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15.4.08

[REC]



Eis que chega às salas - louve-se o facto! - o vencedor do último Fantas.

Uma equipa de reportagem, composta por um operador, de câmara ao ombro, e uma repórter hiperactiva, acompanha um grupo de bombeiros quando este é chamado a um prédio. Uma vez lá dentro, o edifício é selado pelas autoridades, e os nossos heróis não tardam a descobrir que o prédio está ocupado por uma espécie de zombies possessos. Claro que o operador de câmara não a desliga nunca, e é esse o ponto de vista que nos é dado: câmara a ziguezaguear de um lado para o outro, aos trambolhões, com falhas pelo meio, etc.

Se o sucesso de um filme de terror se pode aquilatar pelo 'medo' que provoca no espectador, [REC] (estão a ver de onde vem o titulo...) não se safa mal. Filme compacto, com 1h20 bem gerida, vai impondo crescentemente um nível de tensão que se torna mesmo um pouco angustiante lá para a frente. Mas também é verdade que isto é conseguido muito à custa de gritaria, de movimentos bruscos, duma certa histeria mesmo. O que não será um defeito em si mesmo, mas eu pessoalmente prefiro um horror mais sugerido, mais insinuante.

Resumindo, sendo um filme que satisfará plenamente os fãs do género, como o atestam os prémios recebidos em vários festivais de cinema fantástico (Fantaporto, Sitges, Gérardmer), não me parece também que justifique tanto hype, que já levou mesmo ao inevitável remake made in Hollywood...
Rec, Espanha, 2007. Realização: Jaume Balagueró e Paco Plaza. Com: Javier Botet, Manuel Bronchud, Martha Carbonell, Claudia Font.

3.4.08

Corações



Alain Resnais trouxe o Leão de prata de Veneza para o melhor realizador, por esta sua segunda adaptação à tela de uma peça de Alan Ayckbourn, e percebe-se porquê: a mise en scène, a fotografia, os cenários (aquele bar de hotel...) de Coeurs são magníficos. Substituí a palavra 'deslumbrantes' porque poderia sugerir ostentação ou exibicionismo, quando não há aqui nada disso.

Coeurs é menos ‘teatral’ que Smoking/No smoking, mas não descarta totalmente as suas origens. Passa-se praticamente todo em interiores e tem uma série de planos filmados em plongé, de apartamentos que uma personagem vai mostrando a outra, que sugerem estarmos na presença de cenários. Outro detalhe com que Resnais nos vai assinalando a sua presença, são as várias sequências filmadas através de ‘véus’, de cortinas, vidros, etc. Há também como que umas mudanças de cena, havendo uns separadores quando se vão alternando os segmentos (é um filme ‘mosaico’), uns nostálgicos planos da neve a cair, que se tornam uma espécie de marca do filme e com que uma estupenda cena quase no final fará raccord. Ou seja, há um domínio espantoso do realizador sobre o seu mundo, e vai-nos sabiamente envolvendo nele.

Mas não se pense que há aqui um vistoso embrulho sem conteúdo, que isto anda tudo ligado. Eu não classificaria o argumento, sobre meia dúzia de relações, sobre pessoas solitárias (superiormente interpretadas, claro está, pela habitual família de actores de Resnais), como o mais original do mundo, mas a maneira como é contado torna-o bastante próximo de nós. Comecei por sentir uma admiração distante por Coeurs, como a que senti por Smoking/No Smoking (um filme demasiadamente cerebral, para o meu gosto), mas depois tocou-me. É um filme vagamente triste, vagamente melancólico, pragmaticamente pessimista, se me consigo exprimir bem. E muito bem feito, mas com uma espécie de humildade que está ao alcance de poucos.
Coeurs, França/Itália, 2006. Realização: Alain Resnais. Com: Sabine Azéma, Isabelle Carré, Laura Morante, Pierre Arditi, André Dussollier, Claude Rich, Lambert Wilson.

1.4.08

I`m Not There — Não estou aí



É conhecida a premissa deste filme: esboçar um biopic de Bob Dylan através de 6 personagens com diferentes nomes (e 6 actores), cada um ecoando uma faceta do cantor.

Quem conhece Todd Haynes não esperaria uma abordagem convencional à coisa e esta não o é certamente. Mas posto isto, também não me parece que o retrato seja tão impercebível ou impossível de agarrar como tem sido dito. É errático e fragmentário, sim. E sem dúvida que há personas mais reconhecíveis que outras (a de Cate Blanchett é a mais familiar, nomeadamente para quem tenha visto ‘No Direction Home’ de Scorsese; a de Richard Gere/Billy the Kid será mais difícil de acompanhar). Mas quem quiser saber as minudências biográficas de Dylan, pode ver os documentários que lhe foram dedicados, ou ler uma biografia.

