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5.8.07

Jindabyne



'Jindabyne', segundo filme de Ray Lawrence a estrear por cá, mantém todas as marcas que o realizador australiano tinha exposto no anterior, 'Lantana': um muito bom trabalho de actores, um certo vagar melancólico no contar da(s) história(s), uma atenção meticulosa às suas personagens, aos seus carácteres, às suas fragilidades.
'Jindabyne' está próximo de um certo cinema independente Americano centrado nas pessoas, na enovelada teia das relações humanas, mas imbuído de um tempo narrativo muito próprio, sem pressas, condizente com as vastas e desérticas paisagens Australianas.
Baseado num conto do grande Raymond Carver, parte da descoberta acidental de um cadáver por um grupo de amigos (quase que podia haver um género próprio baseado neste tema!), para nos traçar um retrato da sua vida e dos que lhes estão próximos, com destaque para a mulher de um deles (excelente Laura Linney), uma mulher à beira de um ataque de nervos, que se serve deste 'caso' para tentar exorcizar os seus muitos fantasmas e contamina todos à sua volta.
Ray Lawrence tem um estilo próprio e filma muito bem, embora por vezes estique demasiadamente a corda. A mim o filme irritou-me por diversas vezes, entediou-me outras tantas, mas ainda assim não deixei de o apreciar. Nem deixo de o recomendar.
Jindabyne, Austrália, 2006. Realização: Ray Lawrence. Com: Laura Linney, Gabriel Byrne, Chris Haywood, John Howard, Tatea Reilly, Sean Rees-Wemyss, Deborra-Lee Furness.

4.8.07

Paranóia


Sarah Roemer: só por ela já valia a pena ver Paranóia

'Paranóia' é uma 'Janela indiscreta' versão teen movie. Claro que não há aqui lugar para os perversos jogos do mestre, mas há um surpreendente savoir faire que gradualmente nos leva de um leve e divertido entretenimento domingueiro, para um ambiente de verdadeiro suspense e horror. Já vi pior. Bem pior.
Disturbia, E.U.A., 2007. Realização: D. J. Caruso. Com: Shia LaBeouf, Sarah Roemer, Carrie-Anne Moss, David Morse, Aaron Yoo.

3.8.07

Filmes de Julho

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês passado. Classificação de 0 a 10.



Lirio quebrado, D.W.Griffith, 1919 (10)
Niagara, Henry Hathaway, 1953 (6,5)
Rio sem regresso, Otto Preminger, 1954 (7)
Relatório confidencial, Orson Welles, 1955 (7)
Persona, Ingmar Bergman, 1966 (10)
Wild Bunch, Sam Peckinpah, 1969 (8)
Les noces rouges, Claude Chabrol, 1973 (8)
Le beau marriage, Eric Rohmer, 1982 (8,5)
Les nuits de la pleine lune, Eric Rohmer, 1984 (10)
O raio verde, Eric Rohmer, 1986 (9)
Cães danados, Quentin Tarantino, 1992 (9)
Dead Man, Jim Jarmush, 1995 (8)
O miar do gato, Peter Bogdanovich, 2001 (7,5)
Ichi, o assassino, Takashi Miike, 2001
Renaissance, Christian Volckman, 2006
Alphadog, Nick Cassavettes, 2006
Die Hard 4.0, Len Wiseman, 2007
Belle Toujours, Manoel de Oliveira, 2007
Death Proof, Quentin Tarantino, 2007
Os Simpsons: o filme, David Silverman, 2007

1.8.07

Comédias e provérbios


Sophie Renoir et François-Eric Gendron em L'ami de non amie

Andei a ver mais ou menos de enfiada todos os filmes de Rohmer da série 'Comédias e provérbios'. As personagens de Rohmer são as mais faladoras da história do cinema, mas enquanto em filmes como Ma nuit chez Maude dissertam sobre temas como a filosofia ou Deus, nesta série, talvez por serem quase todas muito novas, falam sobretudo sobre si próprias, das suas aspirações, da sua vidinha; sobre temas comezinhos em suma.

O que eu mais gosto nestes filmes é que as preocupações das suas personagens são preocupações iguais às que nós temos (ou já tivemos quando tínhamos 20 anos). Em La Femme de l'Aviateur, François encontra por acaso uma rapariga e pensa que encontrou a pessoa certa; no entanto, acaba por descobrir que ela tem um namorado. Em Le Beau Mariage, Sabine também pensa ter descoberto o seu 'amor à primeira vista', e decide imediatamente casar-se com ele; mas casar é a ultima ideia que passa pela cabeça dessa pessoa. Em Pauline à la Plage, Marion, apesar de avisada, apaixona-se por um playboy. Em Le Rayon Vert, Delphine sente-se frustrada porque não tem com quem ir de férias: a amiga com quem tinha combinado fazer uma viagem trocou-a pelo namorado; as restantes pessoas amigas têm família, namorados, a vida programada. Ela acaba por andar sozinha dum lado para o outro e aborrece-se de morte. Quando lhe perguntam, diz que sim, que tem namorado, e dá o nome do ex que ainda não esqueceu.

