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19.7.08
18.7.08
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Fui ver este filme com a esperança que fosse o 'Shoot`em Up' deste ano, ou seja, uma coisa meio descerebrada, mas divertida e speedada, assim ao jeito da silly season.
Infelizmente não chega a tanto: nem é muito divertido, nem as cenas de acção têm um quinto da coolness de 'Shoot`em Up'. E mais que descerebrado, é uma palermice mesmo (fui informado a posteriori que baseada
Não chega a aborrecer, mas é fracote. Vai ser um longo Verão cinematográfico...
Wanted, E.U.A., 2008. Realização: Timur Bekmambetov. Com: James McAvoy, Morgan Freeman, Angelina Jolie, Terence Stamp, Thomas Kretschmann.
17.7.08
Tropa de elite
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No seu excelente ensaio sobre Kieślowski, incluído no cá recém-publicado ‘Lacrimae Rerum’, Slavoj Žižek explica que o realizador polaco se iniciou nos documentários para combater a imagem optimista e resplandecente transmitida pelos media oficiais, sujeitos à censura, mas depois concluiu que quando se filmam cenas da ''vida real'' num documentário, temos pessoas a representar o seu próprio papel, pelo que o único modo de descrever as pessoas debaixo da sua máscara protectora é passar à ficção.
José Padilha terá pensado em algo semelhante. A sua primeira obra é precisamente um documentário, 'Ônibus 174' acerca de um miúdo que sequestra um autocarro, e a sua primeira ideia para este seu mais recente filme foi fazer um documentário sobre o 'BOPE', mas depressa percebeu que não haveria policias dispostos a 'dar a cara'. E assim sendo, era impossível mostrar o que ele queria mostrar.
A primeira parte de 'Tropa de elite' mostra-nos o enorme grau de corrupção que grassa no seio da polícia brasileira, que é mais uma peça no sistema: os polícias limitam-se a arrecadar um quinhão do dinheiro da droga e assim eles e os narcotraficantes que, armados até aos dentes, dominam as favelas, convivem harmoniosamente. De caminho, Padilha arrasa os ‘meninos bem’ que vão para as favelas movidos por ‘bons sentimentos’, mas que acabam mais por ser cúmplices do status quo que outra coisa.
Na segunda parte, por contraste, é-nos apresentado o BOPE (as forças especiais da policia), sempre do ponto de vista do seu capitão: têm treino militar rigorosíssimo (‘mais elitista que o exército de Israel’), estão preparados para obter resultados por todos os meios (incluindo a tortura) e são incorruptíveis. ‘O BOPE quando entra numa favela é para matar, não é para ser morto’, resume o seu capitão.
Evidentemente que um argumento destes provocou uma pequena tempestade – o filme e o seu realizador foram apelidados de fascistas para cima – cujos dados mais visíveis foram um sucesso de bilheteira estrondoso no Brasil e um reconhecimento associado a polémica um pouco por toda a parte, que culminou na atribuição do Urso de Ouro em Berlim (por um júri presidido pelo realizador ‘esquerdista’ Costa-Gravas).
Vamos por partes: ‘Tropa de elite’ é um filme razoavelmente conservador na sua forma, com uma voz off a pontuar a narrativa, filmada de câmara à mão, mas quase sempre sóbria e acima de tudo eficaz. Padilha gere as coisas com secura e mão firme, não caindo em tentações rambescas ou excessivamente pirotécnicas ('Cidade de Deus' pareceu-me bem mais exibicionista). E -a mim parece-me claro - não endeusa ninguém.
Se Padilha é demolidor para com a polícia tradicional, o BOPE também está muito longe de ficar bem na fotografia. Quando o Capitão Nascimento diz com orgulho que Matias se transformou finalmente num polícia, o que nós vemos é que o idealista e justo Matias do início do filme, que conciliava a polícia com os estudos de Direito, se transformou num assassino a sangue frio, seguidor do ‘olho por olho, dente por dente’ e não das leis penais.
