os que vêm de trás), não abusa na exposição da carnificina (há alguma, mas as cenas mais marcantes são aquelas em que nos são mostrados os cães imóveis, em vigilância), não toma os espectadores por idiotas (não é daqueles filmes em que estamos o tempo todo a pensar 'mas porque carga de água resolveram sair agora mesmo de casa para serem apanhados'), não exibe truques de 'câmara nervosa', liga pouco ao McGuffin (umas experiências militares com cães assassinos, ou lá o que é) e tem uma excelente gestão espacial (mantém as personagens quase sempre em casa, num espaço fechado - o que é sempre uma decisão sensata) e temporal (não dura nem mais um minuto do que devia). Assim sendo, mantém o espectador, que já viu este filme mil vezes, num estado de tensão permanente. Ou seja, exibe a competência de um bom filme de terror 'série B', para o que também contribui um elenco desconhecido (exceptuando a bela Michelle Rodriguez que alguns reconhecerão de 'Lost') e a falta geral de aparato (deve ter custado meia dúzia de patacos). Nada mau.
The Breed, Alemanha/África do Sul/E.U.A., 2006. Realização: Nicholas Mastandrea. Com: Michelle Rodriguez, Oliver Hudson, Hill Harper, Taryn Manning.

28.1.08

Darjeeling Limited



E a Andersonlândia está de volta. Desta vez começa por nos surpreender brindando-nos com uma curta-metragem, 'Hotel Chevalier', que é uma espécie de primeira parte de 'Darjeeling Limited', mas completamente independente. É uma obra-prima de 13 minutos, com um impassível Jason Schwartzman (que transita para a longa) e uma sensual Natalie Portman (que se fica por aqui).
Depois vem o 'Darjeeling ' propriamente dito. Como já dissemos Schwartzman é convocado mais uma vez, depois de 'Rushmore', colaborando também no argumento; Owen Wilson participa pela quarta vez, assim como Bill Murray (que aqui se limita a um cameo); e Anjelica Huston é novamente a mãe da família. O director de fotografia é, como sempre, Robert Yeoman, que também fotografou 'A lula e a baleia' de Noah Baumbach (co-argumentista de 'The Life Aquatic with Steve Zissou') e 'CQ' de Roman Coppola, que é co-argumentista, produtor e Second Unit Director deste filme (e, já agora, é primo de Schwartzman e amigo de Anderson). O novo rebento da família, é Adrien Brody (que se adapta que nem uma luva).
De resto Anderson continua às voltas com famílias (três irmãos em jornada espiritual pela Índia), com personagens melancólicas e elegantemente kitsch, com adereços fashion (depois dos fatos de treino e sapatilhas Adidas, agora temos malas Louis Vuitton - com uns desenhos de Eric Anderson, irmão de Wes). Continuamos a ter direito a magníficos grandes planos, a detalhes insólitos, a uma banda sonora incrível (que mistura diversas musicas de filmes de Satyajit Ray com os Rolling Stones ou os Kinks, terminando com o imortal Les Champs-Élysées de Joe Dassin) e cenas de que só ele se lembra (às tantas, num flashback, parece que vamos assistir ao funeral do pai da família, mas acabamos por ver uma tentativa de 'ressuscitar'...o seu Porsche!). O tom continua melancómico, como sempre, talvez menos desvairado que em 'Zissou', mais próximo dos 'Tenenbaum'.
É mais do mesmo? Sem dúvida. É muito bom? Pois claro que sim.
The Darjeeling Limited, E.U.A., 2007. Realização: Wes Anderson. Com: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Anjelica Huston, Camilla Rutherford, Amara Karan.

