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18.6.06

Hard Candy



'Hard Candy' traz como cartão de visita o prémio de melhor filme de Sitges - Festival de Cinema da Catalunha 2005, prémio esse que em 2004 foi atribuído a 'Oldboy' e em 2003 a 'Zatôichi', de Takeshi Kitano - boas companhias, portanto.
O filme parte de uma premissa interessante, resumida na sua tag line: e se o capuchinho vermelho comesse o lobo mau? Um fotógrafo de trinta e tal anos conhece uma miúda de 14 num chat da internet e acabam por combinar um encontro in loco. Logo aí notamos algo de estranho, longe dos estereótipos: ele é um jovem bem parecido e bem-falante ('não tens ar de quem precisa de conhecer raparigas na net', diz-lhe a miúda), ela é surpreendentemente adulta e bem articulada para a sua idade. Desde logo iniciam uma espécie de combate verbal, sendo que ela nunca lhe fica atrás em inteligência, em resposta pronta, em capacidade de sedução. E ainda ele não viu nada... uma vez em sua casa, ela droga-o e amarra-o, começando então a verdadeira batalha, em que ele está definitivamente em desvantagem. É confrontado pela miúda com o facto de ser um pedófilo e ter de pagar por isso, e nada do que ele faz dá resultado: dialoga, suplica, ameaça, grita, humilha-se, enfurece-se - ela mantém-se imperturbável e vai-lhe explicando com toda a calma do mundo que não adianta ele fazer nada. Ela controla a situação, é inteligente, determinada e tem tudo planeado ao milímetro. Estamos aqui na parte mais conseguida do filme - toda a longa sequência da 'vingança' , moralmente muito ambígua (repare-se que o homem não chegou a fazer nada à miúda, e nega-lhe sempre ser pedófilo, mas é 'torturado' sem apelo nem agravo - e não podemos desvendar mais!), é muito bem feita, um verdadeiro tour de force do realizador David Slade e dos dois actores (Patrick Wilson e Ellen Page), tendo ainda um bom contributo na fotografia asséptica de Jo Willems. Pena é Slade não ter percebido que o seu maior trunfo estava precisamente nesta 'concentração de meios': um cenário (o interior da casa), dois actores, um diálogo cerrado e sem concessões, centrado no que interessa - o jogo psicológico entre os dois protagonistas. Pelo contrário, o realizador (ou o argumentista) resolveu complicar, dando uma importância desmedida à parte menos interessante do argumento (uma paixão nunca resolvida do homem) e embarca num final rocambolesco e com toques simbólicos francamente desnecessários. Não obstante este contra, bem como uns certos tiques nervosos com a câmara (que denunciam a sua formação nos videoclips) e uma escolha infeliz da banda sonora -uma musiquinha com uma batida irritante (é uma pena, mas é raro hoje em dia encontrar uma boa banda sonora) - vale a pena, ainda assim, reter o nome de David Slade. E, acima de tudo, o da magnifica actriz que é Ellen Page.

Hard Candy, E.U.A., 2005; Realização: David Slade. Com: Patrick Wilson, Ellen Page, Sandra Oh.

19.12.07

30 Dias de Escuridão



Imagine o leitor que é um vampiro: tem que passar os dias enfiado num caixão, ou algo no género, e só à noite se pode escapulir furtivamente para atacar uns pescoços. Agora imagine que existe um sítio em que é noite durante 30 dias consecutivos - uma terriola no Alasca. Bom! É uma tentação reunir um grupo de amigos e dar lá um saltinho para uma orgia de sangue, não? É nesta ideia fantástica (digo eu) que se baseia a graphic novel de Steve Niles e Ben Templesmith que '30 Days of Night ' adapta à tela.

Rapidamente, podemos dizer que '30 Dias de escuridão', realizado por David Slade (autor do curioso Hard Candy) tem uma competência geral bem acima da média do género (que como qualquer fã sabe, não é assim muito elevada). No entanto, e mesmo tendo gostado do filme, na minha opinião falha em dois aspectos chave: um - como filme de terror, que pretende ser. Não mete medo, não assusta, não sobressalta. Mesmo a chegada dos vampiros à pacata cidade, cena chave em qualquer fita do género, é mortiça e sem garra; dois - como filme passado no Alasca. Eu sempre tive um certo fascínio por este estado americano ali no meio do nada, mas infelizmente Hollywood não se tem virado muito para lá. Tirando o muito bom 'Insomnia', poucas vezes se tem explorado este território geográfico e humano. Aqui, Josh Hartnett (o policia-herói) ainda se sai com um 'nós somos diferentes das outras pessoas, por iso é que viemos viver para aqui', mas nunca o tema é bem explorado. E é pena.

Ainda assim, e voltando atrás, argumento, actores e realização estão a um nível bem razoável e este é um daqueles filmes que foram feitos para o crítico repetir uma vez mais o chavão: os fãs do género não sairão desiludidos.

30 Days of Night, E.U.A./Nova Zelândia, 2007. Realização: David Slade. Com: Josh Hartnett, Melissa George, Danny Huston, Ben Foster, Mark Boone Junior.

3.1.08

Filmes de Dezembro

Com os balanços de fim de ano & etc., até me esqueci de pôr aqui a habitual resenha dos filmes vistos. Mas, como mais vale tarde do que nunca, como é habitual a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



O eclipse, Michelangelo Antonioni, 1962 (10)
Terrifying Girls' High School: Lynch Law Classroom, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
Sex and Fury, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
School of the Holy Beast, Norifumi Suzuki, 1974 (7)
Foxy Brown, Jack Hill, 1974 (5)
Uma mulher sob influência, John Cassavetes, 1974 (7,5)
Assalto à 13ª esquadra, John Carpenter, 1976 (9,5)
A nos amours, Maurice Pialat, 1983 (8)
Close-Up, Abbas Kiarostami, 1990 (9)
Magnolia, P.T.Anderson, 1999 (9)
Sons do mar, Bigas Luna, 2001 (5)
Fantasmas de Marte, John Carpenter, 2001 (8)
Young Adam, David Mackenzie, 2003 (6,5)
Batalha no Céu, Carlos Reygadas, 2005 (7)
12:08 A Oeste de Bucareste, Corneliu Porumboiu, 2006
Peões em jogo, Robert Redford, 2007
30 dias de escuridão, David Slade, 2007
Chacun son cinéma, vários, 2007
Eu sou a lenda, Francis Lawrence, 2007
Censurado, Brian de Palma, 2007

Num mês em que vi muitos filmes 'recentes', dentro do habitual critério errático com que selecciono os filmes a ver desta vez até houve alguma lógica: continuei a explorar sexploitations (Foxy Brown, uma curiosidade que só vale a pena por Pam Grier; Norifumi Suzuki, um mestre atrás da câmara, confinado a um género menor - quem viu os seus filmes sem se lembrar de Tarantino que ponha o dedo no ar) e prossegui a revisitação da obra de John Carpenter (o homem é muito bom, ponto final). Foi também o mês em que me estreei a ver um filme de Carlos Reygadas, um dos maiores pára-quedistas do cinema contemporâneo (ao contrário de quase toda a gente nem detestei nem adorei, antes pelo contrário). A obra-prima do mês foi 'O eclipse': cada vez mais, Antonioni é um realizador muito cá da casa.