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30.11.10

Wish List


(e descobri que o título português de La Jetée é... 'O Pontão'!!!)

26.11.10

Machete


'Machete' é um belo divertimento desmiolado, mas... faltam-lhe os diálogos de Tarantino. Assim, o sabor a déjà vu é inevitável.

Machete, E.U.A., 2010. Realização: Robert Rodriguez e Ethan Maniquis. Com: Danny Trejo, Robert De Niro, Jessica Alba, Steven Seagal, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey, Cheech Marin, Don Johnson, Lindsay Lohan.

25.11.10

José e Pilar


Exceptuando o facto ridículo de se legendar tudo o que é dito neste filme, o que inclui o muito que é dito em português, de um modo geral pode-se dizer que o principal mérito de Miguel Gonçalves Mendes é também a sua maior fraqueza: não inventa. Através de uma montagem inteligente mas 'neutra', acompanhamos o dia a dia de Saramago  (o Saramago pós-Pilar, como é dito, daí a justeza do título), as inúmeras solicitações a que tem que corresponder, as viagens, as feiras, a vida de estrela em que o Nobel o tornou, em suma.

E o que vemos é uma pessoa inteligente, pessimista, com um sentido de humor inesperado, ora feroz ora terna, mas sempre interessante.

É suficiente? Eu diria que depende do espectador. Eu gostaria de algo mais. Não digo que estejamos ao nível do 'telefilme de qualidade', mas não estamos muitos degraus acima.

José e Pilar, Portugal/Espanha/Brasil, 2010. Realização: Miguel Gonçalves Mendes. Documentário.

23.11.10

Lola


Há filmes que nos agarram desde o início. E há outros em que se passa o contrário. Não obstante as minhas elevadas expectativas, ao fim de 5 minutos eu já sentira que este não seria um dos 'meus' filmes. E não foi, e nem sei bem porquê. Tem duas fantásticas actrizes (as avozinhas, ou 'lolas') e atrás da câmara está um verdadeiro cineasta, com um olhar próprio, que nos dá um retrato impressivo de uma Manila pobre, alagada, injusta, em que cada um faz o que pode para se safar. Mas se admirei tudo isto, a verdade é que a maior parte do tempo não criei empatia com o filme. Talvez porque o cineasta force a nota em duas ou três cenas (estou-me a lembrar daquela em que uma das avós não consegue encontrar uma casa de banho); talvez porque o final me pareça mal explicado; ou talvez seja de mim. Há filmes assim: uma pessoa gostava de gostar mais deles. 

Lola, França/Filipinas, 2009. Realização: Brillante Mendoza. Com: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez, Jhong Hilario, Ketchup Eusebio.

22.11.10

Scarlett Johansson - Top 10

Os leitores mais atentos já terão reparado que a única actriz (ou actor, já agora) que tem direito a uma 'label' própria aqui no tasco é a menina Escarleta. Pois a menina faz hoje 26 aninhos, boa ocasião para fazer aqui um top 10 dos meus filmes preferidos em que ela estrela, como dizem os brasileiros.
Os 4 primeiros são obras-primas, os 4 a seguir são muito bons, e os 2 últimos não envergonham ninguém. Nada mau.

1.
Lost in Translation, Sofia Coppola (2003)


2.
 Match Point, Woody Allen (2005)


3.
Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen (2008)


4.
Ghost World, Terry Zwigoff (2001)


5.
O Barbeiro, Irmãos Coen (2001)


6.
A Dália Negra, Brian De Palma (2006)


7.
Scoop, Woody Allen (2006)


8.
Uma boa companhia, Paul Weitz (2004)


9.
Rapariga com brinco de pérola, Peter Webber (2003)

  
10.
Uma canção de amor, Shainee Gabel (2004)


18.11.10

36

Cópia certificada


Pode uma cópia ser superior ao original? E pode uma relação ser hoje o que foi há 15 anos? E pode um casal recriar o que se passou então?