25.1.08

4 Meses, 3 semanas e 2 dias



Este filme, vencedor da Palma de Ouro da última edição de Cannes, poder-se-ia chamar Bucareste fora de horas, ou Um dia na vida de Otília.
Otília encontra-se com o namorado que lhe recorda que tem que passar em casa dele mais tarde: a mãe faz anos. E que leve flores. Otília tenta escapar mas acaba por ceder. Depois vai tentar marcar um quarto num hotel. Não o consegue à primeira nem à segunda, só depois de negociações e pequenas humilhações. Mas o pior está para vir: o quarto destina-se a ser o lugar em que a sua amiga Gabita vai abortar clandestinamente (estamos na Roménia comunista, onde o aborto é proibido). Gabita parece ser boa pessoa, mas irritantemente superficial e irresponsável. Mentiu em quase tudo ao homem que vai fazer o aborto, tratou das coisas de uma forma displicente e pôs as duas raparigas (que são estudantes no politécnico e têm pouco dinheiro) numa situação muito complicada. O homem aproveita para as chantagear e Otília terá que pagar com o próprio corpo. Em seguida tem que ir ao tal aniversário em casa do namorado. Aí é novamente humilhada pelos imbecis presentes na festa, que se acham duma classe superior e tem que enfrentar a cobardia e indecisões do namorado. Entretanto Gabita não atende o telefone e Otília em pânico volta para o hotel, onde o aborto já ocorreu, e acaba por ter que ser ela a desfazer-se do feto. Enquanto isso, a amiga que estava com fome, espera-a tranquilamente no restaurante do hotel.
Pelo meio, claro, o que parecia uma história socialmente empenhada, realista, seca e fria, já se tornou numa aventura kafkiana claustrofóbica e inquietante, numa crítica cerrada e impiedosa a toda uma sociedade e a um sistema politico, num conto triste, escuro e um pouco absurdo. É esta capacidade de transcender o que pareciam ser as suas coordenadas, seguras e lineares, que transforma "4 Meses, 3 semanas e 2 dias" num grande filme. Mais um, da nova vaga Romena.
4 luni, 3 saptamani si 2 zile, Roménia, 2007. Realização: Cristian Mungiu. Com: Anamaria Marinca, Laura Vasiliu, Vlad Ivanov, Alex Potocean, Ion Sapdaru, Teodor Corban, Eugenia Bosânceanu, Marioara Sterian.

24.1.08

O Nariz


(Parte 1)

(Parte 2)


Le Nez, a partir do fantástico conto de Gogol.

21.1.08

O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford



O que me surpreendeu mais neste pós-western foi o sentido de humor. É muitíssimo bem filmado (sem ser decorativo ou fútil - e lembremos a importância da paisagem no imaginário dos westerns), tem um excelente argumento à volta duma epigrafe do género ("quando a lenda supera a realidade...") e proporciona uma interpretação extraordinária a Casey Affleck . De tudo isto eu já estava à espera. Só não sabia se conseguiria ser poético sem ser pretensioso, ou pedante, ou deslumbrado consigo mesmo. Consegue-o, e penso que o seu segredo passa muito por nos fazer rir bastantes vezes, por dar a entender que não se leva assim tão a sério. E também pela violência de duas, três cenas, não mais. Perder-se-á aquele lado místico (à Malick), mas alcança-se uma serena beleza contemplativa. Resumindo: é um belíssimo filme.
The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, E.U.A., 2007. Realização: Andrew Dominik. Com: Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Shepard, Mary-Louise Parker, Paul Schneider, Jeremy Renner, Zooey Deschanel, Sam Rockwell.

18.1.08

Expiação



Começo por dizer que não gostei de quase nada em ‘Expiação’. O filme é constituído por duas partes (acto e consequência) e uma breve conclusão. A primeira parte é exibicionista e a segunda irrelevante.

Na primeira parte, em que é descrito o acto que desencadeia a história, o realizador Joe Wright aproveita para mostrar as suas habilidades, seleccionando uma banda sonora grandiloquente, exibindo uns brilharetes sonoros, fotografando uns planos muito bonitinhos da paisagem ou de Keira Knightley pensativa. Quase me pareceu estar a ver um anúncio de perfumes, por vezes.
Na segunda parte, em que tinha que nos mostrar as terríveis consequências do acto perpetrado na primeira, perde-se em cenas de guerra irrelevantes, nunca nos conseguindo transmitir que estamos em presença de personagens cuja vida foi destruída.

