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17.9.06

Liga dos blogues cinematográficos

A Liga dos blogues cinematográficos é um 'Grupo que reúne blogueiros de todo o Brasil (e até de fora do país) para falar de cinema.' O Duelo ao Sol teve o prazer de ser o primeiro blogue estrangeiro a ser eleito para participar na liga, o que nos enche de satisfação por vários motivos. Em primeiro lugar devido à elevada qualidade dos blogues participantes - escreve-se muito bem sobre cinema do outro lado do Atlântico - cuja companhia muito nos honra. Em segundo lugar, devido à crescente percentagem de leitores oriundos do Brasil que registamos (segundo o extremetracking, cerca de 20% das nossas visitas) - o que dá ainda mais sentido a participarmos nesta comunidade de blogueiros. Resta agradecer aos seus membros terem-nos eleito e recomendar aos leitores uma visita à Liga dos blogues cinematográficos e, claro, aos blogues dos seus participantes.

16.9.06

Finais felizes



Três dos filmes que este ano estrearam em Portugal com melhores críticas, são oriundos do mesmo universo - o dos chamados 'independentes americanos', uma área com fronteiras cada vez mais esbatidas, mas que enfim, engloba aquelas obras feitas mais ou menos à margem das Majors, dentro daquele espírito que levou à criação do festival de Sundance. São eles 'Eu, tu e todos os que conhecemos' (Miranda July), 'A lula e a baleia' (Noah Baumbach) e este 'Finais felizes', de Don Roos. Em comum têm também a vontade de retratar as relações humanas nas sociedades contemporâneas, mais precisamente de uma certa classe média (ou média alta) americana. Se o primeiro dos três filmes citados é o mais ideossincrático (sendo também, et pour cause, o que teve reacções mais desencontradas), este último é, na minha opinião, o mais 'certinho', o mais normal.
Don Roos usa o esquema de filme-mosaico que P.T. Anderson elevou à quase perfeição em ´Magnolia', para ir mostrando três histórias: uma explora os mal entendidos entre dois casais amigos, um de lésbicas e um de homossexuais, a propósito do filho daquelas; outra mostra-nos como uma jovem talentosa e oportunista (magnifica Maggie Gyllenhaal) usa um rapaz inexperiente e homossexual para chegar ao seu pai viúvo e milionário; e a terceira e mais extravagante, fala-nos de um candidato a realizador de cinema, que chantageia uma mulher e o seu namorado latino para conseguir um documentário! Se acrescentarmos que o realizador vai intercalando tudo isto com informações e comentários escritos no ecrã, pode-se temer o pior - estar perante um daqueles objectos espertalhões e auto-referenciais, tão indulgentes como desinteressantes, que o cinema 'independente' tantas vezes nos dá. Felizmente não é o caso: Roos domina perfeitamente este deambular pelas diversas narrativas, com uma câmara fluida e discreta, os comentários que vão aparecendo dão um tom irónico ao que vamos vendo, desarmando assim as nossas defesas perante um quadro algo estereotipado, e os actores (todos eles) defendem muito bem as suas personagens, embora só três ou quatro sejam verdadeiramente exploradas. Não obstante, há aqui algo que, na minha opinião, falha: apesar de Roos dominar com mestria todos os elementos, falta-lhe aquela marca autoral, aquele traço de originalidade que distingue os grandes realizadores, algo de que Noah Baumbach se aproxima e que Miranda July sem dúvida possui. O resultado é que, como diria um amigo meu a propósito de outras conversas, o filme 'não bate'. Admirei-o, deu-me prazer vê-lo, mas não me emocionou. De qualquer modo, num ano em que Hollywood se tem limitado a cumprir os serviços mínimos, este é um filme bastante recomendável.
Happy Endings, E.U.A., 2005. Realização: Dan Roos. Com: Lisa Kudrow, Steve Coogan, Bobby Cannavale, Maggie Gyllenhaal, Jason Ritter, Tom Arnold, David Sutcliffe, Laura Dern, Sarah Clarke