Haynes pretendeu antes apanhar as várias faces de Bob Dylan, soltando pistas, apontando pormenores. Fazer um retrato poético e musical do artista, passe a vulgaridade gasta da expressão, deixar-se ir pelas músicas de Dylan, pela sua personalidade, pelas suas idiossincrasias. Tanto estamos num registo de falso documentário, como a câmara se deixa agarrar por uma canção e vai divagando quase ao estilo videoclip.

Comparando com outro biopic recente, o muito elogiado filme de Corbijn sobre Ian Curtis, eu diria que ‘Control’ era um retrato feito por um fotografo, que procurou o enquadramento perfeito e a luz exacta, enquanto ‘I´m Not There’ é um retrato feito por um cineasta, que se serve da montagem, do som, e dos múltiplos pontos de vista que a câmara permite para ir andando à volta do retratado, para o ir tentando captar em movimento. Tanto o apanha, como o deixa fugir, mas só essa busca vale toda a pena.
I`m Not There, E.U.A./Alemanha, 2007. Realização: Todd Haynes. Com: Christian Bale, Cate Blanchett, Marcus Carl Franklin, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Whishaw, Charlotte Gainsbourg, David Cross, Bruce Greenwood, Julianne Moore, Michelle Williams.

21.3.08

Caramel


Nadine Labaki

Caramel é uma crónica de costumes sobre a Beirute de hoje, visto pelo prisma de um grupo de mulheres jovens e desempoeiradas, que trabalham num cabeleireiro.
Com um tom assumidamente menor, oscila entre o cómico e o nostálgico (no sentido do que poderiam ser as coisas), e dá-nos um olhar feminino, simpático mas assertivo, de uma sociedade ainda profundamente machista. Este olhar é o maior trunfo do filme, que passa completamente ao largo da guerra – e talvez só uma mulher fosse capaz de fazer um filme no Líbano ignorando a política.
Por vezes pensamos que poderia ir mais longe, que é demasiadamente ‘caramelizado’ no tratamento de temas difíceis, mas não nos podemos esquecer que foi feito num país em que teve que atravessar as malhas da censura...
Uma palavra ainda para o conjunto de belas actrizes (que têm sido classificadas de Almodovarianas – mas a mim pareceram-me acima de tudo Espanholas!), onde se inclui a realizadora e argumentista, Nadine Labaki.
Caramel, Líbano, 2007. Realização: Nadine Labaki. Com: Nadine Labaki, Yasmine Al Masri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam, Siham Haddad, Aziza Semaan, Fatme Safa, Dimitri Staneofski, Fadia Stella, Ismaïl Antar.

16.3.08

Jumper



Jumpers são pessoas que se teletransportam, ou seja, que se conseguem deslocar para qualquer local instantaneamente apenas pensando nele. Tipo agora tomo o pequeno-almoço em NY, depois dou um saltito até ao cimo da pirâmide de Gisé para contemplar o deserto e à noite já estou numa discoteca da moda em Londres a sacar miúdas. Mas infelizmente há uns fulanos, os Paladinos, que não gostam, por razões morais, dos Jumpers: acham que só Deus deve ter aquele poder, por isso toca a exterminar os que apanham.

Diga-se que tudo isto nos é explicado muito vaga e displicentemente, que Doug Liman não está para grandes teologias. Mesmo o modo como funciona o ‘teletransporte’ é no mínimo omisso. Como li algures, o espectador também precisava de ser um jumper para saltar entre tantos buracos no argumento. Mas essa até é a parte com que eu posso melhor: aliás se o filme tem algum mérito é o de não se levar muito a sério.

Doug Liman hesita entre o romance (chocho), a ficção cientifica (praticamente nula, se exceptuarmos a premissa inicial) e o filme de acção (insuficiente) e não vai a lado rigorosamente nenhum. Por vezes há uns vislumbres que provam que não era impossível fazer algo interessante com o tema (uma corrida de carro em que este também é teletransportado; uma luta em que as personagens se vão teletransportanto, tão depressa estando no deserto como no centro de Tóquio), assim uma espécie de ‘Bourne Ultimatum’ futurista e com humor (há duas ou três piadas boas, mas fica-se por aí).

Mas não, tudo se fica por uma mediania apática e sem sal, resultando numa fita um bocado palerma para adolescentes, tanto mais desapontante quanto Liman até possui uma certa elegância ao filmar, que se entrevê por entre o lema geral de não arriscar nem um bocadinho e manter a velocidade de entretenimento mínimo e anódino.

