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31.8.12

Bonsai


Gosto muito de filmes e gosto muito - se calhar ainda mais -  de livros, mas não gostei lá muito deste filme sobre livros, leitores e escritores (adaptado de uma novela do chileno Alejandro Zambra que nunca li). E tinha tudo para gostar: os livros, as leitoras, um certo tom lânguido com que é contado. 

Mas falta aqui vida. O filme, que se desenrola em dois planos, separados por oito anos mas que mal se distinguem, é demasiadamente plano, chato, igual. E isto estende-se aos actores, indistintos. E a tal languidez - no sentido de sensualidade - muda rapidamente para um outro sentido que pode ser dado à palavra - de frouxidão, de falta de energia. É pena.

Bonsái, Chile/Argentina/Portugal/França, 2012. Realização: Cristián Jiménez. Com: Diego Noguera, Nathalia Galgani, Trinidad Gonzalez, Gabriela Arancibia.

23.8.12

Os tops dos realizadores

Tem-se falado muito do top dos críticos convidados pelo BFI/Sight & Sound, principalmente por 'Vertigo' ter destronado o eterno 'Citizen Kane', mas tem-se falado menos no top paralelo eleito pelos realizadores convidados, em que o primeiro lugar coube ao também magnífico 'Tokyo Story', de Ozu.
 
Este top interessa-me mais, não tanto pelo resultado colectivo, mas por me dar a conhecer o top 10 de alguns dos meus realizadores preferidos.

Deixo aqui o top de Woody Allen como amostra, mas pode ver aqui os outros (de Scorsese, Coppola, Mike Leigh, etc., etc., incluindo -tal como no top dos críticos - vários votantes portugueses).
 

Woody Allen

Annie Hall; Manhattan
US
Voted in the directors poll

Voted for:

1959
François Truffaut
1963
Federico Fellini
1972
Federico Fellini
1948
Vittorio de Sica
1941
Orson Welles
1972
Luis Buñuel
1937
Jean Renoir
1957
Stanley Kubrick
1950
Akira Kurosawa
1957
Ingmar Bergman

20.8.12

O Futuro


Depois da excelente estreia da artista plástica Miranda July atrás das câmaras ('Eu, tu e todos os que conhecemos', 2006), não se esperaria um segundo filme tão ensimesmado e contumazmente aborrecido como este 'O Futuro'.
As personagens são bocejantemente irritantes (só apetece agarrar nelas e abaná-las!), o ritmo é pífio, e até alguns dos achados da primeira obra - como o uso da voz off da realizadora e alguma teatralidade deliberada - parecem aqui artificialismos sem sentido. Nada funciona, em suma. Para esquecer.

The Future, E.U.A./Alemanha, 2012. Realização: Miranda July. Com: Hamish Linklater, Miranda July, David Warshofsky, Isabella Acres, Joe Putterlik.

11.8.12

4:44 Último Dia na Terra


Vi com interesse algo distante este 4:44.  Ambiente é algo que nunca falta ao cinema de Ferrara, e talento para escolher actores também lhe sobra (lembremos os papelaços que proporcionou a Harvey Keitel ou a Matthew Modine). Dois actores e uma câmara bastam-lhe para fazer um filme, um bom filme até. Mas a verdade verdadinha é que desde o longínquo "Polícia sem lei" que nenhum filme seu me consegue entusiasmar. E ainda não foi desta.

4:44 Last Day on Earth, Estados Unidos/França/Suiça, 2012. Realização: Abel Ferrara. Com: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne.

7.8.12

O meu Top 10

Se eu fizesse agora o meu top 10 seria algo assim. Claro que ao contrário de quem vota para a poll da Sight & Sound eu não tenho a preocupação de escolher os 'melhores de sempre', apenas a de escolher os 10 de que mais gosto (neste momento pelo menos). Ficam de fora alguns dos meus realizadores preferidos (Antonioni, Lang, Ozu, Renoir, Tarantino) porque escolher apenas 10 filmes é uma barbaridade. Talvez com 20 eu conseguisse dar uma amostra do que é o meu 'cânone pessoal', mas não boicotemos a regra dos 10:


North by Northwest , Alfred Hitchcock (1959)
The Apartment, Billy Wilder (1960)
The Hustler, Robert Rossen (1961)
The Man Who Shot Liberty Valance, John Ford (1962)
2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick (1968)
Cet obscur objet du désir, Luis Buñuel (1977)
Manhattan, Woody Allen (1979)
Dead Ringers, David Cronenberg (1988)
Casino, Martin Scorsese (1995)
Lost in Translation, Sofia Coppola (2003)

2.8.12

'Vertigo' eleito o melhor filme de sempre


Pela 1ª vez em 50 anos, 'Citizen Kane' não encabeça a lista do BFI dos melhores filmes de sempre. 'Vertigo' (Hitchcock, 1958) foi o mais votado pelos 846 críticos e outros profissionais convidados a votar este ano (a votação realiza-se de 10 em 10 anos).

O filme de Welles ficou desta vez em 2º lugar, sendo o top 10 completado com 'Tokyo Story' (Ozu), 'A regra do Jogo' (Renoir), 'Aurora' (Murnau), '2001' (Kubrick), 'A desaparecida' (Ford), 'O homem da câmara de filmar' (Vertov), 'A paixão de Joana D´Arc' (Dreyer) e '8 1/2' (Fellini).

Será interessante verificar quem votou em quê, quando (esperemos) à semelhança das votações anteriores for divulgada a votação individual de cada convidado.

1.8.12

Gore Vidal (1925-2012)


Costumava referir-se a qualquer filme de que tivesse escrito o argumento como 'o meu filme X', reclamando assim a autoria para si e não para o realizador. E certamente esta era uma das menores idiossincrasias de Gore Vidal, escritor, polemista, um dos grandes intelectuais do século passado, falecido ontem aos 86 anos.

Quando agora me movo, graciosamente, espero, em direcção da porta marcada Saída, ocorre-me que a única coisa que eu realmente gostava de fazer era ir ao cinema. É claro que o sexo e a arte sempre tiveram precedência sobre o cinema, mas nunca nenhum deles se mostrou tão digno de confiança como a filtragem da luz presente através daquela película de celulóide, que projecta imagens e vozes do passado num ecrã, mostrando assim a história por um processo aparentemente simples.

[Gore Vidal, Navegação Ponto por Ponto - Memórias 1964-2006]