Tendo uma história de base fortíssima entre mãos, Joe Wright nunca sabe lidar com ela, começando com o peito cheio de ar para logo o desbaratar ingloriamente, perdendo-se numa zona de nenhures onde não sobra quase nada que toque o espectador. Grande desilusão.
Atonement, Grã-Bretanha/França, 2007. Realização: Joe Wright. Com: Keira Knightley, James McAvoy, Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn.

17.1.08

Help me!



Estando, finalmente, a pedido de um amigo, a actualizar a base de dados dos meus dvds, surgiram-me algumas dúvidas sobre os títulos portugueses de alguns filmes que possuo em edições estrangeiras. Agradece-se o auxílio dos estimados leitores: respostas na caixa de comentários ou para o mail serão muito apreciadas. Agradecido.

Day of the Dead, George Romero, 1985
(baralho-me sempre com estes títulos de filmes de zombies. Deve ser "Qualquer-coisa dos Mortos-vivos")

Ohayô, Yasugiro Ozu, 1959
(o título 'internacional' é "Good Morning". Esta seria fácil se o meu livrinho da Folhas da Cinemateca do Ozu não tivesse sumido)

Meet me in St.Louis, Vincent Minelli, 1944
(eu sei que saiu recentemente uma edição em que se chamava "Encontro em St.Louis", mas tenho a certeza de que o título com que foi lançado não era nada disso)

(P.S.: E o post ficou reduzido a estes, pois acabei de descobrir uma catrefada deles no IMDB)

16.1.08

We Own the Night



Bobby (Joaquim Phoenix) usa o apelido da mãe – Green – e é o gerente de um bar pertencente a uma família russa que o trata como um dos seus. A sua vida é esta, a noite, longe da tradição familiar (da família de sangue): o irmão (Mark Wahlberg) é um ambicioso polícia em ascensão, o pai (Robert Duval) é mesmo o chefe máximo do departamento, o Edgar G.Hoover do sítio, como diz alguém às tantas. São os Grusinsky, e ninguém na vida de Bobby (excepto a namorada, Eva Mendes) sabe desta relação familiar. Até que um dia o irmão lhe entra pelo bar adentro para deter um sobrinho do dono, acusado de traficar droga. A partir daqui não há mais neutralidade possível e Bobby vai ter que optar por um dos lados, acabando como infiltrado da polícia no bando dos traficantes russos.

Se pelo argumento se poderá pensar em ‘Departed’ ou até em ‘Promessas Perigosas’, pelo ambiente do filme, pelo ar noctívago e fumarento que se respira, até pela sexualidade exalada, lembrei-me mais de… 'Miami Vice'. E, claro, de toda a tradição dos film noir, além de tudo o mais pelo tema de fundo: um homem não pode fugir ao seu destino.

James Gray escreveu o argumento e dirigiu, e isso nota-se no modo como tudo está interligado, como as vozes baixas e roucas condizem com as suas falas, como as expressões sempre um pouco sofridas mas em low profile das personagens se integram no novelo de relações em que estão envolvidas. Não há nada aqui que não bata certo, neste drama com tons de tragédia, mas que tem, paradoxalmente, um fim meio feliz. Ou talvez não o seja. Ou talvez simplesmente não faça sentido falar de felicidade ou infelicidade: apenas o destino cumpriu o seu curso.
'We own the night' é um dos grandes filmes de 2007, que infelizmente faz parte do extenso lote dos que não estrearam nas salas portuguesas.
P.S.: Aos poucos vou tentar ir aqui falando de filmes do ano passado que foram ignorados pelas nossas distribuidoras.
We Own the Night, E.U.A., 2007. Realização: James Gray. Com: Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Eva Mendes, Tony Musante, Antoni Corone, Alex Veadov, Robert C. Kirk

