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16.11.06

Faça favor...



'Faça favor...' é um inteligente e muito divertido filme de linhagem clássica, que prova que comédia não tem que rimar com alarvidade. Um chefe de sala de um restaurante de luxo (Daniel Auteuil) salva um deprimido - devido a males de amor - do suicídio (José Garcia) e a partir daí toma como sua missão recompor-lhe a vida, incluindo juntá-lo de novo com a mulher que o deixou. O argumento é desenvolvido com engenho, sensibilidade e precisão, movendo-se o filme habilmente entre a comédia de enganos, a comédia romântica e intercalando alguns toques de absurdo. Acrescente-se um óptimo elenco, uma realização desembaraçada e imaginativa e uma montagem perfeita. Numa época em que nos querem impingir como comédias Clicks e outras tretas que tal, 'Faça favor...' é uma lufada de ar fresco que se saúda vigorosamente... mesmo que que tenha chegado a Portugal três anos depois da sua estreia!
Après Vous..., França, 2003. Realização: Pierre Salvadori. Com: Daniel Auteuil, José Garcia, Sandrine Kiberland, Marilyne Canto.

13.11.06

The Departed: Entre inimigos



Como é sabido, 'The departed' é um remake do filme de culto (e campeão de bilheteira em Hong Kong) 'Infernal Affaires', realizado em 2002 por Andrew Lau e Alan Mak. Se começo por aqui é porque as similaridades entre os dois filmes são inegáveis: não só o argumentista William Monahan segue de muito perto a história original, como algumas das cenas mais marcantes - o encontro no prédio, o contacto telefónico entre os dois infiltrados, a cena no elevador - são comuns aos dois filmes. 'Infernal affaires' é um muito bom filme e não há dúvida que 'The departed' lhe deve muito. É assim normal que o brilho deste surja para muitos - que não para mim - empalidecido pela sombra do primeiro. Recorde-se no entanto que, como já tem sido notado, as coisas são mais complexas do que parecem: todo o cinema de acção de Hong Kong, de que 'Infernal Affaires' é um excelente exemplo, deve muito ao realizador de 'Mean Streets' e 'Goodfellas'. Um filme passado no submundo do crime, com personagens moralmente ambiguas, à procura de si mesmas...a que é que isto nos soa? Scorcese? Right.
Posto isto, e sendo eu admirador do filme original, como já disse, penso que 'The Departed' é um filme mais denso. Scorcese dispensa a economia narrativa do primeiro (o seu filme tem quase mais 1 hora) a favor de um olhar mais prolongado sobre as suas personagens, nomeadamente a de Billy Costigan/Leonardo diCaprio - o infiltrado que a policia tem no grupo de gangsters. Os dois chefes (este é todo um filme de simetrias, ou usando um palavrão -de Doppelgänger) são também mais desenvolvidos, bem como as relações existentes entre eles e entre os seus protegidos, muito pelo peso imposto pelos actores que os encarnam, Martin Sheen (o polícia) e claro, Jack Nicholson (o gangster) - já alguém viu Nicholson ser verdadeiramente um actor secundário? Mas voltemos a DiCaprio, que finalmente mostra porque é que Scorcese viu nele o sucessor de DeNiro, tendo uma performance notavel de vulnerabilidade mal disfarçada, e roubando com a cumplicidade descarada do realizador o filme a toda a gente (incluindo o seu doppelgänger Matt Damon - o infiltrado pelo chefe da Mafia na policia). Costigan está desde o principio marcado pela sua origem, mas paradoxalmente anda o filme todo à procura da sua identidade. Cresceu nos bairros dominados pela Mafia, é de ascendência italiana, tem parentes ligados à criminalidade - em suma, vem do lado dos 'maus'. Apesar de uma brilhante carreira na academia é-lhe logo dito sem rodeios pelo seu futuro chefe que nunca será um polícia. Só lhe dão uma hipótese de o ser: infiltrando-se entre os seus, ou seja, fingindo ser aquilo que seria natural pela sua história ser. Os seus antecedentes, contrariamente à sua vontade, tornam-no a pessoa ideal para esta missão. Apesar de escolher o lado dos 'bons', a sua 'árvore de decisão vital', como lhe chamam os filósofos, está limitada pelas suas origens e para alcançar o fim que deseja tem que tomar um caminho alternativo que é o único que lhe é permitido. Costigan, infiltrado anos a fio no meio da Máfia, sem poder revelar a sua verdadeira identidade, vai-se sentindo cada vez mais angustiado e perdido, ao ponto de implorar à sua psicóloga que lhe dê drogas para poder dormir - para poder escapar algumas horas ao mundo 'real'. Da mesma maneira que Sharon Stone em 'Casino' (a última obra-prima de Scorcese) se perdia e perdia deNiro por não se conseguir libertar do seu passado (James Woods) e fingir ser quem não era, também aqui DiCaprio se vai perdendo ao fingir ser quem não é, estando desde o início marcado pela sua ascendência. Aliás, pode-se dizer que todas as personagens estão marcadas por este jogo de fingimentos, por este jogo de espelhos. Não é por acaso que o filme se chama 'The Departed' - os defuntos, à letra. E por isso faça todo o sentido que o final seja diferente do de 'Infernal Affaires'. E que ironicamente, para este suposto 'happy ending', tenha que haver mais uma morte que no seu precedente ...
The Departed, E.U.A., 2006. Realização: Martin Scorcese. Com: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone, Vera Farmiga, Alec Baldwin.

