Recent Posts

2.7.07

Die Hard 4.0 — Viver ou Morrer



Numa analogia bastante óbvia e escusada, às tantas o vilão-mor diz a John McClane que ele é um velho Timex numa era digital. Pegando nela, podemos dizer que neste filme o que é analógico funciona bem, o que é digital é bastante pífio. Ou seja, as parte com o bom e velho Bruce à pancadaria e aos tiros são bastante competentes (como os 10 minutos iniciais) ou até francamente boas (como a cena em ele que diz à vilã asiática que chega de kung fus e lhe dá uma tareia à moda antiga, usando a força bruta e até arrancando-lhe cabelos); as partes dos hackers, dos ataques informáticos, das perseguições com aviões e não sei que mais, a la playstation, são assim um bocado para o palerma. O humor também não prima pela subtileza, e ainda há espaço para umas lamechices com a filha do homem. Mas McLane/Willis aos cinquenta e tais ainda é o único action heroe decente que anda por aí - sempre igual a si próprio - e resiste a isto tudo e sai com a dignidade intacta. Grande homem!
Die Hard 4.0, E.U.A., 2007. Realização: Len Wiseman. Com: Bruce Willis, Timothy Olyphant, Maggie Q, Justin Long, Elizabeth Winstead.

1.7.07

1º Semestre - TOP 10+2



1 - Climas, de Nuri Bilge Ceylan

2 - Pecados íntimos, de Todd Field

3 - Zodíaco, de David Fincher e O bom pastor, de Robert de Niro

5 - O caimão, de Nanni Moretti

6 - As cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood e Scoop, de Woody Allen

8 - Half Nelson, de Ryan Fleck e Ruptura, de Gregory Hoblit

10 - INLAND EMPIRE, de David Lynch

OVNIs:
O último capitulo, de Darren Aronofsky

Shortbus, de John Cameron Mitchell




Ao fim de 13 semanas (parece-me um belo numero), a secção '10 filmes da vida de...' entra em férias. O meu maior medo quando comecei a fazer convites - que as pessoas pensassem 'só faltava agora este caramelo a chatear-me' e nem respondessem- só se verificou uma vez. De resto, uma nega simpática e 13 corajosos sins. Depois do período estival, se tudo correr como previsto, há mais.

29.6.07

10 filmes da vida de...

...Chico Fireman. É autor do blogue Filmes do Chico e o criador e força dinamizadora da Liga dos Blogues Cinematográficos.



Sunrise (27), de F.W. Murnau
O mais belo filme sobre o amor que alguém poderia ter feito.

Rio Bravo (59), de Howard Hawks
O anti-western definitivo.

Elephant (03), de Gus Van Sant
O filme sobre a falta de uma só verdade.

Cries and Whispers (72), de Ingmar Bergman
As dores têm suas cores.

North by Northwest (59), de Alfred Hitchcock
O mais delicioso dos filmes do mestre.

O Céu de Suely (06), de Karim Aïnouz
O cinema brasileiro à procura de um lugar.

The Man with a Movie Camera (29), de Dziga Vertov
A invenção da montagem.

La Passion de Jeanne d'Arc (28), de Carl Th. Dreyer
Um filme esmagador.

Apocalypse Now
(79), de Francis Ford Coppola
A genial descida ao inferno, com Marlon Brando como o capeta.

Arsenic and Old Lace (44), de Frank Capra
Não seria a melhor comédia de todos os tempos?

26.6.07

A ponte



Em 2004, Eric Steel pôs não sei quantas câmaras a apontarem 24 horas por dia para a Golden Gate Bridge com um propósito simples: 'apanhar' suicidas (a famosa ponte é um dos locais dos States mais escolhidos para o acto). De facto apanhou uns quantos, alguns dos quais nos são mostrados.
Obviamente mostrar uma pessoa a suicidar-se é algo mais que moralmente duvidoso, é de um voyeurismo obsceno e gratuito. Por mais que Steel se defenda, não encontro uma única razão que justifique esta sua opção. Queria alertar? Queria denunciar? Queria compreender? Nada disto implica filmar os suicÍdios e embrulhá-los num documentário.
Posto isto, quem mesmo assim tiver estômago para ver 'A ponte', depara-se com um documentário banal (Steel não é grande espingarda a realizar) mas com vários momentos pungentes, naturalmente. Há diversos testemunhos tocantes, nomeadamente de quem sobreviveu à tentativa de suÍcidio: um rapaz chega a contar que quando já estava do lado de lá da ponte, a preparar-se para saltar, uma turista lhe foi pedir se ele lhe tirava uma fotografia...
Enfim, é este, talvez, o único mérito deste documentário: dar-nos a ver a indiferença da maior parte das pessoas perante o que se está a passar. As pessoas atiram-se da ponte enquanto dezenas de outras passam tranquilamente ao lado. É arrepiante.
The Bridge, E.U.A., 2006. Realização: Eric Steel. Documentário.

