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19.7.07

Só para lembrar que hoje estreia um dos melhores filmes do ano.

18.7.07

O miar do gato


Kirsten Dunst como Marion Davies e Eddie Izzard como Charlie Chaplin

'O miar do gato' é um filme feito por um cinéfilo para cinéfilos. Bogdanovich retoma um escândalo do tempo do mudo: a misteriosa morte de Thomas H.Ince, um dos pioneiros do cinema americano juntamente com D.W.Griffith e Cecil B. DeMille, após uma viagem pela costa californiana a bordo do iate de William Randolph Hearst em Novembro de 1924. Além de Ince, também se contavam entre os convidados do magnata dos media, Marion Davies, sua amante e actriz (e inspiradora da cantora de ópera Susan Alexander em 'Citizen Kane'), Charlie Chaplin, a escritora Elinor Glyn, e a jovem colunista de gossip Louella Parson.
O que se passou então permanece desconhecido, sabendo-se apenas que Ince foi retirado do barco em S.Diego e morreu 2 dias depois, de 'ataque cardíaco após violenta indigestão', segundo a versão oficial.
Embora o o longo braço de Hearst tudo tenha abafado, desde a altura que surgiram diversos rumores, quase todos apontando ou Hearst ou Chaplin como o assassino. Bogdanovich apresenta uma versão ligeiramente mais rebuscada (como diriam no IMDB, atenção - spoiler!): Ince foi atingido por um tiro na cabeça, disparado por Hearst que o confundiu com Chaplin que, não obstante ter acabado de engravidar a jovem actriz de 16 anos do seu filme em rodagem -'A quimera do ouro', andava a namoriscar Marion.
Este foi apenas um dos inúmeros escândalos da época do mudo, que vão desde a acusão de violação e homicídio de uma jovem actriz imputada ao comediante 'Fatty' Arbuckle (que acabou com a sua carreira, apesar de ele ser quase de certeza inocente), passando pelo escandaloso divórcio de Mary Pickford e Douglas Fairbank, até ao simbólico suicídio da actriz Peg Entwistle que se atirou da letra H da famosa inscrição 'Hollywood' no dia 8 de Setembro de 1932. Como é sabido, o resultado desta onda de escândalos foi a autocensura de Hollywood, definida no famoso 'código de produção Hayes'.
Voltando ao filme, 'O miar do gato', estando longe do melhor Bogdanovich (como a nostálgica obra-prima 'The last picture show'), vale ainda assim pelo seu argumento, pela sua visão, aqui apesar de tudo mais divertida e carinhosa que nostálgica, dos primórdios de Hollywood, da sua riquissima história que Bogdanovich conhece melhor que ninguém.
The Cat's Meow, E.U.A., 2003. Realização: Peter Bogdanovich. Com: Kirsten Dunst, Cary Elwes, Eddie Izzard, Edward Herrmann, Joanna Lumley, Jennifer Tilly.

17.7.07

Compras em saldos



17,99€ no Media Markt.

Inclui 3 filmes do 'período de nomadismo' de Welles: Mr.Arkadine/Relatório confidencial (1955), Malpertuis (1971) e Ilha do tesouro (1972) . Welles realiza e interpreta o primeiro, nos restantes participa apenas como actor. Digamos que é uma caixa para fãs e colecionistas compulsivos. A um belo preço.

16.7.07

Curtas de Vila do conde

O palmarés deste ano das Curtas foi o mais fraco de que me lembro. Pelos vistos houve 2 vencedores do Grande Prémio Cidade de Vila do Conde, CAPITALISM: CHILD LABOR e NYMPH, ambos de Ken Jacobs , mas na sessão de premiados só vi o segundo, uma coisa 'experimental' de meia dúzia de segundos que não faço ideia o que fosse. O Prémio para o melhor Documentário foi para DE FUNCIÓ, uma banalidade de Jorge Tur, e o Melhor filme da Competição Nacional para EUROPA 2007, de Pedro Caldas, um sub-Transe sem um átomo do virtuosismo de Teresa Villaverde. O resto andou pela mediania. Para esquecer.

PS: Não vi sessões suficientes para aferir da qualidade geral dos filmes em competição. Mas é difícil acreditar que não houvesse melhor - aliás eu vi bem melhor. O que me parece é que talvez o palmarés - mormente o prémio principal - seja mais compreensível se atentarmos no perfil do júri: Delfim Sardo (curador de exposições de arte contemporânea), Jean Marc Lalanne (chefe de redacção da revista Les Inrockuptibles) e Christoph Girardet (produtor de filmes, vídeos e instalações de vídeo) .

