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17.1.08

Help me!



Estando, finalmente, a pedido de um amigo, a actualizar a base de dados dos meus dvds, surgiram-me algumas dúvidas sobre os títulos portugueses de alguns filmes que possuo em edições estrangeiras. Agradece-se o auxílio dos estimados leitores: respostas na caixa de comentários ou para o mail serão muito apreciadas. Agradecido.

Day of the Dead, George Romero, 1985
(baralho-me sempre com estes títulos de filmes de zombies. Deve ser "Qualquer-coisa dos Mortos-vivos")

Ohayô, Yasugiro Ozu, 1959
(o título 'internacional' é "Good Morning". Esta seria fácil se o meu livrinho da Folhas da Cinemateca do Ozu não tivesse sumido)

Meet me in St.Louis, Vincent Minelli, 1944
(eu sei que saiu recentemente uma edição em que se chamava "Encontro em St.Louis", mas tenho a certeza de que o título com que foi lançado não era nada disso)

(P.S.: E o post ficou reduzido a estes, pois acabei de descobrir uma catrefada deles no IMDB)

16.1.08

We Own the Night



Bobby (Joaquim Phoenix) usa o apelido da mãe – Green – e é o gerente de um bar pertencente a uma família russa que o trata como um dos seus. A sua vida é esta, a noite, longe da tradição familiar (da família de sangue): o irmão (Mark Wahlberg) é um ambicioso polícia em ascensão, o pai (Robert Duval) é mesmo o chefe máximo do departamento, o Edgar G.Hoover do sítio, como diz alguém às tantas. São os Grusinsky, e ninguém na vida de Bobby (excepto a namorada, Eva Mendes) sabe desta relação familiar. Até que um dia o irmão lhe entra pelo bar adentro para deter um sobrinho do dono, acusado de traficar droga. A partir daqui não há mais neutralidade possível e Bobby vai ter que optar por um dos lados, acabando como infiltrado da polícia no bando dos traficantes russos.

Se pelo argumento se poderá pensar em ‘Departed’ ou até em ‘Promessas Perigosas’, pelo ambiente do filme, pelo ar noctívago e fumarento que se respira, até pela sexualidade exalada, lembrei-me mais de… 'Miami Vice'. E, claro, de toda a tradição dos film noir, além de tudo o mais pelo tema de fundo: um homem não pode fugir ao seu destino.

James Gray escreveu o argumento e dirigiu, e isso nota-se no modo como tudo está interligado, como as vozes baixas e roucas condizem com as suas falas, como as expressões sempre um pouco sofridas mas em low profile das personagens se integram no novelo de relações em que estão envolvidas. Não há nada aqui que não bata certo, neste drama com tons de tragédia, mas que tem, paradoxalmente, um fim meio feliz. Ou talvez não o seja. Ou talvez simplesmente não faça sentido falar de felicidade ou infelicidade: apenas o destino cumpriu o seu curso.
'We own the night' é um dos grandes filmes de 2007, que infelizmente faz parte do extenso lote dos que não estrearam nas salas portuguesas.
P.S.: Aos poucos vou tentar ir aqui falando de filmes do ano passado que foram ignorados pelas nossas distribuidoras.
We Own the Night, E.U.A., 2007. Realização: James Gray. Com: Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Eva Mendes, Tony Musante, Antoni Corone, Alex Veadov, Robert C. Kirk