‘Cópia certificada’ começa como uma reflexão sobre a arte (o seu protagonista defende as cópias como forma de arte), mas às tantas já se transformou na discussão de um casal acerca do seu casamento. E nós nem demos bem conta dessa passagem. E de repente já fomos confundidos sobre o que é verdadeiro neste filme. É o casal da 'primeira metade' ou da 'segunda'? Se é que se pode falar de 'verdade' quando estamos a falar de um filme, claro.

Este é o primeiro filme de Kiarostami feito fora do Irão (passa-se na Toscânia), com actores ocidentais (os extraordinários William Shimell (*) e Juliette Binoche), mas, está bem de ver, é até à medula um filme do realizador de ‘Close Up’ (filme em que, recordemos, um impostor que na vida real se fazia passar pelo realizador Mohsen Makhmalbaf, faz de si próprio na reprodução dessa fraude...).

'Cópia certificada' começa por nos provocar um sorriso (uma 'conferência' sobre arte, uma bela mulher a admirar o conferencista), depois parece que emperra (é certamente o filme mais palavroso de Kiarostami), a seguir baralha e torna  a dar e, no final, o resultado é o mesmo de sempre com Kiarostami: saímos fascinados.

(*) Ignorância minha: não é actor 'profissional', mas sim um reputado barítono.

Copie Conforme, E.U.A., 2010. Realização: Abbas Kiarostami. Com: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Natanson, Gianna Giachetti.

17.11.10

Sondagem encerrada: Qual é o maior realizador Italiano?


Na votação mais renhida das já aqui levadas a cabo, Federico Fellini foi eleito o realizador italiano preferido dos leitores, batendo Luchino Visconti por apenas 1 votinho (46% dos votos contra 43%). A fechar o pódio houve mesmo um empate: Michelangelo Antonioni e Sergio Leone (36% cada).

Depois, outro empate, entre Roberto Rossellini e Valerio Zurlini (20% cada), seguidos de Vittorio de Sica (16%), Nanni Moretti (13%) e Bernardo Bertoluci e Pier Paolo Pasolini (6% cada). A opção 'outros' também teve 6% dos votos e Roberto Begnini não mereceu a preferência de ninguém.

15.11.10

Arrependimentos


Mathieu (interpretado pelo actor e realizador Yvan Attal) é um arquitecto que vive em Paris, casado, bem instalado, que regressa à terrinha devido a doença da mãe, e encontra a namorada que abandonara 15 anos antes.

'Arrependimentos' é um filme sobre duas pessoas que não podem viver uma com a outra nem uma sem a outra - é um filme sobre obsessões.

Cédric Kahn já andou por estes terrenos - e com mais pertinência - em 'O tédio', mas é sempre um prazer voltar a este seu cinema elegantemente filmado, a estas suas personagens tão burguesas e tão francesas. E, claro, rever Valeria Bruni Tedeschi, actriz que combina como nenhuma outra sensualidade com um certo ar desamparado - vale sempre a pena sair de casa para a ver.

Les Regrets, França, 2009. Realização: Cédric Kahn. Com: Yvan Attal, Valeria Bruni Tedeschi, Arly Jover, Philippe Katerine, François Négret.

12.11.10

Qual é o maior realizador Italiano?

Vote na sondagem aqui ao lado! Desta vez, para facilitar a vida aos estimados leitores, é permitido votar em (até) 3 opções. Começo eu: voto em Fellini, Zurlini e Antonioni.

11.11.10

Paris I'll Kill You


(roubado daqui)

10.11.10

A rede social


Diga-se desde já que a 'A rede social' é uma competente, bem filmada e melhor interpretada biografia de Mark Zuckerberg (o - será preciso dize-lo? - quase-adolescente criador do Facebook).

