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Cine Café
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20.7.07
No mundo das mulheres
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'No mundo das mulheres' é o 'Garden State' deste ano. Ou seja, o filme independente à volta do argumento rapaz-da-grande-cidade-em-crise-existencial-volta-à-terra-natal-e-lá-conhece-a-rapariga-que-lhe-vai-mudar-a-vida.
Pelo simples facto de reconhecer nos 5 minutos iniciais esta história again, comecei logo por antipatizar com esta estreia na realização do filho de Lawrence Kasdan. Mas a verdade, passe o lugar-comum, é que estes indies americanos são como os melões e às vezes depois de descascados surpreendem. E não é que dei comigo a ir gostando do filme e acabei a gostar muito? Não que seja original, nem nada que se pareça, mas tudo o que lá está está bem. O casting, com especialíssimo destaque para Meg Ryan, esplendorosa como sempre; a realização invisível; os diálogos; o tom; as pequenas variações ao argumento-tipo. Tudo me bateu no sítio certo. Mesmo que eu ache que a vida não é nada assim. Ou por isso mesmo.
In The Land of Women, E.U.A., 2007. Realização: Jon Kasdan. Com: Adam Brody, Kristen Stewart, Meg Ryan, Elena Anaya, Olympia Dukakis, Makenzie Vega.
Belle toujours
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'Belle toujours' está algures entre o ensaio sobre e a homenagem a. Tem por um lado uma leveza e uma elegância surpreendentes, em parte trazidas por Michel Piccoli, bonacheirão, sempre com um sorriso, em parte pela simplicidade da mise en scène. Por outro lado há algo que contrasta com e contraria esta leveza: e está ao nível do discurso, do tal ensaio. Nada do que é dito sobre 'Belle de jour' é particularmente original ou interessante (o amor ao marido que conduzia ao sadomasoquismo - e não saimos muito daqui, parece-me), e nomeadamente as conversas entre Piccoli e Trêpa (um actor bastante sofrível) são bastante esquecíveis.
Claro que apetece gostar deste filme: por Michel Piccoli, por Bulle Ogier, por Buñuel, por Oliveira, claro (que diabo!, quase ao 100 anos continua a ter ideias, a filmar!), pela cinefilia; pelo cinema, em suma. Mas sinceramente, foi uma razoável desilusão.
Belle Toujours, França/Portugal, 2006. Realização: Manoel de Oliveira. Com: Michel Piccoli, Bulle Ogier, Ricardo Trêpa, Leonor Baldaque, Julia Buisel.
19.7.07
18.7.07
O miar do gato
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Kirsten Dunst como Marion Davies e Eddie Izzard como Charlie Chaplin
'O miar do gato' é um filme feito por um cinéfilo para cinéfilos. Bogdanovich retoma um escândalo do tempo do mudo: a misteriosa morte de Thomas H.Ince, um dos pioneiros do cinema americano juntamente com D.W.Griffith e Cecil B. DeMille, após uma viagem pela costa californiana a bordo do iate de William Randolph Hearst em Novembro de 1924. Além de Ince, também se contavam entre os convidados do magnata dos media, Marion Davies, sua amante e actriz (e inspiradora da cantora de ópera Susan Alexander em 'Citizen Kane'), Charlie Chaplin, a escritora Elinor Glyn, e a jovem colunista de gossip Louella Parson.
O que se passou então permanece desconhecido, sabendo-se apenas que Ince foi retirado do barco em S.Diego e morreu 2 dias depois, de 'ataque cardíaco após violenta indigestão', segundo a versão oficial.
Embora o o longo braço de Hearst tudo tenha abafado, desde a altura que surgiram diversos rumores, quase todos apontando ou Hearst ou Chaplin como o assassino. Bogdanovich apresenta uma versão ligeiramente mais rebuscada (como diriam no IMDB, atenção - spoiler!): Ince foi atingido por um tiro na cabeça, disparado por Hearst que o confundiu com Chaplin que, não obstante ter acabado de engravidar a jovem actriz de 16 anos do seu filme em rodagem -'A quimera do ouro', andava a namoriscar Marion.
