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8.9.05

Terra dos mortos



Este é um filme que tem (quase) tudo para agradar a gregos e a troianos, que é como quem diz à crítica e aos fãs de filmes de zombies. Aos últimos porque Romero é um mestre neste campo e mais uma vez mostra que sabe do oficio, urdindo um filme na boa linhagem série B do género, com zombies credíveis, sangue q.b. e um ritmo assinalável. Aos primeiros porque a história é obviamente uma alegoria: perante uma ameaça externa (os zombies) os ricos refugiam-se nos seus condomínios fechados e levam uma vida normal, enquanto que os pobres ficam entregues à bicharada. Pensamos nos recentissimos acontecimentos de Nova Orleães e percebemos facilmente a pertinência do tema... O unico senão do filme, de resto muito tragável, está num ' pequeno pormenor ': não é suposto um filme de zombies meter-nos medo? Agarrar-nos à cadeira, fazer-nos saltar, deixar cair as pipocas? É que não sei se será defeito meu, mas assisti ao filme com a descontracção de quem vê um bom filme de cowboys...

6.9.05

A não perder...

...as palavras cruzadas cinéfilas, no chambel.net/. Excelente ideia.

5.9.05

Aaltra




Comédia física. Humor politicamente incorrecto. Personagens rudes e grosseiras. Filmado num bonito preto e branco granulado. Poucas palavras. Tempo para respirar.
Seis razões para não perderem este filme.

2.9.05

Charlie e a fábrica de chocolate



Este é um filme sobre um rapazinho que vive numa pobreza franciscana, mas que não trocaria a família por nada; e sobre um chocolateiro excêntrico que não quer nem ouvir nem a palavra família. Claro que um dia se vão encontrar os dois e...
Como é que Tim Burton conta esta história? Começa em tons Dickensianos, rapidamente passa para o surrealista-psicadélico, mete uns numeros musicais kitsch e embrulha tudo numa cinefilia parodica que vai de Esther Williams ao 2001 de Kubrick! O resultado é um daqueles raríssimos casos em que se justifica o estafado lugar comum de "grande filme para toda a família". Graças a Deus (ou aos executivos da Warner Bros) que este projecto foi parar às mãos de um weirdo como Burton...uma pessoa até treme só de pensar no que faria Spielberg com um tema destes!

1.9.05

Donnie Darko


Toda a criatura na terra morre sozinha.


Donnie Darko...que diabo de nome é esse? Parece nome de super-herói.
Que te leva a pensar que não o sou?


E se pudesses voltar atrás e pegar nessas horas de dor e escuridão e substitui-las por qualquer coisa melhor?

30.8.05

Filmmuseum / FOAM

A quem visite Amesterdão recomendo duas preciosidades: O Film Museum www.filmmuseum.nl - cinemateca holandesa - fica num parque muito bonito (Vondelpark), e tem inclusive sessões ao ar livre. Como os holandeses não dobram os filmes, ir a uma sessão é opção, mas pode-se simplesmente gozar a vista para o parque na esplanada do café 'Vertigo' do museu.

No museu de fotografia FOAM www.foam.nl descobri O. Winston. Ele tirou fotografias dos últimos comboios a vapor americanos. Os comboios eram apenas um pretexto para retratar cenas do quotidiano. As fotos são muito curiosas. Ao primeiro olhar parecem espontâneas, fruto de um acaso feliz, ou de um fotografo persistente, mas salta à vista que há qualquer coisa errada. Todos os pormenores importantes estão bem distintos apesar de se tratarem de cenas noturnas, todos os elementos estão focados, e o comboio apesar de se deslocar a grande velocidade está bem definido e só o fumo revela o movimento. Na verdade as fotos são encenadas. O. Winston - http://www.linkmuseum.org/ - preparava minuciosamente a iluminação e a disposição de cada elemento retratado. Brilhante.

Por fim um icone kitsh do cinema, que descobri no museu e que nunca tive oportunidade de ver. Com Faye Dunaway, Peter O'Toole e Mia Farrow.

The comfort of strangers/Estranha sedução



Quem esperaria que um filme realizado por Paul Schrader (o argumentista de Taxi Driver e Touro Enraivecido), com argumento de Harold Pinter baseado numa novela de Ian McEwan, banda sonora de Angelo Baladamenti e com um elenco que inclui Christopher Walken, Rupert Everett, Natasha Richardson e Helen Mirren fosse um estampanço completo? Eu não esperaria, certamente, quando o comprei um dia destes a preço de saldo na Valentim de Carvalho. E no entanto...
Exceptuando a excelente banda sonora que dá um tom lúgubre às belas imagens de Veneza, nada neste filme nos convence. O argumento é confrangedoramente banal e inverosímil - uma história de homossexualidade reprimida e devaneios sádicos devido a complexos de uma infância marcada por um pai autoritário, um casal à procura de relançar a chama em Veneza, uns pós de critica politica, presume-se que à Inglaterra de Tatcher; as interpretações de Rupert Everett e Natasha Richardson são no mínimo indigentes (salva-se, como sempre, Christopher Walken); a realização é arrastada, a tender para o esotérico... Conclusão: compre a banda sonora e passe ao largo do filme.

