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29.4.11

Requiem For a Dying Planet


Evolução de um projecto que reuniu o violoncelista holandês Ernst Reijseger e o cineasta alemão Werner Herzog, Requiem for a Dying Planet compreende a projecção de dois filmes acompanhados ao vivo por um ensemble que une sonoridades do mundo: Reijseger, a senegalesa Mola Sylla (voz, percussões, calimba e xalam) e o grupo vocal da Sardenha Cuncordu e Tenore de Orosei. Quando, em 2004, Werner Herzog procurava alguém que criasse uma banda sonora muito pessoal para dois filmes, "The Wild Blue Yonder" e "The White Diamond", foi-lhe indicado Reijseger. Começava uma parceria que respondeu ao desejo de Herzog: "Usar a imagem e o som de uma forma nunca antes experimentada".

A união inusitada de sons do Norte e do Sul, do jazz de vanguarda e de raízes musicais profundas e ancestrais, dilui-se num cinema que exige singularidade: "The Wild Blue Yonder" é uma obra de ficção científica sobre um planeta excepcional e "The White Diamond" um documentário sobre o engenheiro aeronáutico Graham Dorrington no Guiana.


28.4.11

Caminhar no gelo


"No final de Novembro de 1974, um amigo ligou-me de Paris a dizer-me que Lotte Eisner estava gravemente doente e que provavelmente morreria. Eu disse que não podia ser, não agora, o cinema alemão ainda não a podia dispensar, não podíamos permitir que ela morresse. Peguei num casaco, numa bússola e num saco de desporto contendo o estritamente necessário. As minhas botas eram novas e robustas, confiava nelas. Segui pelo caminho mais directo até Paris, com a firme convicção de que ela viveria se eu fosse ter com ela a pé."

(a chegar às livrarias, descoberto via)

26.4.11

Marie France Pisier (1944-2011)


De cima para baixo: Marie-France Pisier como Collete em 'Antoine e Collete' (1962), Beijos Roubados (1968) e 'Amor em fuga' (1979, o filme que fecha o 'ciclo Doinel' ), sempre acompanhada por Jean-Pierre Léaud.

London Boulevard - Crime e Redenção


Apeteceu-me ver este filme por causa dos actores: Colin Farrell (sempre o achei um grande actor), Keira Knightley (ver posta abaixo) e David Thewlis ('Naked').

Infelizmente a coisa não passa de um amontoado de lugares comuns, misturando sem originalidade uma trama de gangsters numa Londres de Guy Ritchie com um enredo, se possível ainda mais dejá vu, do fascinante género 'celebridade acossada pelos papparazzi', tendo Keira Knightley (que pouco aparece) e David Thewlis (que se safa com dignidade) pouco mais do que estereótipos para defender.

A Farrell é dada uma personagem com mais substância e ele mostra que é homem para aguentar um filme sózinho. Mas quando um realizador não está ao nível do seu director de casting não há nada  a fazer.

London Boulevard, E.U.A./Grã-Bretanha, 2010. Realização: William Monahan. Com: Colin Farrell, Keira Knightley, Ray Winstone, David Thewlis, Anna Friel, Ben Chaplin, Eddie Marsan, Stephen Graham.

24.4.11

A Última noite


Joanna suspeita que Michael tem um affair com uma nova colega (ou que pelo menos está interessado nela) e talvez por isso se mostre mais disponível quando Alex, um antigo 'caso', aparece em Nova Iorque, numa altura em que Michael está fora em trabalho (com Laura, a tal colega).

Joanna e Michael são jovens, bem-parecidos, vivem num elegante apartamento, e talvez só um certo tédio perturbe o seu casamento de 3 anos. Tivessem mais sentido de humor e fossem um pouco mais intelectuais e poderiam ter saído de um filme de Woody Allen.

‘A última noite’ aborda dois flirts de uma noite: de Joanna (Keira Knightley) com Alex (Guillaume Canet ) e de Michael (Sam Worthington) com Laura (Eva Mendes), em montagem alternada. O primeiro tem direito a mais tempo e ainda bem: Keira Knightley, não obstante um certo ar plebeu,  pode ser incrivelmente bonita, Guillaume Canet dá o inevitável toque de charme francês e Griffin Dunne (lembram-se dele em ‘Nova Iorque fora de horas’?) apimenta um pouco a coisa. Não há aqui nada de novo, mas há elegância, classe, até amor. Já no outro episódio não há nada disto: Sam Worthington tem o carisma de um tijolo, Eva Mendes está estranhamente desenxabida e realmente não se passa nada de interessante. (dúvida: seria mesmo intenção da realizadora dar este ar desconsolado à coisa?)

No final fica um filme mediano, levemente bocejante até, mas de que retemos algumas belas imagens de Keira Knightley. Confesso que nunca me tinha parecido tão interessante como aqui.

Last Night, E.U.A./França, 2010. Realização: Massy Tadjedin. Com: Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne, Anson Mount, Stephanie Romanov.

11.4.11

Sidney Lumet (1924-2011)


6.4.11

Essential Killing


Um barbudo (Vincent Gallo) é apanhado pelo exército americano num qualquer deserto (Afeganistão?), após ter assassinado 3 soldados, e é levado como prisioneiro de guerra para um país da Europa de leste (daqueles que fecham os olhos aos direitos humanos). Devido a um acaso consegue fugir e o filme é isso: a fuga de um homem por uma paisagem cheia de neve, impiedosa, inóspita, quase desabitada (Gallo encontra mais cães e outros animais que seres humanos). Além do frio e do exército que o persegue, o fugitivo, permanentemente acossado, tem que lutar contra a fome e contra quem se lhe atravessa, não hesitando em ir deixando um rasto de sangue pelo caminho.

Não obstante a premissa politica, ‘Essential Killing’ é muito mais um filme de ‘ambiente’, até de suspense, do que de argumento. E muito menos de ‘diálogos’: Gallo não tem uma única fala durante todo o filme, o que não impediu que trouxesse o prémio para o melhor actor do Festival de Veneza do ano passado. E Skolimowski trouxe o prémio especial do júri (presidido por Tarantino) para este filme minimal, mas impressivo e visualmente marcante.

 A imagem de Gallo avançando penosamente por uma natureza gelada e hostil fica como uma das mais fortes do ano. Assim o filme estreie por cá.

Essential Killing, Polónia, Noruega, Irlanda, Hungria, 2010. Realização: Jerzy Skolimowski. Com: Vincent Gallo, Emmanuelle Seigner, Klaudia Kaca.