11.1.08

O sonho de Cassandra



'Cassandra´s Dream' é o terceiro filme de Woody Allen à volta do tema do "crime e castigo". O primeiro foi uma obra-prima: 'Crimes e escapadelas'; o segundo, 'Match Point', era uma ambiciosa variação daquele, mas que me desiludiu um pouco por lhe estar tão colado; este, é, claramente, uma variação menor.
Mantém-se a inteligência na escrita do argumento; mantém-se a excelente direcção de actores; mantém-se a elegância formal (apesar de, para variar, se passar mais ou menos entre as working classes, não há aqui o mínimo vestigio de um Mike Leigh, digamos; mesmo Colin Farell a fazer de mecânico parece, na pior das hipóteses, um camionista sofisticado). Mas é verdade também que falta aqui qualquer coisa que faça o filme descolar da velocidade de cruzeiro, inclusive ao nível do argumento, que é daqueles que Allen escreve numa tarde enquanto faz outra coisa ao mesmo tempo.
Enfim, a generalidade das pessoas já se fartaram de Woody há uns lustros; eu, fã confesso, só agora lhe achei sinais de cansaço (é verdade, gostei muito de 'Scoop'). Que venha o próximo, a ver se isto me passa.
Cassandra`s Dream, Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2007. Realização: Woody Allen. Com: Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Sally Hawkins, Hayley Atwell.

7.1.08

"Two sisters contend for the affection of King Henry VIII"

...já eu gostava era que estreasse este:



(na realidade eu gostava era de ser o Eric Bana neste filme)

6.1.08

Jogos de poder



Já ouviu o leitor aquela teoria que advoga que o que verdadeiramente antecipou a queda do muro de Berlim e o desmoronamento do bloco soviético foi a derrota da falecida U.R.S.S. no Afeganistão? Pois bem, a acreditar neste filme, os responsáveis por tal feito foram um congressista desconhecido, dado à bebida e a meninas (tinha mesmo uma espécie de harém como staff pessoal), uma milionária fanática religiosa e um agente da CIA na prateleira. Esqueçam portanto Reagan e João Paulo II. Este trio é que derrotou o comunismo.
É nesta premissa - baseada em factos reais, imagine-se - que se baseia 'Jogos de poder'. O filme mistura com felicidade o género político (liberal) com a comédia (discreta mas mordaz) e dá-nos um belo retrato dos bastidores do poder na mais poderosa nação do mundo. Um simples congressista, apenas porque estava no lugar certo (um subcomité que decidia o financiamento para operações secretas) e se 'mexia' bem, conseguiu, à revelia do congresso e do Presidente, aprovar verbas astronómicas para apoiar os rebeldes Afegãos, juntando pelo caminho Israelitas e Árabes em favor da causa e pondo a CIA (via o tal agente pária) a suportar a operação. Tudo porque a tal milionária, que encarava a coisa como uma guerra contra os infiéis, o convenceu a entrar na cruzada (não foi difícil convencer o congressista - logo no primeiro encontro levou-o para a cama).
O veterano Mike Nichols filma esta sátira amena com uma perna às costas, com eficácia e ritmo, apoiando-se num excelente casting (Tom Hanks faz mesmo um papelão) e embora fraqueje um niquinho no final (é a mensagem, estúpido!) dá-nos um dos mais divertidos filmes políticos da era Bush.
Charlie Wilson`s War, E.U.A., 2007. Realização: Mike Nichols. Com: Tom Hanks, Julia Roberts, Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Jud Tylor, Hilary Angelo, Wynn Everett, Cyia Batten.

4.1.08

A ler

Um artigo sobre a Liga dos Blogues Cinematográficos - uma boa introdução para conhecer alguns excelentes blogues brasileiros de cinema (que o integrante português é o que se sabe, hehe).

O Top de 2007 dos Cahiers - Eastwood, um dos habituais favoritos da casa, fica de fora. De notar ainda que metade dos eleitos (ainda) não estrearam por cá.

