Vi pela primeira vez um filme de Gus Van Sant aí há vinte anos, era 'Drugstore Cowboy', com Matt Dillon que eu já conhecia de 'Rumble Fish' e 'Os marginais' e com Kelly Lynch que eu não conhecia de lado nenhum. Gostei tanto que nunca mais deixei de acompanhar Van Sant. Vi o belo 'A caminho de Idaho' com River Phoenix dois anos antes de morrer, o estrambólico 'Até as vaqueiras ficam tristes' com Uma Thurman, o gélido 'Disposta a tudo' que faria as pessoas olharem para Nicole Kidman como sendo mais do que Mrs.Cruise, assisti à fase em que a crítica o deu como morto, em 'O Bom rebelde', no dispensável remake de 'Psycho', no subestimado 'Descobrir Forrester', assisti numa sala vazia ao verdadeiro massacre para o espectador que é 'Gerry', Matt Damon e Casey Affleck duas horas a deambularem perdidos no deserto, prenuncio do que aí viria, que seria a ressuceição crítica com 'Elephant', seguida de dois filmes no mesmo comprimento de onda melancólico, 'Últimos dias' (de Kurt Cobain) e 'Paranoid Park' (o meu preferido dos três), assisti ao regresso a terrenos mais 'narrativos' em 'Milk' (Oscar para Sean Penn) e andei para trás no tempo para ver o que não vi quando saiu, 'Mala Noche', a sua estreia.
E cheguei agora a 'Inquietos'. Não é um filme perfeito: não gostei de duas ou três cenas que me pareceram escusadas (como a do médico a combinar o "golfe às cinco") e demorei algum tempo a livrar-me dum certo tom de 'artificialidade' do argumento (um rapaz que 'penetra' em funerais e tem um amigo imaginário que é um kamikaze envolve-se com uma miúda apaixonada por Darwin e com um cancro terminal soa assim um bocado a argumento de finalista de curso de escrita criativa ou de aspirante a argumentista de filmes indie). Mas quando chegou ao plano em que ele a 'apresenta aos pais', logo me rendi. É que 'Inquietos' tem dos momentos mais tocantes que vi em muito tempo numa sala de cinema. E tem uma actriz - Mia Wasikowska - que merece o céu. E um grande realizador, com um talento especial para escolher os seus actores e actrizes. É um dos filmes do ano, pois claro.
E cheguei agora a 'Inquietos'. Não é um filme perfeito: não gostei de duas ou três cenas que me pareceram escusadas (como a do médico a combinar o "golfe às cinco") e demorei algum tempo a livrar-me dum certo tom de 'artificialidade' do argumento (um rapaz que 'penetra' em funerais e tem um amigo imaginário que é um kamikaze envolve-se com uma miúda apaixonada por Darwin e com um cancro terminal soa assim um bocado a argumento de finalista de curso de escrita criativa ou de aspirante a argumentista de filmes indie). Mas quando chegou ao plano em que ele a 'apresenta aos pais', logo me rendi. É que 'Inquietos' tem dos momentos mais tocantes que vi em muito tempo numa sala de cinema. E tem uma actriz - Mia Wasikowska - que merece o céu. E um grande realizador, com um talento especial para escolher os seus actores e actrizes. É um dos filmes do ano, pois claro.
Restless, E.U.A., 2011. Realização: Gus Van Sant. Com: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Kase, Schuyler Fisk, Lusia Strus, Jane Adams.







