Recent Posts

28.2.13

Ted

 
Depois de ver o ‘compacto’ dos Oscares fiquei em interessado em Seth MacFarlane e resolvi espreitar a sua estreia como realizador fora do mundo da animação (é o criador das séries ‘Family Guy’ e ‘American Dad’, como o caro leitor saberá melhor que eu).
 
Então é assim. Há um tema recorrente na 'nova comédia' americana, a saber, o do trintão que se recusa a crescer e a assumir as suas responsabilidades de adulto. O seu ideal é passar o dia no sofá com os seus amigalhaços a emborrachar-se e a ver desenhos animados do seu tempo de adolescente. Miraculosamente tem sempre uma namorada giraça e compreensiva, mas obviamente ele não lhe liga nada (até perto do final do filme) prezando mais o ‘companheirismo’ macho. Acho que já aqui perorei sobre quanto abomino estes filmes (a última vez que saí de uma sala de cinema a meio foi nisto).
 
‘Ted’ é uma variação inteligente e irónica deste tema, levando Seth MacFarlane a premissa ao extremo do inverosímil: o tal companheirão do protagonista, que passa os dias a emborrachar-se com ele é… o seu urso de peluche de infância, que incrivelmente ganhou vida era ele petiz e entretanto se tornou num peluche adulto, cheio de maus hábitos, e que é uma péssima influência.
 
 A boa notícia aqui é que MacFarlene nunca abandona a (auto-) ironia nem se leva muito a sério (ao contrário dos filmes acima citados) e vai disparando um número impressionante de piadas e gags mesmo muito bons. Além disso o urso Ted (voz de MacFarlane) é um verdadeiro achado cómico e tem mais vida que a maior parte das personagens de carne e osso das comédias que por aí andam. Claro que Marc Wahlberg não é o actor mais expressivo do mundo (mas só o alivio de não andar por ali Seth Rogen…) e Mila Kunis apenas cumpre os mínimos, mas o filme é mesmo do urso Ted e o restante acaba por ser secundário.
 
Uma bela surpresa.

27.2.13

...


25.2.13

Argo

 
Quando num momento de grande ansiedade (neste caso durante a invasão por manifestantes locais da embaixada americana em Teerão) uma personagem se vira para outra e declara 'I love you', sabemos: a) que estamos num filme americano; b) que não vamos ser poupados aos lugares comuns.
 
Ou seja: gostei bem mais da realização de 'Argo', que mantém o espectador sob uma tensão constante como num bom thriller (espectacularmente Affleck nem nomeado foi neste campo), do que do argumento, taão americano ou, se preferirem, taão hollywoodiano (que consequentemente levou o respectivo Oscar).
 
Resumindo: havia filmes bem melhores a concorrer ao Oscar de melhor do ano (desde logo o Django), mas também é verdade que já houve fitas bem piores a levar a estatueta para casa.

20.2.13

Bestas do sul selvagem

 
'Bestas do sul selvagem' é uma estranha mistura entre o filme da criança prodígio tão ao gosto de Hollywood e o filme independente com garra, com ganas,  que vive dos actores, da sua relação com a câmara, da vontade de filmar do realizador (lembrei-me algo arrevesadamente do 'Go Get Some Rosemary').

Que Quvenzhané Wallis seja a mais jovem protagonista de sempre a ser nomeada para os Oscares atesta bem o sucesso da sua primeira faceta (pessoalmente daria todos os prémios a Dwight Henry, que encarna uma personagem fantástica), mas tudo somado há que reconhecer que Behn Zeitlin é realizador e que este é um filme que vale a pena ver.

19.2.13

A Descida - Parte 2


Comecemos pelo essencial: esta parte dois de 'A descida' era, tal como 90% das sequelas, completamente dispensável. É pior em todos os aspectos que o filme original (um pequeno clássico, na minha opinião) e não lhe acrescenta rigorosamente nada.

Posto isto, diga-se que também não é uma desgraça. Do original, o realizador Jon Harris (o responsável pela montagem do filme anterior, que que se estreia aqui na realização) retém um saudável espírito série B (talvez um pouco excessivo - até os actores me pareceram fracotes!) e, exceptuando duas ou três incursões piadéticas escusadas, mantém um nível de tensão razoável e dá-nos mesmo uma cena muito boa - em que uma das personagens, para se salvar, tem que cortar o braço de outra à machadada, o que lhe demora uma eternidade, provando a conhecida máxima hitchcockiana de que dá um trabalhão matar alguém. Consegue, ainda, um final surpreendente.