3.1.08

Filmes de Dezembro

Com os balanços de fim de ano & etc., até me esqueci de pôr aqui a habitual resenha dos filmes vistos. Mas, como mais vale tarde do que nunca, como é habitual a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



O eclipse, Michelangelo Antonioni, 1962 (10)
Terrifying Girls' High School: Lynch Law Classroom, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
Sex and Fury, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
School of the Holy Beast, Norifumi Suzuki, 1974 (7)
Foxy Brown, Jack Hill, 1974 (5)
Uma mulher sob influência, John Cassavetes, 1974 (7,5)
Assalto à 13ª esquadra, John Carpenter, 1976 (9,5)
A nos amours, Maurice Pialat, 1983 (8)
Close-Up, Abbas Kiarostami, 1990 (9)
Magnolia, P.T.Anderson, 1999 (9)
Sons do mar, Bigas Luna, 2001 (5)
Fantasmas de Marte, John Carpenter, 2001 (8)
Young Adam, David Mackenzie, 2003 (6,5)
Batalha no Céu, Carlos Reygadas, 2005 (7)
12:08 A Oeste de Bucareste, Corneliu Porumboiu, 2006
Peões em jogo, Robert Redford, 2007
30 dias de escuridão, David Slade, 2007
Chacun son cinéma, vários, 2007
Eu sou a lenda, Francis Lawrence, 2007
Censurado, Brian de Palma, 2007

Num mês em que vi muitos filmes 'recentes', dentro do habitual critério errático com que selecciono os filmes a ver desta vez até houve alguma lógica: continuei a explorar sexploitations (Foxy Brown, uma curiosidade que só vale a pena por Pam Grier; Norifumi Suzuki, um mestre atrás da câmara, confinado a um género menor - quem viu os seus filmes sem se lembrar de Tarantino que ponha o dedo no ar) e prossegui a revisitação da obra de John Carpenter (o homem é muito bom, ponto final). Foi também o mês em que me estreei a ver um filme de Carlos Reygadas, um dos maiores pára-quedistas do cinema contemporâneo (ao contrário de quase toda a gente nem detestei nem adorei, antes pelo contrário). A obra-prima do mês foi 'O eclipse': cada vez mais, Antonioni é um realizador muito cá da casa.

2.1.08

Call Girl



'Call Girl' é aquilo que 'Corrupção' poderia ter sido mas não conseguiu: entretenimento de primeira apanha, indo buscar o argumento à actualidade dos jornais (neste caso em vez de futebolices temos corrupção envolvendo autarcas, promotores imobiliários e campos de golfe), apimentando a coisa com uma femme fatale (Soraia Chaves, imbatível neste campo) e colando as personagens à realidade através da exploração inspirada de uma característica 'de género' – o uso recorrente de palavrões (enquanto que 'Corrupção' falhava o brinde do sotaque à Porto). Não será uma obra-prima, certamente, mas é cinema mainstream com competência e inspiração acima da média.
Call Girl, Portugal, 2007. Realização: António-Pedro Vasconcelos. Com: Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Soraia Chaves, Ivo Canelas, Sofia Grilo, Daniela Faria, Custódia Galego, José Raposo, Raul Solnado, Virgílio Castelo, Maria João Abreu.

Blogosfera de cinema

Aqui há 2 ou 3 anos queixei-me aqui da, não direi qualidade mas, vá lá, imaturidade da maioria dos blogues de cinema lusos (agora não consigo encontrar o dito post). Parecia que eram todos feitos por putos que nunca tinham visto um filme anterior a 1990 e muito menos filmes não americanos. Hoje em dia o panorama mudou bastante, e a acreditar nos tops de blogues que vão aparecendo por aí, e mesmo nas 'tendências do gosto', parece que os novos bloggers de cinema cá do burgo (a maioria bastante jovem, na mesma) são todos fãs do Luis Miguel Oliveira. É o que se chama passar do 8 para o 80.

1.1.08

TOP -10 -- 2007

E os piores filmes que vi em 2007 foram, do pior para o menos mau:



-1. A Ponte, de Eric Steel
-2. O Reino, de Peter Berg
-3. Corrupção, n.a.
-4. Piratas da Caraíbas - Nos confins do mundo, de Gore Verbinski
-5. Um azar do caraças, de Judd Apatow
-6. Missão solar, de Danny Boyle
-7. Alphadog, de Nick Cassavetes
-8. Rocky Balboa, de Sylvester Stallone
-9. Diários de um escândalo, de Richard Eyre
-10. Elizabeth - A idade de ouro, de Shekhar Kapur