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24.4.06
23.4.06
Infiltrado
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Unknown

'Infiltrado' é um heist movie (subgénero'filme de reféns') competente, mas não mais do que isso. Contando com um número impressionante de estrelas (Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor, Christopher Plummer) não era o filme que se esperaria de Spike Lee, nomeadamente depois do mui sui generis 'Ela odeia-me'. Não tanto por não ser um filme 'independente', mas claramente uma grande produção 'à Hollywood', mas mais por não se notar a 'marca' Spike Lee, sendo ele um realizador tão idiossincrático. Mostra-nos uma Nova Iorque multi-cultural, o protagonista é um negro, há uma referência ou outra a árabes, mas... so what? Nada que seja suficiente para se tirar qualquer mensagem daqui. Aliás penso que se têm tirado conclusões politicas deste filme por se saber que é de Spike Lee, mais que por outro motivo qualquer - fosse o filme realizado por um qualquer tarefeiro e ninguém veria nele mais do que o que lá está. Onde ainda assim se nota mais o dedo do realizador é na realização, sendo o ritmo mais lento que o habitual em filmes deste género, bem como na ausência de qualquer grande surpresa ou reviravolta a la Mamet, mostrando que Lee não liga assim tanto à história, estando mais interessado nas suas personagens.
Sendo o maior sucesso comercial de sempre de Spike Lee, não será no entanto por 'Infiltrado' que o realizador verá o seu nome inscrito na história do cinema...
Inside Man, E.U.A., 2006. Realização: Spike Lee. Com: Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Carlos Andrés Gómez, Kim Director, James Ransone, Peter Gerety, Victor Colicch.
16.4.06
Sympathy for Mr. Vengeance
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Allen Douglas

Sympathy for Mr. Vengeance é o primeiro filme da trilogia sobre vingança de Park Chan-wook. Analisando os 3 filmes nota-se que Park foi tendo mais cuidados em termos estéticos e ficando mais directo no argumento. Também foi facilitando a vida ao espectador separando os bons dos maus com mais precisão. Sympathy for Mr. Vengeance não tem praticamente banda-sonora nem qualquer sofisticação visual. É no entanto o mais complexo dos 3 filmes - o espectador não consegue escolher um lado, é sensivel aos argumentos de todas as partes e mergulha numa espiral de violência como se fosse a coisa mais natural do mundo. Park parece acreditar que existem actos ou palavras, mesmo que casuais, que pelo dano que causam não devem ficar impunes e faz-nos concordar que não existe outro castigo possível que não seja a justiça pelas próprias mãos. Ele mostra o inferno e derrete-nos com a beleza das labaredas.
Boksuneun naui geot, Coreia do Sul, 2002. Realização: Park Chan-wook. Com: Kang-ho Song, Ha-kyun Shin, Du-na Bae.
14.4.06
V de Vingança
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Unknown

'V de Vingança' tem suscitado reacções muito diferentes: há quem ache que é muita parra (efeitos especiais) e pouca uva (ideias); e, pelo contrário, há quem defenda ser um verdadeiro blockbuster intimista como há muito não se fazia. Eu sinceramente não partilho de nenhuma destas opiniões extremadas - pareceu-me um fime que parte de uma boa ideia, mas que tem uma concretização apenas razoável. A boa ideia vem da BD em que é baseado (e que nunca li): numa inglaterra totalitária e fascista, um mascarado tenta sabotar a ordem establecida. A novidade aqui está na palavra - sendo um sujeito de acção como qualquer super-herói que se preze, para este, primeiro está o verbo. Entre uma explosão e um golpe de espadachim, vai debitando tiradas de Shakespeare e fulminando o adversário com a sua magnifica voz. Numa sociedade vigiada e controlada, o direito à livre expressão é o primeiro a ser suprimido, e por isso não surpreende a importância dada à palavra, falada ou escrita. Aliás, uma outra personagem é condenada por ter o Corão escondido em casa. Temos assim ecos de '1984', mas também de 'Fahrenheit 451'. O curioso é que sendo baseado numa BD (portanto num meio de comunicação escrita), a palavra falada (notável voz de Hugo Weaving, de quem nunca vemos a cara) tenha tanta importância neste filme. Esta é parte interessante - o que impede o filme de outros voos, é a realização, apenas tarefeira. Não abusando especialmente da artilharia técnica, o que é bom, insiste no entanto em alguns flash-backs de gosto duvidoso, e não consegue manter o ritmo narrativo, constantemente interrompido por histórias paralelas dispensáveis. Também não é tirado partido suficiente de dois imaginários poderosos que poderiam dar um outro ambiente ao filme: a Londres escura, quase gótica, que entrevemos por vezes, e toda a simbologia de um regime fascista (inspirada na nazi) que só uma ou outra vez nos é mostrada. Resumindo, eu não deixaria de recomendar uma visão do filme, mas também ninguém se pode sentir beliscado na sua cinefilia se não o vir...
V for Vendetta, E.U.A./Alemanha, 2006. Realização: James McTeigue. Com: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Stephen Fry, John Hurt, Tim Pigott-Smith.