10.9.06

Voltar



'Voltar' é um filme de vários regressos. Desde logo de Almodóvar aos melodramas que lhe deram fama nos anos 80 ('Que Fiz Eu para Merecer Isto?', 'Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos'); depois de Almodóvar às suas mulheres e a algumas das suas actrizes: Carmen Maura, precisamente a musa dos dois filmes atrás citados, e Penélope Cruz, aquela que mais fama alcançou. Neste caso deveremos antes dizer que Penélope é que regressou a Almodóvar, depois de vários filmes esquecíveis em Hollywood enquanto Mrs.Cruise. E em boa hora o fez, pois mostra aqui todo o seu talento, classe e beleza, numa composição cheia de garra, dando corpo a uma daquelas mulheres tão Almodóvarianas, com um enorme coração (que fica mesmo ao lado da boca), com uma vontade inquebrantável apesar de todos os infortúnios, com um humor e uma atitude perante a vida que não cedem perante nada. Só por ela vale a pena ver esta obra simpática mas menor, dum realizador que parece estar a passar por uma crise de ideias.
Volver, Espanha, 2006. Realização: Pedro Almodóvar. Com: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave.

5.9.06

Crianças invisíveis



A nota informativa da distribuidora resume este projecto: " «Crianças Invisíveis», é uma colectânea de sete curtas-metragens, dirigida por cineastas de prestígio internacional, que narram, através da sua perspectiva pessoal, histórias únicas sobre as condições de vida das crianças na região do mundo de que são originários". Acrescente-se que os realizadores em causa, de 'prestígio internacional' muito variável, são o argelino Mehdi Charef, o bósnio Emir Kusturica, a brasileira Kátia Lund, o italiano Stefano Veneruso, o chinês de Hong Kong John Woo e os americanos Spike Lee e o par Ridley e Jordan Scott (curiosa esta dupla presença americana - aparentemente pretende representar a América negra e a branca, o que não deixa de ser uma acto politico considerável). Todos eles doaram o seu trabalho em benefício da UNICEF e do Programa Mundial de Alimentação.
Seis dos realizadores (sete, considerando os dois Scott) limitam-se a picar o ponto das boas intenções, enquanto que Spike Lee resolveu levar a coisa a peito e dá-nos um murro no estómago para que não estávamos preparados. A sua história sobre uma miúda seropositiva, filha de pais junkies, que por causa disso é gozada e martirizada na escola, é um tratado inteiro de como enfrentar um tema dificílimo com mão segura e sensibilidade, sem puxar nunca para a choraminguice. Não é à toa que há mais de vinte anos ele é um dos mais impiedosos críticos sociais do cinema americano.
All the Invisible Children, França/Itália, 2005. Realização: Mehdu Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Kátia Lund, Jordan Scott e Ridley Scott, Stefano Veneruso, John Woo. Com: Adama Bila, Elysee Rouamba, Uros Milovanović, Dragan Zurovac, Hannah Hodson, Rosie Perez, Andre Royo, Vera Fernandes, Francisco Anawake de Freitas, David Thewlis, Kelly MacDonald, Jack Thompson, Daniele Vicorito, Emanuele Vicorito, Zicun Zhao, Ruyi Qi, Bin Wang.

3.9.06

O Sentinela


Há uma conspiração para matar o presidente dos E.U.A. e Pete Garrison, um veterano dos serviços secretos que salvou uma vez a vida a Reagan torna-se o principal suspeito. Até ao final do filme terá que procurar o verdadeiro culpado enquanto foge dos ex-colegas. Não parece lá muito original, este argumento? Pois... Só um fã do género, que mora numa terra onde a diversidade da exibição cinematográfica é semelhante à da Albânia antes de cair o muro de Berlim é que se poderia tentar a ir vê-lo. Tanto mais que hoje em dia na TV não faltam séries à volta destes temas detectivescos, de qualidade muito superior à média Hollywoodiana. Mas eu não gosto de ver TV, pronto (abro uma excepção para ver 'Os Sopranos'). Diga-se desde já que até vi a primeira hora de ‘O sentinela’ (não me perguntem porque é que a palavra mudou de género) com agrado. Em primeiro lugar porque tem bons actores da velha guarda: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Kim Basinger (também por lá anda Eva Longoria, mas num papel tão, mas tão discreto, que nem se percebe muito bem o porquê de existir aquela personagem). E em segundo lugar, porque dentro da mediania, argumento e realização não comprometiam – e como eu não estava à espera de mais... O problema é que às tantas começamos a reparar mais numa personagem que é interpretada nem mais nem menos do que por Martin Donovan – sim, esse mesmo, o ex-actor de Hal Hartley, de ‘Amateur’, de ‘Simple Men’, de ‘Flirt’. E aí comecei a divagar, há quanto tempo não estreia um filme de Hartley em Portugal, há quanto tempo não revejo os seus filmes, em suma, comecei a pensar em filmes a sério, e o interesse pel´'O Sentinela' foi indo por água abaixo...
The sentinel, E.U.A., 2006. Realização: Clark Johnson. Com: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Eva Longoria, Martin Donovan, Ritchie Coster, Kim Basinger, David Rasche

