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14.10.08

Café Bagdad



Esta semana, excepcionalmente, o 'Café Bagdad' irá para o ar amanhã, quarta-feira, e não na quinta-feira.

Como sempre, a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio divagamos e o Pedro Peixoto Costa modera.

Em rodagem estarão 'Duck Soup/Os grandes aldrabões', de Leo McCarey com os fabulosos Irmãos Marx, e 'Destruir depois de ler' dos também muito estimáveis irmãos Coen.

Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9), à hora habitual (13h15-13h45).

9.10.08

Até já


7.10.08

Yella



‘Yella’ é a nona longa-metragem (e a última de uma chamada ‘Trilogia dos Fantasmas’) de Christian Petzold - nome de proa da chamada Nova Escola de Berlim - e tem recebido vários prémios, onde avulta o Urso de Prata para melhor actriz (Nina Hoss) na última Berlinale.

A primeira sensação que atinge um perfeito desconhecedor da obra de Petzold como eu, é a estranheza deste ‘Yella’.
Yella é a protagonista do filme (a estupenda Nina Hoss), que vagueia por ele como um fantasma: tanto é extremamente passiva (nomeadamente perante a agressividade do seu ex-marido), como revela dotes surpreendentes, rapidamente dominando os tortuosos meandros dos negócios de alto risco onde é introduzida por um desconhecido. Às tantas já toma mesmo iniciativas surpreendentes.
Mas sempre com um ar ausente, com uma frieza distante (que encontra ressonância na magnífica e gélida fotografia de Hans Fromm) e denotando aqui e ali sinais inquietantes (e o leitor que há tempos se queixou dos meus spoilers pode ficar por aqui). E são estes sinais (um copo de água quebrado; uma surdez momentânea) que vão intrigando o espectador. Será que há algo de estranho no meio deste desenrolar algo enfadonho de reuniões de negócios, de análises de balanços, de percentagens de risco?

O final mais do que aberto do filme dá azo a todas as interpretações possíveis, e o realizador deita a sua acha na fogueira nomeando como forças inspiradoras deste filme um documentário sobre capital de risco (‘Nicht ohne risiko’ de Harun Farocki) e o clássico de terror ‘Carnival of Souls’ de Herk Harvey...

Resumindo e simplificando – e não obstante os elogios já referidos – eu diria que os pressupostos são mais interessantes que o resultado final. A crítica ao ‘capitalismo’, que se fica mais por um retrato de pessoas individualistas, solitárias, alienadas, resulta algo frágil e monótona e o lado fantástico, chamemos-lhe assim, acaba por ser demasiado rarefeito e inconsequente.

Quase que parece estarmos perante uma curta-metragem: há um argumento interessante, filmado de uma forma concisa e imaculada, mas ficamos com a sensação de que tudo é algo superficial, nunca chegando as personagens e as situações a ganhar consistência.

Yella, Alemanha, 2007. Realização: Christian Petzold. Com: Nina Hoss, Devid Striesow.

2.10.08

Destruir depois de ler



O filme dos irmãos Coen de que mais me lembrei ao ver ‘Destruir depois de ler’ foi ‘Fargo’: pelo absurdo das situações, pelo argumento (um par de cromos cria uma confusão incrível), pelo tom ‘low-key’ (apesar do leque de estrelas, talvez por ser uma comédia, parece claramente um filme menos ambicioso que ‘Este país não é para velhos’), até pelo papel dominante de Mrs.Joel Coen, Frances McDormand.

Já alguém definiu o pessoalíssimo universo dos irmãos Coen como sendo uma mistura de ‘hard boiled’ com ‘screwball’, sendo que neste filme é a segunda componente que domina, numa proporção inversa à de ‘Fargo’.

