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7.1.08

"Two sisters contend for the affection of King Henry VIII"

...já eu gostava era que estreasse este:



(na realidade eu gostava era de ser o Eric Bana neste filme)

6.1.08

Jogos de poder



Já ouviu o leitor aquela teoria que advoga que o que verdadeiramente antecipou a queda do muro de Berlim e o desmoronamento do bloco soviético foi a derrota da falecida U.R.S.S. no Afeganistão? Pois bem, a acreditar neste filme, os responsáveis por tal feito foram um congressista desconhecido, dado à bebida e a meninas (tinha mesmo uma espécie de harém como staff pessoal), uma milionária fanática religiosa e um agente da CIA na prateleira. Esqueçam portanto Reagan e João Paulo II. Este trio é que derrotou o comunismo.
É nesta premissa - baseada em factos reais, imagine-se - que se baseia 'Jogos de poder'. O filme mistura com felicidade o género político (liberal) com a comédia (discreta mas mordaz) e dá-nos um belo retrato dos bastidores do poder na mais poderosa nação do mundo. Um simples congressista, apenas porque estava no lugar certo (um subcomité que decidia o financiamento para operações secretas) e se 'mexia' bem, conseguiu, à revelia do congresso e do Presidente, aprovar verbas astronómicas para apoiar os rebeldes Afegãos, juntando pelo caminho Israelitas e Árabes em favor da causa e pondo a CIA (via o tal agente pária) a suportar a operação. Tudo porque a tal milionária, que encarava a coisa como uma guerra contra os infiéis, o convenceu a entrar na cruzada (não foi difícil convencer o congressista - logo no primeiro encontro levou-o para a cama).
O veterano Mike Nichols filma esta sátira amena com uma perna às costas, com eficácia e ritmo, apoiando-se num excelente casting (Tom Hanks faz mesmo um papelão) e embora fraqueje um niquinho no final (é a mensagem, estúpido!) dá-nos um dos mais divertidos filmes políticos da era Bush.
Charlie Wilson`s War, E.U.A., 2007. Realização: Mike Nichols. Com: Tom Hanks, Julia Roberts, Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Jud Tylor, Hilary Angelo, Wynn Everett, Cyia Batten.

4.1.08

A ler

Um artigo sobre a Liga dos Blogues Cinematográficos - uma boa introdução para conhecer alguns excelentes blogues brasileiros de cinema (que o integrante português é o que se sabe, hehe).

O Top de 2007 dos Cahiers - Eastwood, um dos habituais favoritos da casa, fica de fora. De notar ainda que metade dos eleitos (ainda) não estrearam por cá.

3.1.08

Filmes de Dezembro

Com os balanços de fim de ano & etc., até me esqueci de pôr aqui a habitual resenha dos filmes vistos. Mas, como mais vale tarde do que nunca, como é habitual a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



O eclipse, Michelangelo Antonioni, 1962 (10)
Terrifying Girls' High School: Lynch Law Classroom, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
Sex and Fury, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
School of the Holy Beast, Norifumi Suzuki, 1974 (7)
Foxy Brown, Jack Hill, 1974 (5)
Uma mulher sob influência, John Cassavetes, 1974 (7,5)
Assalto à 13ª esquadra, John Carpenter, 1976 (9,5)
A nos amours, Maurice Pialat, 1983 (8)
Close-Up, Abbas Kiarostami, 1990 (9)
Magnolia, P.T.Anderson, 1999 (9)
Sons do mar, Bigas Luna, 2001 (5)
Fantasmas de Marte, John Carpenter, 2001 (8)
Young Adam, David Mackenzie, 2003 (6,5)
Batalha no Céu, Carlos Reygadas, 2005 (7)
12:08 A Oeste de Bucareste, Corneliu Porumboiu, 2006
Peões em jogo, Robert Redford, 2007
30 dias de escuridão, David Slade, 2007
Chacun son cinéma, vários, 2007
Eu sou a lenda, Francis Lawrence, 2007
Censurado, Brian de Palma, 2007

