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6.10.04

Janet Leigh



(06/07/1927-03/10/2004)

24.9.04

Amanhã mudamos de casa



Ela é arrapazada, despistada, inocente, dada, hiper-activa e tem que escrever um livro erótico. A mãe enviuvou, mudou-se lá para casa e não lhe deixa espaço. A solução é pôr a casa à venda: os potênciais compradores vão entrando e saindo, vão ficando, indo, reaparecendo, vão-se deixando contagiar pelo ambiente deste lar e vão-se tornando um pouco parte da familia. O filme, que tem mais a leveza borbulhante de um champagne que a densidade encorpada de um bordaux, pisca um olho às comédias clássicas americanas e o outro ao musical, e embala-nos com a cadência imposta pela magnifica Sylvie Testud.

20.9.04

Para onde o vento sopra



Uma dezena de personagens deambula por Antuérpia, ao ritmo da banda sonora de Tom Barman. Não há bem uma 'história', apenas o dia a dia, banal, destas pessoas que se vão entrecruzando. Vem-nos à memória o Cassavetes de Shadows, por exemplo. Mas é um filme que sabe criar o seu próprio ambiente, que nos vai cativando e onde acabamos por nos entranhar...

17.9.04

Solaris



"Para pôr as coisas de uma forma simples, o homem quer ir para a cama com uma mulher que está morta. Ele entrega-se a uma certa forma de necrofilia."

A.Hitchcock em conversa com F.Truffaut sobre Vertigo

12.9.04

Terminal



Ao vermos certos gags deste filme é impossível não pensarmos o que é que um dos génios do mudo (um Buster Keaton, por ex.) não teria feito com as potêncialidades deste espaço - o terminal de uma aeroporto. Infelizmente Spielberg interessa-se pouco por esta faceta burlesca (que no entanto proporciona alguns dos melhores momentos do filme), estando mais preocupado com o lado 'Capriano' da principal personagem, o pobre coitado que enredado numa burocracia kafkiana fica encarcerado no terminal do aeroporto onde acabou de chegar. Acontece que este filme tem alguns problemas com a 'suspensão da descrença' (Tom Hanks, um refugiado de leste!? Isto acontecer num país obcecado com a segurança!?). Mas, como sempre em Spielberg, este dá-nos a sua lição de fé nos seres humanos e acredita nela quem quer ou quem pode.

3.9.04

Uma história japonesa de amor


Uma variação em tom menor de 'lost in translation': uma australiana encontra-se com um japonês num território estranho (o deserto australiano) e aos desencontros iniciais sucede-se a dita história de amor (se bem que fique a ideia que só num sentido). Depois dá-se o suposto 'momento chave' do filme e este surpreendentemente perde-se e nunca mais se acha.

Eternal sunshine of the spotless mind



E ao quarto filme estreado entre nós, Charlie Kaufman revela-nos uma surpreendente costela romântica. Realizado por Michel Gondry, 'O despertar da mente' (título português que perde o tom poético do original) é uma espécie de cruzamento entre a originalidade bizarra de 'Queres ser John Malkovich' e o romantismo com laivos de non-sense de 'Punch-drunk love'.

2.9.04

Wanda



"Ela representa no filme uma personagem que temos na América e que existe, suponho eu, em França e em todo o lado, a que chamamos floating (vagabundo). Uma mulher que flutua à superfície da sociedade, ao sabor da corrente. Mas, na história deste filme, o homem que ela encontra precisa dela. Durante alguns dias ela tem uma direcção e, no fim, quando ele morre, ela regressa à sua errância. Ela compreendia a personagem muito bem, porque quando era nova, era um pouco assim. Disse-me uma vez uma coisa muito triste: “Preciso de um homem para me defender”. Acho que a maioria das mulheres sabe o que isto é, mas não tem honestidade suficiente para o admitir. E ela dizia-o com tristeza."
ELIA KAZAN [em conversa com Marguerite Duras sobre Barbara Loden]

Wanda, datado de 1970, foi o único filme escrito e realizado pela actriz Barbara Loden, mulher de Elia Kazan. Foi também o último em que participou antes da sua morte em 1980, aos 48 anos.

1.9.04

O Regresso



Um pai regressa a casa 12 anos depois e leva os dois filhos numa viagem misteriosa. Os miudos, principalmente o mais novo e mais revoltado, não percebem porque é que o pai esteve este tempo todo ausente e muito menos porque voltou. Ao espectador também não é dito muito, que o filme é como o seu protagonista: lacónico, de poucas falas e ainda menos explicações. O Regresso presta-se a vários simbolismos e interpretações, sendo que a literal não é a menos interessante.
Andrei Zviaguintsev, que ganhou o Leão de Ouro de Veneza 2003 com este seu primeiro filme, fala de Antonioni como sua grande influência, mas é impossivel não pensarmos também no seu compatriota Tarkovsky, especialmente pela muito bela fotografia do filme.

5.8.04

La Dolce Vita



"I made the point that Fellini had created a realistic mosaic but, slyly exploiting Anglo-Saxon Puritanism, he pretended that this was decadence when it was only life as it is lived."

Gore Vidal, Palimpsest - A Memoir