31.8.06

...e o resto é paisagem (V)









Já aqui nos queixámos: há cada vez mais filmes (especialmente os distribuídos pela Atalanta) que estreiam apenas com uma cópia - numa sala de Lisboa - indo depois para o Porto quando calhar . Hoje o JN (sem ligação) põe o dedo na ferida, a propósito de 'Paradise Now': Porque é que o filme estreia só em Lisboa? "Ao JN, Paulo Branco, distribuidor da obra palestiniana através da Atalanta Filmes, explicou que a decisão se prende por 'questões financeiras. Uma cópia [suplementar] seria muito cara e os cinco ou seis mil espectadores a mais não compensam', justificou. 'Além disso acho que não perco espectadores pelo facto de passar primeiro em Lisboa, porque isso até suscita maior interesse pelo filme quando chegar ao Porto. Este não é um filme de grande público, logo não [será alvo de] uma grande campanha [promocional]', justificou o distribuidor. Manuel Menano, o crítico do JN que assina a peça, complementa a explicação: 'o elevado custo das cópias, tradução e legendagem, e taxas pagas à entidade reguladora (IGAC) ascendem a um valor superior a três mil euros, pelo que serão precisos pelo menos dois mil espectadores para ficar a salvo de prejuízos. A isto, acresce ainda o facto de serem os exibidores a ditarem a permanência de um filme em cartaz. Em Lisboa, via cinema King e na sua qualidade de distribuidor e exibidor, Paulo Branco controla todo o circuito mas o mesmo não se passa no Porto".
Ou seja, os espectadores do Porto terão mesmo que se habituar a esperar meses pelos filmes distribuídos pela Atalanta, sendo que por alguns deles nem vale a pena esperarem - basta observar a lista aqui publicada na side bar. Paulo Branco acha que assim não perde espectadores - eu acho que perde, e muitos, mas ele lá saberá...

29.8.06

Voo 93



Voo 93 é talvez um pouco diferente daquilo que poderíamos esperar. Num filme com menos de 2 horas, a primeira passa-se quase totalmente em salas de controlo de tráfego aéreo de diversos aeroportos. Pouco a pouco os controladores aéreos vão-se dando conta que se passa algo de errado em diversos voos, e vamos assistindo à sua incredulidade perante o que está a acontecer em frente aos seus olhos (“há quantos anos não há um desvio de um avião?” é a pergunta que mais fazem). Pergunto-me o porquê do realizador ‘gastar’ tanto tempo aqui, antes de ‘entrar’ no voo 93 propriamente dito. É que não obstante nos oferecer uma das cenas mais poderosas do filme – os controladores de Nova Iorque a observarem pela janela o segundo avião (que tinha desaparecido dos seus radares) a bater nas torres gémeas - esta primeira parte acaba por se tornar repetitiva, é excessivamente longa. Penso que a resposta é que Paul Greengrass quis, antes de tudo o mais, filmar a estupefacção das pessoas perante o que estava a acontecer. Primeiro dos controladores aéreos (os primeiros a perceber que algo estava errado e inclusive os de nova Iorque a verem ao vivo que aconteceu); depois dos passageiros do voo 93, provavelmente os únicos que souberam o que lhes ia acontecer (os dos outros voos terão pensado que era um ‘vulgar’ desvio do avião). Talvez tenha sido esta a razão que levou o realizador e argumentista a escolher este voo em particular, e não tanto a necessidade de procurar ‘heróis’ como tem sido dito. Aliás é curioso observar que num filme onde não há nenhuma personagem principal, há uma enorme quantidade de grandes planos - dos controladores aéreos, dos passageiros do voo, dos terroristas – todos rostos surpresos ou assustados (incluindo os dos terroristas).
A 'segunda parte' do filme, em que a câmara vai para dentro do avião, na minha opinião é melhor, e superou as minhas expectativas: a visão do realizador é equilibrada e nada maniqueísta (podendo-se ou não acreditar no seu retrato dos terroristas – assustadíssimos e muito pouco profissionais), verosímil (o modo como os passageiros se vão organizando) e, mais difícil, consegue manter a tensão até ao fim, feito tanto maior quanto o espectador já sabe o desfecho.
Paul Greengrass não fez um grande filme, mas o improvável seria faze-lo - afinal esta é a primeira obra que Hollywood nos dá sobre o 11 de Setembro. Quantos filmes foram feitos sobre a guerra do Vietname para aparecerem 3 obras-primas? 'Voo 93' limita-se a ser um filme competente e honesto, mas que supera o formato didáctico de telefilme - o realizador diz-nos algo mais sobre as circunstâncias do 11 de Setembro, mas não se esquece nunca das regras que regem um bom thriller.
United 93, E.U.A., 2006. Realização: Paul Greengrass. Com: J. Johnson, Gary Commock, Polly Adams, Opal Alladin, Nancy McDoniel, Starla Benford, Trish Gates, Simon Poland, Khalid Abdalla, David Alan Basche, Lisa Colón-Zayas, Meghan Heffern, Olivia Thirlby, Cheyenne Jackson

