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29.4.06

A não perder...



As crónicas sobre o Indie Lisboa no Babugem, o blog português onde melhor se escreve sobre cinema.



A polémica sobre a permanência/não permanência de João Bénard da Costa à frente da Cinemateca, no da literatura e no Auto-Retrato.

26.4.06

Firewall



'Firewall' é o centésimo quinquagésimo quarto filme de acção indistinto despejado pela máquina de Hollywood nas salas de cinema este ano. Não vale a pena o leitor sair de casa para o ver - todos os domingos à tarde passa um filme destes na TVI.
Firewall, E.U.A., 2006. Realização: Richard Loncraine. Com: Harrison Ford, Paul Bettany, Virginia Madsen, Mary Lynn Rajskub, Robert Patrick, Robert Forster, Alan Arkin.

25.4.06

Lisboetas



Os lisboetas de que o título deste documentário fala são os imigrantes que vieram procurar uma vida melhor na capital portuguesa. Africanos, brasileiros, chineses, paquistaneses e, principalmente, europeus de leste. Chamar-lhe lisboetas, disse o realizador, é já "um acto político". Sem dúvida, mas não se pense que estamos aqui perante um manifesto género Michael Moore. Nada disso. Sergio Trefaut prefere um papel 'invisivel', o de mostrar cenas da vida destes imigrantes e deixar as conclusões para o espectador. Temos assim a oportunidade de ver o país de fora, num sentido duplo: através dos olhos destes recém-lisboetas e através dos nossos próprios do lado de cá da câmara. E a imagem não é muito boa. Algumas das cenas mais conseguidas do filme são as que nos fazem rir das nossas próprias misérias, por exemplo quando uma russa em conversa com um familiar gaba o clima português (está na praia), mas se lamenta do péssimo sistema escolar do país; ou quando vemos um pequeno empreiteiro a tentar arranjar mão de obra barata e explorada, numa cena digna do Gato Fedorento. Ou seja, ao mostrar-nos como tratamos os que vêm de fora, ao mostrar-nos a sua vida e opiniões, Trefaut está-nos a retratar a nós. Que fiquemos mal na fotografia, não é certamente culpa dele. Afinal de contas, qual de nós espectadores, não reconhece o Portugalzinho aqui fotografado?
Lisboetas, Portugal, 2004. Realização: Sérgio Trefaut. Documentário.

24.4.06

Alida Valli (31/05/1921 - 22/04/2006)



Foi namorada de Orson Welles n´'O terceiro homem', foi a condessa Livia Serpieri em 'Sentimento', de Visconti e, personal favourite, Maddalena Anna Paradine n´'O caso Paradine', do mestre Hitchcock.

23.4.06

Infiltrado



'Infiltrado' é um heist movie (subgénero'filme de reféns') competente, mas não mais do que isso. Contando com um número impressionante de estrelas (Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor, Christopher Plummer) não era o filme que se esperaria de Spike Lee, nomeadamente depois do mui sui generis 'Ela odeia-me'. Não tanto por não ser um filme 'independente', mas claramente uma grande produção 'à Hollywood', mas mais por não se notar a 'marca' Spike Lee, sendo ele um realizador tão idiossincrático. Mostra-nos uma Nova Iorque multi-cultural, o protagonista é um negro, há uma referência ou outra a árabes, mas... so what? Nada que seja suficiente para se tirar qualquer mensagem daqui. Aliás penso que se têm tirado conclusões politicas deste filme por se saber que é de Spike Lee, mais que por outro motivo qualquer - fosse o filme realizado por um qualquer tarefeiro e ninguém veria nele mais do que o que lá está. Onde ainda assim se nota mais o dedo do realizador é na realização, sendo o ritmo mais lento que o habitual em filmes deste género, bem como na ausência de qualquer grande surpresa ou reviravolta a la Mamet, mostrando que Lee não liga assim tanto à história, estando mais interessado nas suas personagens.
Sendo o maior sucesso comercial de sempre de Spike Lee, não será no entanto por 'Infiltrado' que o realizador verá o seu nome inscrito na história do cinema...
Inside Man, E.U.A., 2006. Realização: Spike Lee. Com: Denzel Washington, Clive Owen, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Carlos Andrés Gómez, Kim Director, James Ransone, Peter Gerety, Victor Colicch.

16.4.06

Sympathy for Mr. Vengeance



Sympathy for Mr. Vengeance é o primeiro filme da trilogia sobre vingança de Park Chan-wook. Analisando os 3 filmes nota-se que Park foi tendo mais cuidados em termos estéticos e ficando mais directo no argumento. Também foi facilitando a vida ao espectador separando os bons dos maus com mais precisão. Sympathy for Mr. Vengeance não tem praticamente banda-sonora nem qualquer sofisticação visual. É no entanto o mais complexo dos 3 filmes - o espectador não consegue escolher um lado, é sensivel aos argumentos de todas as partes e mergulha numa espiral de violência como se fosse a coisa mais natural do mundo. Park parece acreditar que existem actos ou palavras, mesmo que casuais, que pelo dano que causam não devem ficar impunes e faz-nos concordar que não existe outro castigo possível que não seja a justiça pelas próprias mãos. Ele mostra o inferno e derrete-nos com a beleza das labaredas.
Boksuneun naui geot, Coreia do Sul, 2002. Realização: Park Chan-wook. Com: Kang-ho Song, Ha-kyun Shin, Du-na Bae.

