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4.11.07

Sicko



Actualmente está na moda dizer mal de Michael Moore. A crítica não gosta dele (não é um documentarista sério nem faz Grande Cinema); a direita não gosta dele por todos os motivos e mais um (um americano a criticar os States!); nem sequer a maioria da esquerda, pelo menos da que eu conheço, vai muito à bola com ele (no mínimo é pouco sofisticado – e é americano, claro).

Moore inventou uma espécie de cinema político novo, um misto de documentário de denúncia e entertainment. Quando andava atrás de Roger Smith (presidente da GM), ou de Charlton Heston (presidente da NRA) era criticado pelos seus métodos agressivos e desrespeitosos; agora que está mais calmo (é muito menos uma ‘personagem’ em Sicko) criticam-no porque ‘se começou a levar a sério’. O homem está condenado a ser preso por ter cão e por não ter.

Neste filme, em que Moore se atira, com a ferocidade habitual, ao sistema de saúde americano, baseado em seguros, estão mais uma vez expostos à evidência quer as suas virtudes quer os seus defeitos. Comecemos por estes: o mundo de Moore é a preto e branco. Bons de um lado, maus do outro. Não há cinzento. Moore é a favor dos sistemas de saúde gratuitos do Canadá, França ou Grã-Bretanha? Então mostra-nos que nestes países tudo é perfeito, em cinco minutos sou maravilhosamente atendido em qualquer urgência, somos todos muito solidários. A França então, é apresentada como o paraíso na terra. Qualquer pessoa tem 2 carros, vive num casarão e ganha 8.000€ por mês. À diabolização do país feita por parte dos EUA (e por muita direita europeia - veja-se cá), Moore contrapõe com uma outra França de fantasia. Mais grave, no seu desejo de provocar, leva mesmo um grupo de doentes americanos para serem tratados no ‘modelar’ sistema de saúde Cubano. Claro que é batota fazer isto: não só porque é perigoso fazer comparações com ditaduras (é a mesma lógica das ‘boas contas públicas’ de Pinochet ou Salazar), como é claro que Moore e os seus doentes foram tratados não como cidadãos comuns, mas como propaganda anti-americana.

Mas também há virtudes: Moore pode ser terrivelmente eficaz e até demolidor a atacar os seus alvos. Penso que ninguém sai deste filme sem estar no mínimo um pouco desconfiado da eficácia de um sistema de saúde baseado em empresas, as grandes seguradoras de saúde, que têm como objectivo o lucro, sendo que os cuidados médicos são cada vez mais dispendiosos. Não obstante puxar por vezes um bocado ao choradinho, os testemunhos que Moore trás para a frente da câmara são eloquentes e impressionam.
Outra boa noticia, é que ao contrário do que já li, Moore não perdeu o sentido de humor, que é absolutamente necessário para os seus filmes funcionarem. O modo como vai gozando o estigma que a palavra ‘social’ ganhou nos E.U.A. é paradigmático; ou quando, num daqueles achados que só ele tem, descobre que afinal há um território americano com cuidados de saúde universais gratuitos: Guantanamo!

Como já disse, este é um cinema politico, tendo assim como prioridade a eficácia da mensagem a passar. Não há assim lugar a grandes subtilezas, mas ainda assim Moore é um cineasta mais inteligente do que por vezes é dito, usando, por exemplo, muito bem a montagem nos seus filmes. Tudo somado, e sendo que cada um tem a sua cabecinha para no final extrair as suas próprias conclusões, penso que continua a valer a pena ir ver os seus filmes.
Sicko, E.U.A., 2007. Realização: Michael Moore. Documentário.

2.11.07

Corrupção

Eis então ‘Corrupção’, o filme que já era famoso antes de o ser, baseado no mais badalado best-seller pátrio dos últimos tempos, o singelo ‘Eu Carolina’, e tornado ainda mais visível pela saída barulhenta do meu conterrâneo João Botelho de cena, tornando-se o primeiro filme português não assinado pelo realizador (alguma vez tínhamos que lá chegar).

Com este panorama é quase fácil demais, agora depois de o filme estar visto, fazer os inevitáveis comentários de ‘tanto barulho para isto?’, ou ‘muita parra e pouca uva’, ou outro qualquer à escolha.