11.4.06
Blog do puto
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A fama do nosso blog musical favorito já chegou além fronteiras, tendo sido elogiado na Folha de S.Paulo: "Moleque português viciado em música alternativa faz ótimas resenhas em seu blog, que tem um título esquisito". Eu não diria melhor! Parabéns aos amigos Puto, Tipo e Totó, com natural destaque para o primeiro, nosso raríssimo colaborador!
6.4.06
Instinto fatal 2
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'Instinto fatal' ficou famoso não propriamente pelas suas características estritamente cinematográficas, mas sim por ter revelado ao mundo Sharon Stone. Missão cumprida, não se percebe muito bem o motivo para fazer esta sequela 14 anos depois. No mundo anglo-saxónico o filme tem sido pessimamente recebido pela critica e não só. Por exemplo, no popular IMDB tem, no momento em que escrevo, a extraordinária votação média de 2,8, o que lhe dá um honroso 66º lugar no...'bottom 100'! Exagero manifesto! Não que o filme não seja mau, é-o bastante até. Mas para figurar num top dos piores de sempre tem que se ser um daqueles filmes tão maus que até sentimos uma espécie de ternura por eles, uma atracção repulsiva como por um animal feio e desajeitado. Ora 'Instinto fatal 2' é apenas chato, com um argumento totalmente desinteressante (quem se interessou 3 segundos em saber quem matou quem que levante um dedo!) e, ao contrário do seu antecessor, sem sombra de erotismo – num filme que tem Sharon Stone é obra! Esta aos 47 anos continua a ser uma mulher belíssima e Michael Caton-Jones, que sucede a Paul Verhoeven na realização, devia ser processado por conseguir que apesar dela o filme seja tão sensual como uma animação da Disney. Resumindo, um filme que não tem ponta por onde se lhe pegue. (sem trocadilho!)
Basic Instinct 2, Alemanha/Espanha/Grã-Bretanha/E.U.A., 2006. Realização: Michael Caton-Jones. Com: Sharon Stone, David Morrissey, Charlotte Rampling, David Thewlis, Hugh Dancy, Indira Varma.
2.4.06
A idade do gelo 2 - Descongelados
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Unknown

Confesso que não sou grande fã das tradicionais animações da Disney ou da DreamWorks. Geralmente são excelentes tecnicamente, mas pouco mais que competentes ao nível dos argumentos, que pretendendo agradar a miúdos e graúdos não costumam arriscar muito, insistindo em fórmulas seguras e não investindo muito no campo da imaginação. Os próprios bonecos e ambientes tendem a repetir-se de filme para filme. Os meus gostos nesta área vão para outros lados, para 'freelancers' como Nick Park ou Tim Burton. Tive assim uma agradável surpresa quando assisti a 'A idade do gelo' (o original), que partilhando muito da estética 'Disney/DreamWorks' era no entanto uma lufada de ar fresco no género, com uma história bastante engraçada e imaginativa, bem como todo um conjunto de personagens muito simpáticas sem serem lamechas. Enfim, um verdadeiro filme para todas as idades e não apenas para crianças e adultos com coração de manteiga. Desta sequela apenas se pedia que estivesse ao nível da primeira, e a boa noticia é que o consegue. A imaginação mantém-se em alta, com mais uma história engraçada, bons gags e introduzindo novas personagens que acrescentam (os fantásticos gambás). Até a dobragem portuguesa é bastante boa. A ver sem reservas!
Ice Age: The Meltdown, E.U.A., 2006. Realização: Carlos Saldanha. Longa-metragem de animação. Vozes (versão original): Ray Romano, John Leguizamo, Dennis Leary, Seann William Scott, Josh Peck, Queen Latifah, Will Arnett, Jay Leno, Chris Wedge.
29.3.06
Terapia do amor
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Contam-se pelos dedos de uma mão as actrizes que me levam a levantar do sofá e ir ao cinema ver qualquer filme em que entrem. Uma delas, os meus leitores mais fieis já sabem quem é - Scarlett Johansson. Outra, amor mais antigo, é Uma Thurman. A primeira é a nova musa de Woody Allen, a segunda foi eleita por Tarantino – estou bem acompanhado, como se vê. Mas como nem só com génios pode trabalhar uma diva de Hollywood, de vez em quando lá temos que arriscar e ir ver filmes em que as meninas entram, e que se não fosse por esse motivo jamais nos passaria pela cabeça vê-los na televisão, quanto mais dar 5€ e ir a um Shopping a um Domingo à tarde. Vem isto a propósito de ‘Terapia do amor’, escrito e realizado pelo (para mim) desconhecido Ben Younger. Uma Thurman é uma rica e sofisticada recém-divorciada que conta à sua terapeuta (Meryl Streep) as suas aventuras e desventuras com o novo namorado, 14 anos mais novo. A terapeuta, por sua vez anda preocupada com a nova namorada do seu filho que, além de ser mais velha que ele…não é judia! Naturalmente que não tardará a descobrir que esta última não é senão a sua paciente. O ponto de partida, como se vê é interessante e com potencial - nas mãos de um Woody Allen daria sem dúvidas pano para mangas. O problema é que Ben Younger não tem pernas para estas andanças, ao fim de meia hora já esgotou tudo o que a sua ideia tinha para dar e o filme anda a engonhar o resto do tempo. Uma vez que Meryl Streep apenas cumpre os mínimos, com uma composição algo caricatural e que o rapazito (Bryan Greenberg) não é mau actor mas é bastante desinteressante, resta-nos então, pois claro, Uma Thurman. Esta, aos 35 anos (e representando uma mulher de 37!) está mais bela e sensual que nunca (e nisso há que dar mérito ao realizador, pelo casting perfeito) e, acrescente-se por elementar justiça, é também uma muito boa actriz, pelo que vale cada cêntimo dos 5 euros e cada segundo dos 105 minutos que dispendemos com este filme.