Talvez seja esta a maior inquietação que ‘Tropa de elite’ nos deixa: haverá solução para o flagelo do narcotráfico nas favelas brasileiras, ou tudo terá que oscilar entre o absentismo da polícia comum e os métodos à margem da lei - inaceitáveis numa democracia que se preze - de um qualquer BOPE?
Tropa de Elite, Brasil, 2007. Realização: José Padilha. Com: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Maria Ribeiro, Fernanda Machado, Fábio Lago, Milhem Cortaz, Fernanda de Freitas, Paulo Vilela, Marcelo Valle.
Correio dos leitores
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No post sobre o Oliveira tens repetida a letra a, faltam acentos, e chamas Gorbatchev ao Krutschev.
Fónix!!
Fónix!!
14.7.08
Oliveira em Vila do Conde
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Um dos momentos mais fortes que fica da 16ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde, que ontem terminou, é a homenagem prestada na passada 5ª feira a Manoel de Oliveira, o 'padrinho' do festival, como foi apresentado pelos organizadores.

obrigado à Marta pelas fotos
Foi exibido um curto excerto de uma conversa gravada há alguns anos, no festival, entre Oliveira e Aleksandr Sokurov.

Infelizmente, uma tradutora algo titubeante e um Sokurov nitidamente desconcertado com o que Oliveira lhe dizia ('o mais importante é seguir as leis'), impediu que houvesse grande comunicação entre os dois realizadores. Ou então o excerto escolhido para esta homenagem não foi o mais conseguido...

Seguidamente Oliveira foi convidado a subir ao palanque: ignorou as escadas de acesso e saltou literalmente para o palco, dando a primeira prova da sua extraordinária vitalidade no ano em que completará o seu centenário.
Nas breves palavras que dirigiu ao público mostrou uma vez mais a sua jovialidade e magnífico sentido de humor, prometendo, perante um desafio dos organizadores, que para o ano será apresentada aqui a sua conversa com José Régio (natural de Vila de Conde), cuja fita se encontra mais ou menos abandonada há décadas. 'A questão é só saber se não bato a bota até lá'.
Para terminar foi projectado o seu muito divertido segmento d0 filme colectivo Chacun Son Cinéma, uma curta-metragem muda, narrando um breve encontro entre Krutschev (Michele Piccoli) e o Papa João XXIII (João Bénard da Costa!).
Um grande momento.
Curtas de Vila do Conde
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A curta brasileira ‘Muro’, de Tião, foi a vencedora do Grande Prémio Cidade de Vila do Conde 2008. O filme esteve integrado na secção ‘ficção’, mas também não teria ficado mal na ‘experimental’. O seu conteúdo é razoavelmente hermético, alternando diferentes narrativas que se pressupõem alegóricas e carregadas de crítica social (a quê?). Tal como acontece com algumas obras de arte moderna, talvez só um texto do realizador explicando os seus propósitos nos poderia dar mais pistas…Fãs da curta falaram-me em ‘imagens fortes, poderosas’, mas a mim esteve longe de me convencer, embora quem cá ande há algum tempo o intua logo como filme ‘premiável’.
Em sentido contrário gostei bastante de ‘Love You More’, P
rémio UIP/Vila do Conde, da britânica Sam Taylor-Wood, história de descoberta sexual de um adolescente ao som dos Buzzcocks. Em 15 minutos dá-nos todo um retrato de uma época e de uma geração pré-downloads, em que se esperava com fervor pelo single que antecedia o álbum da nossa banda favorita. Tenho um amigo meu que costuma dizer que estou muito agarrado ao ‘formato canção’, dado o meu desdém por hip-hops e quejandos, e foi esse sabor ‘old fashion’, esse ‘formato canção’, que tanto gostei nesta curta.
