
'O orfanato' encaixa-se num género que poderemos chamar 'terror sobrenatural': há uma mãe que tenta trazer o seu filho adoptivo do reino dos mortos, há fantasmas de crianças assassinadas, há uma casa que é um antigo orfanato onde os crimes foram cometidos, etc.
Tirando uma entaladela dum dedo numa porta, penso que não se vê sangue em mais nenhum momento do filme: o medo vem todo da expectativa do espectador, de sons inesperados, de aparições, de fantasmagorias.
Não trazendo nada de novo ao género, 'O orfanato' aplica competentemente as suas regras, resume bem o seu imaginário (veja-se o argumento, todo construído a partir de citações e piscadelas de olho a clássicos, quer do terror, quer das fábulas infantis) e dá-nos alguns momentos de verdadeiro suspense, de que o melhor exemplo será a sequência da medium.
Se o facto de ter a lição bem estudada não deixa de ser um trunfo do realizador Juan Antonio Bayona , a verdade é que tem o seu reverso da medalha: há uma sensação de déjà vu, é algo indistinto. Quem já viu muitos filmes deste género, nomeadamente da legião asiática que costuma passar pelo Fantas (onde até foi premiado), não desgostará a fita, mas também não achará nela nada de particularmente excitante.
El orfanato, Espanha/México, 2007. Realização: Juan Antonio Bayona. Com: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Geraldine Chaplin.


