Vamos então à fita: de início fui alinhando com a restante audiência, que satisfazendo as suas expectativas voyeuristicas, se ia manifestando mais ou menos ruidosamente perante sinais de reconhecimento (‘olha o Reinaldo Teles!’) ou cenas mais condimentadas envolvendo ‘O Presidente’ (na minha sala, a abarrotar, teve bastante sucesso uma cena em que ‘O Presidente’ mistura dois ovos estrelados com o arroz que está a comer…). Mas, à medida que as cenas se iam desenrolando (ou melhor, se iam sucedendo umas às outras), foi-me invadindo uma crescente sensação de tédio e, imagine-se, acabou mesmo por me passar despercebido um suposto 'momento alto', aquele em que ‘O Presidente’ pede a Sofia para acender um cigarro (diga-se que a fina ironia da situação só está ao alcance de quem tiver lido excertos do livro)…

É que no argumento é tudo assim para o vago, a maioria das cenas são desligadas e mortiças, as personagens secundárias são todas caricaturais (o juiz corrupto; o policia bom; etc.), muitas situações são boçalmente esboçadas (o árbitro que mais tarde será pago com meninas a rir-se enquanto os comentadores gritam escandalizados ‘nunca se viu isto num campo de futebol!’), a banda sonora – cuja alteração foi um dos motivos para o realizador bater com a porta – é de facto horrorosa e pior, totalmente deslocada na maioria das situações.
Em sentido contrário diga-se que Margarida Vila-Nova, uma bela actriz, defende muito bem a sua Sofia e que Nicolau Breyner compõe um Presidente (quase que me esquecia da maiúscula) que não deslustra, embora a personagem merecesse ser muito mais desenvolvida. Acrescente-se ainda a excelente fotografia de Orlando Alegria.

Nunca saberemos o que seria a ‘Corrupção’ de João Botelho (não me parece que apareça um dia um director’s cut!). Por vezes, como na viagem para Santiago, onde é dado algum tempo ao filme para respirar, entrevemos que poderia ser outra coisa; por outro lado, há problemas (como o esquematismo de personagens e situações) que parecem irresolúveis. Como está, não é carne nem peixe. Nem é um bom filme, nem sequer me parece ter chama para ser um daqueles objectos tipo ‘O crime do Padre Amaro’, com competência industrial e potencial de vendas a transpirar por todos os poros (ao contrário do que sugere o trailer, nem há em ‘Corrupção’ grande exploração de nudez ou cenas de sexo). É assim um filmezito, quase um telefilme, desenxabido e esquecível. Mas enfim, no tal país de 6 milhões de benfiquistas, não é ímpossível que seja um campeão de bilheteira.
Corrupção, Portugal, 2007. Realização: (João Botelho, não atribuída). Com: Nicolau Breyner, Margarida Vila-Nova, António Pedro Cerdeira, Alexandra Lencastre, João Cabral, João Catarré, João Lagarto.

28.10.07

Rescue Dawn— Espírito Indomável


Depois do documentário de 1997 "Little Dieter Needs to Fly", Werner Hezog volta a Dieter Dengler, piloto americano de origem alemã que foi um dos rarissimos prisioneiros a conseguir fugir das garras vietcongues.
Após o seu avião ter sido abatido sobre as densas e intimidantes florestas do Laos, Dieter foi capturado e levado para um campo de prisoneiros algo sui generis - é composto por quatro ou cinco detidos que se encontram entre a apatia resignada e a loucura e um grupo de freaks locais que os guarda, que têm alcunhas como Little Hitler, Crazy Horse ou Jumbo. No fundo, captores e cativos, são todos prisioneiros naquele buraco no meio da selva - the jungle is the prison, como explica um dos prioneiros a Dieter.
Apesar de estarmos aqui perante alguns dos temas caros a Herzog, nomeadamente o homem numa situação limite cercado por uma natureza selvagem e impiedosa, não há aqui aquele tom épico que geralmente envolve as iluminadas personagens de Herzog, de Aguirre a Fitzcarraldo. O que Dieter possui é uma espécie de tranquila força interior, uma fé Bressoniana, que torna o seu quase infantil optimismo numa força poderosa, que lhe permite nunca perder o ânimo e executar um meticuloso plano de fuga apesar da indiferença, medo, hesitações e mesmo resistência dos seus companheiros. Não por acaso este é um filme de sussurros, todas as personagens sussurram umas com as outras, raramente alguém levanta a voz - como se estivessem todos contaminados pela calma voz interior que comanda as acções de Dieter.
Herzog filma com a elevada competência que atingiu há muitos anos, contando com uma magnífica e estranha fotografia de Peter Zeitlinge (também seu colaborador em 'Grizzly Man', por ex.), e nem o dispensável final Hollywoodesco chega para diminuir este excelente filme.
Rescue Dawn, E.U.A., 2006. Realização: Werner Herzog. Com: Christian Bale, Jeremy Davies, Steve Zahn, Zach Grenier, Craig Gellis, Marshall Bell, François Chau, Pat Healy.
P.S: Herzog pertence ao restrito grupo dos cineastas em actividade com lugar cativo na história do cinema. Não obstante, para os criticos do Público, este filme não existe.

