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31.3.07

Filmes de Março

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi este mês. A bem dos leitores que têm paciência para estas listas, troquei a escanifobética classificação anterior por uma mais singela de 0 a 10.

Nanook of the North, Robert J. Flaherty, 1922 (10)
The Hunchback of Notre Dame, Wallace Worsley, 1923 (8)
A regra do jogo, Jean Renoir, 1939 (10)
Esta terra é minha, Jean Renoir, 1943 (10)
In a lonely place/Matar ou não matar, Nicholas Ray, 1950 (9,5)
Clash by night, Fritz Lang, 1952 (9)
Underworld U.S.A., Samuel Fuller, 1961 (8)
La peau douce/Angústia, François Truffaut, 1964 (9)
The Naked kiss, Samuel Fuller, 1964 (7,5)
Blowup, Michelangelo Antonioni, 1966 (8,5)
Enter the dragon, Robert Clouse, 1973 (5)
Kansas City, Robert Altman, 1996 (8)
Demonlove/Agente infiltrado, Olivier Assayas, 2002 (6,5)
Lost in translation, Sofia Coppola, 2003 (9,5)
Wu ji/The promise, Chen Kige, 2005
Isabella, Ho-Cheung Pang, 2006
Diário de um escândalo, Richard Eyre, 2006
O bom pastor, Robert de Niro, 2006
O labirinto do Fauno, Fuillermo del Toro, 2006
O último capitulo, Darren Aronofsky, 2006
O caimão, Nanni Moretti, 2006


26.3.07

O caimão



Nanni Moretti fez o seu filme anti-Berlusconi de uma forma algo diferente do que se estaria à espera. Em vez de algo do género 'documentário-ficcionado', optou por uma comédia sobre um produtor de filmes série Z com uma costela reaccionária que, meio por acaso, acaba a produzir um filme... anti-Berlusconi.
Moretti tem repetido que é preciso levar Berlusconi muito a sério, e talvez por isso se tenha lembrado das palavras de Kundera, de que o trágico nos oferece a bela ilusão da grandeza humana, e tenha assim optado pelo cómico. O filme desenvolve-se num registo excessivo, por vezes quase pícaro, fazendo-nos a personagem principal, o tal produtor de filmes rasca, lembrar não só o Moretti pré-'O quarto do filho', como certas personagens das antigas comédias à italiana.
Inteligentemente, em vez de pegar o touro pelos cornos, Moretti anda à volta de Berlusconi, desdobrando-se 'O caimão' em episódios paralelos, que mais do que do ex-primeiro-ministro, nos dão o retrato da Itália contemporânea, nunca deixando o realizador que o grande tema abafe os outros subplots: os problemas familiares do produtor (tal como Moretti os teve com a sua separação), os seus problemas para levar o filme avante, os jogos de futebol do filho, a vida familiar da realizadora, etc. Aliás, num achado genial, o retrato de Berlusconi, um homem que fabricou a sua imagem na televisão, é-nos dado em múltipos retratos em que realidade e ficção se estão sempre a misturar: além do Belusconi himself das imagens de arquivo, há o Berlusconi de um sonho, e há os Berlusconis do filme dentro do filme, primeiro o de Michele Placido (fabulosa personagem) e, finalmente, o de... Nani Moretti.
Apesar de por vezes parecer um pouco descosido, 'O caimão' é um regresso em grande forma do melhor realizador italiano da actualidade, não por acaso de volta aos terrenos onde se move melhor: o filme eminentemente politico, mas sempre com uma forte dimensão pessoal e uma ironia cortante.
Il caimano, Itália/França, 2006. Realização: Nanni Moretti. Com: Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Elio De Capitani, Giuliano Montaldo, Nanni Moretti.

