Depois de ver o ‘compacto’ dos Oscares fiquei em interessado em Seth MacFarlane e resolvi espreitar a sua estreia como realizador fora do mundo da animação (é o criador das séries ‘Family Guy’ e ‘American Dad’, como o caro leitor saberá melhor que eu).
Então é assim. Há um tema recorrente na 'nova comédia' americana, a saber, o do trintão que se recusa a crescer e a assumir as suas responsabilidades de adulto. O seu ideal é passar o dia no sofá com os seus amigalhaços a emborrachar-se e a ver desenhos animados do seu tempo de adolescente. Miraculosamente tem sempre uma namorada giraça e compreensiva, mas obviamente ele não lhe liga nada (até perto do final do filme) prezando mais o ‘companheirismo’ macho. Acho que já aqui perorei sobre quanto abomino estes filmes (a última vez que saí de uma sala de cinema a meio foi nisto).
‘Ted’ é uma variação inteligente e irónica deste tema, levando Seth MacFarlane a premissa ao extremo do inverosímil: o tal companheirão do protagonista, que passa os dias a emborrachar-se com ele é… o seu urso de peluche de infância, que incrivelmente ganhou vida era ele petiz e entretanto se tornou num peluche adulto, cheio de maus hábitos, e que é uma péssima influência.
A boa notícia aqui é que MacFarlene nunca abandona a (auto-) ironia nem se leva muito a sério (ao contrário dos filmes acima citados) e vai disparando um número impressionante de piadas e gags mesmo muito bons. Além disso o urso Ted (voz de MacFarlane) é um verdadeiro achado cómico e tem mais vida que a maior parte das personagens de carne e osso das comédias que por aí andam.
Claro que Marc Wahlberg não é o actor mais expressivo do mundo (mas só o alivio de não andar por ali Seth Rogen…) e Mila Kunis apenas cumpre os mínimos, mas o filme é mesmo do urso Ted e o restante acaba por ser secundário.
Uma bela surpresa.