24.10.07

A estranha em mim



Ao ver este filme senti o tempo andar para trás uns bons 30 anos, para a época pré-blockbusters, em que havia um sólido grupo de bons profissionais em Hollywood a fazer filmes para adultos.
Jodie Foster, depois de ter apanhado uma sova brutal de um bando de rufias que acabam por matar o seu namorado, torna-se uma justiceira por conta própria, uma ‘vigilante’ dizem os jornais. Munida de uma pistola anda pela cidade a matar os ‘maus’. Uma vigilante a calcorrear as ruas de N.Y., ainda por cima interpretada por Jodie Foster…o que é que isto nos faz lembrar? 'Taxi Driver', claro. Os tempos são outros, o pano de fundo é o mesmo: insegurança, medo, simpatia do ‘povo’ pelo ‘justiceiro’. À crueza e violência quase demente de 'Taxi Driver', corresponde o desencanto e o cinismo frio de 'The Brave One', que aqui já contaminou mesmo o lado dos ‘bons’ (leia-se a policia).
Thriller solidamente filmado, montado e interpretado (Neil Jordan é um dos bons realizadores da actualidade; Jodie Foster uma das maiores actrizes), tem a capacidade de assumir a faceta política, uma raridade hoje em dia, e de deixar algumas questões polémicas. Poder-se-á ver aqui, por exemplo, uma apologia da justiça por conta própria? Do dente por dente, olho por olho? O ambíguo 'happy end’, envolvendo a ambíguissima personagem do 'bom policia' até o pode sugerir. E a identificação do espectador com Jodie Foster é inequívoca (mais do que com Travis/Robert de Niro).
Sem dúvida um filme inteligente que vale a pena ver com atenção.
The Brave One, Austrália/Estados Unidos, 2007. Realização: Neil Jordan. Com: Jodie Foster, Terrence Howard, Nicky Katt, Naveen Andrews, Mary Steenburgen.

22.10.07

As canções de amor



É o próprio realizador quem o diz: este filme é uma espécie de primo do anterior, 'Em Paris'. Temos novamente Louis Garrel, numa personagem que podia ser a do filme precedente, aquele estouvado irmão mais novo de Romain Duris, que o tentava animar com a sua alegria de viver contagiante. Aqui ele encontra-se metido numa ménage a trois, continua algo destrambelhado, alegre, a encher o écran, até que o trio é tragicamente desfeito e ele tem que lidar com esse luto.
As cores de Paris, que desta vez não está no título mas continua muito presente, são agora cinzentas, ventosas, estamos no outono. Ismael/Garrel segue em frente, mas vai-se um bocadinho da sua espontânea e despreocupada maneira de ser.
E, já toda a gente sabe, neste filme canta-se. É mesmo um musical, à maneira de Demy, e mais uma vez o próprio Honoré cauciona esta referência, bem como as outras, óbvias, os realizadores da Nouvelle Vague, muito especialmente Truffaut que é recorrentemente citado. E diga-se que todos os momentos musicais, com assinatura de Alex Beaupain (que tem direito ao nome no genérico a seguir ao produtor e ao realizador) são magníficos. Por mim, só é pena não serem mais. No resto, parece-me que o filme fraqueja um bocadinho em relação a 'Em Paris' (que começava muito mal, mas acabava por nos conquistar totalmente), é mais descosido, tem alguns momentos mortos, fica uma sensação que se poderia ter elevado ainda mais.
Mas gostei muito, mesmo assim, e é impossível não ficarmos agarrados à personagem de Louis Garrel. E não era uma boa ideia que Honoré lhe desse continuidade, que criasse o seu próprio Antoine Doinel?
Les Chansons d`Amour, França, 2007. Realização: Christophe Honoré. Com: Chiara Mastroianni, Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Brigitte Roüan.

15.10.07

O sabor da melancia



Há falta de água em Taiwan. As pessoas vão contornando este facto como podem: tomam banho em reservatórios no topo de prédios; roubam àgua em casas de banho públicas; usam garrafas de água para simular um chuveiro numa cena de sexo num filme pornográfico; bebem sumo de melancia. Há mesmo uma rapariga que desenvolve um fetichismo por este fruto, incluindo-o inclusive nas relações sexuais. E pelo meio há uns inusitados e insólitos números musicais vindos do nada.
É assim o universo de Tsai Ming-Liang, um dos mais idiossincráticos do cinema contemporâneo. O tema anda sempre à volta do mesmo: a solidão, o erotismo vazio, o alheamento das pessoas no mundo actual.
É um cinema de esparsos diálogos, de ritmo lento, de longos mas poderosos planos - cada um vale por si mesmo, como no cinema mudo. Não será certamente um cinema para todos os paladares. Mas quem estiver farto da dieta de filmes 'narrativos' que se assemelham todos uns aos outros, tem aqui o prato ideal para desenjoar.
Tian bian yi duo yun/The Wayward Cloud, França/Taiwan, 2005. Realização: Tsai Ming-Liang. Com: Lee Kang-Sheng, Chen Shiang-Chyi, Lu Yi-ching, Yang Kuei-mei, Sumomo Yozakura, Hsiao Huan-wen, Lin Hui-xun, Jao Kuo-xua.