23.3.07

Underworld USA


É sabido que Samuel Fuller foi tudo menos um realizador consensual. O tema central da sua obra - o patriotismo, para resumirmos numa só palavra - aliado ao facto de realizar principalmente filmes de géneros associados à violência - westerns, filmes de gangsters e de guerra - levaram a que fosse apelidado de fascista para cima. Como aconteceu em tantos outros casos, foram os homens da Nouvelle Vague que procuraram reabilitar o seu nome.
Godard convidou-o para aparecer em 'Pierrot le fou' (como havia convidado Lang para aparecer em 'Le mépris') e Truffaut escreveu que revia os seus filmes para ter lições de realização.
'Underworld USA' (que tanto quanto sei, por cá se chamou 'Marcados para a morte'), de 1961, é uma excelente introdução à sua obra. É um filme de gangsters, mais especificamente do subgénero sobre os sindicatos, em que um pequeno ladrão destrói os mais poderosos criminosos da altura, movido apenas pelo desejo de vingar o seu pai (que como intuímos, nem era flor que se cheirasse). Como sintetizou Colin McArthur, 'neste filme Fuller maneja a iconografia do género com grande facilidade; no entanto, não é menos pessoal que outros dos seus trabalhos'. Uma prova apenas: como tantas vezes acontece na sua obra, o 'herói' é um marginal, que faz o trabalho sujo para defender a América limpa. Fuller pertenceu a uma estirpe de realizadores, entretanto desaparecida, que poderíamos classificar como funcionários - autores: homens que trabalhando com pequenos orçamentos, em géneros considerados menores, nunca prescindiram da sua marca autoral, imprimindo sempre a sua visão do mundo e construindo uma obra de uma coerência inatacável. Um feito notável.

19.3.07

O último capitulo



O corpo principal de 'The fountain', chamemos-lhe assim, aquilo que se passa no 'presente', não se distingue muito de um filme daqueles que passam no Fantasporto: num laboratório algo obscuro, usando chimpanzés como cobaias, um investigador (Hugh Jackman) tenta descobrir em contra-relógio uma cura para o cancro, para salvar a sua mulher (Rachel Weisz) que tem um tumor maligno. Acontece que intercalados com esta história, estão dois outros segmentos: um épico, passado no século XVI, em que um conquistador espanhol (Hugh Jackman) busca na selva latino-americana a árvore da vida (referenciada na Biblia) para conquistar o amor da sua rainha (Rachel Weisz), ameaçada pela inquisição (e para este segmento ainda há uma explicação lógica); e um outro, místico, meditativo, que não se sabe muito bem a que se deve, e que tanto tem encanitado os detractores do filme (aí uns 99% dos críticos de cinema). Este segmento é assim uma espécie de divagação visual passada no espaço, assumidamente inspirada em '2001', mas onde a beleza geométrica de Kubrick dá lugar um visual alucinatório, a um devaneio plástico incrustado no miolo do filme, sem lógica ou propósito aparente, com uma música new age a acompanhar, para piorar o caso se necessário fosse. É uma espécie de corolário do mote do filme, da morte como renascimento, um equivalente visual do misticismo (com referência a lendas Maias e tudo) que percorre o filme.
Assim contado não parece grande coisa, mas o cinema também é uma arte visual e também é mais que teatro filmado. E o certo é que 'The fountain' possui uma beleza insólita, uma qualquer força que agarra, algo que transcende as dezenas de filmes formatados que vemos semana após semana. Tem-se falado em megalomania, mas o filme, na sua estranheza, é surpreendentemente sóbrio, parece quase artesanal por vezes, tem uma sinceridade desarmante, um romantismo deslocado que toca.
A mim, que o fui ver cheio de preconceitos (não sou dado a misticismos new age e detestei 'A vida não é um sonho') conquistou-me. É um objecto cinematográfico completo que, não obstante as suas imperfeições, desperta todos os nossos sentidos.
The Fountain, E.U.A., 2006. Realização: Darren Aronofsky. Com: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn, Mark Margolis, Cliff Curtis, Sean Patrick Thomas, Donna Murphy, Ethan Suplee.

