Recent Posts

24.9.06

World Trade Center



Mal se soube que Oliver Stone iria filmar 'World Trade Center', a polémica não mais abandonou a obra. Primeiro foi a direita americana a torcer o nariz ao nome do realizador. Isto antes de o filme estrear, porque depois passou a tecer-lhe loas e foi a vez de a esquerda franzir o sobrolho ao seu 'patriotismo'. Não há duvida que é um filme patriota, mas Stone antes de mais é americano, e dificilmente iria escolher um acontecimento em que a América foi atacada para criticar o seu país - não tem lógica a surpresa de muitos por Stone não exibir aqui a sua costela contestatária, presente em grande parte da sua obra. Dito isto, acrescente-se que ser 'patriota' diz tanto dum filme como dizer de uma pintura que é azul ou amarela. Como já foi dito, pelo menos desde Griffith que o cinema americano nos tem dado excelentes filmes 'patriotas'. Deixando agora estas questões laterais que têm toldado a discussão sobre 'World Trade Center', olhemos então para as questões cinematográficas, as que interessam para aqui. Na minha opinião este é um filme totalmente falhado. Stone chega ao tema do 11 de Setembro tomando um desvio interessante: filma dois polícias que foram chamados às torres logo após o embate dos aviões, que ficaram lá presos e que finalmente foram dos raríssimos que saíram de lá com vida. Paralelamente filma a angústia das famílias destes homens, presas à televisão sem saber nada deles, se estão vivos ou mortos. A montagem vai assim alternando os diálogos dos dois homens imobilizados sob os escombros das torres enquanto esperam que surja alguma ajuda, com as reacções das suas mulheres e restante família em casa. Esta abordagem com bastante potencial dramático é arruinada pelo facto de Stone não escapar a nenhum cliché acerca do herói corajoso e íntegro, que tem a mulher perfeita e compreensiva, que forma a família ideal, que veio directamente de um outro planeta. Os diálogos entre os dois homens são irritantemente repetitivos, não saindo nunca do 'se saíres daqui com vida diz à minha mulher que eu a amava muito'. Do mesmo modo a reacção das suas famílias é estereotipada até ao infinito, era um marido tão bom, um pai extremoso, o filho que quer ir salvar o pai e descarrega na mãe, a mãe que se culpa pela reacção do filho, enfim, um puxar à lágrima fácil e superficial. Stone nitidamente não sabe o que há-de fazer com as suas personagens e consegue a proeza de transformar grande parte do filme numa monotonia inacreditável, desperdiçando ainda pelo caminho duas das mais interessantes actrizes da actualidade, Maggie Gyllenhaal e Maria Bello, que só têm banalidades para dizer. Na última meia hora o filme ainda arrebita um bocadinho, quando os dois homens são descobertos por um iluminado que à revelia das autoridades resolveu fazer buscas por contra própria, noite dentro. Aí o companheirismo, a solidariedade, a abnegação das forças de salvamento dão um bocadinho daquele tom humanista, genuinamente heróico, que tinha faltado até então. Infelizmente nem neste momento Stone foge ao lugar-comum, introduzindo um paramédico a quem a droga tinha perdido, que encontra aqui uma espécie de redenção... (bom, pelo menos há uma pessoa neste filme que não é perfeita).
O resultado final é um enorme bocejo, que faz 'Voo 93' parecer uma obra-prima.
World Trade Center, E.U.A., 2006. Realização: Oliver Stone. Com: Nicolas Cage, Michael Peña, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello, Jay Hernandez, Armando Riesco, Michael Shannon, Frank Whaley, Stephen Dorff.