Passando por cima do final previsível e –uma vez mais – chocho, uma palavra final para os actores: eu não sei porquê fui ver o filme convencido que era com Matt Damon, mas na realidade é com Hayden Christensen, que consegue a proeza de ser um milhão de vezes ainda mais inexpressivo que aquele; já a mocinha (Rachel Bilson) nem é feia de alguns ângulos, mas infelizmente representar também não é o seu forte, mesmo tendo em conta que recebeu um papel de verdadeira sonsinha; e, como um mal nunca vem só, até o grande Samuel L.Jackson apenas se distingue pelo seu penteado à Abel Xavier.
Como me costuma dizer pessoa amiga, só eu é que vou ver filmes destes....
Jumper, E.U.A., 2008. Realização: Doug Liman. Com: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Tom Hulce, Michael Rooker.

11.3.08

Duas irmãs, um rei



O argumentista Peter Morgan, que já nos tinha dado a sua visão de Tony Blair e da sua entourage em ‘A Rainha’, vira-se agora para Henrique VIII, adaptando o livro de Philippa Gregory.
Algo mudou duma época para a outra: no século XVI as inúmeras intrigas palacianas eram feitas mais à descarada (hoje oferecer a filha casada para amante do soberano não fará parte do menu) e, claro, o Rei fazia pura e simplesmente o que lhe dava na real veneta, rompendo com a Igreja Católica e enviando esposas para conventos ou até para o cadafalso, com o nobre propósito de satisfazer os seus apetites sexuais e de caminho dar um varão à corte. Pensar no pobre Tony Blair sempre rodeado de assessores de imagem para auscultar os ‘sentimentos do povo'...
Morgan é bastante menos simpático com o Rei do que o foi com o primeiro-ministro e o argumento sai-lhe bastante menos interessante. Tenta meter tanta coisa no caldeirão (inventando livremente quando lhe apetece) que inevitavelmente não há tempo para digerirmos a coisa. Tantas peripécias, traições, reviravoltas e intrigas se vão sucedendo, que as personagens nem tempo têm para respirar, quanto mais para serem credíveis. Henrique VIII, um homem poderosíssimo, é tratado como um mero joguete nunca se percebendo as suas motivações, fazendo Eric Bana pouco mais que figura de corpo presente.
Tudo isto precisava de outro tempo, de outra respiração, que esta espécie de condensado não permite, dividindo-se a culpa entre argumentista e realizador. Se o primeiro não fornece grande matéria-prima, o segundo também não vai além da ilustração competente e insossa.
Deixamos então para o fim o único motivo pelo qual este filme terá alguma notoriedade (se a tiver): reunir no ecrã duas das mais cativantes actrizes da actualidade. Na minha modesta opinião nenhuma delas é especialmente favorecida pelas roupinhas da época, mas não há como não ficar pelo beicinho com La Scarlett - que faz cara de boazinha e não muito mais. Natalie faz de má, e bem. E... c’est tout!
The Other Boleyn Girl, Grã-Bretanha, 2008. Realização: Justin Chadwick. Com: Scarlett Johansson, Natalie Portman, Eric Bana, Jim Sturgess, Kristin Scott Thomas, David Morrissey.

7.3.08

Três tempos



‘Três tempos’ é constituído por 3 segmentos independentes, 3 médias metragens vagamente unidas pelo tema (relações, de amor, ou nem tanto) e pelos actores. A primeira passa-se em 1966, e segue um soldado que procura uma mulher com quem costumava jogar bilhar; a segunda passa-se num bordel no início do século e é ‘muda’, com entretítulos e tudo, apenas com acompanhamento musical; finalmente a última e mais pessimista decorre em 2005 e fala-nos de um triângulo amoroso, de um mulher com outra mulher e um homem, numa época de sms e mails.
Tirando o seu segmento de 'Chacun son cinéma', este é o primeiro filme que vejo de Hsiao-Hsien, realizador taiwanês multi-premiado, nomeadamente em Cannes e Berlim. É um filme melancólico, lacónico, com um tempo próprio, sem gestos bruscos. Gostei do seu minimalismo formal e das suas histórias apenas esboçadas, sugeridas, mas estive longe de ficar deslumbrado.
Não me marcou ou surpreendeu como me aconteceu quando descobri Tsai Ming-liang (e em boa verdade continua a acontecer), seu conterrâneo com quem por vezes é comparado (ou vice-versa – Liang, dez anos mais novo, é que será influenciado por ele). Parece-me menos excêntrico, em ambos os sentidos da palavra. Mas, claro, é impossível julgá-lo por um filme só. Eu provavelmente não comecei pelo mais indicado.
Zui hao de shi guang/Three Times, Formosa/França, 2005. Realização: Hsiao-hsien Hou. Com: Shu Qi, Chang Chen, Di Mei, Shi-Zheng Chen, Pei-Hsuan Lee.