14.10.07

A vida interior de Martin Frost



Um escritor (David Thewlis) que procura o isolamento na casa de uns amigos ausentes para escrever, acorda um dia com uma estranha (Irène Jacob) na sua cama. Ela inventa algo para justificar a sua presença e diz-lhe que prepara uma tese sobre o Bispo Berkeley, e falam das suas teorias, de que o mundo é apenas constituído por ideias, e nenhuma ideia pode existir a não ser numa mente. Ou seja, somos logo induzidos a pensar que Jacob só existe na cabeça de Thewlis.
Este lançamento do filme, esta meia hora inicial é bastante interessante, levando-nos a ver o filme como uma espécie de exercício intelectual de Paul Auster, um divertimento sobre o processo criativo de um escritor. Acontece que a seguir o filme vai perdendo ritmo e às tantas dá uma verdadeira cambalhota com a entrada em cena de Michael Imperioli (terceira das quatro únicas personagens). E embora nunca percamos propriamente o interesse pelo que se vai passando, a verdade é que o filme parece que avança aos solavancos, mudando várias vezes de tom e de direcção, por vezes de forma algo desconcertante. Tem-se atribuído isto à falta de talento de Auster enquanto realizador, mas eu penso que mesmo não sendo brilhante, ele nem se safa mal nesta faceta. A 'culpa' é mesmo do argumento, algo desconchavado, errático, passando do fantástico para um quase nonsense sem aviso (muita gente ficará sem duvida desapontada com a segunda parte).
Mas diga-se que Paul Auster sabe do seu oficio, e mesmo não sendo de forma alguma um dos meus escritores de cabeceira, o filme agradou-me, segui-o com interesse, apreciei o jogo que o escritor Paul Auster foi desenvolvendo, e que o realizador Paul Auster apesar de tudo conduz com segurança (não obstante haver um tom geral de algum amadorismo, mas talvez se deva apenas ao baixo orçamento). E, mesmo não me tendo agradado o final, nem de longe achei o conjunto tão mau com tem sido pintado.
The Inner Life of Martin Frost, Estados Unidos/Portugal/Espanha/França, 2007. Realização: Paul Auster. Com: David Thewlis, Irène Jacob, Michael Imperioli, Sophie Auster.

11.10.07

O reino


Jennifer Garner: uma interpretação histérica a ajudar à festa.

Depois de um genérico em que temos direito a uma lição de história condensada, não se vá dar o caso dos teenagers a quem estes filmes são destinados nem sequer saberem o que raio é a Arábia Saudita, entramos então na coisa propriamente dita: um grupo de elite do FBI desloca-se ao país dos príncipes milionários (aparentemente são mais de 5.000), à revelia do governo e congresso, para vingar a morte de um seu colega morto num atentado suicida.
Aqui o realizador Peter Berg depara-se com um problema: não sabe muito bem o que fazer com o material que tem em mãos. Durante uma hora e pico aborrece-nos com uma 'investigação' carregada de clichés (claro que do grupo do FBI faz parte uma mulher, claro que depois de causar alguns embaraços aos locais tem um papel importante, etc.) e paternalismo (o agente árabe mais 'inteligente' rapidamente começa a aprender com os americanos e se alia a eles, etc.). Até que às tantas se lembra que se calhar é melhor meter lá alguma acção por causa das bilheteiras, e resolve enfiar-nos uma carnificina digna do Rambo durante uma boa meia hora. Para rematar, para a cereja em cima do bolo, temos direito ao final mais previsível, banal e lamechas de que me lembro. É de fugir.
The Kingdom, E.U.A., 2007. Realização: Peter Berg. Com: Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper, Jeremy Piven, Jason Bateman, Ali Suliman, Ashraf Bar.

10.10.07

Planeta Terror



Eis a segunda parte do projecto 'Grindhouse', depois do excelente 'Death Proof' de Tarantino. O que dizer então de 'Planeta Terror' de Robert Rodriguez? Eu diria que é um grande divertimento desmiolado. Mas não mais do que isso. Paródia sanguinolenta aos filmes de zombies, chega a ter alguns momentos de antologia - o meu preferido é aquele em que El Wray (Freddy 'Sete palmos de terra' Rodríguez) de metralhadora na mão, comanda o seu grupo de resistentes aos zombies, sentado ao volante...de uma mota de brincar. Mas falta a Rodriguez a subtileza de Tarantino. Este o melhor que consegue é fazer um elegante e brilhante exercício cinéfilo de homenagem aos filmes xunga; Rodriguez, por vezes, aproxima-se mesmo de fazer um filme xunga (e daí talvez consiga ser mais fiel ao projecto inicial!). Ou seja, na minha opinião, não muito original, Tarantino é melhor cineasta. Um exemplo: veja-se como a montagem aos solavancos e com péssimos raccords, premissa do projecto, corta o ritmo ao filme de Rodriguez mas não ao de Tarantino.
Seja como for, 'Planeta Terror' entra muito bem no espírito da coisa e é um muito divertido complemento a 'Death Proof'. Razão para amaldiçoarmos o público americano das previews, que 'chumbou' o projecto inicial de passarem os dois de enfiada, com trailers inventados pelo meio (aqui temos direito a um, magnifico, a anteceder o filme). Vai ter que ficar para o dvd.
Planet Terror, E.U.A., 2007. Realização: Robert Rodriguez. Com: Freddy Rodríguez, Rose McGowan, Josh Brolin, Michael Biehn, Naveen Andrews, Michael Parks, Electra Avellan, Elise Avellan, Quentin Tarantino, Bruce Willis.

