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28.3.08

!!

Estava a pensar passar pelo Porto este fim-de-semana para ver dois filmes portugueses que estrearam há duas semanas: The Loverbirds e Lobos. Acontece que descobri que o primeiro ainda não estreou no Porto (se é que o 'ainda' faz sentido, se calhar nem estreia) e o segundo... já saiu de cartaz.

É a velha questão da pescadinha de rabo na boca: como para os distribuidores há certos filmes que a priori não têm público, toca a estreá-los então num ou dois cinemas e tiram-se logo a seguir de exibição. Como os ditos cujos só estrearam num ou dois cinemas e foram logo a seguir retirados de exibição, muitos dos interessados nem sequer tiveram hipótese de os verem e assim confirma-se que estes filmes têm poucos espectadores...

And Now for Something Completely...




Longe de mim querer envolver-me em polémicas, ainda por cima sobre um assunto com barbas como a teoria dos ‘Auteurs’. Mas por ser com o Tiago, vou-me explanar mais um bocadinho. Basicamente o que o inventor da malfadada 'política dos autores', Truffaut nem mais nem menos, disse - penso eu - foi que um filme é do realizador, mais do que do argumentista, do produtor ou das stars. Pelo menos é assim com os filmes e com os realizadores que valem a pena. Para mim é isto a teoria dos autores.

Rivette foi ainda mais longe e disse que o verdadeiro autor nem uma linha do argumento escreve (vide Hawks e Hitchcock) e Godard também terá dito que não precisava de argumentos para nada.
Naturalmente nunca faltaram detractores a teoria tão extravagante. Pauline Kael, por exemplo, parece que não gostava lá muito disto e tentou mesmo provar que o génio de ‘Citizen Kane’ se devia a Herman Mankiewicz, o argumentista, e não a Orson Welles.

Já eu concordo com Truffaut em quase tudo, e por isso para mim há autores, ou seja, realizadores cuja personalidade, cujo estilo (que inclui a mise en scène mas não só), são só seus e que criam um universo muito próprio, único e rico. E que um filme menor de um destes autores, vale mais a pena do que a obra-prima de um tarefeiro. A coerência é um corolário do atrás exposto, não mais. Stalone tem um universo coerente (é só filmes de porrada) e Edward D. Wood Jr. então nem se fala.

Quanto ao cinema mainstream não sei o que seja. Se alguma dualidade eu expressei, foi entre autores e não autores. O maior de todos os autores, na minha modesta opinião, foi Hitchcock que era (e é) popularíssimo, e nunca teve outro objectivo que não fazer filmes para o maior número de espectadores possível.

E pronto. Estas ‘polémicas’ parecem-me coisas de meninos a brincar aos críticos de cinema 'sérios', por isso peço desculpa pela insistência. Não gosto de ser mal interpretado, embora não me desagrade totalmente que as minhas ‘bestialidades tão inigualáveis’ provoquem o desejo de um blogger pacato como o Tiago se tornar uma personagem de Takeshi Miike (que apesar de fazer maioritariamente filmes para o sub-mercado dos clubes de vídeo é um autor, já agora).

27.3.08

Richard Widmark (26/12/1914 - 24/03/2008)



Com alguns dias de atraso, fica aqui referência à morte de Richard Widmark. A última vez que o vi, há um par de meses, acompanhava James Stewart em território Índio. Foi em 'Terra bruta' ('Two Rode Together'), obra-prima de John Ford.
Widmark tinha 93 anos e estava afastado dos ecrãs há mais de 15. A partir de agora, resta-nos revê-lo nos filmes de Ford, Fuller, Henry Hathaway e tantos outros.

26.3.08

Café Bagdad



Amanhã, 5ª feira, entre as 15h e as 16h, como sempre acontece de duas em duas semanas, vai para o ar mais uma emissão do Café Bagdad, na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9).

O Pedro P.Costa modera, e a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio, divagamos a propósito de 'Citizen Kane', de Orson Welles, e divergimos acerca de 'Haverá sangue', de P.T.Anderson.

