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18.8.05

9 canções













Matt e Lisa levam uma vida de 'sex, drugs and rock´n´roll'. Nos intervalos entre os concertos que vão ver (muitos), metem droga (alguma) e, sobretudo, fazem sexo (montes). Enfim, quem é o adolescente que não sonhou passar umas férias, digamos, nesta vida?
Já enquanto material para realizar um filme é curto, e vai daí Michael Winterbottom optou por mostrar tudo, literalmente. Temos direito a excertos de concertos (as 9 canções do titulo) mais ou menos longos e a cenas de sexo explicitas (incluindo um blow job, again). O tom sépia, granuloso, afasta completamente o filme da estética Sexy Hot ou algo no género, mas não podemos deixar de nos perguntar o porquê desta opção hardcore. A sensualidade presente, por exemplo n'Os Sonhadores (com a bela Eva Green) está totalmente ausente e o factor surpresa/choque já foi gasto há muito por Vincent Gallo ou Catherine Breillat...
O que é que fica então no final (e passemos à frente o lado esotérico do filme, com umas metáforas sobre a Antártida...)? Fica o rock'n'roll: Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Franz Ferdinand. Não se pode dizer que salve o filme, como Lou Reed disse que salvou a sua vida, mas cria-nos uma certa empatia com o ambiente geral da coisa e evita que demos como totalmente mal gastos os 5 euros...

3.8.05

Ondskan/Cruel



Nos primeiros minutos do filme parece que vamos adivinhar o conteúdo deste: um filme sobre um puto violento que foi expulso de uma escola, apesar das boas notas, e ingressa noutra para continuar a sua saga de agressividade e gosto pelo sangue. Mas não. Há imensa crueldade neste filme, mas não parte do seu protagonista, sendo ele e os mais próximos os alvos. A catarse em várias fases, as razões e as consequências, com tudo a seu tempo, torna este filme sueco ordenado e metódico, como até seria de esperar de tais latitudes. Há beleza e repúdio, amor e ódio, sangue e flores, moral e falta dela, tudo na dose certa, criando um clima de contraste que torna esta obra de Mikael Håfström um dos filmes obrigatórios da silly season.

[O Puto]

2.8.05

War of the Worlds/Guerra dos Mundos



Intencional ou não, é quase uma regra nos filmes em que Tom Cruise participa que esses mesmos filmes sejam feitos para ele, e este não é excepção (nem o Kubrick escapou). Esta megaprodução de Spielberg, que adapta o clássico de H. G. Wells, focaliza-se em Ray Ferrier e na sua família, tendo como cenário de fundo uma invasão de extraterrestes. Inicialmente parece uma continuação do "Top Gun", com Tom na pele de um miúdo irresponsável, mas agora com dois filhos a seu encargo.
Não há dúvida que os efeitos especiais são espectaculares, com pormenores bem cuidados e por vezes aterradores, porém duas questões paralelas dominam o enredo - a invasão propriamante dita e os family issues -, alternando-se os níveis macro e microscópico. Expõe o bom e o mau que o ser humano demonstra em situações extremas (Tim Robbins desempenha um caso típico), ao mesmo tempo que a família Ferrier se dedica a juízos, disputas e resoluções. A menina-prodígio (Dakota Fanning) está soberba ao encarnar todas as manias modernas das crianças, não descurando uma atenção exacerbada em relação a tudo. Mas isto não é de admirar num filme com a mão de Spielberg. Um bom filme de entertenimento, com um final que tem tanto de disparatado como de verosímil. Fica-nos a ideia de uma metáfora dos tempos de crise em que outros problemas são resolvidos, encarando a catástrofe como uma dead line.

[O Puto]

1.8.05

Birth - O Mistério




Eis um filme que começa de forma brilhante graças à fotografia e banda sonora excelentes e acaba ligado à máquina de ventilação tal é o vazio de ideias.