8.11.06

La jetée



Também eu só agora vi este photo-roman de Chris Marker. São 29 minutos quase sem imagens em movimento (há uma excepção), que nos deixam quase sem palavras.
É radicalmente original, tragicamente romântico, maravilhosamente cinéfilo (há um evidente fascínio por 'Vertigo'). Tudo isto, repito, num filme de ficção científica de 29 minutos, sem diálogos e praticamente constítuido por uma sucessão de fotografias a preto e branco. É obra (-prima).
La jetée, França, 1962. Realização: Chris Marker. Com: Hélène Chatelain, Davos Hanich, Jacques Ledoux, Jean Négroni (voz).

6.11.06

Paris, je t`aime



A ideia por trás deste filme até é interessante: foram convidados 20 realizadores (16+ 2 duos) a realizarem uma curta-metragem de 7 ou 8 minutos, sendo a única obrigatoriedade passar-se num dos bairros de Paris. Infelizmente o resultado não é famoso, devido à completa falta de interesse de metade dos episódios, que oscilam entre o anódino (a maior parte) e o francamente dispensavel (Sylvain Chomet, Nobuhiro Suwa). Escapam a esta mediocridade o despojadamente romântico 'Quais de Seine' de Gurinder Chadha, o melancólico '14e arrondissement' de Alexander Payne e, já verdadeiramente interessantes, o quase burlesco sketch dos irmãos Coen (com o grande Steve Buscemi), ' Père-Lachaise' de Wes Craven (que apesar de se passar no famoso cemitério não é de terror, mas tem um toque de fantástico), o belo 'Le Marais' de Gus van Sant, o surpreendente 'Parc Monceau' de Alfonso Cuaron (com Nick Nolte e Ludivine Sagnier) e a cómica e romântica história de vampiros (!) de Vicenzo Natali. Especial destaque merece o muito divertido 'Quartier Latin' de Gérard Depardieu+Frédéric Auburtin, que valeria a pena só para ver dois dos maiores actores de sempre, os cassavetianos Gena Rawlands (que escreveu o episódio) e Ben Gazzara. Surpreendentemente a nota máxima vai para 'Faubourg Saint-Denis', pequena obra-prima do alemão Tom Tykwer (o cineasta de 'Corra Lola, corre'), história de amor entre um jovem cego e uma jovem actriz (Natalie Portman).
Paris je t'aime, França/Liechtenstein/Suiça, 2006. Realização: Oliver Assayas, Frédéric Auburtin & Gérard Depardieu, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Joel & Ethan Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles & Daniela Thomas, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Tom Tykwer, Gus Van Sant. Com: Maggie Gyllenhall, Gérard Depardieu, Ben Gazzara, Gena Rowlands, Steve Buscemi, Miranda Richardson, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Fanny Ardant, Bob Hoskins, Elijah Wood, Catalina Sandino Moreno, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Natalie Portman.