24.3.08

A política dos autores



'Sim, mas a política dos autores tornou-se muito depressa uma fuga para a frente, porque era o mesmo que dizer: efectivamente são todos muito diferentes, mas têm algo em comum que é o facto de serem "autores". Mas bom, a partir desse momento, num instante, toda a gente se tornou um autor!'

Jacques Rivette, em diálogo com Hélène Frappat, in La Lettre du Cinéma (1999), transcrito no catálogo da Cinemateca dedicado ao cineasta.

Estas palavras de Rivette fazem eco com um pensamento que eu próprio já tive por diversas vezes: uma das 'manias' de alguma critica actual é descobrir um novo "Hitchcock", ou seja descobrir um autor num realizador que faça 'filmes de acção', que se afaste do conceito mais 'consensual' de autor.

Não falo assim de um Kiarostami ou mesmo de um Eastwood, que toda a gente concorda em classificar como tal. Eastwood até poderia ser o tal candidato, mas a estranha unanimidade que caiu sobre ele já o consagrou, e afastou a hipótese de ele ser o autor que o crítico descobriu e cujos filmes (todos eles) defenderá intransigentemente - hoje em dia crítico que se pretende crítico classifica de obra-prima o que quer que Mr.Eastwood faça e ponto final. Eastwood, como os clássicos, já não é discutível. Enquanto a crítica batia - e bem - em Scorsese enquanto ele andava a fazer Gangues de Nova Iorque e Aviadores, Eastwood é aplaudido de pé mesmo quando faz um filme tão desapontante como 'As bandeiras dos nossos pais' (não concordando com tudo, nomeadamente com o que é dito de 'Mystic River', parece-me que o que aqui é dito é bastante pertinente).

Mas adiante, que o meu post não se destina a Eastwood, grande realizador com alguns pontos baixos, tal como Scorsese de quem muito gosto. O meu ponto prende-se com aqueles que pretendem descobrir autores no horrível Stalone (só se for no mesmo sentido em que Ed Wood era um autor...) ou em John McTiernan, James Cameron, Michael Mann e sei lá em quem mais. Basta um fulano ser americano e fazer um bom filme 'de acção' dentro de Hollywood (um 'Assalto ao arranha céus' ou um 'Miami Vice', digamos) para se vir logo por aí abaixo a reavaliar a obra anterior do senhor e, lá está, agrafar-lhe o bendito título de 'autor'. Por este processo, um filme tão vulgar como 'Colateral', passa logo ao estatuto de obra-prima transcendente. E por vezes nem é preciso tanto: basta haver alguma auto-referencialidade e logo um 'Rocky 10' ou um 'Rambo 23', com Stalone a grunhir banalidades, passa a ser um filme 'crepuscular' e sei lá que mais. Irra!

21.3.08

Caramel


Nadine Labaki

Caramel é uma crónica de costumes sobre a Beirute de hoje, visto pelo prisma de um grupo de mulheres jovens e desempoeiradas, que trabalham num cabeleireiro.
Com um tom assumidamente menor, oscila entre o cómico e o nostálgico (no sentido do que poderiam ser as coisas), e dá-nos um olhar feminino, simpático mas assertivo, de uma sociedade ainda profundamente machista. Este olhar é o maior trunfo do filme, que passa completamente ao largo da guerra – e talvez só uma mulher fosse capaz de fazer um filme no Líbano ignorando a política.
Por vezes pensamos que poderia ir mais longe, que é demasiadamente ‘caramelizado’ no tratamento de temas difíceis, mas não nos podemos esquecer que foi feito num país em que teve que atravessar as malhas da censura...
Uma palavra ainda para o conjunto de belas actrizes (que têm sido classificadas de Almodovarianas – mas a mim pareceram-me acima de tudo Espanholas!), onde se inclui a realizadora e argumentista, Nadine Labaki.
Caramel, Líbano, 2007. Realização: Nadine Labaki. Com: Nadine Labaki, Yasmine Al Masri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam, Siham Haddad, Aziza Semaan, Fatme Safa, Dimitri Staneofski, Fadia Stella, Ismaïl Antar.