Muito acima da média, pareceu-me também ‘Corrente’ de Rodrigo Areias, sedutora e misteriosa curta centrada no rio que banha uma pequena povoação mineira, onde cada um lava as suas ‘sujidades’. Acumulou o triunfo na Competição Nacional, com o Prémio do Público, o que não deixa de ser surpreendente (o público costuma votar em ‘anedotas filmadas’).O Prémio para a Melhor Ficção foi para ‘The Adventure’, do americano Mike Brune, que parte duma premissa curiosa – a confusão instalada por dois mimos em duas personagens muito ‘americanas’, muito ‘normais’ – mas que acaba por se perder um pouco. Penso que a brecha que abre entre realidade e ficção seria mais matéria de análise para um crítico a la Zizek, que para o cinéfilo comum que termina razoavelmente entediado…
Os vencedores dos restantes prémios sectoriais, não aqueceram nem arrefeceram. O vencedor do Prémio para Melhor Animação, 'RGBXY', do irlandês David O’Reilly, é algo original na forma, com personagens de jogo de computador, mas esse efeito é diluído pela ‘mensagem’ e por um tom geral dejá vu. O mesmo se diga dos vencedores dos prémios para o Melhor Filme Experimental, 'Ah, Liberty!', de Ben Rivers (Reino Unido) e do Prémio para o Melhor Documentário, 'Three Of Us', de Umesh Kulkarni (Índia), competentes e correctos, mas indistintos de tantos outros que têm passado por este festival. Houve ainda um prémio para um vídeo dos Liars, mas eu de videoclips não falo, nem percebo o que andam aqui a fazer.
9.7.08
Brincadeiras perigosas
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Uma vez que os americanos não vêm filmes legendados - nem sequer dobrados - sempre que um produtor de Hollywood acha que um filme de um país de língua não inglesa tem potencial de bilheteira, pura e simplesmente faz um remake do mesmo, com actores da casa. Simples, não é?
À custa desta lógica inatacável, uma das maiores pragas do cinema actual é precisamente os remakes de filmes europeus e asiáticos. Escusado será dizer que 99% são inferiores ao original ou, quanto muito, desnecessários.
O que torna 'Brincadeiras perigosas' um caso algo peculiar é que o realizador deste remake do filme-choque de Michael Haneke de 1997 é o próprio Michael Haneke. O que o terá levado a isso só ele saberá - provavelmente quis engordar a conta bancária, ou pura e simplesmente ter um sucesso nos States.
Para quem não viu o original - um dos filmes mais marcantes dos anos 90 - o programa está exposto logo no genérico, quando a musica de Handel é substituída repentinamente pela de John Zorn. O quotidiano de uma família rica em férias é brutalmente alterado por um par de jovens imaculadamente vestidos de branco (Brady Corbet e Michael Pitt - que está muito bem, embora eu achasse aquele actor do filme original que era igualzinho ao Pete Sampras especialmente sinistro), que se revelam de um sadismo tortuoso e insuportável, tanto mais que, muito hitcockianamente, não há qualquer explicação racional para os seus actos. Haneke não poupa o espectador a nada e ainda vai brincando connosco, pondo os actores a dirigirem-se a nós e até a alterarem uma cena com o comando da TV (criticando e zombando o nosso voyeurismo).
Mas este último aspecto é precisamente o que me parece que envelheceu pior: o que era surpresa há 10 anos é banal hoje em dia - ou então aqui não funciona tão bem. Quanto ao resto, é curioso notar como depois de tantos Hostels e quejandos, este filme consegue criar uma vez mais um ambiente verdadeiramente angustiante, mesmo para quem viu o original e sabe como tudo se vai passar (é decalcado plano a plano). O que prova inequivocamente o savoir faire de Haneke mas, claro, não responde ao porquê da necessidade de ele filmar outra vez esta história.
Enfim, se o leitor for americano, não souber alemão, e não estiver para se maçar com legendas, então vale a pena ir vê-lo. Caso contrário, veja o original. Se já viu o original, vá vê-lo apenas se for a) um cinéfilo compulsivo, b) um fã incondicional de Michael Haneke, c) um fã incondicional de Naomi Watts.
