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18.9.05

Napoleon Dynamite


Não se entende a razão de este filme não ter estreado nas salas e ter apenas sido lançado em vídeo. Não foi certamente pelo excesso de filmes de qualidade, ou falta de salas. A indústria da distribuição de cinema custa a perceber que cada vez menos os espectadores dependem dos seus caprichos para poderem ver os filmes que lhes interessam.

Napoleon Dynamite suscitou opiniões extremadas! Atomo! considerou-o um dos melhores filmes de 2004, not_alone não o achou tão entusiasmante, mas numa coisa penso estarmos todos de acordo: A cena final de dança é já um clássico!
Devo confessar que começei por torcer o nariz. Pareceu-me mais uma comédia sobre adolescentes num liceu Americano.
E é! - mas é uma comédia sobre adolescentes nerds. Neste filme, o termo nerd (para o qual não existe uma tradução capaz em Português) não se aplica a miúdos de óculos que passam o dia a jogar playstation - nada tão sofisticado - mas a indíviduos sem a mínima noção do ridículo, ou das regras da sociedade. Se a beleza está nos olhos do observador, as piadas e as siuações cómicas em Napoleon Dynamite dependem de quem o vê. O filme foge completamente à formatação habitual das comédias: Não há ponto e contraponto, não há construcção de piadas, não há ritmo e muito menos existe um punch-line. Napoleon Dynamite irá parecer um objecto estranho e repugnante ou merecedor de culto, dependendo do grau de identificação do espectador com este universo. Como escreveu Harry Madox acerca de outro objecto estranho - Os bravos não têm descanso - "o leitor que veja por sua conta e risco".

17.9.05

Adeus Dragon Inn



Este filme tem dois diálogos, o primeiro dos quais ocorre a meia hora do fim. Num deles uma personagem fala de fantasmas, noutro diz-se que já ninguém vai ao cinema. Em rigor, até estas parcas falas eram dispensáveis: servem apenas para reforçar o que os longos planos-sequência nos mostram.
Uma velha sala de cinema (daquelas que levavam centenas de espectadores) exibe o clássico de artes marciais 'Dragon Inn', após o que encerrará. Meia dúzia de espectadores erram por lá, porventura mais interessados num encontro (sexual) que no filme; o projeccionista e uma funcionária manca vão executando as suas pequenas rotinas pela última vez; mas as únicas pessoas que parecem ter vida são as do filme que vai sendo projectado. 'Adeus Dragon Inn' é um filme nostálgico e minimalista, em que cada plano vale por si, tal como acontecia nos filmes mudos. E é um filme sobre os temas de sempre de Tsai-Ming Liang: o desencanto, a solidão, os fantasmas das cidades modernas.

15.9.05

Obra-prima



Amanhã, por 7,95€ com o Público.

13.9.05

Águas silenciosas













Este filme, vencedor de cinco prémios no festival de Locarno 2003, incluindo o Leopardo de Ouro para melhor filme,tem passado completamente despercebido pelas salas portuguesas, talvez por fugir ao habitual binómio de distribuição Lusomundo/Atalanta. E no entanto, o seu tema não podia ser mais actual: o fundamentalismo religioso. Realizado pela paquistanesa Sabiha Sumar, a acção desenrola-se no seu país natal em 1979, e mostra-nos o desespero de uma mãe a assistir ao enredamento do seu filho, um jovem de 17 anos que só pensava em tocar flauta e namorar, por grupos fundamentalistas islâmicos. Intercalam-se então na acção breves flashbacks que nos mostram o drama interior desta mãe: ela própria tivera que fugir ao suicídio imposto pelo seu pai sikh a todas as mulheres da família , aquando da dos tumultos surgidos da partilha da Índia pela Inglaterra e criação do Paquistão em 1947, para não caírem nas mãos dos muçulmanos e salvarem assim a 'honra'.
Sendo bastante interessante do ponto de vista histórico e conseguindo criar personagens de carne e osso que não são meros arquétipos, o filme é no entanto prejudicado pelo seu exagerado didactismo, quase no limite do documentário ficcionado. Ou seja, aconselhá-lo-ia mais depressa ao espectador do canal História ou Odisseia do que ao cinéfilo.