26.8.05

De tanto bater o meu coração parou



Ao contrário do que é habitual, este filme é uma adaptação por parte de um realizador francês, Jacques Audiard, de um filme americano, o razoavelmente desconhecido 'Fingers', de James Toback.
Tom/Romain Duris trabalha no ramo imobiliário (como o pai), usando no seu dia a dia meios mais ou menos musculados para levar os seus fins por diante, desde largar ratos num prédio até fazer despejos à força de ocupantes indesejados. Um dia um encontro inesperado faz-lhe renascer uma paixão há algum tempo adormecida: tocar piano (como a mãe, já morta, que era pianista profissional). Tocar piano, não como hobbie, mas a sério, ou seja, mudar radicalmente de vida aos vinte e tal anos, já entrado na idade adulta. Rejeitar a herança paterna e assumir a materna. Para expor esta vontade interior de mudança, Audiard conta com um grande trunfo: Romain Duris e a sua caracterização. O actor lembra-nos Robert de Niro nos seus papeis de rufia, mas também o Belmondo d´'O Acossado' (o papel era desempenhado no filme original por Harvey Keitel), devido não só ao seu ar sério e duro mas atraente, como também, achado do realizador, ao seu visual: camisa às riscas e gravata, blusão de couro sem gola, botas de salto. A perfeita imagem do escroque menor, que se entranha perfeitamente dentro de nós e nos convence depois da genuína dificuldade do seu desejo de ser pianista. Um filme muito interessante.

25.8.05

Rushmore/Todos gostam da mesma




Rushmore (1998) é o segundo filme de Wes Anderson. Já lá estão todos os elementos que compõem a Andersonlandia - galáxia paralela no universo cinematográfico contemporâneo- desde as pequena obsessões do realizador (uma personagem cita Costeau; outra constrói um aquário gigante para reconquistar a mulher amada), passando pela estética retro e culminando no conteúdo (as pessoas especiais a debaterem-se num mundo feito por/para pessoas normais; a beleza melancómica). E, importante, é o primeiro filme em que trás Bill Murray para o seu universo, cinco antes de Sofia Copolla (e ficam bem os dois realizadores no mesmo post) o relançar definitivamente na ribalta. É, claro, um grande filme a prometer a obra-prima que viria a seguir.

19.8.05

A Ilha














Isto de ter um blog com uma secção dos arquivos intitulada "Scarlett Johansson" não é fácil, obriga a uma atenção constante aos filmes em que a menina entra. Depois de ter perdido Uma boa mulher devido ao período estival, eis-me refastelado logo na estreia d´'A Ilha', para compensar!
Começamos então a ver um filme de ficção científica, sobre um grupo de pessoas (todas nuns fatinhos brancos) que sobreviveram a uma qualquer 'contaminação' da terra e se encontram isoladas numa espécie de base, onde toda a sua vida é controlada ao milímetro. O seu único alento é um dia serem sorteadas para irem para a Ilha, um local não contaminado no mundo exterior. Até aqui tudo bem, o filme até me fez lembrar o muito bom Gattaca, devido ao ambiente e ao casal-maravilha (aqui Ewan McGregor/Scarlett Johansson, lá Ethan Hawke/Uma Thurman, nos respectivos fatinhos). O pior é quando o casal foge da dita base, e vem para o 'mundo real': Michael Bay de repente lembra-se que é um realizador de blockbusters de acção (realizou coisas como O Rochedo, Amageddon e Pearl Harbor - confesso que não vi nenhum) e toca a enfiar-nos perseguições automóveis, explosões, tiros, berrarias, tudo em estilo XXL, embrulhado numa banda sonora que oscila entre uma batida irritante e o épico tipo Vangelis. Uma coisa de fugir, a quilómetros do pior Jackie Chan. No final ainda volta à ficção científica, mas apenas para nos presentear com um dos finais mais pirosos dos últimos tempos...
O filme foi um flop monumental nas bilheteiras americanas, o que é bem feito para a menina Scarlett aprender a não se meter em estopadas destas, e pensar duas vezes com quem trabalha, ela que tem no seu curriculum filmes de Woody Allen, Sofia Coppola, Terry Zwigoff ou os irmãos Coen. Os fãs agradecem.