28.2.08

Juno



Confesso que fui ver ‘Juno’ um bocado de pé atrás, desconfiado com todo o hype à volta do filme. Mas logo no excelente genérico o meu preconceito se desvaneceu. Achei-o um filme inteligente, despretensioso, bonito (quase todos os planos são bonitos mas justos; não bonitinhos), que nos vai dando a volta astutamente (quem é sensato e quem é imaturo, aqui?). Achei-o também divertido, alegremente cor-de-rosa e por vezes comovente (mas nem um bocadinho lamechas). E com uma personagem inesquecível e uma actriz cheia de força.
‘Juno’ por vezes tem sido comparado a ‘Little Miss Sunshine’ (e recebido algumas das mesmas alfinetadas que aquele recebeu), mas eu pensei mais num filme como ‘Ghost World’ (de que gosto muito) quando o vi.
Primeira surpresa do ano.
Juno, E.U.A., 2007. Realização: Jason Reitman. Com: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney.

26.2.08

Este país não é para velhos



A primeira coisa que me surpreendeu neste filme foi ser muito um filme ‘à irmãos Coen’. A sua violência estilizada e um pouco absurda, o seu sentido de humor, todo o seu universo remetem para filmes como ‘Fargo’ ou ‘História de Gangsters’. Eu confesso que estava à espera de algo mais ‘à Cormac McCarthy’.

Ou seja, eu diverti-me imenso a ver este filme, achei magnifica esta perseguição do tresloucado Chigurh (Óscar de caras para Bardem) ao condenado Moss (e o excelente Brolin também merecia estar nos Óscares), mas diverti-me da mesma maneira que me diverti a ver a perseguição das meninas a Kurt Russell em ‘Death Proof’. Nada contra ‘Death Proof’, bem entendido, mas penso que aqui os irmãos Coen deram tanta importância a estas personagens que se esqueceram do resto. Nem falo da personagem de Woody Harrelson que aparece e desaparece num ápice (fruto da sua arrogância), mas sim da personagem de Tommy Lee Jones, algo abandonada pelos realizadores, sendo que aqui me parece que se perde muito. É do desalento desta estranha personagem que vem o título do filme, não nos esqueçamos, mas não nos é dado a compreender exactamente porquê. Senti sempre que havia algo por trás deste (excelente) divertimento que não me estava a chegar, algo mais transcendental, ou religioso, ou simbólico (sobre a ‘natureza humana’, sobre ‘o mal’), que se intui que estará no livro mas que passa algo ao lado do filme. A intenção de Tarantino é mostrar-nos assassinatos estilosos e perseguições de carros. A dos Coen seria apenas mostrar-nos uma perseguição sanguinolenta? A de quem escreveu a história (McCarthy) não era certamente. E isso faz a diferença entre sentir que falta algo aqui (no ‘No Country...’) que não falta lá (em Tarantino - e peço desculpa pela insistência, mas lembrei-me mesmo de Tarantino ao ver este filme). Basta ver a sequência final, que parece deslocada, como se o filme já tivesse acabado antes.

Passei tanto tempo a tentar explicar porque não considero o filme uma obra-prima, que nem disse que o que lá está é mais do que suficiente para ele ser muito bom. Mas é-o. Já referi os actores, já referi que todo o subplot Barden/Brolim é estupendamente filmado, gostaria também de acrescentar as belas elipses que não nos deixam ver as duas mortes mais esperadas.
No Country For Old Men, E.U.A., 2007. Realização: Ethan Coen e Joel Coen. Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald.

25.2.08

Michael Clayton — Uma questão de consciência



E parece que George Clooney se está a especializar nestes filmes de mensagem (três em três anos), mostrando a sua costela de bom liberal de Hollywood. Hollywood gosta e retribui, chegando sempre estes filmes aos Oscares e levando mesmo estatuetas para casa – de melhor actor secundário para Clooney por ‘Syriana’ e de melhor actriz secundária para Tilda Swinton por este ‘Michael Clayton’ (só a mais merecida não foi atribuída – a David Strathairm, por ‘Boa noite e boa sorte’).
Eu infelizmente não sou assim tão entusiasta. ‘Michael Clayton’ é uma espécie de clone de ‘Syriana’: realização correcta, bons actores (Clooney faz estes papeis com uma perna atrás das costas) e argumento mais ou menos anódino com um alvo definido (neste caso as multinacionais e também as grandes companhias de advocacia). São filmes que se deixam ver bem e não pensamos mais neles.
Ao menos em ‘Boa noite e boa sorte' - não sendo uma obra-prima - havia ideias de cinema e vontade de fazer diferente. Pelo que solicito a Mr.Clooney que a próxima vez que quiser fazer um filme empenhado, faça o favor de passar também para trás da câmara.
Michael Clayton, E.U.A., 2007. Realização: Tony Gilroy. Com: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O`Keefe.

23.2.08

Vista pela última vez...