25.8.06

A outra face da lei



Numa crítica escrita em 1956 sobre 'Fugiu um condenado à morte', Truffaut (que o considerava a obra prima de Bresson e o melhor filme francês dos últimos dez anos) faz uma observação curiosa: que pensava que o filme seria mais apreciado por aquelas pessoas que só iam ao cinema ocasionalmente, que pelo público mais assíduo, pois este estava muito influenciado pelo ritmo dos filmes Americanos. Lembrei-me das suas palavras ao assistir a este 'Le Petit lieutenant' (esqueçamos o título português) do seu compatriota Xavier Beauvois. Tendo o filme uma estrutura de história policial, subconscientemente estive sempre à espera de qualquer reviravolta no argumento, de uma surpresa final, até de uma qualquer cena movimentada de tiros e perseguições. Claro que não há nada disso. Xavier Beauvois adopta um estilo quase documental, de câmara invisível, mostrando-nos o trabalho rotineiro (mas não isento de perigo) de um jovem tenente vindo da província para Paris, que investiga o assassinato de um sem abrigo. O seu dia-a-dia é feito de interrogatórios a estrangeiros que pouco sabem de francês, de vigias monótonas, de investigações chatas e morosas. Nada disso diminui no entanto a sua crença arreigada e quase infantil no que faz, a sua voluntariedade ingénua, que vão fatalmente colidir com a dura realidade da rua e com o outro ritmo a que se movem os seus colegas mais experientes e desencantados. Este filme é uma espécie de anti-'Miami Vice' - que para os padrões de Hollywood até tem pouquíssima acção. A vontade de realismo é tão grande, a invisibilidade do realizador tão deliberada, que às tantas a única 'coisa' que me parecia deslocada era o actor, demasiado 'bem parecido' para ser um polícia provinciano (e lembrei-me dos modelos de Bresson, que como se sabe não gostava de usar actores profissionais)! De qualquer modo, no seu despojamento, é um filme muito original - a atenção que dá às personagens secundárias (e a chefe do pequeno tenente até é capaz de ser a personagem principal), o ambiente discretamente pessimista, os detalhes (o jantar em casa do colega Marroquino; a confissão à chefe que não sabe onde comprar charros em Paris) são sintomas de uma complexidade escondida, disfarçada de simplicidade pelo talento do realizador.
P.S.: Aluguei este filme num clube de vídeo. Não tenho a certeza, mas tanto quanto sei não estreou nas salas portuguesas, apesar de ter sido presença em alguns Top 10 do ano passado, como nos Cahiers du Cinema.
Le Petit lieutenant, França, 2005. Realização: Xavier Beauvois. Com: Nathalie Baye, Jalil Lespert, Roschdy Zem, Antoine Chappey, Jacques Perrin.