17.3.07

Os Anjos Exterminadores



'Coisas secretas' é um filme erótico (eu sei que o termo está colado a Emanuelles e afins, mas pronto) sobre duas mulheres, amantes, que usam o sexo para 'subir na vida'. É um filme curioso, mas não mais do que isso. Não obstante, quando saiu em 2002 (por cá foi directamente para dvd o ano passado) excitou muito bom crítico, recebendo o seu realizador Jean-Claude Brisseau o epiteto de grande subversivo e provocador. Os Cahiers du Cinéma deram-lhe mesmo o primeiro lugar (compartilhado com 'Dez' de Kiarostami) no seu top desse ano! Mas a bomba surgiria um par de anos mais tarde: Brisseau foi acusado de assédio e agressão sexual por quatro actrizes que tinham feito testes de casting para o filme, mas que não tinham obtido um papel. Seria julgado o ano passado e condenado a uma pena suspensa de um ano e a pagar 15.000€ de indemnização (apesar de tudo livrou-se de ficar inscrito num ficheiro de delinquentes sexuais, que pelos vistos existe em França). No mesmo ano, o realizador (de 61 anos e uma carreira de 3 décadas, mas com apenas meia dúzia de filmes) anunciou que estava a terminar uma nova obra com um argumento inspirado neste desagradável episódio da sua vida - 'Les anges exterminateurs', precisamente, que passou por cá na recente Festa do Cinema Francês. (*)
Este filme pode ser então visto como uma defesa por parte de Jean-Claude Brisseau e, porque não, como uma expiação ou exorcismo. Diga-se desde já que é uma defesa sui generis: durante hora e meia um realizador (obviamente alter ego de Brisseau) que pretende realizar um filme sobre o prazer das mulheres, sobre os seus limites, faz testes a potenciais actrizes ('porque isto não lhes é ensinado na escola de teatro') que consistem em estas se acariciarem, sozinhas ou em grupo. Não só em frente à câmara, em quartos de hotel, mas também à mesa de um restaurante, por exemplo. Esta hora e meia provoca-nos duas perplexidades: em primeiro lugar parece que o realizador está a dar parte da razão a quem o acusou - a própria mulher do seu alter ego lhe está sempre a dizer que aquilo vai acabar mal, e não há espectador que não tenha aquele sentimento tão popular do 'estava mesmo a pedi-las'!; em segundo lugar, e não obstante alguma retórica justificativa, parece que estamos assistir a um filme, não direi pornográfico, mas que não andará lá longe. O realizador reserva apenas o último quarto de hora para descrever a acusação de que é alvo (o seu personagem) e a sua 'defesa'. Não há duvida que esta opção é bastante desconcertante e redimensiona toda a nossa percepção do filme, elevando-o a um patamar que não parecia alcançável. A sua defesa é subtil: nunca tocou nas raparigas; não lhes prometeu nada; elas são actrizes e fazer uma cena de sexo num casting é apenas trabalho; e finalmente, sugere que foi o facto de algumas se apaixonarem por ele que motivou a vingança (uma deles explica-lhe muito freudianamente que se apaixonam por ele por ser tão paternal). E nós poderiamos acrescentar que eram todas maiores de idade e ninguém foi obrigado a nada. É claro que o filme levanta uma série de questões muito interessantes, ou não fosse Brisseau um realizador profundamente cerebral (não há aqui qualquer contradição): e para este 'Les anges exterminateurs' , que envolve cenas sexualmente muito mais explícitas que 'Choses secrètes' Brisseau não fez testes às actrizes? Desistiu do seu método? Ou desta vez obrigou-as a assinar algum tipo de compromisso?
Um filme que acaba por nos conquistar pela sua inteligência e, já agora, ousadia.
(PS: Brisseau filma muito, muito bem - quando falamos em pornográfico nada tem a ver com a estética destes filmes, bem entendido.)
(*) Post originalmente publicado em 03/11/2006, aquando da Festa do Cinema Francês.
Les anges exterminateurs, França, 2006. Realização: Jean-Claude Brisseau. Com: Frederic Van Den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck, Marie Allan, Raphaële Godin, Margaret Zenou

