
Depois do enorme flop que foi ‘A Senhora da água’ (de que eu gostei muito), Shyamalan surge agora com este filme ‘menor’. ‘Menor’ na ambição, no tom, no conjunto de actores escolhido (além do opaco Mark Wahlberg, só secundários e mesmo desconhecidos). Fez-me mesmo lembrar, e muito, um filme série B, daqueles que se faziam há 50 anos, misto de ficção científica e terror.
Mas, claro, com o savoir-faire de Shyamalan, um dos grandes realizadores da actualidade. A sua marca registada está lá inteirinha, e mesmo que por vezes a realização pareça um pouco ‘tosca’, sentimos que era para ser mesmo assim, que o realizador tem um controlo total do que está a fazer, como o prova o ambiente verdadeiramente angustiante que instala com quase nada: umas plantas estremecendo com o vento, uma pessoa petrificada, um olhar vítreo.
Como sempre acontece com os filmes de Shyamalan, não convém falar muito do argumento, embora este filme aposte menos no seu efeito bombástico do que outros. A ‘mensagem’, algo mística como sempre, aqui também ecológica, irritará os detractores do costume (e se ele tem muitos!), mas a mim não me pareceu o mais importante: tal como acontecia nos tais filmes série B, reflecte as angústias da sua época.
E numa época de filmes amorfos e realizadores insossos, que bom é ainda haver um verdadeiro autor como Shyamalan: ame-se ou deteste-se, nunca um seu filme é vulgar ou indistinto.
The Happening, E.U.A., 2008. Realização: M. Night Shyamalan. Com: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Spencer Breslin, Betty Buckley, Jeremy Strong.