16.3.08

Jumper



Jumpers são pessoas que se teletransportam, ou seja, que se conseguem deslocar para qualquer local instantaneamente apenas pensando nele. Tipo agora tomo o pequeno-almoço em NY, depois dou um saltito até ao cimo da pirâmide de Gisé para contemplar o deserto e à noite já estou numa discoteca da moda em Londres a sacar miúdas. Mas infelizmente há uns fulanos, os Paladinos, que não gostam, por razões morais, dos Jumpers: acham que só Deus deve ter aquele poder, por isso toca a exterminar os que apanham.

Diga-se que tudo isto nos é explicado muito vaga e displicentemente, que Doug Liman não está para grandes teologias. Mesmo o modo como funciona o ‘teletransporte’ é no mínimo omisso. Como li algures, o espectador também precisava de ser um jumper para saltar entre tantos buracos no argumento. Mas essa até é a parte com que eu posso melhor: aliás se o filme tem algum mérito é o de não se levar muito a sério.

Doug Liman hesita entre o romance (chocho), a ficção cientifica (praticamente nula, se exceptuarmos a premissa inicial) e o filme de acção (insuficiente) e não vai a lado rigorosamente nenhum. Por vezes há uns vislumbres que provam que não era impossível fazer algo interessante com o tema (uma corrida de carro em que este também é teletransportado; uma luta em que as personagens se vão teletransportanto, tão depressa estando no deserto como no centro de Tóquio), assim uma espécie de ‘Bourne Ultimatum’ futurista e com humor (há duas ou três piadas boas, mas fica-se por aí).

Mas não, tudo se fica por uma mediania apática e sem sal, resultando numa fita um bocado palerma para adolescentes, tanto mais desapontante quanto Liman até possui uma certa elegância ao filmar, que se entrevê por entre o lema geral de não arriscar nem um bocadinho e manter a velocidade de entretenimento mínimo e anódino.

Passando por cima do final previsível e –uma vez mais – chocho, uma palavra final para os actores: eu não sei porquê fui ver o filme convencido que era com Matt Damon, mas na realidade é com Hayden Christensen, que consegue a proeza de ser um milhão de vezes ainda mais inexpressivo que aquele; já a mocinha (Rachel Bilson) nem é feia de alguns ângulos, mas infelizmente representar também não é o seu forte, mesmo tendo em conta que recebeu um papel de verdadeira sonsinha; e, como um mal nunca vem só, até o grande Samuel L.Jackson apenas se distingue pelo seu penteado à Abel Xavier.
Como me costuma dizer pessoa amiga, só eu é que vou ver filmes destes....
Jumper, E.U.A., 2008. Realização: Doug Liman. Com: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Tom Hulce, Michael Rooker.

12.3.08

Café Bagdad



Amanhã, 5ª feira, entre as 15h e as 16h, Marta Catarino, Patrícia Jerónimo e eu próprio, conversamos informalmente sobre cinema no Rádio Clube - Emissão Minho (92.9).
O Pedro Costa do RCP modera, e nós divagamos a propósito de 'O bom, o mau e o vilão', de Leone, e de 'Este país não é para velhos', dos manos Coen. Fica a sugestão para eventuais leitores/ouvintes da região de Braga - vale a pena ouvir a Marta e a Patrícia.