14.4.06

V de Vingança



'V de Vingança' tem suscitado reacções muito diferentes: há quem ache que é muita parra (efeitos especiais) e pouca uva (ideias); e, pelo contrário, há quem defenda ser um verdadeiro blockbuster intimista como há muito não se fazia. Eu sinceramente não partilho de nenhuma destas opiniões extremadas - pareceu-me um fime que parte de uma boa ideia, mas que tem uma concretização apenas razoável. A boa ideia vem da BD em que é baseado (e que nunca li): numa inglaterra totalitária e fascista, um mascarado tenta sabotar a ordem establecida. A novidade aqui está na palavra - sendo um sujeito de acção como qualquer super-herói que se preze, para este, primeiro está o verbo. Entre uma explosão e um golpe de espadachim, vai debitando tiradas de Shakespeare e fulminando o adversário com a sua magnifica voz. Numa sociedade vigiada e controlada, o direito à livre expressão é o primeiro a ser suprimido, e por isso não surpreende a importância dada à palavra, falada ou escrita. Aliás, uma outra personagem é condenada por ter o Corão escondido em casa. Temos assim ecos de '1984', mas também de 'Fahrenheit 451'. O curioso é que sendo baseado numa BD (portanto num meio de comunicação escrita), a palavra falada (notável voz de Hugo Weaving, de quem nunca vemos a cara) tenha tanta importância neste filme. Esta é parte interessante - o que impede o filme de outros voos, é a realização, apenas tarefeira. Não abusando especialmente da artilharia técnica, o que é bom, insiste no entanto em alguns flash-backs de gosto duvidoso, e não consegue manter o ritmo narrativo, constantemente interrompido por histórias paralelas dispensáveis. Também não é tirado partido suficiente de dois imaginários poderosos que poderiam dar um outro ambiente ao filme: a Londres escura, quase gótica, que entrevemos por vezes, e toda a simbologia de um regime fascista (inspirada na nazi) que só uma ou outra vez nos é mostrada. Resumindo, eu não deixaria de recomendar uma visão do filme, mas também ninguém se pode sentir beliscado na sua cinefilia se não o vir...
V for Vendetta, E.U.A./Alemanha, 2006. Realização: James McTeigue. Com: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Stephen Fry, John Hurt, Tim Pigott-Smith.

11.4.06

Blog do puto



A fama do nosso blog musical favorito já chegou além fronteiras, tendo sido elogiado na Folha de S.Paulo: "Moleque português viciado em música alternativa faz ótimas resenhas em seu blog, que tem um título esquisito". Eu não diria melhor! Parabéns aos amigos Puto, Tipo e Totó, com natural destaque para o primeiro, nosso raríssimo colaborador!

6.4.06

Instinto fatal 2



'Instinto fatal' ficou famoso não propriamente pelas suas características estritamente cinematográficas, mas sim por ter revelado ao mundo Sharon Stone. Missão cumprida, não se percebe muito bem o motivo para fazer esta sequela 14 anos depois. No mundo anglo-saxónico o filme tem sido pessimamente recebido pela critica e não só. Por exemplo, no popular IMDB tem, no momento em que escrevo, a extraordinária votação média de 2,8, o que lhe dá um honroso 66º lugar no...'bottom 100'! Exagero manifesto! Não que o filme não seja mau, é-o bastante até. Mas para figurar num top dos piores de sempre tem que se ser um daqueles filmes tão maus que até sentimos uma espécie de ternura por eles, uma atracção repulsiva como por um animal feio e desajeitado. Ora 'Instinto fatal 2' é apenas chato, com um argumento totalmente desinteressante (quem se interessou 3 segundos em saber quem matou quem que levante um dedo!) e, ao contrário do seu antecessor, sem sombra de erotismo – num filme que tem Sharon Stone é obra! Esta aos 47 anos continua a ser uma mulher belíssima e Michael Caton-Jones, que sucede a Paul Verhoeven na realização, devia ser processado por conseguir que apesar dela o filme seja tão sensual como uma animação da Disney. Resumindo, um filme que não tem ponta por onde se lhe pegue. (sem trocadilho!)
Basic Instinct 2, Alemanha/Espanha/Grã-Bretanha/E.U.A., 2006. Realização: Michael Caton-Jones. Com: Sharon Stone, David Morrissey, Charlotte Rampling, David Thewlis, Hugh Dancy, Indira Varma.

2.4.06

A idade do gelo 2 - Descongelados



Confesso que não sou grande fã das tradicionais animações da Disney ou da DreamWorks. Geralmente são excelentes tecnicamente, mas pouco mais que competentes ao nível dos argumentos, que pretendendo agradar a miúdos e graúdos não costumam arriscar muito, insistindo em fórmulas seguras e não investindo muito no campo da imaginação. Os próprios bonecos e ambientes tendem a repetir-se de filme para filme. Os meus gostos nesta área vão para outros lados, para 'freelancers' como Nick Park ou Tim Burton. Tive assim uma agradável surpresa quando assisti a 'A idade do gelo' (o original), que partilhando muito da estética 'Disney/DreamWorks' era no entanto uma lufada de ar fresco no género, com uma história bastante engraçada e imaginativa, bem como todo um conjunto de personagens muito simpáticas sem serem lamechas. Enfim, um verdadeiro filme para todas as idades e não apenas para crianças e adultos com coração de manteiga. Desta sequela apenas se pedia que estivesse ao nível da primeira, e a boa noticia é que o consegue. A imaginação mantém-se em alta, com mais uma história engraçada, bons gags e introduzindo novas personagens que acrescentam (os fantásticos gambás). Até a dobragem portuguesa é bastante boa. A ver sem reservas!
Ice Age: The Meltdown, E.U.A., 2006. Realização: Carlos Saldanha. Longa-metragem de animação. Vozes (versão original): Ray Romano, John Leguizamo, Dennis Leary, Seann William Scott, Josh Peck, Queen Latifah, Will Arnett, Jay Leno, Chris Wedge.