Num mês em que vi muitos filmes 'recentes', dentro do habitual critério errático com que selecciono os filmes a ver desta vez até houve alguma lógica: continuei a explorar sexploitations (Foxy Brown, uma curiosidade que só vale a pena por Pam Grier; Norifumi Suzuki, um mestre atrás da câmara, confinado a um género menor - quem viu os seus filmes sem se lembrar de Tarantino que ponha o dedo no ar) e prossegui a revisitação da obra de John Carpenter (o homem é muito bom, ponto final). Foi também o mês em que me estreei a ver um filme de Carlos Reygadas, um dos maiores pára-quedistas do cinema contemporâneo (ao contrário de quase toda a gente nem detestei nem adorei, antes pelo contrário). A obra-prima do mês foi 'O eclipse': cada vez mais, Antonioni é um realizador muito cá da casa.

2.1.08

Call Girl



'Call Girl' é aquilo que 'Corrupção' poderia ter sido mas não conseguiu: entretenimento de primeira apanha, indo buscar o argumento à actualidade dos jornais (neste caso em vez de futebolices temos corrupção envolvendo autarcas, promotores imobiliários e campos de golfe), apimentando a coisa com uma femme fatale (Soraia Chaves, imbatível neste campo) e colando as personagens à realidade através da exploração inspirada de uma característica 'de género' – o uso recorrente de palavrões (enquanto que 'Corrupção' falhava o brinde do sotaque à Porto). Não será uma obra-prima, certamente, mas é cinema mainstream com competência e inspiração acima da média.
Call Girl, Portugal, 2007. Realização: António-Pedro Vasconcelos. Com: Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Soraia Chaves, Ivo Canelas, Sofia Grilo, Daniela Faria, Custódia Galego, José Raposo, Raul Solnado, Virgílio Castelo, Maria João Abreu.

Blogosfera de cinema

Aqui há 2 ou 3 anos queixei-me aqui da, não direi qualidade mas, vá lá, imaturidade da maioria dos blogues de cinema lusos (agora não consigo encontrar o dito post). Parecia que eram todos feitos por putos que nunca tinham visto um filme anterior a 1990 e muito menos filmes não americanos. Hoje em dia o panorama mudou bastante, e a acreditar nos tops de blogues que vão aparecendo por aí, e mesmo nas 'tendências do gosto', parece que os novos bloggers de cinema cá do burgo (a maioria bastante jovem, na mesma) são todos fãs do Luis Miguel Oliveira. É o que se chama passar do 8 para o 80.

1.1.08

TOP -10 -- 2007

E os piores filmes que vi em 2007 foram, do pior para o menos mau:



-1. A Ponte, de Eric Steel
-2. O Reino, de Peter Berg
-3. Corrupção, n.a.
-4. Piratas da Caraíbas - Nos confins do mundo, de Gore Verbinski
-5. Um azar do caraças, de Judd Apatow
-6. Missão solar, de Danny Boyle
-7. Alphadog, de Nick Cassavetes
-8. Rocky Balboa, de Sylvester Stallone
-9. Diários de um escândalo, de Richard Eyre
-10. Elizabeth - A idade de ouro, de Shekhar Kapur

31.12.07

Blogues 2007



Os blogues que mais regularmente visitei em 2007, o que quer dizer que foram os meus preferidos ao longo deste ano, são, por ordem alfabética: Abrupto (apesar de 50% das vezes me deparar com palha), Auto-retrato, A Causa foi Modificada, Da Literatura, Devaneios, Estado Civil, A Memória Inventada, O Nascer do Sol, Pastoral Portuguesa e Um blog sobre Kleist (apesar do ritmo de actualizações ser duma avareza desesperante). Quase tudo blockbusters, portanto. De referir ainda o Ex-Ivan Nunes, provavelmente o meu favorito não fosse o pormenor de dar com o nariz na porta quase diariamente. O hábito de clicar no link e logo de seguida na cruzinha vermelha do browser para vir embora foi dos mais arreigados do ano, o que me levou mesmo a deixar escapar algumas das parcas actualizações do sítio. Acrescentar ainda que não conheço pessoalmente qualquer dos bloggers citados, que os que conheço de vista é só da TV ou dos jornais pois nunca os vi em carne e osso e que nem 50% têm um link aqui para o tasco, pelo que o Dr.Pacheco Pereira não me poderia nunca acusar de amiguismo. Até para o ano.
P.S.: Esqueci-me do Vida Breve. Resolução de ano novo: deixar de fazer as coisas em cima do joelho.