Funny Games U.S., E.U.A./França/Grã-Bretanha/Itália/Alemanha/Áustria, 2007. Realização: Michael Haneke. Com: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet, Devon Gearheart.
3.7.08
1º Semestre - Top 10
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1 - My Blueberry Nights - O sabor do amor, de Wong Kar-Wai
2 - Sweeney Todd: o terrível barbeiro de Fleet Street, de Tim Burton
3 - Darjeeling Limited, de Wes Anderson
4 - Este país não é para velhos, de Joel e Ethan Coen
5 - Corações, de Alain Resnais
6 - 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu
7 - A rapariga cortada ao meio, de Claude Chabrol
8 - O acontecimento, de M.Night Shyamalan
9 - Juno, de Jason Reitman
10 - I'm Not There — Não estou aí, de Todd Haynes
2.7.08
Café Bagdad
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Amanhã, 5ª feira, entre as 15h e as 16h, vai para o ar a última emissão antes das férias do Café Bagdad, na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9).
Como sempre, Pedro Peixoto Costa modera, e a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio vamos divagando. Esta semana, estão em cima da mesa O acontecimento, de M.Night Shyamalan e Os Pássaros, do mestre Hitchcock .
Em Setembro estamos de volta.
1.7.08
Filmes de Junho
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Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.

O ladrão de Bagdad, Raoul Walsh, 1924 (10)
Laura, Otto Preminger, 1944 (9,5)
O estranho amor de Martha Ivers, Lewis Milestone, 1946 (8)
O desconhecido do Norte Expresso, Alfred Hitchcock, 1951 (10)
O apartamento, Billy Wilder, 1960 (10)
Corações na penumbra, Richard Brooks, 1961 (7)
O Padrinho, Francis F.Coppola, 1972 (10)
Azul, Krzysztof Kieslowski, 1993 (9,5)
Scarlet Diva, Asia Argento, 2000 (6,5)
Match Point, Woody Allen, 2006 (9,5)
Before the Devil Knows You're Dead, Sidney Lumet, 2007 (7,5)
Obsessão mortal, Andrew Lau, 2007
O orfanato, Juan Antonio Bayona, 2007
A rapariga cortada em dois, Claude Chabrol, 2007
The Mist - Nevoeiro misterioso, Frank Darabont, 2007
Indiana Jones, Steven Spielberg, 2008
Os reis da rua, Davis Ayed, 2008
O acontecimento, M.Night Shyamalan, 2008

O ladrão de Bagdad, Raoul Walsh, 1924 (10)
Laura, Otto Preminger, 1944 (9,5)
O estranho amor de Martha Ivers, Lewis Milestone, 1946 (8)
O desconhecido do Norte Expresso, Alfred Hitchcock, 1951 (10)
O apartamento, Billy Wilder, 1960 (10)
Corações na penumbra, Richard Brooks, 1961 (7)
O Padrinho, Francis F.Coppola, 1972 (10)
Azul, Krzysztof Kieslowski, 1993 (9,5)
Scarlet Diva, Asia Argento, 2000 (6,5)
Match Point, Woody Allen, 2006 (9,5)
Before the Devil Knows You're Dead, Sidney Lumet, 2007 (7,5)
Obsessão mortal, Andrew Lau, 2007
O orfanato, Juan Antonio Bayona, 2007
A rapariga cortada em dois, Claude Chabrol, 2007
The Mist - Nevoeiro misterioso, Frank Darabont, 2007
Indiana Jones, Steven Spielberg, 2008
Os reis da rua, Davis Ayed, 2008
O acontecimento, M.Night Shyamalan, 2008
Este mês, além de espreitar o que foi estreando nas salas, praticamente só revi velhos conhecidos.
O destaque vai para 'Match Point': quando o vi no grande ecrã gostei, mas pareceu-me uma variação (menor) de 'Crimes e escapadelas'. Agora, revisto no dvd pareceu-me...perfeito. Acontece.