21.9.07

Ultimato



Nunca li nenhum dos thrillers de Robert Ludlum e não imagino muito bem como sejam. É que os filmes da 'série Bourne', especialmente este ultimo (o melhor), são puramente cinematográficos. Apenas o conceito do 'agente especial amnésico à procura da sua identidade' (numa era em que é possível saber-se quase tudo em tempo real) é aproveitado como mote: o resto é acção pura. 'The Bourne Ultimatum' é isso: três longas sequências de acção, maioritariamente envolvendo perseguições, brilhantemente executadas e melhor montadas. Algumas cenas, muito especialmente a inicial, passada na estação de Waterloo, fizeram-me lembrar Hitchcock. Exactamente, Hitchcock. E não se pense que eu cito o mestre levianamente. A gratuitidade de muitas destas cenas, o à vontade com que Paul Greengrass ignora as mais elementares regras de verosimilhança, fazendo Bourne sobreviver a tudo e mais alguma coisa, deve algo ao mestre, penso eu.
Se há aqui algo mais para além disso, não sei bem. Nem sei se tem de haver. Durante muito tempo também não se via nada de especial em Hitch 'para além' da acção ou do suspense. Parecendo que não têm nada a ver um com o outro, voltamos um bocado à mesma conversa de 'Death Proof'. Mas simplifiquemos: 'The Bourne Ultimatum' é um grande filme de acção. E quem quiser, tire as últimas duas palavras.
The Bourne Ultimatum, E.U.A., 2007. Realização: Paul Greengrass. Com: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Albert Finney.

16.9.07

2 dias em Paris



Uma divertida e certeira comédia em que se vai desconstruindo a relação de um casal em férias, enquanto se brinca com uma data de clichés sobre franceses (a nacionalidade dela) e americanos (a dele). E não obstante praticamente todas as personagens do filme serem bastante irritantes, exibindo patologias que vão da hipocondria ao quase histerismo, não deixamos de simpatizar com elas, da mesma maneira que simpatizamos com os neuróticos maníacos mas muito humanos de Woody Allen (e Allen é uma das muitas citações cinéfilas do filme, a começar, claro, pela auto-citação de Delpy à sua personagem em 'Before Sunset' e 'Before Sunrise').
Filme de actores, com argumento inteligente, que se aventura com à vontade nos difíceis terrenos da comédia de costumes, é uma bela estreia na realização de Julie Delpy.

PS: Já foi aqui referida a pérola de 'tradução' do ano: diz o protagonista “I watched M until four in the morning” – M, filme de Fritz Lang de que é inclusive mostrado um excerto. Tradução: “Estive a ver a MTV até às 4 da manhã”. Comentários para quê?

2 Days in Paris, França/Alemanha, 2007. Realização: Julie Delpy. Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Albert Delpy, Marie Pillet, Daniel Brühl, Aleksia Landeau.

14.9.07

Mala Noche



'Mala Noche' data de 1985 e é a primeira longa-metragem de Gus Van Sant. É o relato simultâneamente realista e poético de uma paixão e também de um ambiente, físico e emocional. A paixão é de Walt por Johnny, um adolescente mexicano, imigrante ilegal com ocupação vaga. Mas Johnny não lhe retribui a paixão, apenas vai flirtando com ele a espaços e Walt acaba por se envolver superficialmente com Pepper, outro rapaz mexicano, amigo de Johnny, também ele relutante em assumir a sua homossexualidade, contráriamente a Walt. O ambiente é o da Portland natal de Van Sant, por entre hotéis rascas, lojas de conveniência, ruas dos subúrbios, filmados num muito belo preto e branco.
Walt apaixona-se pela juventude daquele rapaz que mal sabe falar inglês, pela sua beleza, pela sua liberdade, pelo seu modo errante de vida, se calhar até pela sua recusa em se deixar cativar por ele. Há algo de carnal, visceral e ao mesmo tempo platónico, sonhador.
A câmara vai acompanhando o dia-a-dia dos três jovens, vagueando entre a loja onde Walt trabalha, o seu pequeno apartamento, um ocasional passeio de carro ao campo. Por vezes faz lembrar algum Cassavetes, mas um inusitado plano do céu, duma paisagem, duma face, anunciam o gosto de Van Sant por introduzir vagos elementos etéreos nas suas esparsas narrativas.
Este não é daqueles primeiros filmes em que se diz que já se entrevê um grande cineasta, ou que é um prelúdio daquilo que ele refinará mais tarde. Não. 'Mala Noche' é já, per si, um grande filme e suficiente para Van Sant marcar o seu lugar no cinema americano. Eu prefiro-o mesmo, com os seus parcos recursos, com a sua veia artesanal, ao elogiadíssimo 'Elephant' ou ao hipnótico 'Last Days'. E assim, um filme de há 22 anos, é uma das principais estreias nas salas portuguesas em 2007.
Mala Noche, E.U.A., 1985. Realização: Gus Van Sant. Com: Tim Streeter, Doug Cooeyate, Ray Monge, Nyla McCarthy.