22.8.06

O tempo que resta



Nesta sua última obra, François Ozon - um dos mais interessantes cineastas da actualidade - volta a reflectir sobre a morte, cinco anos e três filmes depois de 'Sob a areia'. Ali uma mulher de cinquenta e tal anos (Charlotte Rampling) recusava-se a aceitar a morte do marido que desaparecera misteriosamente no mar; aqui, um jovem de trinta e um anos (Melvil Poupaud) confronta-se com a sua própria morte ao ser-lhe diagnosticado um cancro letal, que se recusa a combater. O filme é precisamente sobre o que Poupaud faz com o tempo que lhe resta (uns três meses, disse-lhe o médico). Este é um filme em crescendo: durante metade do tempo parece-nos que Ozon não tem nada de muito original para dizer sobre o assunto, mas depois vamo-nos comovendo com a arrogante e sobranceira personagem de Poupaud e as reticências mentais vão-se desvanecendo. Ozon, a quem nos habituamos a admirar o lado cerebral de geómetra, a elegante frieza com que constrói os seus filmes, consegue aqui emocionar-nos, sem no entanto perder as características anteriores que lhe são intrínsecas. 'O tempo que resta' não é, na minha opinião, o seu melhor filme, mas é talvez aquele em que mais arrisca, quer temática, quer cinematograficamente. Quanto ao primeiro aspecto, o tema da 'humanização' da personagem à medida que caminha para a morte é dos mais traiçoeiros, mas nunca o realizador derrapa para a lamechice fácil, não se refugiando no entanto numa distância altiva e asséptica ainda mais fácil. Veja-se toda a cena com a avó (Jeanne Moreau) sempre no fio da navalha, mas não caindo nunca para o lado mais banal e puxa a lágrima. Quanto ao aspecto cinematográfico, digamos assim, Ozon não tem medo de filmar algumas cenas arriscadas, como a cena do sexo a três que facilmente poderia cair no ridículo, e mesmo as sempre difíceis cenas homossexuais. Mais do que com 'Sob a areia', compararia este filme com '5x2', pelo lado emocional que Ozon nele põe e por se interessar mais pelas suas personagens que pela sua história. E, se penso que não virei a gostar tanto deste filme como de '5x2', penso também que à semelhança deste, 'O tempo que resta' será um filme que irei admirando mais à medida que o tempo passe.
Le Temps Qui Reste, França, 2005. Realização: François Ozon. Com: Melvil Poupaud, Jeanne Moreau, Valeria Bruni Tedeschi, Daniel Duval, Marie Rivière.

20.8.06

Há dias de azar



'Há dias de azar', realizado pelo desconhecido Paul McGuigan, conta-nos uma história tipo who done it , embrulhada num estilo 'Pulp Fiction'. A Tarantino vai buscar a violência (ainda o filme vai no genérico e já perdemos a conta ao numero de assassinatos ocorridos) e os diálogos espertalhões que toda a gente começou a copiar daqueles entre John Travolta e Samuel L. Jackson (aqui o nível varia - tem duas ou três deixas inspiradas, sendo o ponto alto atingido na piada contada por Bruce Willis - 'Charles Chaplin participou num concurso de sósias seus em Monte Carlo e ficou em terceiro'). Quanto à intriga who done it, sobre o azarado do título português que vai parar a uma guerra entre dois grupos de gangsters - uns negros e uns judeus - é competente q.b., equilibrando-se entre a comédia e o suspense, com um desfecho dentro de níveis de verosimilhança aceitáveis, ao contrário do que vem acontecendo neste tipo de filmes que pretendem surpreender o espectador com um twist final insuperável. Vendo-se bem, está longe de entusiasmar, acabando o maior ponto de interesse por ser o casting impressionante que o realizador conseguiu reunir para este filme rotineiro: Bruce Willis (miraculosamente com cabelo outra vez), Morgan Freeman, Ben Kingsley, Lucy Liu, Stanley Tucci, Danny Aiello e, no papel principal, Josh Hartnett, jovem estrela em ascenção que também vamos poder ver em 'The Black Dahlia' e que, segundo informações fidedignas passadas a este blog, é a actual companhia de Scarlett Johansson...
Lucky Number Slevin, E.U.A., 2006. Realização: Paul McGuigan. Com: Josh Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Lucy Liu, Bruce Willis, Stanley Tucci, Danny Aiello.