11.7.07

A rapariga morta



Eis mais um exemplar do género da moda: o dos filmes-mosaico-efeito-borboleta. Neste caso é a descoberta de um cadáver que dá o mote para os episódios que se seguem, todos centrados em pessoas que vão estar ou estiveram relacionadas com a rapariga morta.
Eu normalmente simpatizo com filmes como este, discretos e melancólicos, mas aqui, infelizmente, a realizadora Karen Moncrieff raramente acerta com o tom. Ora é demasiadamente rápido, ora demasiadamente óbvio; ora é superficial, ora é exagerado. E há sempre algo que irrita um bocadinho: ou o olhar de carneiro mal morto de Toni Collette, ou o choradinho em overacting de Marcia Gay Harden (que estranhamente parece um sósia de Michael Jackson: estas plásticas ao nariz pôem toda a gente igual...).
No final, fica-nos na retina a cara-laroca e triste de Rose Byrne. Mas nem ela nos tira a sensação de desconsolo.
The Dead Girl, E.U.A., 2006. Realização: Karen Moncrieff. Com: Toni Collette, Piper Laurie, Giovanni Ribisi, Mary Steenburgen, Mary Beth Hurt, Nick Searcy, Marcia Gay Harden, Kerry Washington, Brittany Murphy.

10.7.07

Top Filmes Brasileiros


A excelente Revista Paisà, editada pelos meus colegas da Liga dos Blogues Cinematográficos, Sérgio Alpendre e Filipe Furtado, publica um TOP 20 dos filmes Brasileiros de sempre. Recomendo veementemente a leitura do Top completo e comentado, mas parece-me interessante deixar aqui o TOP 10, por um motivo muito simples: penso que se há filmografia que é desconhecida por cá, é a Brasileira. Lanço mesmo a provocação: quantos dos filmes listados são por cá conhecidos? Mais: quantos dos realizadores o são? Só mesmo Glauber Rocha, e mesmo esse...

1 – Limite, de Mário Peixoto (1931)
2 – Terra em Transe, de Glauber Rocha (1967)
3 – Bang Bang, de Andrea Tonacci (1970)
4 – Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha (1964)
5 – São Paulo S.A., de Luis Sérgio Person (1965)
6 – O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (1968)
7 – A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla (1969)
8 - Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho (1984)
9 – Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos (1963)
10 - A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (1965)

9.7.07

Death Proof



'Death Proof' é um Tarantino em bruto. O que antes Tarantino polia, filtrava, sugeria, citava, recontextualizava, etc., etc., agora é lá posto e pronto. As piscadelas de olho cinéfilas não são piscadelas de olho, são verdadeiros encontrões: aos road movies série B, aos carros dos road movies série B, ao 'clássico' do género 'Vanishing Point' (citado umas 50 vezes), às cenas à road movie série B; os diálogos à Tarantino são verdadeiras maratonas para lá dos limites (talvez devido ao facto de o filme ter sido 'esticado', depois da sua autonomização do de Rodriguez - embora, diga-se, Tarantino, como Woody Allen, não saiba escrever um diálogo que não seja bom, mesmo quando é mais do mesmo), sendo que aí um terço do filme é uma longa conversa entre as heroínas, principalmente sobre a sua vida sexual.
Entendamo-nos: por muito que Tarantino pretenda imitar (mais que citar, e seria esta a principal diferença de atitude em relação aos seus filmes anteriores) os exploitation movies da sua adolescência, introduzindo inclusive cortes, arranhões, raccords mal feitos, etc., este filme é um Tarantino até ao miolo. Só que menos sofisticado. E certamente não faltará quem lhe torça o nariz, vendo apenas o realizador a parodiar-se a si mesmo (temos direito a uma muito divertida citação a Kill Bill e tudo).
Ou seja, quem admirava a Tarantino mais o virtuosimo, que propriamente as suas referências xunga, talvez não ache grande piada a 'Death Proof'. Quem é mesmo fã do seu universo muito próprio (eu incluído), não pode deixar de se divertir loucamente com este filme, nomeadamente com o extravagante delírio da 'ultima parte', da vingança, que termina mesmo com uma cena de antologia. Eu pelo menos já não me ria tanto desde o episódio das 'Vitimas de incesto anónimas' do Larry David....
Death Proof, E.U.A., 2007. Realização: Quentin Tarantino. Com: Kurt Russell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Zoe Bell, Quentin Tarantino.