23.9.06

A minha Super ex



Façamos agora uma pausa para falar dum assunto verdadeiramente importante, mas que não tem recebido a importância merecida: há uma nova Super-heroína disposta a salvar o planeta e é nem mais nem menos que Uma Thurman! O nome oficial é G-Girl, usa um vestidinho diferente em cada missão (e dizer com qual dos trapinhos fica mais sexy é missão impossível!) e além de funções mais nobres, usa os seus super-poderes para tramar a vida ao seu ex-namorado (óptimo Luke Wilson). Exemplo? Entrar-lhe pela janela do 3º andar e despejar-lhe um tubarão ainda vivo no quarto onde ele está com a nova conquista.
'A minha super ex' é uma comédia divertida, ligeira, despretensiosa, que parte de uma boa ideia (como nos livrarmos duma ex com super-poderes!?), não totalmente aproveitada, mas alinhando ainda assim um bom numero de gags com graça e não desprestigiando a nobre tradição da comédia romântica. E, claro, tem Uma Thurman nuns vestidinhos que...já falei disso? Ok, ok! Fim de pausa. O blogue segue dentro de momentos.
My Super Ex-Girlfriend, E.U.A., 2006. Realização: Ivan Reitman. Com: Uma Thurman, Luke Wilson, Anna Faris, Rainn Wilson, Eddie Izzard, Wanda Sykes.

21.9.06

Future Shorts



Future Shorts Lisboa

20.9.06

Mafioso quanto baste



'Mafioso quanto baste' (mais um titulo português idiota) é o regresso do veterano Sidney Lumet aos filmes de tribunal, quase 50 anos depois do clássico '12 Angry Men ' e 25 depois de 'The Verdict'. Naturalmente que quem realizou estes dois filmes, não tem nada a aprender sobre como filmar tribunais, juris ou advogados. O calcanhar de Aquiles de 'mafioso quanto baste' vem de outro lado: nestes filmes em que praticamente só há um cenário (a sala de audiências, aqui), em que a acção se resume quase exclusivamente à palavra, à argumentação - à performance de uma personagem, em suma - o actor que a interpreta é assim a alma do filme e muita da responsabilidade da máquina funcionar ou não cai sobre os seus ombros. Ora neste papel, onde Lumet já contou com Henry Fonda ou Paul Newman, temos agora Vin Diesel. Este é Jackie DiNorscio, um mafioso que resolve representar-se a si próprio no maior julgamento da história americana - dois anos em tribunal para julgar dezenas de arguidos de famílias mafiosas (o filme é baseado num caso real). DiNorscio rápidamente se torna a estrela da companhia, divertindo o júri, irritando o promotor público, desconcertando o juiz. Ele é uma mistura perigosa de palhaço ingénuo com chico-esperto autodidacta, que inevitavelmente baralha o status quo estabelecido com as suas tiradas pouco ortodoxas. 'I'm a gagster, not a gangster' repete ele ao juri.
A questão a que é normalmente mais fácil de responder após vermos um filme costuma ser: é o filme bom, assim-assim ou mau? Neste caso tenho alguma dificuldade em responder. Penso que depende muito do facto de 'comprarmos' ou não a actuação de Vin Diesel. Confesso que eu não a engoli - os seus olhares bacocos, os seus trejeitos patéticos, o seu ar de tosco ingénuo, mais que deliberados, pareceram-me mesmo limitações do actor. Nunca consegui atingir aquela necessária 'suspensão da descrença' - estive sempre mais que consciente de ter diante de mim um actor a representar um papel. Note-se que não há aqui qualquer preconceito da minha parte - mal sabia quem era Vin Diesel, e nunca tinha visto qualquer filme com ele. Pura e simplesmente, acho que a coisa não funciona. Não direi que houve um erro de casting, pois nitidamente este é um projecto de Vin Diesel, ou seja foi o actor a escolher o realizador e não o contrário. Pelo menos nisso revelou bom senso. Lumet não conseguiu esconder as limitações do actor, mas pelo menos enquadrou-o num objecto sólido e bem feito, que talvez contribua para levar a sua carreira para outro rumo.
Find Me Guilty, E.U.A., 2006. Realização: Sidney Lumet. Com: Vin Diesel, Linus Roache, Ron Silver, Peter Dinklage, Alex Rocco, Annabella Sciorra, Aleska Palladino, Richard Portnow.