10.9.07

O Motel



'O motel' é a enésima 'variação' do filme de terror que parte da premissa-Psycho, sobejamente conhecida: alguém (geralmente um casal) tem uma avaria no carro, ou perde-se, ou as duas, e vai parar a um motel no meio de nenhures. Naturalmente acaba por descobrir que o sítio é gerido por um psicopata que sozinho ou com uns comparsas vai caprichar para que o par não saia de lá vivo. Escusado será dizer que, com maior ou menor enredo, geralmente sai: matar a personagem principal ao fim de meia hora e partir daí para outra conversa, é um luxo a que só o mestre se pôde dar. Posto isto diga-se que se o grau de originalidade de 'Vacancy' (e do titulo português, já agora) é zero virgula zero, ainda assim Nimród Antal mantém um nível de competência mínimo, não abusando demasiadamente dos truques fáceis e mantendo quase sempre um ambiente claustrofóbico; e que Kate Beckinsale e Luke Wilson (o típico casal em crise, blá, blá, blá, blá) formam uma interessante dupla de protagonistas - por vezes despreza-se o facto de que ter bons actores puxa sempre um filme para cima; e que a coisa vai andando, conseguindo-nos ir tendo com o coração nas mãos e as mãos inquietas. O que não deixa de ser mais uma prova do poder do cinema: uma pessoa está a ver aquilo tudo pela milésima vez e ainda assim mantém a suspensão da descrença, assusta-se, torce pelo casalinho. Entra no jogo, uma vez mais. E isso vale sempre a pena.
Vacancy, E.U.A., 2007. Realização: Nimród Antal. Com: Kate Beckinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry.

6.9.07

A face oculta de Mr. Brooks



Mr.Brooks é um filme com o seu interesse, incluindo duas belas interpretações de Kevin Costner e William Hurt (este é uma espécie de grilo falante mau do primeiro - e o contrário é inimaginável, o que só abona a favor de Hurt). Mas tem um problema indisfarçável: excesso de argumento e deficit de realização. O argumento (uma variação do tema do duplo, do Dr.Jekyll e Mr.Hide) é elaboradíssimo, desdobrando-se em várias direcções cuidadosamente entrelaçadas; a realização, por seu lado, é indistinta, com o seu momento-Hitchcock, o seu momento-Scream, o seu momento-Silêncio dos inocentes, com um toque MTV, com uma banda sonora que parece que foi escolhida entre as musicas que o realizador gosta, independentemente da sua adequabilidade - Bruce A. Evans é seguramente melhor argumentista que realizador (ele e o co-argumentista Raynold Gideon têm também no seu curriculum o argumento - adaptado de Stephen King - do excelente 'Stand by Me'). Aliás, parece-me que hoje em dia em Hollywood, a imaginação dos argumentistas é inversamente proporcional à dos realizadores.
Enfim, ainda assim, como já disse, a fita tem os seus atractivos e quando chega ao fim, um fim tão aberto que só falta aparecer lá escrito 'to be continued', apetece-nos mesmo ver a sua continuação. Mas de preferência com outro realizador.
Mr. Brooks, E.U.A., 2006. Realização: Bruce A. Evans. Com: Kevin Costner, Demi Moore, Dane Cook, William Hurt, Marg Helgenberger, Ruben Santiago-Hudson, Danielle Panabaker, Aisha Hinds