11.9.05

Festival de cinema de Veneza 2005









'Brokeback Mountain', de Ang Lee foi o vencedor do Leão de Ouro deste ano. O filme era um dos favoritos da critica e conta uma história de amor gay entre dois cowboys (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal), sendo o argumento de Larry MacMurty, o autor de 'The last picture show' e 'Texasville'.
Destaque ainda para o prémio recebido por George Clooney como...argumentista do segundo filme por si realizado, 'Good Night, and Good Luck'.
Sendo eu um admirador do cinema de Ang Lee (nomeadamente do excelente 'Tempestade de gelo') e tendo gostado bastante do primeiro Clooney, 'Confissões de uma mente perigosa', faço votos de que ambos os filmes estreiem em Portugal...
Todo o palmarés aqui.

10.9.05

Open Water — Em Águas Profundas



Susan e Daniel são deixados, devido a um erro, no meio do oceano. Passam por vários estados, como é natural: apreensão, pânico, histeria, cansaço, desanimo. Mas o momento simultaneamente mais realista e intenso do filme é quando começam a discutir de quem é a culpa de estarem naquela situação. Estão perdidos no meio do oceano, esfomeados, desidratados, cercados por tubarões, e gastam as poucas energias que lhes restam a discutir um com o outro. É assim mesmo, a natureza humana. E é por a captar tão bem que este filme, sem efeitos especiais, sem ‘acção’, sem vedetas, nos impressiona. Tem ainda um dos finais mais enigmáticos e perturbantes dos últimos tempos. Quem diria que eu o ano passado tinha perdido um grande filme?

8.9.05

Terra dos mortos



Este é um filme que tem (quase) tudo para agradar a gregos e a troianos, que é como quem diz à crítica e aos fãs de filmes de zombies. Aos últimos porque Romero é um mestre neste campo e mais uma vez mostra que sabe do oficio, urdindo um filme na boa linhagem série B do género, com zombies credíveis, sangue q.b. e um ritmo assinalável. Aos primeiros porque a história é obviamente uma alegoria: perante uma ameaça externa (os zombies) os ricos refugiam-se nos seus condomínios fechados e levam uma vida normal, enquanto que os pobres ficam entregues à bicharada. Pensamos nos recentissimos acontecimentos de Nova Orleães e percebemos facilmente a pertinência do tema... O unico senão do filme, de resto muito tragável, está num ' pequeno pormenor ': não é suposto um filme de zombies meter-nos medo? Agarrar-nos à cadeira, fazer-nos saltar, deixar cair as pipocas? É que não sei se será defeito meu, mas assisti ao filme com a descontracção de quem vê um bom filme de cowboys...

6.9.05

A não perder...

...as palavras cruzadas cinéfilas, no chambel.net/. Excelente ideia.

5.9.05

Aaltra




Comédia física. Humor politicamente incorrecto. Personagens rudes e grosseiras. Filmado num bonito preto e branco granulado. Poucas palavras. Tempo para respirar.
Seis razões para não perderem este filme.

2.9.05

Charlie e a fábrica de chocolate



Este é um filme sobre um rapazinho que vive numa pobreza franciscana, mas que não trocaria a família por nada; e sobre um chocolateiro excêntrico que não quer nem ouvir nem a palavra família. Claro que um dia se vão encontrar os dois e...
Como é que Tim Burton conta esta história? Começa em tons Dickensianos, rapidamente passa para o surrealista-psicadélico, mete uns numeros musicais kitsch e embrulha tudo numa cinefilia parodica que vai de Esther Williams ao 2001 de Kubrick! O resultado é um daqueles raríssimos casos em que se justifica o estafado lugar comum de "grande filme para toda a família". Graças a Deus (ou aos executivos da Warner Bros) que este projecto foi parar às mãos de um weirdo como Burton...uma pessoa até treme só de pensar no que faria Spielberg com um tema destes!