18.9.06

Uma verdade inconveniente



A maior parte do tempo deste filme é dedicada a mostrar-nos a conferência sobre aquecimento global que Al Gore tem apresentado pelo mundo fora, ao longo dos últimos anos. Esta é bem estruturada, documentada e convincente - e outra coisa não seria de esperar de um comunicador com a tarimba do ex-vice de Clinton. Al Gore começa por se apresentar como o homem que já foi o futuro presidente dos Estados Unidos, primeiro toque de humor que logo conquista a plateia para o desfile de números e gráficos que se vai seguir, intercalados por alguns remoques a adversários (como Bush pai e filho), quase sempre irónicos e certeiros. Como já dissemos Gore é um comunicador eficaz, muitos dos dados que apresenta são surpreendentes (a taxa de emissão de CO2 nos carros é mais restritiva na China que nos E.U.A.!). e embora às vezes perca um pouco o pé (perigosa a comparação entre a luta ecológica que se trava hoje em dia e a luta anti-tabaco de há uns anos - que deu no fundamentalismo que conhecemos), no geral passa muito bem a sua mensagem - que ou tomamos medidas contra o aquecimento global já, ou assistiremos a uma catástrofe em breve. O problema é que quem vai ver um filme, mesmo sendo um documentário, espera mais do que assistir a uma sofisticada apresentação em PowerPoint, pelo que o discurso às tantas se torna algo fastidioso, um problema que o realizador não consegue resolver bem. Há da parte deste uma ideia interessante, mas que não resulta totalmente: vai pontuando o filme com flashbacks a momentos chave da vida de Al Gore, que o fizeram tomar consciência da sua missão - do imperativo moral, nas suas próprias palavras - de ser útil à sociedade: a morte da sua irmã ainda jovem, a polémica derrota perante Bush, etc. Vemos também a sua tenacidade nesta luta, mas igualmente algum desalento. Às tantas confessa que achava que bastava mostrar os dados do problema aos membros do congresso para os convencer a tomar as medidas que julga necessárias - pelos vistos partilha da crença peregrina do Professor Cavaco de que duas pessoas inteligentes na posse da mesma informação chegarão necessariamente às mesmas conclusões... Numa palavra, há uma tentativa de mostrar Al Gore, senão como um herói americano, pelo menos como algo lá perto, alguém que luta pelas suas convicções contra o sistema instalado, alguém que não desiste, que se levanta depois da derrota e começa de novo. Mas precisamente por o filme estar tão centrado na mensagem que Gore quer transmitir, estes momentos sobre Gore himself acabam por parecer deslocados, por ser objectos estranhos ao filme.
Aqui defende-se que o filme devia ser difundido em larga escala junto da população escolar. Eu acho que é uma boa ideia: é muito mais interessante enquanto objecto didáctico, que enquanto objecto cinematográfico.
An Inconvenient Truth, E.U.A., 2006. Realização: Davis Guggenheim. Documentário. Com: Al Gore.

17.9.06

Liga dos blogues cinematográficos

A Liga dos blogues cinematográficos é um 'Grupo que reúne blogueiros de todo o Brasil (e até de fora do país) para falar de cinema.' O Duelo ao Sol teve o prazer de ser o primeiro blogue estrangeiro a ser eleito para participar na liga, o que nos enche de satisfação por vários motivos. Em primeiro lugar devido à elevada qualidade dos blogues participantes - escreve-se muito bem sobre cinema do outro lado do Atlântico - cuja companhia muito nos honra. Em segundo lugar, devido à crescente percentagem de leitores oriundos do Brasil que registamos (segundo o extremetracking, cerca de 20% das nossas visitas) - o que dá ainda mais sentido a participarmos nesta comunidade de blogueiros. Resta agradecer aos seus membros terem-nos eleito e recomendar aos leitores uma visita à Liga dos blogues cinematográficos e, claro, aos blogues dos seus participantes.