30.8.07

Golpe quase perfeito



Vale a pena recapitular os factos reais que deram origem a este filme: em 1971, Clifford Irving, um escritor de segundo plano, apresentou-se na editora McGraw-Hill dizendo que tinha sido contactado por Howard Hughes (o excêntrico magnata da aviação e do cinema retratado em 'O aviador' - lembrete para leitores distraídos), recluso há anos, para colaborar com ele na escrita da sua autobiografia. Não estava longe de ser o acontecimento editorial do século.
Acontece que Irving não passava de um oportunista-mitómano-megalómano que inventou tudo do início ao fim, seguindo um método de uma coerência inatácavel: senhor de uma lata infinita, usou sempre a velha táctica da fuga para a frente. Quando era confrontado com uma mentira, inventava algo ainda mais mirabolante que desviava a atenção da mentira anterior e por aí adiante. Às tantas já estava ele próprio embrulhado numa terra ninguém, em que era impossível distinguir verdade e mentira. Acabou por ser desmascarado, mas só depois de ter recebido um milhão de dólares e a 'autobiografia' ter sido impressa!
Como nota de rodapé acrescente-se que Irvin aparece em 'F for Fake' de Welles, onde discorre sobre o pintor-falsário Elmyr de Hory. Welles comenta que ambos têm muita coisa em comum, sendo uma o talento...
O material é de primeira água, mas lembremo-nos que Scorsese que é Scorsese falhou com o material primário, digamos assim - a vida de Hughes. Como se sairia Lasse Hallstrom com Irving? Medianamente, diria eu. Filma com a habitual competência anódina e insossa que é sua marca, tendo aqui no entanto um inesperadíssimo trunfo: Richard Gere, um dos maiores canastrões do cinema actual, que saca aqui um papelão digno de registo. Só ele vale uma estrelita, indo outra para o argumento. Quem for um interessado nestas coisas de curiosidades à volta de celebridades excêntricas, e mormente de Hughes, que neste campo está no topo, pode-lhe acrescentar mais meia. Está assim justificado o preço do bilhete.
The Hoax, E.U.A., 2006. Realização: Lasse Hallstrom. Com: Richard Gere, Alfred Molina, Marcia Gay Harden, Stanley Tucci, Hope Davis, Julie Delpy, Eli Wallach.

28.8.07

Mysterious Skin — Pele Misteriosa


A influência na vida de dois adolescentes dos actos pedófilos que sofreram quando miúdos, por parte do seu treinador de basebol. Neil, que descobriu aí a sua (homo)sexualidade e guarda boas memórias do coach, torna-se um prostituto, tendo uma espécie de atitude hedonista (escapista?) perante a vida. Brian anda perdido atrás de um buraco negro no seu passado. Araki trata estes temas, que não são pêra doce, com frontalidade e crueza, mas permitindo que o realismo adulto e sólido que atravessa o filme seja envolto por uma certa irrealidade etérea, como vinda de uma outra dimensão para onde estes rapazes foram transportados um dia (muito mérito também para a banda sonora de Harold Budd e Robin Guthrie).
Mais um sinal de vida do cinema americano, para lá dos blockbusters acriançados.
Mysterious Skin, E.U.A., 2004. Realização: Gregg Araki. Com: Joseph Gordon-Levitt, Brady Corbet, Elisabeth Shue, Michelle Trachtenberg, Bill Sage, Mary Lynn Rajskub.

26.8.07

Ratatui



'Ratatui' tem, quanto a mim, o grave problema de se levar demasiado a sério. Tem duas ou três piadas e pronto. Resta então uma história, contada com a competência técnica habitual, sobre um rato, o animal mais temido nas cozinhas, que quer ser um chef - já estão a ver a moral da coisa. Eu como não vou ver filmes, muito menos animações, para receber lições edificantes, achei a coisa razoavelmente bocejante. Mas em todo o caso isto também é feito para miúdos e é provável que eles até gostem...
Ratatouille, E.U.A., 2007. Realização: Brad Bird. Longa-metragem de animação.

25.8.07

Hollywoodland



Um retrato lacónico e low profile (no bom sentido) de George Reeves - o actor que interpretou o Super-Homem na televisão - como artista amargurado e refém do seu próprio sucesso. O surpreendente êxito da série de TV em que participou a contragosto, prendeu-o para sempre a uma imagem e cortou-lhe definitivamente as asas para outros voos. Acabou por morrer aos 45 anos sem ter feito mais nada, em circunstâncias misteriosas que o filme expõe mas não resolve: Suicidou-se? A ex-amante (mulher de Eddie Mannix, patrão da MGM) matou-o por ciúmes? O próprio Mannix deu a ordem? Foi um acidente com a noiva?
Mais uma vez Hollywood faz aquilo que faz tão bem: mostrar o seu lado sombrio. Um belo filme que na minha opinião tem sido subvalorizado.
Hollywoodland, E.U.A., 2006. Realização: Allen Coulter. Com: Adrien Brody, Diane Lane, Ben Affleck, Bob Hoskins, Robin Tunney, Lois Smith, Joe Spano, Molly Parker, Caroline Dhavernas.

20.8.07

O véu pintado



Somerset Maugham está hoje fora de moda (num certo sentido, já no seu tempo a sua escrita estava fora de moda), mas é certamente um dos escritores que eu mais frequentei na minha adolescência, graças à velhinha colecção dos Livros do Brasil que havia lá em casa. Como qualquer teenager, à altura fiquei devidamente impressionado com 'O fio da navalha', mas hoje em dia do que me recordo melhor é dos seus excelentes contos, muitas vezes passados nas ex-colónias Britânicas, em que o deslocamento das personagens como que exponenciava a complexidade das relações humanas.