Não obstante os seus notáveis méritos – elenco fantástico; realização impecável, fluida, cheia de ritmo (os manos estão em grande forma); argumento engenhoso, inteligente, observador – que o tornam um grande divertimento, não me parece ter a gravitas de um clássico como ‘Fargo’. Pareceu-me mais um excelente ‘filme de intervalo’, uma inteligente variação dos temas de sempre dos realizadores, do que um dos seus filmes topo de gama.

Por outras palavras, achei-o um grande filme menor dos Coen.

Burn After Reading, E.U.A., 2008. Realização: Ethan e Joel Coen. Com: George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins, David Rasche, J.K. Simmons, Olek Krupa.

1.10.08

Filmes de Setembro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



A loja da esquina, Ernest Lubitsh, 1940 (8)
O estrangeiro, Orson Welles, 1946 (8,5)
Carta de uma desconhecida, Max Ophuls, 1948 (8,5)
A Dama de Xangai, Orson Welles, 1948 (8,5)
Serpico, Sidney Lumet, 1973 (9)
Vestida para matar, Brian de Palma, 1979 (7)
Pepi, Luci, Bom e outras tipas do grupo, Pedro Almodovar, 1980 (6)
O veredicto, Sidney Lumet, 1982 (8,5)
Christine, John Carpenter, 1983 (8,5)
Nome Carmen, Jean-Luc Godard, 1983 (7,5)
As aventuras de Jack Burton nas garras do mandarim, John Carpenter, 1986 (8,5)
Armas afiadas, Billy Tang, 2001 (5)
Terra de bravos, Irvin Wilkin, 2006
Irina Palm, Sam Garbarski, 2007
Mamma Mia!, Phyllida Lloyd, 2008
Gomorra, Matteo Garrone, 2008
Tempestade tropical, Benn Stiller, 2008

Café Bagdad



Amanhã, 5ª feira, vai para o ar mais uma edição do 'Café Bagdad' no horário habitual (13h15 - 13h45).

Como sempre, a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio divagamos e o Pedro Peixoto Costa modera.

Na primeira parte, como não podia deixar de ser, recordamos Paul Newman, através de um dos seus maiores papeis: o de Eddie Felson, na obra-prima de Robert Rossen, 'The Hustler/A vida é um jogo'. Na segunda parte falamos de 'Tempestade Tropical'.

Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9).

28.9.08

Paul Newman ( 26/01/1925 - 26/09/2008)



But when my character is in a rage at being outdone in his own lecture hall by Pesci, I finally look him in the eye. An electrical switch is turned on and I start to get his energy, which is formidable. Later, Paul Newman rang. When I told him what I´d done, he said, "Well, that´s the wole fun of acting, finding out all these things with other people. I´ve never understood how you loners do it."

Gore Vidal, Palimpsest - A memoir

25.9.08

Tempestade tropical



Quem viu ‘Zoolander’ sabe qual é o estilo de humor de Ben Stiller atrás da câmara: excessivo, hiper-paródico, hiper-referencial e sempre no limite do xunga. Mas não bronco (a la 'Knocked Up') nem imbecil (a la 'Uns Espartanos do Pior').

‘Tempestade Tropical’, sátira desvairada a Hollywood, não foge destes parâmetros. É bastante palerma (o argumento, sobre um grupo de prima donnas de Hollywood perdidas na selva vietnamita, é inenarrável), mas é uma palermice razoavelmente divertida e sempre inteligente. Enquanto que na nova comédia Americana há muita gente a quem foge o pé para o chinelo, Stiller faz o papel de sofisticado a fazer de bronco. Nem sempre escapa a fazer de bronco a fazer de sofisticado, mas no geral safa-se melhor que a maioria.

E tem um grande mérito: escolhe os seus actores a dedo e proporciona-lhes papelões. O melhor de ‘Tempestade Tropical’ são precisamente os seus actores, com natural destaque para o genial Robert Downey Jr. (a fazer de actor australiano a fazer de negro no filme dentro do filme!) e para um irreconhecível Tom Cruise, que confirmando a sua tendência para brilhar quando faz papéis secundários, saca aqui uma performance antológica.