3.11.06

Les anges exterminateurs



'Coisas secretas' é um filme erótico (eu sei que o termo está colado a Emanuelles e afins, mas pronto) sobre duas mulheres, amantes, que usam o sexo para 'subir na vida'. É um filme curioso, mas não mais do que isso. Não obstante, quando saiu em 2002 (por cá foi directamente para dvd o ano passado) excitou muito bom crítico, recebendo o seu realizador Jean-Claude Brisseau o epiteto de grande subversivo e provocador. Os Cahiers du Cinéma deram-lhe mesmo o primeiro lugar (compartilhado com 'Dez' de Kiarostami) no seu top desse ano! Mas a bomba surgiria um par de anos mais tarde: Brisseau foi acusado de assédio e agressão sexual por quatro actrizes que tinham feito testes de casting para o filme, mas que não tinham obtido um papel. Seria julgado o ano passado e condenado a uma pena suspensa de um ano e a pagar 15.000€ de indemnização (apesar de tudo livrou-se de ficar inscrito num ficheiro de delinquentes sexuais, que pelos vistos existe em França). No mesmo ano, o realizador (de 61 anos e uma carreira de 3 décadas, mas com apenas meia dúzia de filmes) anunciou que estava a terminar uma nova obra com um argumento inspirado neste desagradável episódio da sua vida - 'Les anges exterminateurs', precisamente, que passou por cá na recente Festa do Cinema Francês.
Este filme pode ser então visto como uma defesa por parte de Jean-Claude Brisseau e, porque não, como uma expiação ou exorcismo. Diga-se desde já que é uma defesa sui generis: durante hora e meia um realizador (obviamente alter ego de Brisseau) que pretende realizar um filme sobre o prazer das mulheres, sobre os seus limites, faz testes a potenciais actrizes ('porque isto não lhes é ensinado na escola de teatro') que consistem em estas se acariciarem, sozinhas ou em grupo. Não só em frente à câmara, em quartos de hotel, mas também à mesa de um restaurante, por exemplo. Esta hora e meia provoca-nos duas perplexidades: em primeiro lugar parece que o realizador está a dar parte da razão a quem o acusou - a própria mulher do seu alter ego lhe está sempre a dizer que aquilo vai acabar mal, e não há espectador que não tenha aquele sentimento tão popular do 'estava mesmo a pedi-las'!; em segundo lugar, e não obstante alguma retórica justificativa, parece que estamos assistir a um filme, não direi pornográfico, mas que não andará lá longe. O realizador reserva apenas o último quarto de hora para descrever a acusação de que é alvo (o seu personagem) e a sua 'defesa'. Não há duvida que esta opção é bastante desconcertante e redimensiona toda a nossa percepção do filme, elevando-o a um patamar que não parecia alcançável. A sua defesa é subtil: nunca tocou nas raparigas; não lhes prometeu nada; elas são actrizes e fazer uma cena de sexo num casting é apenas trabalho; e finalmente, sugere que foi o facto de algumas se apaixonarem por ele que motivou a vingança (uma deles explica-lhe muito freudianamente que se apaixonam por ele por ser tão paternal). E nós poderiamos acrescentar que eram todas maiores de idade e ninguém foi obrigado a nada. É claro que o filme levanta uma série de questões muito interessantes, ou não fosse Brisseau um realizador profundamente cerebral (não há aqui qualquer contradição): e para este 'Les anges exterminateurs' , que envolve cenas sexualmente muito mais explícitas que 'Choses secrètes' Brisseau não fez testes às actrizes? Desistiu do seu método? Ou desta vez obrigou-as a assinar algum tipo de compromisso?
Um filme que acaba por nos conquistar pela sua inteligência e, já agora, ousadia.
(PS: Brisseau filma muito, muito bem - quando falamos em pornográfico nada tem a ver com a estética destes filmes, bem entendido.)
Les anges exterminateurs, França, 2006. Realização: Jean-Claude Brisseau. Com: Frederic Van Den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck, Marie Allan, Raphaële Godin, Margaret Zenou

1.11.06

O diabo veste Prada



Estando longe de ser uma obra-prima, 'O diabo veste Prada' tem algumas qualidades não despiciendas, a menor das quais não é conseguir dar-nos um cheirinho das sophisticated comedy dos anos 30. David Frankel não é um Lubitsch nem um Hawks, bem entendido, mas conduz o filme com fluidez, segurança e elegância, tirando o melhor partido das suas excelentes actrizes, Meryl Streep (que faz este tipo de papeis com uma perna às costas) e Anne Hathaway. Pena que o argumento não vá tão longe quanto podia na sátira ao efervescente mundo da moda e aos pequenos deuses (ou diabos!) gananciosos que gera. Não só não aguça suficientemente a tesoura, como ainda enfia algumas deixas 'moralistas' um bocadinho irritantes e desnecessárias (do género 'eras tão boa rapariga, mas agora que tens sucesso já nem te reconheço'). Não nos queixemos demasiado, no entanto: fossem todos os filmes mainstream como este...
The Devil Wears Prada, E.U.A., 2006. Realização: David Frankel. Com: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Adrian Grenier, Tracie Thoms, Rich Sommer, Simon Baker.

Obrigado...



...ao excelente - e cinéfilo - Um blog sobre Kleist pela muito simpática referência que nos fez.