Prime, E.U.A, 2005. Realização: Ben Younger. Com: Uma Thurman, Meryl Streep, Bryan Greenberg, Jon Abrams, Adriana Biasi, David Younger, Palmer Brown, Zak Orth.
24.3.06
Uma História de Violência
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Tem-se dito a propósito deste filme que não parece um filme de Cronenberg. Eu concordo na medida em que ao ver o filme me foram passando vários realizadores pela cabeça, mas nunca o próprio Cronenberg. Na 'primeira parte' do filme, chamemos-lhe assim, pareceu-me que estava perante uma versão contemporânea de um tema clássico dos velhinhos westerns: um homem aparentemente normal mas que um acontecimento excepcional força a revelar uma faceta oculta e nos faz suspeitar de um passado misterioso. Depois na 'segunda parte', quando faz a viagem para fora da sua terra, uma sucessão de realizadores começou a vir-me à cabeça: Lynch (o encontro no bar), Kubrick (na viagem até à casa onde é levado), Tarantino (ou mais precisamente, uma paródia a Tarantino, em todas as cenas dentro da casa) e, no final, Spielberg. Só refiro isto para mostrar a minha dificuldade em 'encaixar' o filme, quer na obra de Cronenberg quer onde quer que seja. Para já, digo apenas que há muito tempo que não me sentia tão agarrado a ver um filme.
'Uma História de Violência' pode ser visto muito para além da sua visão mais imediata, como o título original deixa entrever. É, antes de mais, um filme sobre a contaminação pela violência. Quem entra no seu círculo, no seu raio de acção, nunca mais se consegue libertar dela. Tom Stall (Viggo Mortensen), desde logo, mas também a sua família, o seu filho e a sua mulher. O modo como o filho de Tom passa da ironia como arma de defesa, ao uso dos punhos, não pode deixar de ser visto como uma acção do pai, quer seja pelo seu 'exemplo' (involuntário) quer seja mesmo pelos genes! E que dizer da reacção da sua mulher (magnifica Maria Bello, que impregna o filme com um erotismo incomum) perante o seu 'novo' marido? Da sua mágoa, mas também da sua atracção (sexual) pelo homem capaz de violências insuspeitas - a fortíssima cena das escadas....? E dos seus conterrâneos, que o transformam num herói? Não é possível estar cara a cara com a violência e voltar atrás, voltar a ser inocente por assim dizer. Metáfora mais lata, aplicável a sociedades ou governos? Talvez, mas para mim verdade mais interessante quando aplicada ao individuo. A cena em que Tom sai da casa e se vai lavar no lago é crucial. Significa um 'baptismo' que inicia uma nova vida? Uma purificação para continuar em frente? Mas se 3 anos no deserto não foram suficientes, como poderá sê-lo este gesto? Tom é acolhido de volta ao lar, sem dúvida, mas o lar já não é o mesmo do inicio do filme e, significativamente, quem o reintegra é a única pessoa que permanece inocente.
Em Março está já encontrado o filme do ano? Suspeito bem que sim...
Em Março está já encontrado o filme do ano? Suspeito bem que sim...
A History of Violence, E.U.A., 2005. Realização: David Cronenberg. Com: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Heidi Hayes, Peter MacNeill, Stephen McHattie, Greg Bryk.
22.3.06
Chupa no dedo
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Allen Douglas
"Chupa no dedo" é uma tradução infeliz do título original "Thumbsucker". É a história de um adolescente que não perdeu o resquício infantil de chuchar no dedo sempre que a vida parece estar contra ele. Os americanos chamam "Pacifier" à chucha, os Ingleses usam a palavra "Dummy". "Chupa no dedo" fez sucesso nos festivais de Berlin, Cannes e Sundance. Trata os problemas comuns dos adolescentes de forma séria embora sem grande originalidade e cai nos habituais códigos deste género de filmes. Destaques para Tilda Swinton que ficou conhecida pelo papel em Orlando e que protagoniza Nico num filme a estrear sobre a modelo-cantora dos Velvet Underground, e para a banda sonora com três músicas originais que Elliot Smith compôs antes de morrer.
Thumbsucker, E.U.A., 2005. Realização: Mike Mills. Com: Lou taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D'Onofrio, Keanu Reeves.
