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7.10.05

A Dama de Honor



Depois de no ano passado terem estreado nas salas portuguesas filmes de Eric Rohmer e Jaques Rivette , este ano tivemos Godard (A nossa música) e agora Chabrol. Ou seja, todos os pontas de lança da Nouvelle Vague (Truffaut, como se sabe, morreu prematuramente em 1984).
Chabrol, que já vai em mais de 50 filmes, tem realizado o que por vezes se designa por 'thriller de costumes' - parte de uma história de cariz mais ou menos policial para criticar a burguesia francesa. Desta vez adapta Ruth Rendell (como em 'A cerimónia), tal como já adaptou Patricia Highsmith (tal como o seu mestre Hitchcock).
Philippe conhece Senta no casamento da irmã deste, de quem é a dama de honor. Desde logo ela lhe declara que foram feitos um para o outro e vai-o envolvendo no seu mundo, que ao inicio parece de fantasia mas inofensivo, mas que se revela malsão e perigoso - Senta acha que são predestinados e estão para além do bem e do mal. Diga-se que esta história não é especialmente original, mas depressa percebemos que ao contrário do que o titulo indica, a personagem principal do filme, a que verdadeiramente interessa a Chabrol, é Philippe e não Senta. Ele é o jovem responsável, o amparo da mãe e da irmã rebelde, braço direito do patrão (que lhe quer dar sociedade), que tem uma vida monótona e sem sobressaltos. Aliás ele próprio conta ao seu patrão o 'segredo' para conseguir o que consegue: 'bom senso'. Apesar disso, apesar das suas resistências, do seu esforço, não consegue (ou não quer) libertar-se da teia em que Senta o vai prendendo. Nunca percebemos muito bem os seus sentimentos em relação a ela: há uma forte componente sexual (e, já agora, fetichista), mas também não será alheia à sua atracção a personalidade doentia que Senta lhe vai revelando, e que sentimos sempre que irá levar este rapaz bem comportado à perdição.
Aos 74 anos Chabrol não tem nada a aprender em termos de cinema: a mise en scène é perfeita, os actores muito bem escolhidos (Laura Smet uma escolha pouco óbvia, com pouco ar de femme fatal; Benoît Magimel excelente, sonolento mas sedutor), a fotografia (de Eduardo Serra), oscilando entre a luminosidade exterior e a obscuridade da cave de Senta, magnifica. Dirão alguns que Chabrol fez mais do mesmo. Será, mas quando o resultado é tão bem conseguido, tão superior a quase tudo o que anda por aí, para mim chega e sobra. Que mantenha este nível por muitos anos e filmes é o que desejo.
La demoiselle d'honneur, França/Alemanha/Itália, 2004. Realização: Claude Chabrol. Com: Benoît Magimel, Laura Smet, Aurore Clement, Bernard Le Coq, Solene Bouton.

1.10.05

Bordadeiras


Este filme vive numa aparente contradição: sendo um filme de temática realista, exibe uma estética apuradíssima, desde a fotografia ao guarda-roupa. Fazendo um resumo do argumento - Claire, uma jovem de 17 anos mais ou menos em ruptura com a familia, esconde a sua gravidez de toda a gente, despede-se do emprego no Intermarché e encontra refugio junto de uma bordadeira de alta costura que acabou de perder o filho - pensamos num filme de Mike Leigh; mas toda a ambiência do filme, a beleza da sua fotografia, o cuidado posto nos pormenores como as mudanças de penteado da protagonista, nos remete para um filme como 'A rapariga do brinco de pérola'. Aliás há fortes parecenças entre Lola Naymark com o cabelo tapado e Scarlett Johansson com a touca naquele filme. Esta parte é importante porque introduz um elemento de estranheza no filme: Lola Naymark não sendo Scarlett Johansson, também não parece caixa de supermercado e a luminosidade da fotografia 'amacia' um pouco a história, nunca sentindo o espectador aquele ambiente 'rugoso' dos filmes do realismo britânico. Apesar disso, a sensibilidade demonstrada pela realizadora em relação à sua personagem principal, a sua atenção aos detalhes, faz-nos acreditar na personagem e na sua história. E percebemos que na sua calma obstinação, Claire não é menos forte que Rosetta ou Vera Drake.
Brodeuses, França, 2004. Realização: Eléonore Faucher. Com: Lola Naymark, Ariane Ascaride, Thomas Laroppe, Marie Félix, Arthur Quehen.

30.9.05

James Dean (08/02/1931-30/09/1955)



Apenas 3 filmes -' A Leste do Paraíso' de Elia Kazan, 'Fúria de Viver' de Nicholas Ray, 'O Gigante' de George Stevens - e a morte aos 24 anos ( ao volante de um Porsche 550 Spyder) bastaram para criar o mito.

28.9.05

From here to eternity



Alma - I won't marry you because I don't want to be the wife of a soldier...Because nobody's gonna stop me from my plan. Nobody, nothing. Because I want to be proper...Yes, proper. In another year, I'll have enough money saved. Then, I'm gonna go back to my hometown in Oregon and I'm gonna build a house for my mother and myself, and join the country club and take up golf. And I'll meet the proper man with the proper position to make a proper wife who can run a proper home and raise proper children. And I'll be happy because when you're proper, you're safe.
Prewitt - You got guts, honey. I hope you can pull it off.
Alma - I do mean it when I say I need you 'cause I'm lonely. You think I'm lying, don't you?
Prewitt - Nobody ever lies about being lonely.