Já confessei aqui o meu apreço por filmes realizados por actores - é raro não gostar de um. De um modo geral os actores têm uma boa relação com a câmara e revelam-se cineastas atentos, sensíveis e, claro, bons condutores dos seus actores.
‘Gone, Baby, Gone’, estreia na realização de Ben Affleck, confirma apenas parcialmente esta ideia. É que se Ben proporciona uma bela interpretação ao mano Casey, um dos actores do momento (aquela voz é uma coisa…), por outro lado os seus talentos enquanto realizador não vão além do suficiente.
De facto, o que mais sobressai neste filme é a força do seu argumento, baseado no livro homónimo de Dennis Lehane, mais uma vez passado em Boston e andando às voltas com fantasmas, crimes e crianças (diga-se de passagem que a colagem ao ‘caso Maddie’ é um disparate - a única coisa em comum é haver uma menina desaparecida).
Mas enquanto Eastwood (outro actor, mas certamente um caso especial) pegou em ‘Mystic River’, do mesmo Lehane, e fez uma obra-prima do cinema, Affleck apenas ilustra competentemente o argumento, aproximando-se demasiadamente do estilo telefilme, com uma realização mortiça e convencional. Mas penso que isso é mais uma limitação que uma atitude, pois Affleck não pretende nunca limar ou reduzir o argumento, e consegue mesmo algo essencial, que é instalar um clima de ambiguidade moral que está inerente à história mas que seria proibido no tal ‘telefilme’. O seu muito conseguido final é disso mesmo prova.
No fundo, acaba por nos deixar qualquer coisa cá dentro – o que quer dizer que valeu a pena.
Gone Baby Gone, E.U.A., 2007. Realização: Ben Affleck. Com: Casey Affleck, Ed Harris, Morgan Freeman, Michelle Monaghan, Amy Ryan, John Ashton, Robert Wahlberg.

21.2.08

Persepolis



'Persepolis' é co-realizado por Marjane Satrapi, a autora da BD homónima, não sendo por isso de admirar que siga esta de perto. Marjane, nascida e criada no Irão há 38 anos, assistiu de perto em criança às atrocidades do Xá, testemunhou a alegria das pessoas quando este foi derrubado e a rápida desilusão que sobrelevou quando se percebeu que a mudança fora para um teocrático e ainda mais repressor regime de ayatollahs (curiosamente, nunca Khomeini é citado no filme). Ainda adolescente foi para a Áustria onde problemas vários a levaram a uma vida marginal, regressou ao seu país e, sempre inadaptada, acabou por se refugiar em Paris. Com esta matéria-prima, não admira que tenha resolvido passar a sua vida para o papel - e depois para película.

O filme, como a BD, é sobre o desespero de um espírito livre, aberto e curioso, ter que viver sob um regime opressor (exponenciado pelo facto de se ser mulher). É um grito simultaneamente de raiva e de alerta.

Tecnicamente bem conseguido, esteticamente muito bonito, só peca por ser excessivamente didáctico – o que até é compreensível, mas já se sabe que a arte e as boas intenções raramente se dão bem. Apesar de tudo, Marjane Satrapi nunca prescinde de uma forte dose de auto-ironia, que resgata quase completamente a pecha referida.
No cômputo geral, vale bem a pena ver – assim estreie no circuito comercial. (*)
Persepolis, França,/E.U.A., 2007. Realização: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi. Longa- metragem de animação. Com as vozes de: Chiara Mastroiani, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.

(*) Post originalmente publicado em Outubro de 2007, aquando da Festa do Cinema Francês.

19.2.08

Haverá sangue



Falta, definitivamente, qualquer coisa a este último filme de P.T.Anderson. Eu estava tentado a dizer que falta força a esta história de sangue, suor, petróleo, pioneiros, pregadores, vigaristas e lunáticos. Mas há duas cenas que me fazem hesitar na palavra certa: as cenas simétricas do baptismo de sangue de Daniel na igreja da terceira revelação e posteriormente a da 'confissão' de Eli. O tom assumidamente paródico destas cenas, algo inevitável na segunda, mas deliberado na primeira, mostram que esta falta de força – sempre escolho esta palavra – provém não tanto duma incapacidade do realizador em alcançar um fôlego ‘épico’, como antes do seu falhanço em acertar com o tom do filme. A música que encerra a fita convenceu-me mesmo que a intenção paródica era uma das mais fortes do realizador, mas na minha opinião acaba por descoser o filme, por o quebrar, nunca se tornando este algo mais que uma história de episódios, competente, mas sem aquela característica intestinal e poderosa que o argumento pressupunha.
Aliás, toda a banda sonora é desconcertante: omnipresente, intrusiva, mesmo irritantemente intrusiva, por vezes. Penso que P.T.Anderson procurou experimentar algo com ela, procurou fazer do som um elemento preponderante do filme, tão importante como as imagens, mas o efeito é falhado. O som também parece um intruso, mais um elemento que não encaixa bem, como o episódio do falso irmão, ou outros.
Um filme dispensável, portanto? Nem tanto. Anderson é sempre Anderson e Anderson filma muito bem; e, além disso, bastaria a espantosa mas contida interpretação de Daniel Day-Lewis, um dos grandes actores da actualidade (o maior, diria eu se conseguisse ter essas certezas que ficam bem aos críticos) para valer a pena assistir às suas 2h30. Mesmo que seja, na minha opinião, o filme menos conseguido do realizador até à data.
There Will Be Blood, E.U.A., 2007. Realização: Paul Thomas Anderson. Com: Daniel Day-Lewis, Dillon Freasier, Paul Dano, Ciarán Hinds, Kevin J. O’Connor.