16.9.06

Finais felizes



Três dos filmes que este ano estrearam em Portugal com melhores críticas, são oriundos do mesmo universo - o dos chamados 'independentes americanos', uma área com fronteiras cada vez mais esbatidas, mas que enfim, engloba aquelas obras feitas mais ou menos à margem das Majors, dentro daquele espírito que levou à criação do festival de Sundance. São eles 'Eu, tu e todos os que conhecemos' (Miranda July), 'A lula e a baleia' (Noah Baumbach) e este 'Finais felizes', de Don Roos. Em comum têm também a vontade de retratar as relações humanas nas sociedades contemporâneas, mais precisamente de uma certa classe média (ou média alta) americana. Se o primeiro dos três filmes citados é o mais ideossincrático (sendo também, et pour cause, o que teve reacções mais desencontradas), este último é, na minha opinião, o mais 'certinho', o mais normal.
Don Roos usa o esquema de filme-mosaico que P.T. Anderson elevou à quase perfeição em ´Magnolia', para ir mostrando três histórias: uma explora os mal entendidos entre dois casais amigos, um de lésbicas e um de homossexuais, a propósito do filho daquelas; outra mostra-nos como uma jovem talentosa e oportunista (magnifica Maggie Gyllenhaal) usa um rapaz inexperiente e homossexual para chegar ao seu pai viúvo e milionário; e a terceira e mais extravagante, fala-nos de um candidato a realizador de cinema, que chantageia uma mulher e o seu namorado latino para conseguir um documentário! Se acrescentarmos que o realizador vai intercalando tudo isto com informações e comentários escritos no ecrã, pode-se temer o pior - estar perante um daqueles objectos espertalhões e auto-referenciais, tão indulgentes como desinteressantes, que o cinema 'independente' tantas vezes nos dá. Felizmente não é o caso: Roos domina perfeitamente este deambular pelas diversas narrativas, com uma câmara fluida e discreta, os comentários que vão aparecendo dão um tom irónico ao que vamos vendo, desarmando assim as nossas defesas perante um quadro algo estereotipado, e os actores (todos eles) defendem muito bem as suas personagens, embora só três ou quatro sejam verdadeiramente exploradas. Não obstante, há aqui algo que, na minha opinião, falha: apesar de Roos dominar com mestria todos os elementos, falta-lhe aquela marca autoral, aquele traço de originalidade que distingue os grandes realizadores, algo de que Noah Baumbach se aproxima e que Miranda July sem dúvida possui. O resultado é que, como diria um amigo meu a propósito de outras conversas, o filme 'não bate'. Admirei-o, deu-me prazer vê-lo, mas não me emocionou. De qualquer modo, num ano em que Hollywood se tem limitado a cumprir os serviços mínimos, este é um filme bastante recomendável.
Happy Endings, E.U.A., 2005. Realização: Dan Roos. Com: Lisa Kudrow, Steve Coogan, Bobby Cannavale, Maggie Gyllenhaal, Jason Ritter, Tom Arnold, David Sutcliffe, Laura Dern, Sarah Clarke

10.9.06

Voltar



'Voltar' é um filme de vários regressos. Desde logo de Almodóvar aos melodramas que lhe deram fama nos anos 80 ('Que Fiz Eu para Merecer Isto?', 'Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos'); depois de Almodóvar às suas mulheres e a algumas das suas actrizes: Carmen Maura, precisamente a musa dos dois filmes atrás citados, e Penélope Cruz, aquela que mais fama alcançou. Neste caso deveremos antes dizer que Penélope é que regressou a Almodóvar, depois de vários filmes esquecíveis em Hollywood enquanto Mrs.Cruise. E em boa hora o fez, pois mostra aqui todo o seu talento, classe e beleza, numa composição cheia de garra, dando corpo a uma daquelas mulheres tão Almodóvarianas, com um enorme coração (que fica mesmo ao lado da boca), com uma vontade inquebrantável apesar de todos os infortúnios, com um humor e uma atitude perante a vida que não cedem perante nada. Só por ela vale a pena ver esta obra simpática mas menor, dum realizador que parece estar a passar por uma crise de ideias.
Volver, Espanha, 2006. Realização: Pedro Almodóvar. Com: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave.