11.3.07

O labirinto do fauno



Apesar de o 'fantástico' se confundir com a origem do cinema ('A viagem à lua' de Méliès é de 1902), tem sido um parente pobre na grande família da sétima arte. Poucos realizadores que se movam habitualmente nestes terrenos ganham prestigio crítico. Mesmo Shyamalan, quando passou do sobrenatural para o fantástico puro (no sentido de fábula, digamos assim) em 'A senhora da água', dividiu a crítica como nunca. Uma excepção que me ocorre é Tim Burton.
Assim sendo, Gillhermo del Toro teve desde logo o mérito de agitar as águas do género, conseguindo um hype com este 'O Labrinto do fauno', tendo inclusive chegado aos Oscares. O que se pode dizer é que este reconhecimento é merecido: 'O Labirinto do fauno' é de facto um belo filme sobre uma menina a quem o encontro com um fauno permite que se liberte das garras opressoras do seu padrastro, um sinistro capitão franquista. Del Toro consegue o mais difícil que é vencer o nosso cinismo perante 'contos de fadas', criando um ambiente simultaneamente tenebroso e fantasioso, estando as impecáveis virtudes técnicas e cenográficas sempre ao serviço da história, nunca servindo para exibicionismos fúteis.
Não digo que seja uma obra-prima, mas é certamente uma lufada de ar fresco, um regresso sincero mas não ingénuo a um certo modo sonhador de contar histórias.
El Laberinto del Fauno, México/Espanha/Estados Unidos, 2006. Realização: Guillermo del Toro. Com: Ariadna Gil, Ivana Baquero, Sergi López, Maribel Verdu, Doug Jones, Alex Angulo.

7.3.07

Diário de um escândalo



Acredito que o livro homónimo de Zoë Heller em que 'Diários de um escândalo' se baseia seja bom. A história sobre a relação entre uma velha e altiva professora a quem a solidão e uma sexualidade reprimida tornaram mesquinha, possessiva e alienada e uma colega mais jovem que tem um caso superficial com um aluno adolescente, é um pau de dois bicos: tem óbvio potencial dramático, mas requer pinças no modo como é tratada.
Nas mãos do realizador Richard Eyre não funciona certamente. Tudo se passa demasiadamente depressa (e não falo da misericordiosa duração do filme - 1h30), tudo é simplificado, tudo fica pela rama. O argumento parece que foi cozido a partir de recortes de um jornal sensacionalista - é histérico, banal, superficial. E a realização, dentro do melhor estilo telefilme desenxabido, apenas confirma a falta de ideias geral.
O filme nem chega a ser patético, um risco que o enredo sugeria. É apenas mauzinho.
Notes on a Scandal, Grã-Bretanha, 2006. Realização: Richard Eyre. Com: Judi Dench, Cate Blanchett, Bill Nighy, Andrew Simpson, Philip Davis.

5.3.07

Fantasporto - Vencedores

Sem surpresa, 'O labirinto do fauno' foi o vencedor do GRANDE PRÉMIO da edição deste ano do Fantasporto. É um bom filme (falaremos dele em post próprio), mas se um filme que está em exibição nas salas e até teve direito a 3 Óscares deveria estar na secção competitiva, isso é outra questão... Seja como for, a sua presença já deveria estar programada há muito e Guillermo del Toro até é um realizador da casa (já aqui venceu com 'Cronos').




A 17ª Semana dos Realizadores foi conquistada pelo filme galego 'Un Franco, 14 Pesetas', de Carlos Iglésias, o Prémio Especial do Júri foi para 'Histórias del Desencanto' de Alejandro Valle (filmes que não tive oportunidade de ver), tendo 'The Host' arrecadado o Prémio de Melhor Realização da Secção Oficial Cinema Fantástico.

Reflectindo a importância do cinema asiático no Fantasporto, há já uns anos que este tem direito a uma secção competitiva própria, denominada Orient Express.
O vencedor do Prémio Melhor Filme Orient Express , 'Isabella', tem o atractivo para nós de se passar em Macau, no último ano dos 400 de administração portuguesa do território. As autoridades estão empenhadas em fazer uma limpeza geral antes da passagem de testemunho para a China, e são instaurados vários processos a redes criminosas envolvendo polícias. O filme acompanha o dia-a-dia de um destes polícias, envolvido em crimes menores, que ocupa o seu tempo a beber Heinekens, a jogar, e a levar jovens prostitutas para o seu miserável apartamento. Um dia uma destas miúdas diz-lhe que é sua filha, e a sua vida leva uma volta, há uma espécie de redenção deste homem frio e amoral. Não se distinguindo especialmente pela sua originalidade, este quinto filme do chinês de Hong-Kong Ho-Cheung Pang conquista-nos no entanto facilmente pelo ambiente criado, com as suas cores quentes, a banda sonora envolvente, o ambiente geral de decadência e exotismo dum local tão distante mas onde temos a estranheza de ocasionalmente ouvirmos a nossa língua. Um bom filme, a que assenta bem um prémio destes.