Shrek o Terceiro



Este terceiro Shrek continua a ser um competentíssimo filme sub-18, com uma capacidade de controlar as reacções do seu público ao milímetro, que o próprio Hitchcock não desdenharia (basta assistir a uma sessão numa sala cheia, como foi o meu caso, para o notar - e em poucos filmes terei ouvido tão poucas conversas por parte da assistência). Além disso, consegue ter ainda um número considerável de piadas suficientemente boas (com várias piscadelas de olho ao politicamente incorrecto e ao absurdo) para que até um adulto calejado o veja com agrado. Já não é pouco.
Shrek the Third, E.U.A., 2007. Realização: Chris Miller, Raman Hui. Longa-metragem de animação.

22.6.07

Compras em saldos

3,85€ no Feira Nova

(agora encontram-se por lá praticamente todos os títulos da tal 'Colecção Marylin Monroe -80º Aniversário' a este preço. Obs.: como não consigo arranjar imagens dos dvds desta colecção, aproveito para mostrar estes belos posters - é favor clicar para aumentar)

21.6.07

10 filmes da vida de...

...Sandra Bettencourt (aka S.B. ), 23 anos, estudante de Estudos Artísticos - variante de Cinema. É autora do blogue Observando o tempo.

Seleccionar, enfatizar e deixar de parte 'objectos' de que gostamos é sempre complicado e injusto. Como tal tem de haver um critério que se imponha, no meu caso são aqueles filmes que me fizeram despertar para o cinema, que me fizeram encará-lo de um modo diferente. São aqueles filmes que me piscaram o olho e aos quais eu retribuí. Aos quais eu devo algo...


A Clockwork Orange (Stanley Kubrick, 1971)
Poderiam ser todos os filmes de Kubrick, especialmente Barry Lyndon, mas é A Clockwork Orange porque foi o primeiro que vi daquele que considero como Mestre. Deslumbrar-me-á sempre a sua capacidade de filmar o ser humano imperfeito, terrivelmente imperfeito, por vezes desprezível. Por isso mesmo sedutor, pois é livre.

Wings of Desire (Wim Wenders, 1987)
Um filme que vive das imagens. Bem como dos monólogos interiores que nos apresentam a condição humana da mortalidade de um forma belíssima. Um filme poema. Quando acabei de o ver, pela primeira vez, o meu desejo foi revê-lo o mais rapidamente possível.

M (Fritz Lang, 1931)
Cada vez que vejo M mais me surpreendo com o filme. O poder do não visto tem um efeito angustiante em mim, mostra muito mais em não mostrar e os som ganham uma dimensão importantíssima, nunca me vou esquecer do nome Elsie evocado desesperadamente pela mãe ou do assobio de Peter Lorre. A questão da liberdade humana e do que é justiça e por quem é que deve ser praticada sempre me fascinou em M.

The Godfather: Part II (Francis Ford Coppola, 1974)
Sou fã da trilogia, da forma como retratam o percurso se Michael Corleone, os três filmes em conjunto fecham o circulo da narrativa de filmes de gangster clássico: a ascensão e queda do gangster, um dos temas que me fascina no cinema. No entanto a minha preferência recai sobre o segundo filme talvez por tratar da fase de apogeu do gangster (e eu gosto sempre de ver Al Pacino de forma luminosa e poderosa), em segundo pela anacronia imposta pela personagem de De Niro, o jovem Vito Corleone, e terceiro pela narrativa que é mais complexa e torna os personagens mais ambíguos.

À Bout de Souffle (Jean-Luc Godard, 1960)
Quando vi o filme não sabia quase nada do que era a "Nouvelle Vague" e pouco conhecia de cinema francês porque me tinha convencido de que não gostava. Godard fez-me mudar completamente a minha opinião, apaixonei-me pelo filme, pelas ruas da cidade, pela Seberg e pelo Belmondo, pelos seus diálogos, pela luz, pelos sorrisos e pelo final. Não consigo deixar de assistir ao filme sem um sorriso nos lábios.

Le Notti Bianche (Luchino Visconti, 1957)
Tal como em À Bout de Souffle foi com este filme que descobri, ou aprendi a gostar de cinema italiano. Não há nada no filme que eu não goste, apesar da temática não me ser muito apelativa, pelo trabalho dos actores e de Visconti, aceitei-a e adorei. Um filme recheado de imagens belíssimas.