26.10.06

A Dália negra



Sempre que se fala de Brian De Palma, fala-se da sua relação com o cinema clássico, com a sua memória cinéfila. Quer homenageando, quer reinventando (os seus críticos utilizarão outras termos...) está sempre presente o seu fascínio e inspiração por algum modelo do passado.
‘A Dália negra’ não foge à regra: é um filme noir (adaptado do já clássico romance de James Ellroy) que segue todas as regras do género sem falhas. Há mulheres fatais, há heróis mais ou menos ingénuos, há vigaristas, há um ambiente enevoado e sujo, há uma aura de decadência e desencanto a pairar sobre tudo. E uma critica à sociedade corrupta e sórdida e, de passagem, à própria Hollywood.
Brian de Palma não desconstrói, não reestrutura, não parodia, não faz referências circulares ao género. Limita-se a fazer um filme noir como eram feitos há décadas. Um espectador do futuro que não tenha mais referências, pode pensar que o filme foi feito em 1946. Neste sentido ‘A dália negra’ é perfeito: o casting (embora Scarlett Johanson seja algo desaproveitada), a cenografia, o plot, a maneira de filmar (aqueles travellings à De Palma). O único pecado que se poderá apontar ao realizador é não inovar, não arriscar, não surpreender. ‘Limita-se’ a fazer uma excelente adaptação de um romance de culto. Quantos filmes o conseguem?
The Black Dahlia, E.U.A./Alemanha, 2006. Realização: Brian De Palma. Com: Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Aaron Eckhart, Hilary Swank, Mia Kirshner, Mike Starr, Fiona Shaw.

25.10.06

Breves



* Com algum atraso, já está na Liga do blogues a lista dos melhores filmes estreados em Setembro (no Brasil). Com uma média de 8,85 pontos dos 14 votantes (notas de 0 a 10), em primeiro lugar ficou 'Amantes regulares', de Philippe Garrel (que eu ainda não vi - demorou menos tempo a atravessar o atlântico que a atravessar o douro...).
A 'Senhora da água' foi um dos filmes mais vistos (48 votantes) e certamente o que provocou posições mais extremadas, tendo tido votos de 0 a 10 (ficando com uma média de 6,6 e o oitavo lugar).
De salientar ainda o segundo lugar de 'Espelho Mágico', de Manoel de Oliveira (média de 7,5, visto por 14 membros da liga).

*
A SIC Mulher anda a repor a clássica série 'Hithcock presents'. Numa altura em que tudo quanto é série de TV do passado está a ser reeditado em dvd, quando é que chegará a vez do mestre ?

*
É impressão minha ou nos frescos não está listado um único blogue de cinema?

23.10.06

Marie Antoinette



Baseando-se na biografia de Antonia Fraser, Sofia Coppola dá-nos a sua versão de Maria Antonieta: esta é retratada como uma miúda ingénua, alegre e despreocupada, que aterrou em Versalhes sem estar minimamente preparada para o que a esperava. Ao rígido protocolo da corte, ao marido ausente (só pensava em caçadas, tinha como outro hobby fazer chaves e demorou anos a 'consumar' o casamento), ao ambiente palaciano de intriga e preconceito (era tratada desdenhosamente pela Austríaca), às pressões constantes da mãe, a tudo isto reagiu com um sorriso nos lábios, alguma indiferença e uma boa dose de leviandade. Preocupava-se com as suas roupas, as artes, as festas e arranjou um amante. No máximo podemo-la achar algo cabeça no ar, mas nunca a traidora e agente austríaca de que tem sido acusada. Nos momentos difíceis fica mesmo ao lado do marido, recusando-se a fugir. Em suma, Sofia está claramente do lado de Maria Antonieta. Depois de Rohmer nos ter mostrado a revolução do lado da Nobreza, agora sentimo-la do lado da corte.
Um dos aspectos mais interessantes do filme é aquele pelo qual tem sido mais criticado: a sua estética pop. Sofia Coppola filma nos imponentes cenários de Versalhes (interiores e exteriores) um caleidoscópio de cores e imagens, mostrando-nos sapatos e mais sapatos da Rainha, festas, arranjos florais e gastronómicos, quadros de grandes mestres, vestidos e perucas, jóias e máscaras, rituais e tradições, num rodopio musicado ao som de New Order, The Cure, Strokes ou Siouxsie. Mas não só os temas se adequam cinematograficamente às cenas, como estabelecem uma discreta ligação com a nossa cultura de massas, superficial e borbulhante (e esta Marieta Antonieta já foi criticada como sendo uma mistura de Lady Di com Paris Hilton!). Não direi que a forma é a substância, mas a forma é inegavelmente importante para o retrato que Sofia Coppola nos quer dar da rainha. A sua força acaba no entanto por ser também a sua maior fraqueza, pois o filme não se consegue libertar inteiramente dessa leveza, faltando-lhe a penetrante agudeza de um Rohmer, ficando algumas personagens e situações numa espumosa superficialidade.
Falta falar dos dois actores principais: Jason Schwartzman discretamente impecável no papel do delfim impenetrável e algo tonto, e claro, Kirsten Dunst que é a alma do filme, com a sua simpatia irradiante e a sua beleza luminosa, ao mesmo tempo serena e irrequieta. Sem ela o filme não seria o mesmo.
Marie Antoinette, E.U.A., 2006. Realização: Sofia Coppola. Com: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Judy Davis, Steve Coogan, Asia Argento, Rip Torn, Rose Byrne, Molly Shannon, Shirley Henderson, Danny Huston.