O Prémio Especial da Secção foi para ‘The promise’, de Chen Caige. Membro proeminente da 5ª geração do cinema chinês (realizador de ‘Adeus minha concubina’), virou-se agora, tal como seu contemporâneo Zhang Ymou, para coisa mais superficiais, para os filmes de aventuras com artes marciais, exuberantemente coreografados e fotografados, género que se tem revelado um filão inesgotável desde que Ang Lee destapou a caixa com ‘O tigre e o dragão’. Mais do mesmo, em suma. O prémio terá sido mais devido ao nome do realizador do que ao filme em si.

Apesar de tudo, e mesmo com a ressalva já referida de não ter visto alguns dos premiados, parece-me um conjunto bastante equilibrado, porventura dos melhores dos últimos anos.

2.3.07

O bom pastor



Definitivamente, os actores quando passam para trás da câmara não gostam de fazer filmes vulgares. Fiquemo-nos por exemplos próximos e sem ir buscar Clint Eastwood: Todd Field, George Clooney, John Turturro. Todos eles realizaram filmes personalizados e alguns mesmo bastante idiossincráticos. Robert de Niro não é a excepção. 'O bom pastor', mais do que um fresco sobre a criação da CIA, uma saga sobre os jogos de espionagem dos primeiros tempos da guerra fria, um ensaio sobre a América branca e elitista - e é tudo isto - é um filme sobre um homem que percorreu a vida toda sem olhar para trás. Que tinha à frente dos seus olhos um objectivo - a que poderemos chamar servir a pátria - e que não permitiu que nada, mas mesmo nada o desviasse desse fito. Nem a família, nem os escrúpulos, nem a sua consciência.
Edward Wilson, assim se chama este homem (Matt Damon), atravessa a história como um fantasma que perturba o seu curso, mas a quem nada nem ninguém pode atingir - não admira assim que não envelheça e se mantenha inalterado durante 20 anos (escusado será dizer quão bem a habitual inexpressividade de Matt Damon se encaixa nesta personagem).
O plano final do filme, resume-o genialmente. Matt Damon vai-se afastando, vemo-lo de costas, um pouco curvado, com a habitual gabardina e chapéu cinzentos: a imagem perfeita do funcionário meticuloso, solitário e empenhado, caminhando para a próxima tarefa.

P.S.: Uma pena, a pouca atenção crítica que este excelente filme recebeu por cá: a acreditar nas tabelinhas das estrelas, só dois críticos do Público e um do DN se deram ao trabalho de o ir ver.
The Good Shepherd, E.U.A., 2006. Realização: Robert de Niro. Com: Matt Damon, Robert De Niro, Angelina Jolie, John Turturro, Alec Baldwin, William Hurt, Billy Crudup, Timothy Hutton, Joe Pesci.

1.3.07

Filmes de Fevereiro

Filmes que vi (ou revi) o mês passado. Notas de 0 a 5 para os que não critiquei.

Uma noite aconteceu, Frank Capra, 1934 (5)
Furia, Fritz Lang, 1936 (4)
The bad and the beautiful/Os cativos do mal, Vincente Minnelli, 1952 (5)
The big heat/Corrupção, Fritz Lang, 1953 (5)
À bout de souffle/Acossado, J.L.Godard, 1960 (4+)
Hush... hush, sweet Charlotte, R.Aldrich, 1964 (3)
Que la bête meure, C.Chabrol, 1969 (4)
Dias selvagens, Kar Wai Wong, 1991 (4)
Pulp Fiction, Q.Tarantino, 1994 (5-)
De olhos bem fechados, S.Kubrick, 1999 (4)
Gouttes d'eau sur pierres brûlantes, F.Ozon, 2000 (3,5)
As paixões de Julia - I. Szabó, 2004 (3,5)
Rocky Balboa, S.Stalone, 2006
As cartas de Iwo Jima, Clint Eastwood, 2006
As vidas dos outros, Florian H. von Donnersmarck, 2006
Pecados Intímos, Tod Field, 2006
Half Nelson, Ryan Fleck, 2006
The host, Joon-ho Bong, 2006
Livro Negro, Paul Verhoeven, 2006