Maugham teve regularmente obras suas transpostas para o grande ecrã (começando em 1915 e incluindo uma adaptação de 'Chuva' em 1928, realizada por Raoul Walsh e protagonizada por Gloria Swanson) até aos anos 70, sendo que depois o interesse começou a diminuir. Contam-se apenas duas nos anos 80 (sendo uma de 'The Razor's Edge' com Bill Murray no principal papel!), nada nos anos 90, surgindo 'O véu pintado' como a terceira nesta década, depois do muito interessante 'As paixões de Julia' de há 3 anos. Aliás esta é já a segunda adaptação ao cinema de 'The Painted Veil', tendo a primeira ocorrido há 73 anos com nada mais nada menos que Greta Garbo no principal papel.

Mas vamos então finalmente ao filme: pode-se dizer que vale apenas pela sua história, ou seja, por Maugham, o que talvez justifique o tempo que gastámos a falar dele. De facto a realização de John Curran (autor do falhado 'Desencontros') é do mais desenxabido possível, contagiando inclusive o seu par de protagonistas, Norton apagadíssimo, Naomi Watts (de cabelo castanho, aarrrgh!) a tender para um overacting pouco usual. Só os secundários se safam, com destaque para o sempre bom Toby Jones (o Capote de 'Infame'). Mesmo o argumento é demasiado esquemático, obliterando muito a judiciosa trama de Maugham, sobre um casal em crise na China, em que o marido traído arrasta consigo a mulher para o meio duma terrível epidemia de cólera. Ainda assim, o enredo sobrevive a tudo e prende-nos a atenção até ao fim. Mas, claro, para o conhecer mais vale ficar no sofá e ler o livro.
The Painted Veil, Grã-Bretanha, 2006. Realização: John Curran. Com: Naomi Watts, Edward Norton, Liev Schreiber, Toby Jones, Diana Rigg.

10.8.07

The Host — A Criatura



Nem sei por onde começar para falar deste 'The Host', a minha única incursão até agora no Fantasporto deste ano (*). Talvez o melhor seja tentar resumir o seu argumento: anos após terem sido despejados num rio uma série de produtos químicos de uma base Americana na Coreia, aparece nesse mesmo rio um ser mutante, uma espécie de peixe gigante mas anfíbio, que caça seres humanos e os leva para um esgoto. Os familiares de uma míuda apanhada pelo bicho resolvem tentar resgatá-la, após descobrirem que ela está viva (consegue fazer uma chamada de telemóvel do esgoto).
Diga-se desde já que é uma família sui generis: o pai é meio atrasado, o tio é um 'licenciado desempregado' e a tia é uma atiradora de arco e flecha, que perdeu a medalha de ouro nos jogos olímpicos (ficou-se pela de bronze) porque demorou muito tempo no último lançamento e foi desclassificada (sim, eu sei que parece uma personagem de Wes Anderson); o chefe de família é o avô, que tem uma roulotte que vende lulas (assim uma espécie de equivalente aos nossos cachorros).
Acrescente-se que além de ser um filme fantástico (com excelentes efeitos especiais, diga-se - a criatura é um prodígio de animação), 'The host' é também uma comédia, com cenas entre o idiota-idiota e o idiota com piada. Tem mesmo uma antológica, em que o avô faz uma defesa comovida do filho retardado ('não comeu proteínas suficientes em miúdo'), e diz emocionado que consegue saber os seus estados de espírito através das suas flatulências. Um momento ao nível da célebre história de 'Pulp Fiction', do relógio escondido anos naquele sítio...
Last but not the least, o filme é ainda - ou pretende ser - uma sátira a uma série de coisas, começando na televisão e acabando - adivinhem! - nos Estados Unidos. Foram os Americanos que contaminaram o rio e são eles que estão a tomar conta (mal) dos acontecimentos, acabando por lançar uma arma biológica contra o monstro, numa cena com reminiscências do cogumelo atómico de Hiroshima.
Mas diga-se em abono da verdade, que não obstante estas metáforas algo pesadas, a maior parte do tempo o filme não é mais do que aquilo que parece ser: uma espécie de Godzilla apatetado.
Que esta bizarrice tenha sido um colossal sucesso de bilheteira na Coreia (país onde os filmes nacionais têm grande peso), não me surpreende grandemente. Já que tenha entrado no top ten dos melhores filmes de 2006 dos Cahiers du Cinéma (**), isso aí já dá bastante que cismar...

(*) Post originalmente publicado no dia 25/02/07.
(**) Entretanto também entrou no top ten dos melhores filmes do 1º semestre da Liga dos Blogues Cinematográficos...
Gwoemul /The Host, Coreia do Sul, 2006. Realização: Joon-ho Bong. Com: Kang-ho Song, Hie-bong Byeon, Hae-il Park, Du-na Bae, Ah-sung Ko.