29.7.05

Cinema a céu aberto



O tempo não está a ajudar muito, mas vale a pena ver:

"CINEMA A CÉU ABERTO" 28 A 31 DE JULHO DE 2005 PARQUE CENTRAL DA MAIA, 22h - ENTRADA GRATUITA
Organização: Câmara Municipal da Maia - Pelouro da Cultura
Produção: 80Azul, Cooperativa Cultural, Crl
Colaboração: INATEL, Delegação do Porto

Programa:Quinta 28, 22h - "Na Maior!/Purely Belter", Mark Herman
Sexta 29, 23h - "Estranhos de Passagem/Dirty Pretty Things", Stephen Frears
Sábado 30, 22h - "Lost In Translation/O Amor É Um Lugar Estranho", SofiaCoppola
Domingo 31, 22h - "Amor e Vacas/The Price Of Milk", Harry Sinclair

**em caso de chuva as sessões passarão para o Auditório do Fórum daMaia sem alterar a programação anunciada.

http://aceuaberto.planetaclix.pt

27.7.05

Johnny Guitar



Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
J.G. - Don't go away.
V. - I haven't moved.
J.G. - Tell me something nice.
V. - Sure. What do you want to hear?
J.G. - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
V. - All these years I've waited.
J.G. - Tell me you've died if I hadn't come back.
V. - I would have died if you hadn't come back.
J.G. - Tell me you still love me like I love you.
V. - I still love you like you love me.
J.G. - Thanks. Thanks a lot.

26.7.05

Os bravos não têm descanso



Basile sonha com Faftao-Laoupo, o que quer dizer que morrerá se tornar a sonhar. Vai daí resolve chacinar toda uma terreola, após o que começa a ser perseguido por uma das suas vítimas, Johnny Got, através de uma série de terras com nomes como Buenozères, Glasgaud, Ongue Congue, Manfis...
Até um certo ponto o filme promete, é uma espécie de cruzamento de David Lynch de farsa com Renoir na França profunda, filmado com cores berrantes em cenários bizarros. Mas às tantas aparecem uns traficantes de 'bolinhas vermelhas', o filme concentra-se totalmente nessa história e esquece-se do espectador, que começa ficar um pouco entediado, ao princípio, bastante sonolento no final. Seja como for, não há como negar a originalidade a Alain Guiraudie...o leitor que veja por sua conta e risco.

25.7.05

Lolita



"Se, no entanto, todos os próximos filmes baseados em livros meus forem tão encantadores como o de Kubrick, não resmungarei demasiado."

Vladimir Nabokov, 'Opiniões fortes'

21.7.05

Feux Rouges/Sinais Vermelhos





A primeira parte do filme fez-me recordar dois artigos que li num jornal.O primeiro relatava que muitas das confissões e discussões entre duas pessoas têm lugar num carro durante uma viagem. A privacidade, a ausência de contacto ocular que impossibilita o julgamento imediato, a sensação de impunidade, o efeito narcótico das luzes e da estrada transformam o carro no divã dos tempos modernos. O segundo artigo mencionava que muitas das separações de casais acontecem a seguir às férias. De repente duas pessoas que vivem ocupadas durante um ano percebem que não se conhecem, que não têm uma relação saudável sem a muleta do trabalho e das obrigações que partilham.

Assim começa o filme. Um casal parte para férias. O marido descarrega as suas frustrações, e torna a viagem perigosa e insuportável para a sua esposa. O casal separa-se de forma intempestiva. A partir daqui o nosso road-movie-confessional, transforma-se num thriller intenso e oferece-nos do melhor cinema que vimos nos últimos tempos. Jean-Pierre Darroussin é fabuloso na pele de um homem comum que se vê preso numa situação limite provocada pela sua raiva.
Inspirado num livre de Georges Simenon.

19.7.05

The last picture show



"Jacy's just the kinda girl that brings out the meanness in a man."