30.12.07

DVD - Lançamentos 2007

1.
A edição de 'Bianca', 'A Missa Acabou', 'Ecce Bombo', 'Sonhos de Ouro' e 'Palombella Rossa'. Há uns anos tentei arranjar este último e debalde ter procurado na internet em tudo quanto era sítio, nicles. Mais uma razão para este primeiro lugar. De resto, todo o catálogo da Midas merece ser amplamente destacado.












2.
O lançamento das obras de Ozu e Mizoguchi pela -pasme-se - Prisvideo. As edições, em packs de dois filmes, são bonitas, de boa qualidade e com preços sensatos. Esperemos que continuem em 2008 - a editora não tem site, por isso não sei o seu calendário...













3.
O pack de Leni Riefenstahl (lançado pela companhia espanhola Cameo - que eu saiba a sua primeira edição em português), que inclui os clássicos da propaganda Nazi 'O triunfo da vontade' e 'Olympia'. O lançamento é tão mais oportuno quanto saiu há pouco para as livrarias a excelente biografia de Leni escrita por Steven Bach. Devo alertar os leitores para a fraca qualidade do som e imagem desta edição, mas a acreditar no que aqui se diz não existem melhores cópias (no caso de 'O triunfo...' o negativo desapareceu mesmo). De referir ainda que esta edição não inclui um terceiro disco de extras, existente na edição espanhola, que inclui por exemplo o raro 'Dia de Liberdade', o filme que Leni fez por exigência dos generais da Wehrmacht, desvalorizada em favor das SA e das SS em 'O triunfo da vontade'. Ainda assim, uma edição a destacar inclusive pela sua raridade no panorama internacional.

Censurado



Talvez mais do que uma crítica à estratégia americana de invadir o Iraque, 'Redacted' seja uma cinica constatação de que é impossível os States ganharem qualquer guerra com o exército que têm. Não o das bombas inteligentes e mísseis teleguiados ao milímetro, mas o dos homens, mais adolescentes que homens na verdade, mal preparados, sem vocação, que apenas vão para o exército porque não têm outra oportunidade na vida. Que se estão a borrifar para as populações dos países ocupados, que só apanham da ideologia o que lhes interessa ("Viemos aqui trazer a democracia e nem nos agradecem!? Vamos é dar cabo deles!"), que não se regem por qualquer tipo de moral ou ética. Estão no exército com a mesma postura com que estariam num qualquer bando de rufias. Como diz cinicamente um soldado acusado de violação de uma iraquiana de 15 anos aos seus inquiridores: "podemos bombardeá-los, podemos matá-los, mas não os podemos foder?".

Neste prisma 'Redacted' é um inteligente documento de denúncia, pertinente e oportuno. Na forma, é que poderá estar o seu busílis. Simulando um documentário, com a maior parte das cenas supostamente filmadas por um dos soldados com câmara à mão ou fixada no capacete, tem os inconvenientes deste método do 'directo', dos falsos 'apanhados', sendo muitas vezes irritante, algumas monótono, outras ingénuo, por vezes simplista. A mim não me convenceu totalmente esta abordagem (que inclui também imagens de blogues árabes, e de um outro (falso) documentário francês), que ao pretender criar uma dupla ilusão (a normal de qualquer filme e a de um pretenso documentário), como que acaba paradoxalmente por se tornar ainda mais artificial. Mais do que um filme, parecia-me estar a assistir a uma exposição, não raro incómoda, de uma tese sobre o Iraque e o exército em geral.
Mas, tudo somado, não deixo de o recomendar.
Redacted, E.U.A., 2007. Realização: Brian de Palma. Com: Patrick Carroll, Rob Devaney, Izzy Diaz, Mike Figueroa, Ty Jones, Kel O`Neill, Daniel Stewart Sherman, Bridget Barkan, Zahra Kareem Alzubaidi.