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29.6.07

10 filmes da vida de...

...Chico Fireman. É autor do blogue Filmes do Chico e o criador e força dinamizadora da Liga dos Blogues Cinematográficos.



Sunrise (27), de F.W. Murnau
O mais belo filme sobre o amor que alguém poderia ter feito.

Rio Bravo (59), de Howard Hawks
O anti-western definitivo.

Elephant (03), de Gus Van Sant
O filme sobre a falta de uma só verdade.

Cries and Whispers (72), de Ingmar Bergman
As dores têm suas cores.

North by Northwest (59), de Alfred Hitchcock
O mais delicioso dos filmes do mestre.

O Céu de Suely (06), de Karim Aïnouz
O cinema brasileiro à procura de um lugar.

The Man with a Movie Camera (29), de Dziga Vertov
A invenção da montagem.

La Passion de Jeanne d'Arc (28), de Carl Th. Dreyer
Um filme esmagador.

Apocalypse Now
(79), de Francis Ford Coppola
A genial descida ao inferno, com Marlon Brando como o capeta.

Arsenic and Old Lace (44), de Frank Capra
Não seria a melhor comédia de todos os tempos?

26.6.07

A ponte



Em 2004, Eric Steel pôs não sei quantas câmaras a apontarem 24 horas por dia para a Golden Gate Bridge com um propósito simples: 'apanhar' suicidas (a famosa ponte é um dos locais dos States mais escolhidos para o acto). De facto apanhou uns quantos, alguns dos quais nos são mostrados.
Obviamente mostrar uma pessoa a suicidar-se é algo mais que moralmente duvidoso, é de um voyeurismo obsceno e gratuito. Por mais que Steel se defenda, não encontro uma única razão que justifique esta sua opção. Queria alertar? Queria denunciar? Queria compreender? Nada disto implica filmar os suicÍdios e embrulhá-los num documentário.
Posto isto, quem mesmo assim tiver estômago para ver 'A ponte', depara-se com um documentário banal (Steel não é grande espingarda a realizar) mas com vários momentos pungentes, naturalmente. Há diversos testemunhos tocantes, nomeadamente de quem sobreviveu à tentativa de suÍcidio: um rapaz chega a contar que quando já estava do lado de lá da ponte, a preparar-se para saltar, uma turista lhe foi pedir se ele lhe tirava uma fotografia...
Enfim, é este, talvez, o único mérito deste documentário: dar-nos a ver a indiferença da maior parte das pessoas perante o que se está a passar. As pessoas atiram-se da ponte enquanto dezenas de outras passam tranquilamente ao lado. É arrepiante.
The Bridge, E.U.A., 2006. Realização: Eric Steel. Documentário.

Shrek o Terceiro



Este terceiro Shrek continua a ser um competentíssimo filme sub-18, com uma capacidade de controlar as reacções do seu público ao milímetro, que o próprio Hitchcock não desdenharia (basta assistir a uma sessão numa sala cheia, como foi o meu caso, para o notar - e em poucos filmes terei ouvido tão poucas conversas por parte da assistência). Além disso, consegue ter ainda um número considerável de piadas suficientemente boas (com várias piscadelas de olho ao politicamente incorrecto e ao absurdo) para que até um adulto calejado o veja com agrado. Já não é pouco.
Shrek the Third, E.U.A., 2007. Realização: Chris Miller, Raman Hui. Longa-metragem de animação.

22.6.07

Compras em saldos

3,85€ no Feira Nova

(agora encontram-se por lá praticamente todos os títulos da tal 'Colecção Marylin Monroe -80º Aniversário' a este preço. Obs.: como não consigo arranjar imagens dos dvds desta colecção, aproveito para mostrar estes belos posters - é favor clicar para aumentar)

21.6.07

10 filmes da vida de...

...Sandra Bettencourt (aka S.B. ), 23 anos, estudante de Estudos Artísticos - variante de Cinema. É autora do blogue Observando o tempo.

Seleccionar, enfatizar e deixar de parte 'objectos' de que gostamos é sempre complicado e injusto. Como tal tem de haver um critério que se imponha, no meu caso são aqueles filmes que me fizeram despertar para o cinema, que me fizeram encará-lo de um modo diferente. São aqueles filmes que me piscaram o olho e aos quais eu retribuí. Aos quais eu devo algo...


A Clockwork Orange (Stanley Kubrick, 1971)
Poderiam ser todos os filmes de Kubrick, especialmente Barry Lyndon, mas é A Clockwork Orange porque foi o primeiro que vi daquele que considero como Mestre. Deslumbrar-me-á sempre a sua capacidade de filmar o ser humano imperfeito, terrivelmente imperfeito, por vezes desprezível. Por isso mesmo sedutor, pois é livre.