11.3.08

Duas irmãs, um rei



O argumentista Peter Morgan, que já nos tinha dado a sua visão de Tony Blair e da sua entourage em ‘A Rainha’, vira-se agora para Henrique VIII, adaptando o livro de Philippa Gregory.
Algo mudou duma época para a outra: no século XVI as inúmeras intrigas palacianas eram feitas mais à descarada (hoje oferecer a filha casada para amante do soberano não fará parte do menu) e, claro, o Rei fazia pura e simplesmente o que lhe dava na real veneta, rompendo com a Igreja Católica e enviando esposas para conventos ou até para o cadafalso, com o nobre propósito de satisfazer os seus apetites sexuais e de caminho dar um varão à corte. Pensar no pobre Tony Blair sempre rodeado de assessores de imagem para auscultar os ‘sentimentos do povo'...
Morgan é bastante menos simpático com o Rei do que o foi com o primeiro-ministro e o argumento sai-lhe bastante menos interessante. Tenta meter tanta coisa no caldeirão (inventando livremente quando lhe apetece) que inevitavelmente não há tempo para digerirmos a coisa. Tantas peripécias, traições, reviravoltas e intrigas se vão sucedendo, que as personagens nem tempo têm para respirar, quanto mais para serem credíveis. Henrique VIII, um homem poderosíssimo, é tratado como um mero joguete nunca se percebendo as suas motivações, fazendo Eric Bana pouco mais que figura de corpo presente.
Tudo isto precisava de outro tempo, de outra respiração, que esta espécie de condensado não permite, dividindo-se a culpa entre argumentista e realizador. Se o primeiro não fornece grande matéria-prima, o segundo também não vai além da ilustração competente e insossa.
Deixamos então para o fim o único motivo pelo qual este filme terá alguma notoriedade (se a tiver): reunir no ecrã duas das mais cativantes actrizes da actualidade. Na minha modesta opinião nenhuma delas é especialmente favorecida pelas roupinhas da época, mas não há como não ficar pelo beicinho com La Scarlett - que faz cara de boazinha e não muito mais. Natalie faz de má, e bem. E... c’est tout!
The Other Boleyn Girl, Grã-Bretanha, 2008. Realização: Justin Chadwick. Com: Scarlett Johansson, Natalie Portman, Eric Bana, Jim Sturgess, Kristin Scott Thomas, David Morrissey.

9.3.08

Fantasporto 2008

GRANDE PRÉMIO MELHOR FILME FANTASPORTO 2008: REC – Jaume Balagueró, Paco Plaza (Esp)

PRÉMIO MELHOR FILME SEMANA DOS REALIZADORES: OPIUM, DIARY OF MADWOMAN – Janos Szasz (Hun)

PRÉMIO MELHOR FILME ORIENT EXPRESS: TRIANGLE - Ringo Lam, Johnnie To, Tsui Hark (HK)

Palmarés completo.

7.3.08

Três tempos



‘Três tempos’ é constituído por 3 segmentos independentes, 3 médias metragens vagamente unidas pelo tema (relações, de amor, ou nem tanto) e pelos actores. A primeira passa-se em 1966, e segue um soldado que procura uma mulher com quem costumava jogar bilhar; a segunda passa-se num bordel no início do século e é ‘muda’, com entretítulos e tudo, apenas com acompanhamento musical; finalmente a última e mais pessimista decorre em 2005 e fala-nos de um triângulo amoroso, de um mulher com outra mulher e um homem, numa época de sms e mails.
Tirando o seu segmento de 'Chacun son cinéma', este é o primeiro filme que vejo de Hsiao-Hsien, realizador taiwanês multi-premiado, nomeadamente em Cannes e Berlim. É um filme melancólico, lacónico, com um tempo próprio, sem gestos bruscos. Gostei do seu minimalismo formal e das suas histórias apenas esboçadas, sugeridas, mas estive longe de ficar deslumbrado.
Não me marcou ou surpreendeu como me aconteceu quando descobri Tsai Ming-liang (e em boa verdade continua a acontecer), seu conterrâneo com quem por vezes é comparado (ou vice-versa – Liang, dez anos mais novo, é que será influenciado por ele). Parece-me menos excêntrico, em ambos os sentidos da palavra. Mas, claro, é impossível julgá-lo por um filme só. Eu provavelmente não comecei pelo mais indicado.
Zui hao de shi guang/Three Times, Formosa/França, 2005. Realização: Hsiao-hsien Hou. Com: Shu Qi, Chang Chen, Di Mei, Shi-Zheng Chen, Pei-Hsuan Lee.