11.1.08

O sonho de Cassandra



'Cassandra´s Dream' é o terceiro filme de Woody Allen à volta do tema do "crime e castigo". O primeiro foi uma obra-prima: 'Crimes e escapadelas'; o segundo, 'Match Point', era uma ambiciosa variação daquele, mas que me desiludiu um pouco por lhe estar tão colado; este, é, claramente, uma variação menor.
Mantém-se a inteligência na escrita do argumento; mantém-se a excelente direcção de actores; mantém-se a elegância formal (apesar de, para variar, se passar mais ou menos entre as working classes, não há aqui o mínimo vestigio de um Mike Leigh, digamos; mesmo Colin Farell a fazer de mecânico parece, na pior das hipóteses, um camionista sofisticado). Mas é verdade também que falta aqui qualquer coisa que faça o filme descolar da velocidade de cruzeiro, inclusive ao nível do argumento, que é daqueles que Allen escreve numa tarde enquanto faz outra coisa ao mesmo tempo.
Enfim, a generalidade das pessoas já se fartaram de Woody há uns lustros; eu, fã confesso, só agora lhe achei sinais de cansaço (é verdade, gostei muito de 'Scoop'). Que venha o próximo, a ver se isto me passa.
Cassandra`s Dream, Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2007. Realização: Woody Allen. Com: Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Sally Hawkins, Hayley Atwell.

7.1.08

"Two sisters contend for the affection of King Henry VIII"

...já eu gostava era que estreasse este:



(na realidade eu gostava era de ser o Eric Bana neste filme)

6.1.08

Jogos de poder



Já ouviu o leitor aquela teoria que advoga que o que verdadeiramente antecipou a queda do muro de Berlim e o desmoronamento do bloco soviético foi a derrota da falecida U.R.S.S. no Afeganistão? Pois bem, a acreditar neste filme, os responsáveis por tal feito foram um congressista desconhecido, dado à bebida e a meninas (tinha mesmo uma espécie de harém como staff pessoal), uma milionária fanática religiosa e um agente da CIA na prateleira. Esqueçam portanto Reagan e João Paulo II. Este trio é que derrotou o comunismo.
É nesta premissa - baseada em factos reais, imagine-se - que se baseia 'Jogos de poder'. O filme mistura com felicidade o género político (liberal) com a comédia (discreta mas mordaz) e dá-nos um belo retrato dos bastidores do poder na mais poderosa nação do mundo. Um simples congressista, apenas porque estava no lugar certo (um subcomité que decidia o financiamento para operações secretas) e se 'mexia' bem, conseguiu, à revelia do congresso e do Presidente, aprovar verbas astronómicas para apoiar os rebeldes Afegãos, juntando pelo caminho Israelitas e Árabes em favor da causa e pondo a CIA (via o tal agente pária) a suportar a operação. Tudo porque a tal milionária, que encarava a coisa como uma guerra contra os infiéis, o convenceu a entrar na cruzada (não foi difícil convencer o congressista - logo no primeiro encontro levou-o para a cama).
O veterano Mike Nichols filma esta sátira amena com uma perna às costas, com eficácia e ritmo, apoiando-se num excelente casting (Tom Hanks faz mesmo um papelão) e embora fraqueje um niquinho no final (é a mensagem, estúpido!) dá-nos um dos mais divertidos filmes políticos da era Bush.
Charlie Wilson`s War, E.U.A., 2007. Realização: Mike Nichols. Com: Tom Hanks, Julia Roberts, Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Jud Tylor, Hilary Angelo, Wynn Everett, Cyia Batten.

4.1.08

A ler

Um artigo sobre a Liga dos Blogues Cinematográficos - uma boa introdução para conhecer alguns excelentes blogues brasileiros de cinema (que o integrante português é o que se sabe, hehe).

O Top de 2007 dos Cahiers - Eastwood, um dos habituais favoritos da casa, fica de fora. De notar ainda que metade dos eleitos (ainda) não estrearam por cá.

3.1.08

Filmes de Dezembro

Com os balanços de fim de ano & etc., até me esqueci de pôr aqui a habitual resenha dos filmes vistos. Mas, como mais vale tarde do que nunca, como é habitual a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