Wings of Desire (Wim Wenders, 1987)
Um filme que vive das imagens. Bem como dos monólogos interiores que nos apresentam a condição humana da mortalidade de um forma belíssima. Um filme poema. Quando acabei de o ver, pela primeira vez, o meu desejo foi revê-lo o mais rapidamente possível.

M (Fritz Lang, 1931)
Cada vez que vejo M mais me surpreendo com o filme. O poder do não visto tem um efeito angustiante em mim, mostra muito mais em não mostrar e os som ganham uma dimensão importantíssima, nunca me vou esquecer do nome Elsie evocado desesperadamente pela mãe ou do assobio de Peter Lorre. A questão da liberdade humana e do que é justiça e por quem é que deve ser praticada sempre me fascinou em M.

The Godfather: Part II (Francis Ford Coppola, 1974)
Sou fã da trilogia, da forma como retratam o percurso se Michael Corleone, os três filmes em conjunto fecham o circulo da narrativa de filmes de gangster clássico: a ascensão e queda do gangster, um dos temas que me fascina no cinema. No entanto a minha preferência recai sobre o segundo filme talvez por tratar da fase de apogeu do gangster (e eu gosto sempre de ver Al Pacino de forma luminosa e poderosa), em segundo pela anacronia imposta pela personagem de De Niro, o jovem Vito Corleone, e terceiro pela narrativa que é mais complexa e torna os personagens mais ambíguos.

À Bout de Souffle (Jean-Luc Godard, 1960)
Quando vi o filme não sabia quase nada do que era a "Nouvelle Vague" e pouco conhecia de cinema francês porque me tinha convencido de que não gostava. Godard fez-me mudar completamente a minha opinião, apaixonei-me pelo filme, pelas ruas da cidade, pela Seberg e pelo Belmondo, pelos seus diálogos, pela luz, pelos sorrisos e pelo final. Não consigo deixar de assistir ao filme sem um sorriso nos lábios.

Le Notti Bianche (Luchino Visconti, 1957)
Tal como em À Bout de Souffle foi com este filme que descobri, ou aprendi a gostar de cinema italiano. Não há nada no filme que eu não goste, apesar da temática não me ser muito apelativa, pelo trabalho dos actores e de Visconti, aceitei-a e adorei. Um filme recheado de imagens belíssimas.

Offret (Tarkovski, 1986) A forma como Tarkovski trabalha o espaço em O Sacrifício é magistral. As suas dimensões parecem estar em permanente transformação, mas com uma leveza e sensibilidade que os espaços físicos ganham vida e respiram, fundindo-se com o interior com o exterior. Para mim, Tarkaovski é um dos grandes mestres da imagem e da câmara de filmar, neste seu último filme comprova-o, de uma forma mais subtil e, talvez por isso, mais sublime.

Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (Murnau, 1922)
A par de Gabinete do Dr. Caligari, foi o primeiro filme que vi do cinema alemão da República da Weimar. Expressionista ou Caligarista, ainda estou para compreender bem esta distinção. Arrebatou-me por completo a forma como o tema do vampiro foi tratado (alguns dos meus filmes favoritos são sobre vampiros: The Hunger e The Addiction). O uso da luz/sombras, a representação de Max Schreck (há quem defenda que era o próprio Murnau) ainda hoje me surpreendem.

Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
Na minha opinião o melhor filme de guerra, com uma realização irrepreensível, e representações fantásticas. Daqueles filmes que me fazem maravilhar com a sua imponência visual, à semelhança dos épicos "western spaghetti", com as mise-en-scéne sempre muito bem orquestradas.

Repulsion (Roman Polanski, 1965) Foi a minha introdução ao cinema de Polanski, do qual fiquei fã, e à representação de Deneuve. A construção da paranóia e dos traços de um inconsciente surrealista fazem deste filme uma forte experiência visual. Por influência de Repulsion, descobri dois outros filmes que se tornaram também dos meus favoritos: Belle de Jour (Bunuel) e The Lodger (Polanski)

Todas as semanas um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado é o Chico Fireman.

19.6.07

Ruptura



'Ruptura' é um thriller feito como deve ser, com nervo, suspense e um argumento absorvente até ao fim.
Se isto já não é pouco, o que o eleva definitivamente a uma muito boa surpresa é o duelo, mais do que entre as respectivas personagens, entre os actores: Anthony Hopkins versus Ryan Gosling. O primeiro ainda não anda em piloto automático, como já foi dito, mas é verdade que faz um pouco de Hannibal outra vez (diga-se em abono da verdade, que a culpa também é da personagem que tem). Gosling ganha assim naturalmente a contenda e confirma, depois de Half Nelson, que é o actor do momento.
Fracture, E.U.A., 2007. Realização: Gregory Hoblit. Com: Anthony Hopkins, Ryan Gosling, David Strathairn, Rosamund Pike, Embeth Davidtz, Billy Burke.