Concluindo: quem se abster de o ver, não perde nada, na verdade; mas quem o fizer, não corre grande risco de se aborrecer excessivamente.

Obs.: Este post foi aqui publicado originalmente no dia 28.02.2010, depois de ter visto o filme no Fantasporto. Só demorou 3 anos a chegar às salas... 

The Descent: Part 2, Grã-Bretanha, 2009. Realização: Jon Harris. Com: Shauna Macdonald, Natalie Jackson Mendoza, Krysten Cummings, Gavan O'Herlihy, Joshua Dallas.

17.2.13

00:30 A Hora Negra

 
O que mais me surpreendeu e agradou neste filme foi o seu tom sóbrio, tendo em conta o tema que é tratado. Mesmo quando a personagem de Jessica Chastain começa a ficar mais histericamente hollyoodiana (aquela ideia irritante de escrever os dias passados no vidro do gabinete do chefe), rapidamente é relegada para um plano secundário.

Tivemos sorte em ter uma realizadora tão competente como Kathryn Bigelow a contar-nos esta história.

14.2.13

O Mentor

 
Cinco notas sobre 'The Master':

1. Joaquin Phoenix é um génio.
 
2. P.T.Anderson provavelmente também é um génio.
 
3. Achei o filme muito bom: basta a personagem de Joaquin Phoenix, a interpretação estarrecedora de Joaquin Phoenix.
 
4. Não obstante os pontos anteriores, não consegui, nem de longe, aderir completamente ao filme. Não percebi bem o que P.T.Anderson pretendia com a personagem de Seymour Hoffman (outro actor monumental. Aproveite-se o parêntesis para notar como a Academia subtilmente notou que não obstante ele ter praticamente tanto tempo de cena como Joaquin Phoenix, não é a personagem que mais interessa ao realizador - relegando-o para a disputa do Oscar para actor secundário). Tudo o que tem a ver com a 'Causa' e tudo o que tem a ver com a relação Hoffman/Phoenix me passou um bom bocado ao lado.
 
5. Resumidamente: partilho todas as perplexidades expressas por Roger Ebert na sua crítica, nomeadamente a primeira ('It has two performances of Oscar caliber, but do they connect?') e a última 'But what does it intend to communicate?'. Sim, que raio pretende P.T.Anderson transmitir-nos com este filme?
 

13.2.13

Hitchcock

 
Na minha opinião este 'Hitchcock' tem um problema inultrapassável: Anthony Hopkins não está rigorosamente nada parecido com Hitch (nem, já agora, está parecido com Anthony Hopkins).

Hitch tem uma figura conhecidíssima e portanto não é fácil o espectador engolir que aquele senhor que aparece no ecrã carregado de próteses e com uma voz esquisita é o mestre. Helen Mirren, que tem o outro papel principal, não tem essa desvantagem (pouco gente conhecerá Alma, Mrs.Hitchcock) e por isso a sua personagem é bastante mais credível. Quanto a Scarlett Johansson, que poderia sofrer do mesmo problema, tem um papel tão pequeno que a questão nem se chega a pôr (e é pena: Scarlett parece ter presença suficiente para compor uma boa Janet Leigh. Uma estrela a representar outra estrela pode funcionar). De Jessica Biel (Vera Miles) e James D`Arcy (fisicamente muito parecido com Anthony Perkins) nem vale a pena falar: os seu papéis são praticamente inexistentes.
 
Posto isto o cinéfilo hitchcockiano (passe o pleonasmo) verá sem enfado mas dificilmente com entusiasmo este quase telefilme sobre a génese e filmagem de Psycho, baseado no livro clássico do luso-descendente Stephen Rebello.

Hitchcock, E.U.A., 2013. Realização: Sacha Gervasi. Com: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Toni Collette, Danny Huston, Jessica Biel, Michael Stuhlbarg, James D`Arcy

10.2.13

Mistérios de Lisboa é o filme do ano para a Liga

 
'Mistérios de Lisboa', de Raoul Ruiz, foi o vencedor do Alfred 2012, o prémio para os melhores do ano da Liga dos Blogs Cinematográficos (o filme estreou no Brasil em 2012).

Os restantes finalistas eram 'Drive', 'Holly Motors' (que teve o meu voto), 'A Separação' e 'Hugo'.