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31.10.07
Post não cinematográfico
29.10.07
Persepolis

'Persepolis' é co-realizado por Marjane Satrapi, a autora da BD homónima, não sendo por isso de admirar que siga esta de perto. Marjane, nascida e criada no Irão há 38 anos, assistiu de perto em criança às atrocidades do Xá, testemunhou a alegria das pessoas quando este foi derrubado e a rápida desilusão que sobrelevou quando se percebeu que a mudança fora para um teocrático e ainda mais repressor regime de ayatollahs (curiosamente, nunca Khomeini é citado no filme). Ainda adolescente foi para a Áustria onde problemas vários a levaram a uma vida marginal, regressou ao seu país e, sempre inadaptada, acabou por se refugiar em Paris. Com esta matéria-prima, não admira que tenha resolvido passar a sua vida para o papel - e depois para película.
O filme, como a BD, é sobre o desespero de um espírito livre, aberto e curioso, ter que viver sob um regime opressor (exponenciado pelo facto de se ser mulher). É um grito simultaneamente de raiva e de alerta.
Tecnicamente bem conseguido, esteticamente muito bonito, só peca por ser excessivamente didáctico – o que até é compreensível, mas já se sabe que a arte e as boas intenções raramente se dão bem. Apesar de tudo, Marjane Satrapi nunca prescinde de uma forte dose de auto-ironia, que resgata quase completamente a pecha referida.
No cômputo geral, vale bem a pena ver – assim estreie no circuito comercial.
Persepolis, França,/E.U.A., 2007. Realização: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi. Longa- metragem de animação. Com as vozes de: Chiara Mastroiani, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.
28.10.07
Rescue Dawn— Espírito Indomável
26.10.07
24.10.07
A estranha em mim

Jodie Foster, depois de ter apanhado uma sova brutal de um bando de rufias que acabam por matar o seu namorado, torna-se uma justiceira por conta própria, uma ‘vigilante’ dizem os jornais. Munida de uma pistola anda pela cidade a matar os ‘maus’. Uma vigilante a calcorrear as ruas de N.Y., ainda por cima interpretada por Jodie Foster…o que é que isto nos faz lembrar? 'Taxi Driver', claro. Os tempos são outros, o pano de fundo é o mesmo: insegurança, medo, simpatia do ‘povo’ pelo ‘justiceiro’. À crueza e violência quase demente de 'Taxi Driver', corresponde o desencanto e o cinismo frio de 'The Brave One', que aqui já contaminou mesmo o lado dos ‘bons’ (leia-se a policia).
Thriller solidamente filmado, montado e interpretado (Neil Jordan é um dos bons realizadores da actualidade; Jodie Foster uma das maiores actrizes), tem a capacidade de assumir a faceta política, uma raridade hoje em dia, e de deixar algumas questões polémicas. Poder-se-á ver aqui, por exemplo, uma apologia da justiça por conta própria? Do dente por dente, olho por olho? O ambíguo 'happy end’, envolvendo a ambíguissima personagem do 'bom policia' até o pode sugerir. E a identificação do espectador com Jodie Foster é inequívoca (mais do que com Travis/Robert de Niro).
22.10.07
As canções de amor

É o próprio realizador quem o diz: este filme é uma espécie de primo do anterior, 'Em Paris'. Temos novamente Louis Garrel, numa personagem que podia ser a do filme precedente, aquele estouvado irmão mais novo de Romain Duris, que o tentava animar com a sua alegria de viver contagiante. Aqui ele encontra-se metido numa ménage a trois, continua algo destrambelhado, alegre, a encher o écran, até que o trio é tragicamente desfeito e ele tem que lidar com esse luto.
As cores de Paris, que desta vez não está no título mas continua muito presente, são agora cinzentas, ventosas, estamos no outono. Ismael/Garrel segue em frente, mas vai-se um bocadinho da sua espontânea e despreocupada maneira de ser.
E, já toda a gente sabe, neste filme canta-se. É mesmo um musical, à maneira de Demy, e mais uma vez o próprio Honoré cauciona esta referência, bem como as outras, óbvias, os realizadores da Nouvelle Vague, muito especialmente Truffaut que é recorrentemente citado. E diga-se que todos os momentos musicais, com assinatura de Alex Beaupain (que tem direito ao nome no genérico a seguir ao produtor e ao realizador) são magníficos. Por mim, só é pena não serem mais. No resto, parece-me que o filme fraqueja um bocadinho em relação a 'Em Paris' (que começava muito mal, mas acabava por nos conquistar totalmente), é mais descosido, tem alguns momentos mortos, fica uma sensação que se poderia ter elevado ainda mais.
18.10.07
Western (II)

High Noon, Fred Zinnemann, 1952
Shane, George Stevens, 1953
Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954
The man from Laramie, Anthony Mann, 1955
The Searchers, John Ford, 1956
Rio Bravo, Howard Hawks, 1959
C'era una volta il West, Sergio Leone, 1968
The Wild Bunch, Sam Peckinpah, 1969
Heaven's Gate, Michael Cimino, 1980
Unforgiven, Clint Eastwood, 1992
Tanto como 10 filmes, foram escolhidos 10 realizadores. Seis da era clássica (incluindo, claro, um OVNI chamado Johnny Guitar), era que Rio Bravo sintetiza e fecha com chave de ouro. Um do autor que reinventou o género e outro do que lhe deu a machadada final. E, para terminar, as mais brilhantes tentativas modernas de regresso, uma com final trágico, outra com final feliz. Parece-me uma boa síntese.
Western (I)

17.10.07
15.10.07
O sabor da melancia