6.3.08

Amadorismo no Fantas



Ao fim de quase 30 anos de existência, o Fantasporto ainda continua a dar alguns exemplos de um amadorismo gritante.

Exemplo 1) Está o escriba no passado dia 1 na fila para comprar bilhete para ‘One missed call Final’ (3ª sequela de um filme de Miike), quando repara num aviso em que se diz que o ‘filme chegou sem legendas’ pelo que foi substituído pela ‘antestreia Europeia do filme ‘The Eye 10’ dos irmãos Pang’. Assim, sem mais nada. Quem quiser que arrisque! (se bem que às vezes ter uma sinopse ou não ter vai dar ao mesmo, tal a (falta de) qualidade das mesmas...)

Exemplo 2) Uma conhecida marca de cerveja e patrocinadora do Fantasporto, promove uma campanha em que por cada cerveja bebida nos espaços do Fantas o bebedor-cinéfilo tem direito a um carimbo num ‘passaporte’. Sendo que três carimbos dão direito a dois bilhetes para o Fantas.
Domingo, dia 2, o escriba dirige-se com o dito passaporte devidamente carimbado à ‘Cidade do cinema’, um barracão em frente ao Rivoli, para proceder à respectiva troca. É informado que só abre às 15h. Ok, o escriba vai dar uma volta e regressa às 15h (com mais um carimbo, entretanto!). A dita ‘Cidade' continua fechada. O escriba hesita em ir ver a sessão das 15h e voltar, mas acaba por se decidir esperar. Passado um bom quarto de hora, lá abrem as portas (ou melhor, a lona). Um simpático rapaz da Super-Bock (ok, adivinharam a marca) explica-nos que não tem bilhetes para trocar, que não estão lá… Depois de um telefonema descobre que a colega ‘que deve estar a chegar’ é que os tem. Entretanto já se tinha juntado um pequeno grupo e o rapaz, fica nervoso… é que só têm 16 bilhetes por dia para oferecer! Sendo que cada pessoa ali tem direito pelo menos a 2, já estão à justa. Pede-nos para fazermos uma fila, para se saber quem chegou primeiro, e diz-nos algo timidamente que só pode trocar 2 bilhetes por pessoa, e quem estiver para trás do oitavo lugar da fila é melhor voltar no dia seguinte, conselho que vai repetindo a quem vai chegando.
Entretanto uma pessoa ali na fila, sem saber bem porquê, lá vai perguntando pela ‘colega que deve estar a chegar’. ‘Nós entramos às 15h, por isso deve estar mesmo a vir…’. Entretanto vão-se contando histórias semelhantes do dia anterior, em que passados 5 minutos da abertura do barraco já não havia bilhetes.
Passa das 15h30 e chega a ‘colega’ com toda a calma. Nem se digna olhar para a fila, nem bom dia nem boa tarde, limita-se a entregar com ar superior os bilhetes/convites ao colega que esteve a aturar as pessoas (muito pacificas, como é apanágio dos portugueses). E pronto, nós lá saímos todos contentes com 2 bilhetezinhos que a Super Bock numa espectacular colaboração com o Fantasporto teve a extrema amabilidade de oferecer a 8 dos seus clientes…

Exemplo 3) Segunda-feira às 23h15 acumula-se uma pequena multidão à porta do grande auditório para assistir a ‘I’m a Cyborg but that’s ok’, de Chan-wook Park, provavelmente o filme mais aguardado deste Fantas. Passada a hora marcada, sem as portas se abrirem, percebe-se que se passa algo de errado. Alguém na fila comunica ao escriba que houve problemas técnicos com o filme da sessão anterior, pelo que este ainda decorre. A malta, animada por aquele ‘espírito Fantas’, lá vai aguardando ordeiramente. Lá para 23h45, já com meia hora de atraso e sem ninguém da organização dar qualquer explicação, o escriba resolve indagar junto a um dos porteiros. ‘Está atrasado uns 45 minutos, no mínimo…’ informa simpaticamente. Ainda bem que avisam, pensa o escriba dirigindo-se para a bilheteira, que no dia seguinte é dia de trabalho e ainda há 1 hora de caminho pela frente: ‘informaram-nos que tal e tal’, ao que é respondido que um membro da organização estava a tentar saber qual o atraso real e ainda não havia nada ‘oficial’. Mas pode devolver-nos o dinheiro dos bilhetes? Posso. Obrigado.
E pronto, dos 4 filmes que pretendia ver em 2 dias, consegui ver 2.