Este foi apenas um dos inúmeros escândalos da época do mudo, que vão desde a acusão de violação e homicídio de uma jovem actriz imputada ao comediante 'Fatty' Arbuckle (que acabou com a sua carreira, apesar de ele ser quase de certeza inocente), passando pelo escandaloso divórcio de Mary Pickford e Douglas Fairbank, até ao simbólico suicídio da actriz Peg Entwistle que se atirou da letra H da famosa inscrição 'Hollywood' no dia 8 de Setembro de 1932. Como é sabido, o resultado desta onda de escândalos foi a autocensura de Hollywood, definida no famoso 'código de produção Hayes'.
Voltando ao filme, 'O miar do gato', estando longe do melhor Bogdanovich (como a nostálgica obra-prima 'The last picture show'), vale ainda assim pelo seu argumento, pela sua visão, aqui apesar de tudo mais divertida e carinhosa que nostálgica, dos primórdios de Hollywood, da sua riquissima história que Bogdanovich conhece melhor que ninguém.
The Cat's Meow, E.U.A., 2003. Realização: Peter Bogdanovich. Com: Kirsten Dunst, Cary Elwes, Eddie Izzard, Edward Herrmann, Joanna Lumley, Jennifer Tilly.
17.7.07
Compras em saldos
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17,99€ no Media Markt.
Inclui 3 filmes do 'período de nomadismo' de Welles: Mr.Arkadine/Relatório confidencial (1955), Malpertuis (1971) e Ilha do tesouro (1972) . Welles realiza e interpreta o primeiro, nos restantes participa apenas como actor. Digamos que é uma caixa para fãs e colecionistas compulsivos. A um belo preço.
16.7.07
Curtas de Vila do conde
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O palmarés deste ano das Curtas foi o mais fraco de que me lembro. Pelos vistos houve 2 vencedores do Grande Prémio Cidade de Vila do Conde, CAPITALISM: CHILD LABOR e NYMPH, ambos de Ken Jacobs , mas na sessão de premiados só vi o segundo, uma coisa 'experimental' de meia dúzia de segundos que não faço ideia o que fosse. O Prémio para o melhor Documentário foi para DE FUNCIÓ, uma banalidade de Jorge Tur, e o Melhor filme da Competição Nacional para EUROPA 2007, de Pedro Caldas, um sub-Transe sem um átomo do virtuosismo de Teresa Villaverde. O resto andou pela mediania. Para esquecer. PS: Não vi sessões suficientes para aferir da qualidade geral dos filmes em competição. Mas é difícil acreditar que não houvesse melhor - aliás eu vi bem melhor. O que me parece é que talvez o palmarés - mormente o prémio principal - seja mais compreensível se atentarmos no perfil do júri: Delfim Sardo (curador de exposições de arte contemporânea), Jean Marc Lalanne (chefe de redacção da revista Les Inrockuptibles) e Christoph Girardet (produtor de filmes, vídeos e instalações de vídeo) .
11.7.07
A rapariga morta
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Eis mais um exemplar do género da moda: o dos filmes-mosaico-efeito-borboleta. Neste caso é a descoberta de um cadáver que dá o mote para os episódios que se seguem, todos centrados em pessoas que vão estar ou estiveram relacionadas com a rapariga morta.
Eu normalmente simpatizo com filmes como este, discretos e melancólicos, mas aqui, infelizmente, a realizadora Karen Moncrieff raramente acerta com o tom. Ora é demasiadamente rápido, ora demasiadamente óbvio; ora é superficial, ora é exagerado. E há sempre algo que irrita um bocadinho: ou o olhar de carneiro mal morto de Toni Collette, ou o choradinho em overacting de Marcia Gay Harden (que estranhamente parece um sósia de Michael Jackson: estas plásticas ao nariz pôem toda a gente igual...).
No final, fica-nos na retina a cara-laroca e triste de Rose Byrne. Mas nem ela nos tira a sensação de desconsolo.
The Dead Girl, E.U.A., 2006. Realização: Karen Moncrieff. Com: Toni Collette, Piper Laurie, Giovanni Ribisi, Mary Steenburgen, Mary Beth Hurt, Nick Searcy, Marcia Gay Harden, Kerry Washington, Brittany Murphy.