12.2.08

O Comboio das 3 e 10



‘O comboio das 3 e 10’ tem sido destacado, não só por ser um western, como por ser um western-western e não um pos-western ou meta-western, ou o que se queira chamar aos últimos exemplares do género que têm aparecido nas salas. Como parece que os argumentistas actualmente já não tem a ‘inocência’ suficiente para escreverem um western-western, ou seja, um western cujo tema não seja o western, pegou-se então num clássico de 1957 de Delmer Daves e fez-se um remake.
‘O comboio das 3 e 10’ é um filme estimável e competente, com um excelente naipe de interpretações (Christian Bale, Ben Foster, Russell Crowe, Peter Fonda) e dirigido com mão segura (mas sem rasgos) por James Mangold, mas algo previsível e ‘forçado’ (o tema do pai-que-tem-que-impressionar-o-filho-que-o-vê-como-um-cobarde-e–se-sente–mais-ligado-ao-bandido já foi tratado inúmeras vezes com bem mais subtileza). Ou seja, fosse este filme da altura em que se faziam dezenas de westerns por ano, e duvido que alguém reparasse nele…
3:10 to Yuma, E.U.A., 2007. Realização: James Mangold. Com: Russell Crowe, Christian Bale, Ben Foster, Peter Fonda, Gretchen Mol, Logan Lerman.

8.2.08

O lado selvagem



Em 1990, com 22 anos e recém-licenciado, Christopher McCandless abandona a próspera casa paterna sem dar cavaco a ninguém e mete-se à estrada. Deambula por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) à boleia, a pé, ou até de canoa, arranjando empregos temporários quando o dinheiro rareava (abandonara o seu carro e queimara o dinheiro que possuía para se sentir mais livre) mas nunca se fixando muito tempo no mesmo local. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, ansiava por chegar ao Alasca, onde poderia estar longe do homem e em comunhão com a natureza selvagem e pura.

Sean Penn vai intercalando a viagem de McCandless com breves flashbacks do seu passado, narrados em voz off pela irmã. Talvez esta seja a parte menos conseguida do filme, pois é demasiadamente explicativa e algo estereotipada (Chistopher quer fugir a uma família materialista, hipócrita e cheia de mentiras). Pelo contrário, a parte on the road, é plenamente conseguida. Penn tem olho de cineasta e a sua câmara vai captando melancolicamente, com vagar e gosto, a paisagem americana (sem cair na tentação do bilhete postal), ao som da excelente banda sonora de Eddie Vedder, embalando o espectador, que é quase hipnotizado pelas imagens e som. Penn tem ainda a mestria de não entrar muito pelo lado lado místico ou esotérico, mostrando-nos um McCandless extremamente simpático, uma pessoa que faz amigos com grande facilidade, com uma simpatia espontânea, onde apenas se entrevê uma certa tristeza interior, não obstante toda a força que possui. Claro que a isto não é estranha a tranquila mas marcante interpretação de Emile Hirsch.

Tal como aconteceu com o excêntrico Timothy Treadwell, retratado em 'Grizzly Man', também aqui McCandless não é bem tratado pela rude e impiedosa natureza que tanto amou, e onde procurou (ingenuamente?) uma solução para o seu vazio. O tocante final do filme, é o derradeiro motivo para admirarmos esta sétima obra de Sean Penn atrás da câmara.
Into The Wild, E.U.A., 200. Realização: Sean Penn. Com: Emile Hirsch, Vince Vaughn, Jena Malone, William Hurt, Marcia Gay Harden, Kristen Stewart, Catherine Keener.