5.9.06

Crianças invisíveis



A nota informativa da distribuidora resume este projecto: " «Crianças Invisíveis», é uma colectânea de sete curtas-metragens, dirigida por cineastas de prestígio internacional, que narram, através da sua perspectiva pessoal, histórias únicas sobre as condições de vida das crianças na região do mundo de que são originários". Acrescente-se que os realizadores em causa, de 'prestígio internacional' muito variável, são o argelino Mehdi Charef, o bósnio Emir Kusturica, a brasileira Kátia Lund, o italiano Stefano Veneruso, o chinês de Hong Kong John Woo e os americanos Spike Lee e o par Ridley e Jordan Scott (curiosa esta dupla presença americana - aparentemente pretende representar a América negra e a branca, o que não deixa de ser uma acto politico considerável). Todos eles doaram o seu trabalho em benefício da UNICEF e do Programa Mundial de Alimentação.
Seis dos realizadores (sete, considerando os dois Scott) limitam-se a picar o ponto das boas intenções, enquanto que Spike Lee resolveu levar a coisa a peito e dá-nos um murro no estómago para que não estávamos preparados. A sua história sobre uma miúda seropositiva, filha de pais junkies, que por causa disso é gozada e martirizada na escola, é um tratado inteiro de como enfrentar um tema dificílimo com mão segura e sensibilidade, sem puxar nunca para a choraminguice. Não é à toa que há mais de vinte anos ele é um dos mais impiedosos críticos sociais do cinema americano.
All the Invisible Children, França/Itália, 2005. Realização: Mehdu Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Kátia Lund, Jordan Scott e Ridley Scott, Stefano Veneruso, John Woo. Com: Adama Bila, Elysee Rouamba, Uros Milovanović, Dragan Zurovac, Hannah Hodson, Rosie Perez, Andre Royo, Vera Fernandes, Francisco Anawake de Freitas, David Thewlis, Kelly MacDonald, Jack Thompson, Daniele Vicorito, Emanuele Vicorito, Zicun Zhao, Ruyi Qi, Bin Wang.

3.9.06

O Sentinela


Há uma conspiração para matar o presidente dos E.U.A. e Pete Garrison, um veterano dos serviços secretos que salvou uma vez a vida a Reagan torna-se o principal suspeito. Até ao final do filme terá que procurar o verdadeiro culpado enquanto foge dos ex-colegas. Não parece lá muito original, este argumento? Pois... Só um fã do género, que mora numa terra onde a diversidade da exibição cinematográfica é semelhante à da Albânia antes de cair o muro de Berlim é que se poderia tentar a ir vê-lo. Tanto mais que hoje em dia na TV não faltam séries à volta destes temas detectivescos, de qualidade muito superior à média Hollywoodiana. Mas eu não gosto de ver TV, pronto (abro uma excepção para ver 'Os Sopranos'). Diga-se desde já que até vi a primeira hora de ‘O sentinela’ (não me perguntem porque é que a palavra mudou de género) com agrado. Em primeiro lugar porque tem bons actores da velha guarda: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Kim Basinger (também por lá anda Eva Longoria, mas num papel tão, mas tão discreto, que nem se percebe muito bem o porquê de existir aquela personagem). E em segundo lugar, porque dentro da mediania, argumento e realização não comprometiam – e como eu não estava à espera de mais... O problema é que às tantas começamos a reparar mais numa personagem que é interpretada nem mais nem menos do que por Martin Donovan – sim, esse mesmo, o ex-actor de Hal Hartley, de ‘Amateur’, de ‘Simple Men’, de ‘Flirt’. E aí comecei a divagar, há quanto tempo não estreia um filme de Hartley em Portugal, há quanto tempo não revejo os seus filmes, em suma, comecei a pensar em filmes a sério, e o interesse pel´'O Sentinela' foi indo por água abaixo...
The sentinel, E.U.A., 2006. Realização: Clark Johnson. Com: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Eva Longoria, Martin Donovan, Ritchie Coster, Kim Basinger, David Rasche