Ao contrário das biografias escritas, com nobre tradição no mundo anglo-saxónico, os biopic fazem qualquer cinéfilo torcer o nariz de desconfiança. Mas neste caso havia à partida dois chamarizes: Fincher (não que eu seja um big fan, mas a verdade é que nunca fez um mau filme) e, claro, para os milhões de utilizadores do Facebook, potencial matéria-prima inflamável. Especificando: aquela explosiva combinação tipicamente americana do nerd que se revela também um ás imparável dos negócios -  capaz de se rodear dos melhores (cf. Sean Parker, o inventor do Napster, outro pequeno génio a que faltou de todo o quase ascetismo de Zuckerberg para ter o sucesso deste, mas que lhe deu uma valente ajuda - não por acaso é a única pessoa que vemos Mark admirar), mas também de se livrar sem escrúpulos de quem já não faz falta (cf. Eduardo Saverin, o brasileiro que entrou com o capital inicial mas que faz figura de corno o tempo todo na fita; ou, fica nas entrelinhas, o próprio Sean quando se torna um embaraço).

A cena inicial de 'A rede social' limitou, no entanto, desde o principio, a minha adesão ao filme.  É que resume desde logo o programa do que vamos ver, numa única conversa: o nerd-géniozinho-que-vai-inventar-a-rede-social-de-maior-sucesso-porque-tem-dificuldade-em-socializar-e-alguns-complexos-de-classe. Não era necessário munirem-nos logo ali com a chave freudiana adequada para descodificar a coisa. E a última cena do filme volta a bater no ceguinho do simbolismo berrante.

Mas reconheço que a adesão a qualquer biografia também passa em boa dose pelo nosso interesse no biografado, e uma pessoa que nem conta tem no Facebook, como eu, não será a que se sentirá mais fascinada por Mr.Zuckerberg. Perguntar-me-ão: mas o filme não é mais do que isso? Não transcende a tal biografia competente de Zuckerberg? Não me parece. Não estamos perante um novo Citizen Kane. Nem nada que se pareça.

The Social Network, E.U.A., 2010. Realização: David Fincher. Com: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Joseph Mazzello, Armie Hammer, Max Minghella, Rooney Mara, Brenda Song.

8.11.10

Manuel Cintra Ferreira (1942-2010)


"Uma autêntica enciclopédia da história do cinema",  o critico que "gostava de gostar e de se entusiasmar com os filmes que via". "Cintra Ferreira ia ver um filme sempre com uma grande abertura de espírito, e com "cinco estrelas" disponíveis".

Estas 3 frases proferidas por colegas seus, retiradas da excelente nota do Público , resumem bem a ideia que eu tinha de Manuel Cintra Ferreira: além de se contar entre os mais cinéfilos, era o crítico de cinema mais simpático e despreconceituoso a escrever nos nossos jornais. Quando eu ainda lia jornais, era o primeiro que consultava.

6.11.10

It's no coincidence that this film is masterpiece


Ozu not only drunk more than perhaps any other major film director, he saw in this habit the source of his artistic strenght.

Usually Ozu's comments in the diary that he and [his co-writer] Noda (and anyone else who happened to be there) kept were confined to poetical remarks about the weather (in the most arcane of kanji) and an accounting of how much of which kind of alcoohol he had drunk that day (he preferred scotch, but he also drank sake and relatively inexpensive Japanese whiskeys). In an entry of July 7, 1959, however, written in elegant imitation of classical forms, he observed, "If the number of cups you drink be small, there can be no masterpiece; the masterpiece arises from the number of brimming cups you quaff." He descends from these heights in the following line: "It's no coincidence that this film [Floating Weeds] is masterpiece - just look in the kitchen at the row of empty bottles".

Ozu, Donald Richie

3.11.10

[Rec] 2


Mais do mesmo. Ou melhor: menos do mesmo, que a frescura inicial já se foi. Não havia necessidade.

[Rec] 2, Espanha, 2009. Realização: Jaume Balagueró e Paco Plaza. Com: Jonathan Mellor, Óscar Sánchez Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso, Manuela Velasco.