26.9.05

Ela odeia-me



Há (pelo menos) dois filmes neste novo Spike Lee: o primeiro é um filme político, uma critica explicita a Bush e dum modo geral ao 'grande capital', às corporações; o segundo é uma farsa, uma sátira a entrar no campo do burlesco aos estereótipos sexuais, raciais, comportamentais. O primeiro filme, o filme politico, sobre um alto funcionário duma multinacional arruinado por denunciar os podres da empresa e que se compara a ele próprio com o segurança que despoletou o escândalo Watergate, não é lá muito interessante. O segundo, o burlesco, sobre o modo como esse funcionário sobrevive depois de ser despedido - engravidando lésbicas endinheiradas - é hilariante, no melhor estilo do Woody Allen de há uns anos. O resultado é uma salgalhada algo difícil de digerir, mas que vale o esforço.
She hate me, EUA, 2004. Realização: Spike Lee. Com: Anthony Mackie, Kerry Washington, Dania Ramirez, Ellen Barkin, Monica Bellucci.

23.9.05

A não perder...

...os Mais Inspirados Nomes de Filmes. No Topmania.

21.9.05

Film Posters of the 50's


Pessoa amiga ofereceu-me este livro e 'li-o' de uma ponta à outra de um só fôlego. Recordemos que a década de 50 foi uma das mais brilhantes da história do cinema, mas também, como nos é dito por Tony Nourmand (co-organizador do livro com Graham Marsh) na introdução, foi nos anos cinquenta que pela primeira vez o cinema teve um sério concorrente: a televisão. De modo que houve que explorar as novidades tecnológicas só possíveis no grande ecrã: o Technicolor, o Cinemascope e o 3-D. Como defende Nourmand, estas novidades tiveram eco no trabalho dos artistas que tinham que criar posters que atraíssem o público ao cinema.
Surgiram assim uma série de nomes que criaram obras de arte a milhas do que se faz hoje em dia, em que os cartazes raramente ultrapassam a mera fotografia dos actores principais. Nomes como os excepcionais Saul Bass (EUA) ou Jan Lenica (Polónia), mas também criativos anónimos que trabalhavam para os grandes estúdios e criaram cartazes fantásticos de filmes série B e de ficção-cientifica, por exemplo, de que temos aqui magníficos exemplos.
Um livro imperdivel.

18.9.05

Napoleon Dynamite


Não se entende a razão de este filme não ter estreado nas salas e ter apenas sido lançado em vídeo. Não foi certamente pelo excesso de filmes de qualidade, ou falta de salas. A indústria da distribuição de cinema custa a perceber que cada vez menos os espectadores dependem dos seus caprichos para poderem ver os filmes que lhes interessam.

Napoleon Dynamite suscitou opiniões extremadas! Atomo! considerou-o um dos melhores filmes de 2004, not_alone não o achou tão entusiasmante, mas numa coisa penso estarmos todos de acordo: A cena final de dança é já um clássico!
Devo confessar que começei por torcer o nariz. Pareceu-me mais uma comédia sobre adolescentes num liceu Americano.
E é! - mas é uma comédia sobre adolescentes nerds. Neste filme, o termo nerd (para o qual não existe uma tradução capaz em Português) não se aplica a miúdos de óculos que passam o dia a jogar playstation - nada tão sofisticado - mas a indíviduos sem a mínima noção do ridículo, ou das regras da sociedade. Se a beleza está nos olhos do observador, as piadas e as siuações cómicas em Napoleon Dynamite dependem de quem o vê. O filme foge completamente à formatação habitual das comédias: Não há ponto e contraponto, não há construcção de piadas, não há ritmo e muito menos existe um punch-line. Napoleon Dynamite irá parecer um objecto estranho e repugnante ou merecedor de culto, dependendo do grau de identificação do espectador com este universo. Como escreveu Harry Madox acerca de outro objecto estranho - Os bravos não têm descanso - "o leitor que veja por sua conta e risco".

17.9.05

Adeus Dragon Inn



Este filme tem dois diálogos, o primeiro dos quais ocorre a meia hora do fim. Num deles uma personagem fala de fantasmas, noutro diz-se que já ninguém vai ao cinema. Em rigor, até estas parcas falas eram dispensáveis: servem apenas para reforçar o que os longos planos-sequência nos mostram.
Uma velha sala de cinema (daquelas que levavam centenas de espectadores) exibe o clássico de artes marciais 'Dragon Inn', após o que encerrará. Meia dúzia de espectadores erram por lá, porventura mais interessados num encontro (sexual) que no filme; o projeccionista e uma funcionária manca vão executando as suas pequenas rotinas pela última vez; mas as únicas pessoas que parecem ter vida são as do filme que vai sendo projectado. 'Adeus Dragon Inn' é um filme nostálgico e minimalista, em que cada plano vale por si, tal como acontecia nos filmes mudos. E é um filme sobre os temas de sempre de Tsai-Ming Liang: o desencanto, a solidão, os fantasmas das cidades modernas.

15.9.05

Obra-prima



Amanhã, por 7,95€ com o Público.