Tropic Thunder, E.U.A., 2008. Realização: Ben Stiller. Com: Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Brandon T. Jackson, Jay Baruchel, Danny McBride, Steve Coogan, Nick Nolte, Tom Cruise, Matthew McConaugh.

22.9.08

Gomorra



'Gomorra' é um realista, seco e anti-glamoroso retrato da Camorra, a Mafia napolitana, cujos tentáculos se estendem por toda a sociedade italiana e ao que parece contribui com uma fatia não despicienda para o PIB do país.

Filmado com câmara à mão, sempre em cima dos actores (muitos deles não profissionais), acompanhando o dia-a-dia das personagens, o de grande parte delas banal, exercendo o seu ofício criminoso como se fosse outro qualquer, está nos antípodas dos sumptuosos filmes hollywoodianos sobre a Máfia, tipo ‘O Padrinho’ ou o ‘Scarface’ de De Palma – cujas personagens alguns pequenos criminosos de ‘Gomorra’ imitam.

Esta opção realista (que, claro, se insere numa vetusta tradição italiana) tem vantagens (o retrato global, sociológico, por assim dizer, é muito eficaz) e limitações (perde-se o detalhe psicológico). Penso que o filme se dispersa um bocado (vai acompanhando 5 histórias) e acaba por não aprofundar personagens que o mereciam (como o superdotado costureiro feito quase escravo).

No global, senti-me como quando vejo um bom documentário sobre um tema que me interessa, mas não excessivamente: mantive-me sempre atento e interessado, admirei o seu savoir-faire, mas nunca me chegou a entusiasmar.

Gomorra, Itália, 2008. Realização: Matteo Garrone. Com: Toni Servillo, Gianfelice Imparato, Maria Nazionale, Salvatore Cantalupo, Gigio Morra, Salvatore Abruzzese, Marco Macor, Ciro Petrone, Carmine Paternoste.

19.9.08

Mamma Mia!


Amanda Seyfried: If you change your mind/I'm the first in line/Honey I'm still free/Take a chance on me...

Este é, facilmente, o inesperado feel good movie do ano. Claro que quem não gostar dos ABBA (ele há gente para tudo!), dificilmente criará empatia com este filme. Mas para os fãs do quarteto sueco, é um verdadeiro fartote. Baseado no musical homónimo, segue um fio narrativo simples e meio palerma (uma rapariga convida 3 ex-amantes da mãe para o seu casamento para tentar descobrir qual deles é o seu pai), que é apenas pretexto para um continuum de números musicais, hit exuberantemente coreografado após hit não menos exuberantemente coreografado.

E há-os para todos os gostos: uma pessoa ainda nem teve tempo para pensar que falta a música tal, quando ei-la que aparece. É só uma pessoa refastelar-se na cadeira e ir batendo o pezinho (eu gostei especialmente do apoteótico momento proporcionado pelo clássico ‘Dancing Queen’ e do romântico (?) número do seminal ‘Lay All Your Love On Me’).

Claro que há por aqui muita gente que não sabe cantar (essa não é certamente a melhor missão de Pierce Brosnan), mas há quem se safe muitíssimo bem (as fantásticas Meryl Streep e Christine Baranski, desde logo) e isso é o que menos importa, no meio deste divertidíssimo festival greco-sueco (isto passa-se tudo num paradisíaca ilhota grega).

Last but not the least, temos a confirmação de Amanda Seyfried, que além de conseguir o feito de não ser ofuscada pelos dois trios de pesos-pesados com quem contracena, é uma verdadeira bomba com cara laroca, a quem só nos apetece roubar das garras do verdadeiro bronco-hippie com quem anda. Mamma Mia!

Mamma Mia!, E.U.A., 2008. Realização: Phyllida Lloyd. Com: Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard, Amanda Seyfried, Julie Walters, Christine Baranski, Dominic Cooper.