7.2.08

Sedução, Conspiração



Depois de um ano de 2007 apenas mediano, cinematograficamente falando, 2008 está a começar muitíssimo bem: já vi dois filmes muito bons ('4 Meses, 3 semanas...' e 'O assassínio de Jess James...') e três que são algo mais do que isso - 'Darjeeling Limited', 'Sweeney Todd' e este 'Sedução, Conspiração'.
Se os dois primeiros deste trio se encaixam em universos muito próprios e idiossincráticos, este último inscreve-se numa tradição clássica, é um descendente directo de uma longa linhagem de filmes de época, que com todas as suas diversas cambiantes vem deste os primórdios. É, apetece dizer, um filme à moda antiga. Mas, como sempre acontece com Ang Lee, há também um elemento transgressor, uma maneira nova de contar a história.
As já famosas cenas de sexo, bastante explicitas mas filmadas com uma elegância inatacável, aprofundam e recentram 'Sedução, Conspiração', que seria sempre um bom filme de 'espionagem' e um bom retrato de época; ao focar a perturbante e complicada relação sexual dos seus protagonistas, Ang Lee permite-nos uma maior compreensão, quer deles, quer de tudo o que se passará depois. Pode-se mesmo dizer que há toda uma dimensão que se perderia se elas não estivessem lá como estão.
Uma história bem contada, com personagens muito reais, filmada com um talento superior, que nos deixa marcas depois de a vermos: que mais se pode pedir a um filme?
Se, Jie/Lust, Caution, E.U.A./Hong Kong/Formosa/China, 2007. Realização: Ang Lee. Com: Tony Leung, Tang Wei, Wang Leehom, Joan Chen, Chung-Hua Tou.

4.2.08

Sweeney Todd: o terrível barbeiro de Fleet Street



Se todos os filmes de Tim Burton se passam numa outra dimensão, a que se poderá chamar onírica, aqueles onde as suas enormes capacidades melhor se revelam são os mais negros, aqueles onde o seu extraordinário universo gótico e sombrio serve de pano de fundo. Estou a pensar em ‘Eduardo mãos de tesoura’ (um clássico instantâneo), em ‘A lenda do cavaleiro sem cabeça’, ou nas suas animações. E agora, também em ‘Sweeney Todd’. Pelo contrário, filmes mais ‘coloridos’ como ‘The Big Fish’ ou ‘Charlie e a fábrica de chocolate’ não me convenceram inteiramente. Burton é, definitivamente, o rapaz que queria ser Vincent Price.

‘Sweeney Todd’ tem a particularidade de ser o primeiro musical de Burton com personagens de carne e osso, adaptando a peça homónima da Broadway. Burton ao que parece segue-a à letra, mas como qualquer grande criador, não só não se deixa espartilhar por esta, como a transforma completamente numa coisa sua. A sanguinolenta história do barbeiro que mata por vingança é rapidamente burtonizada, parecendo que a personagem foi criada especialmente para Johnny Depp (que nasceu para fazer papeis destes) e que não poderia ter como cenário outro local que não esta Londres sombria que é tão dickensiana quanto burtoniana. E, se ao princípio me pareceu que as canções limitavam um bocado o filme (a mim estas canções de musicais parecem-me todas iguais), a verdade é que vai havendo um crescendo à medida que a narrativa se desenvolve, não só em termos dramáticos como também musicais, terminando o filme em grande estilo.

Se acrescentarmos, uma vez mais, que ninguém filma hoje em dia como Burton, que a nenhum outro realizador se aplica tão apropriadamente o lugar-comum demasiadamente gasto de ser um poeta com a câmara, torna-se claro que estamos presente um filme imperdível. Feliz o ano que nos proporciona logo a abrir duas grandes obras dos realizadores mais extravagantes da actualidade.
Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, E.U.A./Grã-Bretanha, 2007. Realização: Tim Burton. Com: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Laura Michelle Kelly, Jamie Campbell.

3.2.08

O banquete do amor



'Feast of Love' é mais um filme-mosaico, que anda à volta das relações amorosas e sexuais de vários casais. O fio condutor é Morgan Freeman, que vai observando com um misto de admiração e desencanto o que se passa à sua volta.
Se formalmente este filme é um descendente de 'Short Cuts' ou 'Magnolia', a sua temática (genericamente as relações humanas nos subúrbios da classe média americana) também traz à lembrança o recente 'Pecados Íntimos'.
Na minha opinião não está ao nível dos seus modelos porque, sendo um filme de actores e argumento, o seu ponto fraco está precisamente no argumento. Mesmo que o veterano Robert Benton não seja Altman ou P.T.Anderson, é ainda assim um realizador confiável que já assinou boas adaptações de obras literárias; mas Charles Baxter, que escreveu o livro que o filme adapta, não é certamente Raymond Carver, nem sequer Tom Perrotta.
O argumento é certinho de mais, parece o trabalho de um (bom) aluno de um curso de escrita criativa. As personagens estão bem desenhadas, os acontecimentos vão-se entrelaçando com eficácia e desenvoltura, os diálogos são geralmente bons (às vezes um pouco óbvios, às vezes bastante bons), há um narrador que vai pontuando a narrativa, mas nunca se passa do tom levemente sentimental para algo que desperte o espectador, nem existe um ponto de vista verdadeiramente original sobre o amor, ou o sexo, ou o que quer que seja.
Benton ainda tenta dar alguma rugosidade ao filme, quer através dum inteligente uso da fotografia, quer indo um pouco mais além que o normal num filme médio americano ao filmar nus, mas nunca consegue tirar-nos a sensação de estarmos a ver um simpático filme de Domingo à tarde.
Feast of Love, E.U.A., 2007. Realização: Robert Benton. Com: Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Billy Burke, Selma Blair, Alexa Davalos, Toby Hemingway, Jane Alexander.