Finalmente os meus favoritos (seguidos de perto por Le Rayon Vert). Em Les Nuits de Pleine Lune, Louise depara-se com um outro problema comum: ela gosta muito de sair à noite, mas o namorado, com quem vive, detesta-o. Vivem nos arrabaldes, em casa dele, mas ela resolve recuperar o seu apartamento em Paris, podendo assim ficar a dormir lá depois das noitadas que gosta de fazer na capital. Geralmente sai acompanhada de um amigo noctívago, casado mas com uma atracção por ela, e que o namorado abomina. Sente-se ligada ao namorado, mas não suporta sentir-se presa, por isso não rejeita um encontro amoroso ocasional (mas não com o amigo, demasiadamente insistente). Ou seja, é uma rapariga 'moderna' e o namorado um 'bota de elástico'. Rohmer troca-lhe as voltas, e as coisas acabam por não lhe correr muito bem (de certo modo é um filme bastante reaccionário - a moral é algo do género 'ela estava mesmo a pedi-las'). L'Ami de Mon Amie é o mais difícil de resumir. O provérbio inicial é 'os amigos dos meus amigos meus amigos são' e gira à volta das relações entre casais e amigos, de alguém se interessar pelo/a namorado/a de uma amiga/o, ou de um amigo/a nosso se interessar pela mesma pessoa que nós.

O que sustenta estes filmes, com temas tão terra a terra como os que descrevemos, são então os magníficos diálogos, a maneira como Rohmer nos apresenta as suas palavrosas personagens, os seus burgueses irritantes, como já alguém, com razão, lhes chamou. É por isso que Rohmer se aguenta tão bem fora do grande ecrã, quer seja na escrita - veja-se a excelente 'versão' em livro dos Sete contos morais - quer seja em dvd. O que não quer dizer que não seja um grande realizador. E até um dos maiores.

PS: Estes filmes, em que ninguém terá mais de 30 anos e que são essencialmente sobre as preocupações de pessoas solteiras que procuram alguém, foram filmados entre 1981 e 1987; ou seja, Rohmer filmou-os entre os seus 61 e 67 anos, o que não deixa de ser admirável e surpreendente.

31.7.07

Michelangelo Antonioni




29/09/1909 - 30/07/2007

Foram-se ontem dois dos maiores. O destino tem destas coisas.

30.7.07

Ingmar Bergman



14/07/1918 - 30/07/2007

29.7.07

Alphadog



'Alphadog' é assim uma espécie de 'Bully' (sem nenhuma das virtudes do filme de Larry Clark) misturado com 'Menos que zero', embrulhado numa estética MTV. O resultado é uma banalidade completa, parecendo um episódio comprido de uma série de TV para teens, com a profundidade de um videoclip. Quem tiver mais de 16 anos e não for fã de Justin Timberlake (um pleonasmo, eu sei) pode-se abster.
Alphadog, E.U.A., 2007. Realização: Nick Cassavetes. Com: Emile Hirsch, Ben Foster, Justin Timberlake, Bruce Willis, Anton Yelchin, Sharon Stone, Harry Dean Stanton.

28.7.07

Os Simpsons: O Filme



Pode-se dizer de 'Os Simpsons: O Filme' que mantém o nível médio de 'Os Simpsons', a série de TV. Bem bom.
The Simpsons Movie, Estados Unidos, 2007. Realização: David Silverman. Longa-metragem de animação.

26.7.07

Ichi, o assassino



Segundo o IMDB, Takashi Miike, desde a sua estreia em 1991 já realizou mais de 70 filmes! São na sua maioria OVs, ou seja filmes de baixo orçamento feitos especificamente para o mercado vídeo. Há meia dúzia de anos foi descoberto na Europa como autor, e os seus filmes têm passado em festivais como Sitges ou mesmo Cannes. Eu próprio descobri-o há anos no Fantasporto com 'Audition' (por cá também conhecido como 'Anjo ou Demónio'), que se tornou um filme de culto e é geralmente considerado a sua obra-prima.
De um modo geral os seus filmes não se destinam a almas sensíveis, e este 'Ichi, o assassino' é mesmo de uma sanguinolência atroz. Vai o filme a um quarto e já perdemos a conta aos métodos de tortura empregues e às personagens assassinadas, já para não falar nas cabeças e membros decepados... Às tantas entra-se mesmo na lógica desenho animado (aliás o filme é baseado numa manga) e os magotes de sangue e mortes a metro já nem impressionam ninguém.
Impressiona mesmo é a destreza do realizador, que usa magistralmente os escassos meios ao seu dispor (e a partir de um argumento algo idiota), conseguindo através de uma magnifica montagem, de um uso virtuoso da câmara e de uma fotografia carregada, fazer-nos esquecer que estamos perante um yakuza série B, criando um ambiente muito peculiar e envolvente, que não exclui alguns momentos de uma estranha e melancólica beleza no meio da violência e amoralidade reinantes.
Se fossemos distinguir 'forma' e 'conteúdo' (algo sempre problemático, mas simplifiquemos), só poderíamos dar nota máxima a Miike na 'forma'. Quanto ao 'conteúdo', já se sabe - está longe de ser para todos os estômagos.
Koroshiya 1/Ichi the Killer, Japão/Hong Kong/Coreia do Sul, 2001. Realização: Takashi Miike. Com: Tadanobu Asano, Nao Omori, Shinya Tsukamoto, Paulyn Sun, Susumu Terajima, Shun Sugata.

23.7.07

Silly Season Post

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