
Jumpers são pessoas que se teletransportam, ou seja, que se conseguem deslocar para qualquer local instantaneamente apenas pensando nele. Tipo agora tomo o pequeno-almoço em NY, depois dou um saltito até ao cimo da pirâmide de Gisé para contemplar o deserto e à noite já estou numa discoteca da moda em Londres a sacar miúdas. Mas infelizmente há uns fulanos, os Paladinos, que não gostam, por razões morais, dos Jumpers: acham que só Deus deve ter aquele poder, por isso toca a exterminar os que apanham.
Diga-se que tudo isto nos é explicado muito vaga e displicentemente, que Doug Liman não está para grandes teologias. Mesmo o modo como funciona o ‘teletransporte’ é no mínimo omisso. Como li algures, o espectador também precisava de ser um jumper para saltar entre tantos buracos no argumento. Mas essa até é a parte com que eu posso melhor: aliás se o filme tem algum mérito é o de não se levar muito a sério.
Doug Liman hesita entre o romance (chocho), a ficção cientifica (praticamente nula, se exceptuarmos a premissa inicial) e o filme de acção (insuficiente) e não vai a lado rigorosamente nenhum. Por vezes há uns vislumbres que provam que não era impossível fazer algo interessante com o tema (uma corrida de carro em que este também é teletransportado; uma luta em que as personagens se vão teletransportanto, tão depressa estando no deserto como no centro de Tóquio), assim uma espécie de ‘Bourne Ultimatum’ futurista e com humor (há duas ou três piadas boas, mas fica-se por aí).
Mas não, tudo se fica por uma mediania apática e sem sal, resultando numa fita um bocado palerma para adolescentes, tanto mais desapontante quanto Liman até possui uma certa elegância ao filmar, que se entrevê por entre o lema geral de não arriscar nem um bocadinho e manter a velocidade de entretenimento mínimo e anódino.
Passando por cima do final previsível e –uma vez mais – chocho, uma palavra final para os actores: eu não sei porquê fui ver o filme convencido que era com Matt Damon, mas na realidade é com Hayden Christensen, que consegue a proeza de ser um milhão de vezes ainda mais inexpressivo que aquele; já a mocinha (Rachel Bilson) nem é feia de alguns ângulos, mas infelizmente representar também não é o seu forte, mesmo tendo em conta que recebeu um papel de verdadeira sonsinha; e, como um mal nunca vem só, até o grande Samuel L.Jackson apenas se distingue pelo seu penteado à Abel Xavier.
Como me costuma dizer pessoa amiga, só eu é que vou ver filmes destes....
Jumper, E.U.A., 2008. Realização: Doug Liman. Com: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Tom Hulce, Michael Rooker.