30.1.08

Raça assassina



A maior virtude de Nicholas Mastandrea (habitual assistente de Wes Craven, que produz o filme), nesta sua primeira obra, é não inventar. Ou seja, não acrescentando nada ao género (terror), cumpre todas as suas regras com eficácia e destreza: apresenta bem a situação (um grupo de amigos que vai passar um fim de semana a uma ilha 'deserta'), gere bem o suspense até revelar o 'inimigo' (há um grupo de cães hostis na ilha) - sem rodriguinhos desnecessários, explora bem os conflitos que surgem no grupo (incluindo, naturalmente, os que vêm de trás), não abusa na exposição da carnificina (há alguma, mas as cenas mais marcantes são aquelas em que nos são mostrados os cães imóveis, em vigilância), não toma os espectadores por idiotas (não é daqueles filmes em que estamos o tempo todo a pensar 'mas porque carga de água resolveram sair agora mesmo de casa para serem apanhados'), não exibe truques de 'câmara nervosa', liga pouco ao McGuffin (umas experiências militares com cães assassinos, ou lá o que é) e tem uma excelente gestão espacial (mantém as personagens quase sempre em casa, num espaço fechado - o que é sempre uma decisão sensata) e temporal (não dura nem mais um minuto do que devia). Assim sendo, mantém o espectador, que já viu este filme mil vezes, num estado de tensão permanente. Ou seja, exibe a competência de um bom filme de terror 'série B', para o que também contribui um elenco desconhecido (exceptuando a bela Michelle Rodriguez que alguns reconhecerão de 'Lost') e a falta geral de aparato (deve ter custado meia dúzia de patacos). Nada mau.
The Breed, Alemanha/África do Sul/E.U.A., 2006. Realização: Nicholas Mastandrea. Com: Michelle Rodriguez, Oliver Hudson, Hill Harper, Taryn Manning.

28.1.08

Darjeeling Limited



E a Andersonlândia está de volta. Desta vez começa por nos surpreender brindando-nos com uma curta-metragem, 'Hotel Chevalier', que é uma espécie de primeira parte de 'Darjeeling Limited', mas completamente independente. É uma obra-prima de 13 minutos, com um impassível Jason Schwartzman (que transita para a longa) e uma sensual Natalie Portman (que se fica por aqui).
Depois vem o 'Darjeeling ' propriamente dito. Como já dissemos Schwartzman é convocado mais uma vez, depois de 'Rushmore', colaborando também no argumento; Owen Wilson participa pela quarta vez, assim como Bill Murray (que aqui se limita a um cameo); e Anjelica Huston é novamente a mãe da família. O director de fotografia é, como sempre, Robert Yeoman, que também fotografou 'A lula e a baleia' de Noah Baumbach (co-argumentista de 'The Life Aquatic with Steve Zissou') e 'CQ' de Roman Coppola, que é co-argumentista, produtor e Second Unit Director deste filme (e, já agora, é primo de Schwartzman e amigo de Anderson). O novo rebento da família, é Adrien Brody (que se adapta que nem uma luva).
De resto Anderson continua às voltas com famílias (três irmãos em jornada espiritual pela Índia), com personagens melancólicas e elegantemente kitsch, com adereços fashion (depois dos fatos de treino e sapatilhas Adidas, agora temos malas Louis Vuitton - com uns desenhos de Eric Anderson, irmão de Wes). Continuamos a ter direito a magníficos grandes planos, a detalhes insólitos, a uma banda sonora incrível (que mistura diversas musicas de filmes de Satyajit Ray com os Rolling Stones ou os Kinks, terminando com o imortal Les Champs-Élysées de Joe Dassin) e cenas de que só ele se lembra (às tantas, num flashback, parece que vamos assistir ao funeral do pai da família, mas acabamos por ver uma tentativa de 'ressuscitar'...o seu Porsche!). O tom continua melancómico, como sempre, talvez menos desvairado que em 'Zissou', mais próximo dos 'Tenenbaum'.
É mais do mesmo? Sem dúvida. É muito bom? Pois claro que sim.
The Darjeeling Limited, E.U.A., 2007. Realização: Wes Anderson. Com: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Anjelica Huston, Camilla Rutherford, Amara Karan.