18.6.07

Lady Chatterley



Pascale Ferran evita duas armadilhas óbvias nesta sua adaptação do romance de D.H.Lawrence. A primeira, a de cair naquele estilo a que se convencionou chamar 'academismo', e que as adaptações de 'grandes romances' costumam atrair como o mel as moscas. Fá-lo, desde logo, usando uma arma poderosa: a fotografia, granulosa, rugosa, mas cheia de vida, que afasta definitivamente qualquer tom de telefilme. Depois o jogo com o tempo, a atenção ao que está para lá das peripécias: os longos passeios de Lady Chatterley pelos bosques, o seu embrenhar pela natureza, vão-nos dando de modo indirecto uma medida da sua personalidade, com um vagar pouco usual. A segunda armadilha era a de cair num erotismo fácil, ou de tentar transpor o efeito de escândalo do livro. Ferram vai por outro lado, e embora não fuja ao erotismo, este é-nos transmitido de uma forma cândida, até ingénua, aproximando-se quase da história de dois adolescentes que vão descobrindo pouco a pouco o seu corpo e o do amante, que se vão iniciando nos jogos do amor.
Como tantas vezes acontece, no entanto, as fraquezas do filme derivam das suas virtudes. Os longos 168 minutos do filme são excessivos, e este por vezes torna-se fastidioso e divagante, enveredando por cenas desnecessárias (como por exemplo o longo episódio 'simbólico' da cadeira empenada de Clifford) e repetitivas (toda aquela ideia recorrente da comunhão entre as personagens e a natureza). E, não obstante a bravura de Marina Hands (excelente papel!), quer a sua personagem, quer mesmo todo o ambiente do filme, se aproximam perigosamente de uma candura quase simplista e naif.
Fica, assim, um filme estimável e até simpático, mas não mais do que isso.
Lady Chatterley, França, 2006. Realização: Pascale Ferran. Com: Marina Hands, Jean Louis Coullo´ch, Hippolyte Girardot, Hélène Alexandridis, Hélène Fillières.

16.6.07

Compras em saldos



3,90€ no Feira Nova.

(a edição não é esta, mas a de uma colecção 'Marylin Monroe-80º aniversário', de que em tempos comprei também 'Os homens preferem as loiras' a 7 ou 8 euros)

14.6.07

Ocean´s 13



A questão que se punha quanto a 'Ocean´s 13' era: iria Soderbergh repetir o pastiche pretensioso e bocejante do Twelve, ou voltaria ao divertimento inteligente e sofisticado do Eleven? Felizmente optou pela segunda hipótese, e o filme vê-se muítissimo bem.
Claro que se pode sempre perguntar qual a necessidade de voltar ao tema, mas é o mesmo que perguntar qual é a necessidade de se irem fazendo novos 007. Enquanto o requinte se mantiver e o nível estiver uns furos acima do universo dos filmes-pipoca, não serei eu a queixar-me...
Ocean`s Thirteen, E.U.A., 2007. Realização: Steven Soderbergh. Com: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Andy Garcia, Don Cheadle, Bernie Mac, Al Pacino, Ellen Barkin, Casey Affleck, Scott Caan, Carl Reiner, Elliott Gould, Shaobo Qin, Eddie Izzard, David Paymer, Vincent Cassel, Julian Sands

12.6.07

10 filmes da vida de...

...Helena, aka H., 21 anos, estudante de História com sonhos de letras e um amor incontrolável por Cinema. Autora do blogue As Imagens Primeiro.


Rebel Without a Cause (1955), de Nicholas Ray
A obra mais pura e imortal sobre a juventude, que tanto pode pertencer apenas aos EUA dos 50s como ao mundo de hoje. A inocência dos marginais de Nick Ray é das coisas mais bonitas que o cinema me mostrou, essa fome de viver sem saber como, esse desejo de sentir sem se conhecer as regras sociais que sempre constrangem, esse confronto permanente com a rejeição e a morte mas ao mesmo tempo essa efémera possibilidade de encontrar a perfeição no imperfeito mundo real (simbolizada no refúgio de Jim, Judy e Plato na casa vazia)... Pode soar cliché mas os filmes de Nick Ray deram-me uma estranha forma de compreensão. E depois, naturalmente, há James Dean, anjo, mito, homem – inigualável.

The Misfits (1961), de John Huston
Filme de uma beleza avassaladora, é também um filme de anunciação da morte. Não só a de Marilyn e de Gable, que não mais apareceriam no ecrã em novos filmes, mas também a de um mundo, o da liberdade selvagem que a personagem de Gable personifica. Todo o filme é um hino ao tempo condenado, aos instantes de real que vidas gastas aproveitam em peculiares empatias. Os diálogos de Arthur Miller são qualquer coisa de magnífico.