Já falei no ‘espirito Fantas’, que se estenderá a outros festivais, que implica uma certa tolerância que não se teria num cinema ‘comercial’, enfim, somos todos cinéfilos, estamos gratos à organização por nos proporcionar o festival, compreendemos que é difícil levar tudo a bom porto, etc., etc.
Mas quando na sessão de abertura, temos um membro da organização a perorar longamente sobre o prestígio do Fantas, o facto de ser um ‘festival internacional’, que ao contrário de outros não é um ‘festival que passa dvds’, que tem que ter subsídios compatíveis com a sua competência, etc., etc., aí já temos mais dificuldade em compreender estes amadorismos e, mais grave, falta de respeito para com os espectadores.
Para o ano há mais.

5.3.08

Anos 90

Cá vão:



1) Casino, de Martin Scorsese

2) Imperdoável, de Clint Eastwood

3) Chungking Express, de Wong Kar-Wai

4) Eduardo mãos de tesoura, de Tim Burton

5) Contos das 4 estações, de Eric Rohmer

6) Pulp Fiction, de Quentin Tarantino

7) Short Cuts, de Robert Altman

8) Felicidade, de Tod Sollondz

9) A festa, de Thomas Vinterberg

10) Trainspotting, de Danny Boyle

4.3.08



E o Alfred para melhor filme de 2007 foi para 'Jogo de cena', de Eduardo Coutinho. Em segundo lugar, com menos 1 voto, ficou o magnífico 'Coeurs', de Resnais, que brevemente estreará por cá; 'Inland Empire' de Lynch e 'Mary' de Ferrara empataram no terceiro lugar e 'Zodiac', de David Fincher, fechou a lista.
No ano em que 'Tropa de elite' vence em Berlim, o Alfred é também entregue a um filme brasileiro! Eu, precisamente por não ter visto 'Jogo de cena', abstive-me nessa votação.

Todos os resultados aqui.

2.3.08

Filmes de Fevereiro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



A incrivel Susana, Billy Wilder, 1942 (7,5)
Cinco covas no Egipto, Billy Wilder, 1943 (9,5)
Os invasores, Bud Boeticher, 1953 (8,5)
Sweet Smell of Success, Alexander Mackendrick, 1957 (8)
Faster Pussycat, Kill, Kill! - Russ Meyers, 1965 (7)
Um dia de cão, Sidney Lumet, 1975 (10)
As mãos do estripador, Peter Sasdy, 1979 (5)
Stalker, Andrei Tarkowsky, 1979 (8)
História de Gangsters, Irmãos Coen, 1990 (8)
A dupla vida de Veronique, Krzysztof Kieslowski, 1991 (7,5)
O pianista, Roman Polansky, 2002 (8)
Coeurs, Alain Resnais, 2006 (8,5)
O banquete do amor, Robert Benton, 2007
Sweeney Todd, Tim Burton, 2007
Sedução, conspiração, Ang Lee, 2007
O lado selvagem, Sean Penn, 2007
O comboio das 3 e 10, James Mangold, 2007
Haverá sangue, P.T.Anderson, 2007
Vista pela última vez, Ben Affleck, 2007
Michael Clayton, Tony Gilroy, 2007
Este país não é para velhos, Irmãos Coen, 2007
Juno, Jason Reitman, 2007

P.S.: Ando demasiadamente atordoado com o que tenho visto no Fantas (que inclui um western japonês falado em inglês, de Takeshi Miike, com Tarantino himself num pequeno papel), para começar a pensar no desafio que o Tiago me lançou. Mas não está esquecido!