Offret (Tarkovski, 1986) A forma como Tarkovski trabalha o espaço em O Sacrifício é magistral. As suas dimensões parecem estar em permanente transformação, mas com uma leveza e sensibilidade que os espaços físicos ganham vida e respiram, fundindo-se com o interior com o exterior. Para mim, Tarkaovski é um dos grandes mestres da imagem e da câmara de filmar, neste seu último filme comprova-o, de uma forma mais subtil e, talvez por isso, mais sublime.

Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (Murnau, 1922)
A par de Gabinete do Dr. Caligari, foi o primeiro filme que vi do cinema alemão da República da Weimar. Expressionista ou Caligarista, ainda estou para compreender bem esta distinção. Arrebatou-me por completo a forma como o tema do vampiro foi tratado (alguns dos meus filmes favoritos são sobre vampiros: The Hunger e The Addiction). O uso da luz/sombras, a representação de Max Schreck (há quem defenda que era o próprio Murnau) ainda hoje me surpreendem.

Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
Na minha opinião o melhor filme de guerra, com uma realização irrepreensível, e representações fantásticas. Daqueles filmes que me fazem maravilhar com a sua imponência visual, à semelhança dos épicos "western spaghetti", com as mise-en-scéne sempre muito bem orquestradas.

Repulsion (Roman Polanski, 1965) Foi a minha introdução ao cinema de Polanski, do qual fiquei fã, e à representação de Deneuve. A construção da paranóia e dos traços de um inconsciente surrealista fazem deste filme uma forte experiência visual. Por influência de Repulsion, descobri dois outros filmes que se tornaram também dos meus favoritos: Belle de Jour (Bunuel) e The Lodger (Polanski)

Todas as semanas um blogger cinéfilo fala aqui de 10 filmes da sua vida. O próximo convidado é o Chico Fireman.

19.6.07

Ruptura



'Ruptura' é um thriller feito como deve ser, com nervo, suspense e um argumento absorvente até ao fim.
Se isto já não é pouco, o que o eleva definitivamente a uma muito boa surpresa é o duelo, mais do que entre as respectivas personagens, entre os actores: Anthony Hopkins versus Ryan Gosling. O primeiro ainda não anda em piloto automático, como já foi dito, mas é verdade que faz um pouco de Hannibal outra vez (diga-se em abono da verdade, que a culpa também é da personagem que tem). Gosling ganha assim naturalmente a contenda e confirma, depois de Half Nelson, que é o actor do momento.
Fracture, E.U.A., 2007. Realização: Gregory Hoblit. Com: Anthony Hopkins, Ryan Gosling, David Strathairn, Rosamund Pike, Embeth Davidtz, Billy Burke.

18.6.07

Lady Chatterley



Pascale Ferran evita duas armadilhas óbvias nesta sua adaptação do romance de D.H.Lawrence. A primeira, a de cair naquele estilo a que se convencionou chamar 'academismo', e que as adaptações de 'grandes romances' costumam atrair como o mel as moscas. Fá-lo, desde logo, usando uma arma poderosa: a fotografia, granulosa, rugosa, mas cheia de vida, que afasta definitivamente qualquer tom de telefilme. Depois o jogo com o tempo, a atenção ao que está para lá das peripécias: os longos passeios de Lady Chatterley pelos bosques, o seu embrenhar pela natureza, vão-nos dando de modo indirecto uma medida da sua personalidade, com um vagar pouco usual. A segunda armadilha era a de cair num erotismo fácil, ou de tentar transpor o efeito de escândalo do livro. Ferram vai por outro lado, e embora não fuja ao erotismo, este é-nos transmitido de uma forma cândida, até ingénua, aproximando-se quase da história de dois adolescentes que vão descobrindo pouco a pouco o seu corpo e o do amante, que se vão iniciando nos jogos do amor.
Como tantas vezes acontece, no entanto, as fraquezas do filme derivam das suas virtudes. Os longos 168 minutos do filme são excessivos, e este por vezes torna-se fastidioso e divagante, enveredando por cenas desnecessárias (como por exemplo o longo episódio 'simbólico' da cadeira empenada de Clifford) e repetitivas (toda aquela ideia recorrente da comunhão entre as personagens e a natureza). E, não obstante a bravura de Marina Hands (excelente papel!), quer a sua personagem, quer mesmo todo o ambiente do filme, se aproximam perigosamente de uma candura quase simplista e naif.
Fica, assim, um filme estimável e até simpático, mas não mais do que isso.
Lady Chatterley, França, 2006. Realização: Pascale Ferran. Com: Marina Hands, Jean Louis Coullo´ch, Hippolyte Girardot, Hélène Alexandridis, Hélène Fillières.