O eclipse, Michelangelo Antonioni, 1962 (10)
Terrifying Girls' High School: Lynch Law Classroom, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
Sex and Fury, Norifumi Suzuki, 1973 (7)
School of the Holy Beast, Norifumi Suzuki, 1974 (7)
Foxy Brown, Jack Hill, 1974 (5)
Uma mulher sob influência, John Cassavetes, 1974 (7,5)
Assalto à 13ª esquadra, John Carpenter, 1976 (9,5)
A nos amours, Maurice Pialat, 1983 (8)
Close-Up, Abbas Kiarostami, 1990 (9)
Magnolia, P.T.Anderson, 1999 (9)
Sons do mar, Bigas Luna, 2001 (5)
Fantasmas de Marte, John Carpenter, 2001 (8)
Young Adam, David Mackenzie, 2003 (6,5)
Batalha no Céu, Carlos Reygadas, 2005 (7)
12:08 A Oeste de Bucareste, Corneliu Porumboiu, 2006
Peões em jogo, Robert Redford, 2007
30 dias de escuridão, David Slade, 2007
Chacun son cinéma, vários, 2007
Eu sou a lenda, Francis Lawrence, 2007
Censurado, Brian de Palma, 2007

Num mês em que vi muitos filmes 'recentes', dentro do habitual critério errático com que selecciono os filmes a ver desta vez até houve alguma lógica: continuei a explorar sexploitations (Foxy Brown, uma curiosidade que só vale a pena por Pam Grier; Norifumi Suzuki, um mestre atrás da câmara, confinado a um género menor - quem viu os seus filmes sem se lembrar de Tarantino que ponha o dedo no ar) e prossegui a revisitação da obra de John Carpenter (o homem é muito bom, ponto final). Foi também o mês em que me estreei a ver um filme de Carlos Reygadas, um dos maiores pára-quedistas do cinema contemporâneo (ao contrário de quase toda a gente nem detestei nem adorei, antes pelo contrário). A obra-prima do mês foi 'O eclipse': cada vez mais, Antonioni é um realizador muito cá da casa.

2.1.08

Call Girl



'Call Girl' é aquilo que 'Corrupção' poderia ter sido mas não conseguiu: entretenimento de primeira apanha, indo buscar o argumento à actualidade dos jornais (neste caso em vez de futebolices temos corrupção envolvendo autarcas, promotores imobiliários e campos de golfe), apimentando a coisa com uma femme fatale (Soraia Chaves, imbatível neste campo) e colando as personagens à realidade através da exploração inspirada de uma característica 'de género' – o uso recorrente de palavrões (enquanto que 'Corrupção' falhava o brinde do sotaque à Porto). Não será uma obra-prima, certamente, mas é cinema mainstream com competência e inspiração acima da média.
Call Girl, Portugal, 2007. Realização: António-Pedro Vasconcelos. Com: Joaquim de Almeida, Nicolau Breyner, Soraia Chaves, Ivo Canelas, Sofia Grilo, Daniela Faria, Custódia Galego, José Raposo, Raul Solnado, Virgílio Castelo, Maria João Abreu.

Blogosfera de cinema

Aqui há 2 ou 3 anos queixei-me aqui da, não direi qualidade mas, vá lá, imaturidade da maioria dos blogues de cinema lusos (agora não consigo encontrar o dito post). Parecia que eram todos feitos por putos que nunca tinham visto um filme anterior a 1990 e muito menos filmes não americanos. Hoje em dia o panorama mudou bastante, e a acreditar nos tops de blogues que vão aparecendo por aí, e mesmo nas 'tendências do gosto', parece que os novos bloggers de cinema cá do burgo (a maioria bastante jovem, na mesma) são todos fãs do Luis Miguel Oliveira. É o que se chama passar do 8 para o 80.

1.1.08

TOP -10 -- 2007

E os piores filmes que vi em 2007 foram, do pior para o menos mau:



-1. A Ponte, de Eric Steel
-2. O Reino, de Peter Berg
-3. Corrupção, n.a.
-4. Piratas da Caraíbas - Nos confins do mundo, de Gore Verbinski
-5. Um azar do caraças, de Judd Apatow
-6. Missão solar, de Danny Boyle
-7. Alphadog, de Nick Cassavetes
-8. Rocky Balboa, de Sylvester Stallone
-9. Diários de um escândalo, de Richard Eyre
-10. Elizabeth - A idade de ouro, de Shekhar Kapur