7.7.07

Renascimento



Qualquer amante de ficção cientifica verá este filme com agrado, penso. Não sendo particularmente original, é assim uma espécie de súmula aprazível do género: uma cidade futurista (Paris) como cenário, como tema a busca da imortalidade, o progresso cientifico como ameaça, etc.
Paradoxalmente, onde o filme falha, é na sua maior aposta: o uso da mesma técnica de Sin City, que consiste em captar os movimentos dos actores passando-os depois para animação. Ao contrário do filme de Roberto Rodriguez, que usava sabiamente este factor, conjuntamente com o uso do preto e branco, para reinventar inteligentemente o film noir, aqui não se vê que mais-valia estes dois aspectos tragam. Pelo contrário, sugerem antes assim como que uma leveza de desenho animado, que não favorece em nada o ambiente do filme. Não é por este se passar em 2054, que não sentimos falta de mais 'carne e osso'...
Renaissance, França/Grã-Bretanha/Luxemburgo, 2006. Realização: Christian Volckman. Longa-metragem de animação.

6.7.07

Filmes do mês

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês passado. Classificação de 0 a 10.



Dr.Jekyll and Mr. Hide, John S. Robertson, 1920 (7)
Stalag 17, Billy Wilder, 1953 (8,5)
Tristana, Luis Buñuel, 1970 (10)
A mulher do aviador, Eric Rohmer, 1981 (8)
Pauline à la plage, Eric Rohmer, 1983 (8,5)
Um agente na corda bamba, Richard Tuggle, 1984 (7,5)
Kill Bill - Vol.2, Quentin Tarantino, 2004 (8,5)
O odor do sangue, Mario Martone, 2004
As tartarugas também voam, Bahman Ghobadi, 2005
Lady Chatterley, Pascale Ferran, 2006
A ponte, Eric Steel, 2006
Ruptura, Gregory Hoblit, 2007
Schrek, o terceiro, Chris Miller e Raman Hui, 2007

Destaque: 'As tartarugas também voam'. Gostei mesmo muito.

Surpresa: Ora bem: 'Ruptura'.

Curiosidade: 'Dr.Jekyll and Mr. Hide', de John S. Robertson, talvez a primeira versão (é de 1920) do magnífico livro de Robert Louis Stevenson. Quem interpreta os 2 papéis é o então muito célebre John Barrymore (avô da menina em quem estão a pensar).

4.7.07

As tartarugas também voam



Devido às diatribes da distribuição portuguesa, quase que perdi este filme, que foi lançado às feras no final de 2006 (28 de Dezembro, segundo o Cinema 2000), e passou fugazmente pelo Porto já em Maio. Uma vez mais, foram os 'Filmes de culto' que me salvaram. E seria um crime perde-lo: 'As tartarugas também voam' é um pequeno milagre.
É um olhar sobre um campo de refugiados na fronteira iraquiana, visto através de 'Parabólica', o negociante faz-tudo lá do sítio (é assim uma espécie de versão simpática e adolescente do Sefton de 'Stalag 17'), que comanda um exército de miúdos que apanham minas, a moeda de troca para tudo: parabólicas (para ouvir as noticias da guerra nos canais estrangeiros), armas, máscaras de protecção, até um colar para oferecer quando se apaixona. 'As tartarugas também voam' tem momentos terríveis, mas em momento algum dispensa o sentido de humor (uma lição que Bahman Ghobadi poderá ter aprendido com Billy Wilder), nem perde de vista um humanismo bravo e simples, que nos faz lembrar os melhores momentos do neo-realismo italiano. Não há aqui santos (embora o fantástico miúdo sem braços que tem premonições se aproxime bastante), mas sim pessoas muito, muito humanas, desde 'Parabólica' à impressionante miúda por quem se apaixona.
O filme é de 2005 e, como já disse, estreou cá em 2006, mas é desde já o meu filme de 2007.
Lakposhtha hâm parvaz mikonand /Turtles Can Fly, Irão/Iraque/França, 2005. Realização: Bahman Ghobadi. Com: Soran Ebrahim, Hirsh Feyssal, Avaz Latif, Saddam Hossein Feysal, Abdol Rahman Karim.