Une Femme Est Une Femme (1961) / Vivre Sa Vie (1962), de Jean-Luc Godard
Dos dois não consigo optar por um. Um mais feliz, outro mais sombrio, estes filmes são autênticas declarações de amor, que bem pode ser definido pela forma como a câmara de Godard capta o rosto de Anna Karina. Obras sobre uma mulher (“a” mulher), a maneira como se encontra e se perde. Impossível não sorrir e chorar com elas, com a explosão de entusiasmo que o Godard me costuma provocar em alguns momentos.

Hiroshima Mon Amour (1959), de Alain Resnais
A imagem excelsa de Resnais e a palavra radical de Duras num filme sobre o peso da memória e, sobretudo, o terror do inevitável esquecimento. Um filme sobre o amor maior, sobre a sociedade que o não aceita, mas também sobre a História, as suas cicatrizes e as marcas indeléveis do que nos formou enquanto seres conscientes de nós.

The Dreamers (2003), de Bernardo Bertolucci
É inevitável não falar neste filme quando me refiro aos “meus filmes”. É um filme de amor ao cinema, de amor ao amor e de amor à liberdade passado numa época que muito me fascina, o Maio de 68 em França. Obra de poesia bruta, sobre seres que se encontram e se complementam em experiências motivadas e exploradas pelo cinema, fazendo de si próprios personagens até já não mais saberem quem são na realidade. A minha ligação a este filme é muito forte e inexplicável, um misto de identificação e fantasia.

Citizen Kane (1941), de Orson Welles
Foi o filme “antigo” com que descobri o cinema “antigo”. Tinha uns 15 anos e senti que estava perante algo que me ultrapassava, mas que me fascinava de forma única. Revi-o depois várias vezes e a admiração por ele só cresceu. E pensar que Welles tinha só 26 anos quando fez esta obra-prima...

Lost in Translation (2003), de Sofia Coppola
Um dos, senão mesmo o filme mais influente da minha geração. Duas almas gémeas que se encontram no limiar da descrença, quando já haviam desistido de uma ideia de completude. Provavelmente das histórias de amor mais comoventes do cinema sem nunca por nunca cair na lamechice. Sofia Coppola vai evidenciando mais pela imagem que pela palavra o retrato interior das suas personagens. Para sempre fica a visão de Bill Murray a acariciar os pés de Scarlett Johansson murmurando-lhe que ainda há esperança para ela.

City Girl (1930), de F. W. Murnau
Podia ter escolhido Aurora, a obra que me revelou esse mestre máximo que é Murnau, e que igualmente venero. City Girl é, tal como Aurora, um filme que mostra fé nas pessoas, mesmo quando elas se fazem sentir rudes e más. Gosto muito da rapariga da cidade do título, uma solitária citadina que vai para casa limpar o pó das flores de plástico e ouvir o pássaro de brinquedo – imagens que são tão pungentes para 1930 como o são agora – e que lutará pelo homem do campo que ama mas cujo pai a despreza. Há uma sequência nos campos entre os dois enamorados que deve ter feito “genealogia” até Match Point...

Os Verdes Anos (1963), de Paulo Rocha
O filme que me ensinou como o cinema português pode ser perfeito. Retrato da Lisboa cidade dos 60s, de pessoas que a habitaram, da timidez do amor e da ferocidade do mistério humano. Aquela música de Carlos Paredes e aquela canção que é cantada enquanto Júlio dança com Ilda provocam-me arrepios. Como muitas das minhas obras de eleição, é também sobre a juventude que se vai esvanecendo. “Eram enganos e era um medo / A morte a rir / Dos nossos verdes anos...”.

The New World (2005), de Terrence Malick
Se exceptuar o abalo sensorial provocado pelo filme de Jesper Ganslandt na última edição do Indie Lisboa, The New World é sem dúvida o filme dos últimos anos que mais me arrebatou. Terrence Malick é um poeta da imagem, e lega-nos aqui um hino à natureza, ao significado de lar, à evidência da pertença – a uma terra e a um outro ser – ao milagre da união total. É um filme que tem tanto de absolutamente belo como de triste, pois Malick mostra-nos uma hipótese de convivência, uma ideia de paraíso que o homem conspurcou e destruiu. Acima de tudo, a figura magnética de Pocahontas, a minha heroína de fim de infância, que reencontrei e redescobri e me mostrou como existe tanta coisa quando nos abandonados ao sentir – sentir proporcionado de forma única em frente ao ecrã de uma sala de cinema.

Todas as semanas um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. A próxima convidada é a S.B.