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28.11.08
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22.11.08
O Corpo da mentira

Leonardo di Caprio é um agente da CIA no Médio Oriente, movendo-se entre o Iraque, o Dubai, a Jordânia e outros países da zona que albergam radicais islâmicos. Ele é inteligente, eficaz e duro q.b., mas tem um certo espírito de missão, uma certa crença em fazer as coisas da melhor maneira possível (isto é, prejudicando o menor numero de pessoas possível), que o distingue do seu cínico e pragmático chefe que está em Washington (um belo papel de Russell Crowe) ou do seu aliado de circunstância, o frio e elegante chefe dos serviços secretos jordanos.
‘O corpo da mentira’ oscila entre o thriller político e o filme de acção, e dá-nos uma perspectiva menos esquemática do que o habitual dos grupos locais da Al Qaeda, das dificuldades dos agentes da CIA no terreno, meras peças de uma engrenagem tortuosa e esguia, e da capacidade embasbacante da panfernália tecnológica americana – Crowe no seu gabinete, segue num ecrã todos os passos do seu agente nos desertos árabes (mais uma ideia roubada ao filme mais pilhado dos últimos tempos - ‘The Bourne Ultimatum’).
Ridley Scott dirige a fita com mão segura, e quem não pedir mais do que duas horas de entretenimento sólido, não se poderá queixar muito. Já quem esteja farto de ver sempre a mesma coisa e exija dum filme um módico de originalidade e fulgor estético, terá que procurar noutro lado. Que este nem aquece nem arrefece.
Body Of Lies, E.U.A., 2008. Realização: Ridley Scott. Com: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Golshifteh Farahani, Oscar Isaac, Ali Suliman.
21.11.08
Notas breves #2

É um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock e algo atípico no seu universo. Baseado numa peça de John Galsworthy, anda à volta de uma disputa de terras entre uma família aristocrata e um novo-rico, que acaba em tragédia. Era dos filmes de que Hitch menos se orgulhava, mas a verdade é que a mise en scene é primorosa e nos agarra por completo. Nem a mocinha (Phyllis Konstam) a representar como se ainda estivesse no tempo do mudo lhe retira o brilho.
The Skin Game, Alfred Hitchcock, 1931 (8/10)
Undead or Alive
Por incrível que pareça ao comum dos mortais, continua a haver um mercado florescente de filmes de zombies. Embora raramente cheguem às nossas salas, há duas hipóteses de chegar ao seu contacto: em festivais especializados (este ano em Sitges assisti mesmo a uma maratona zombie, que começou à 1 da matina e, entre curtas e longas, acabou depois do nascer dos sol - eu aterrei lá para as 5) ou procurar naqueles caixotes nos hipermercados com dvds ao preço da uva mijona.
Este 'Undead or Alive' é uma auto denominada zombedie (uma comédia zombie) e ainda um western (esse sim, um género moribundo). Ou seja, faz parte dum subgénero muito vulgar que é a comédia mais ou menos idiota feita por tuta e meia. Esta destaca-se apenas por uma originalidade do argumento: os zombies foram criados… pelo chefe Índio Jerónimo! Esta verdadeiramente não lembrava nem a um careca. Só aconselhável aos mais fanáticos de entre os fanáticos do género.
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4/10)
A irmã da minha noiva
Dois anos antes do sucesso de ‘The Philadelphia Story/Casamento escandaloso’, o mesmo quarteto responsável (realizador Cukor, argumentista Ogden Stewart adaptando Philip Barry, estrelas Grant e Hepburn) experimentou com este ‘Holiday/A irmã da minha noiva’ um grande fiasco, que muito contribuiu para o rótulo de box-office poison se colar a Katherine Hepburn. Mas, uma vez mais, o público é que estava errado. ‘Holiday’ é um filme infinitamente inteligente e divertido, uma obra-prima absoluta da Screwball Comedy, esse género que se encontra – nunca é demais lamentá-lo – mais que morto e enterrado.
Holiday, George Cukor, 1938 (10/10)
Vamo-nos amar
Outro Cukor pouco citado, excepto pelo romance extra-tela que proporcionou entre os seus protagonistas – Marylin Monroe e Yves Montand, nada mais, nada menos. Mas não se deixe o leitor enganar: é um Cukor vintage, e tem a que é por muitos considerada a melhor performance de Marylin no cinema, no seu penúltimo filme, aos trinta e três anos, dois antes da sua morte.
Let’s Make Love, George Cukor, 1960 (10/10)
18.11.08
Ensaio sobre a cegueira

O enredo, sobre uma epidemia que começa a cegar toda a gente, pode ser lido como uma metáfora de uma data de coisas. Mas isso fica mais para o final do filme. Até lá, este tem uma espécie de primeira parte, que ocupa a maior parte da fita, e que se passa num antigo hospício onde os afectados pela cegueira são postos em quarentena pelo governo.
Aqui, o argumento não se distingue muito do de uma data de filmes de suspense/terror/catástrofe, em que um grupo confinado a um espaço limitado, sujeito a uma ameaça, em vez de cooperar para se tentar salvar, rapidamente se desmorona, vindo ao de cima tudo o que de pior há no homem: o egoísmo, a ganância, a inveja, a irracionalidade. O facto de estarem cegos pouco importa neste contexto: a natureza humana é sempre a mesma.
Na minha opinião, o filme aguenta-se bem nesta parte, transmitindo com força este ambiente hostil, degradado, sujo, inumano. Julianne Moore suporta bem a parte de leão que lhe calha e Ruffalo e Bernal não deslustram.
Os problemas chegam quando o grupo sai para a rua. Nesta última meia hora há uma série de opções do realizador que me parecem bastante questionáveis, desde a banda sonora a algumas cenas ‘etéreas’, que transmitem um ambiente assim para o lamechas e pegajoso, que ‘fecha’ mal a metáfora e destrói alguma da tensão que o filme tinha indubitavelmente conseguido criar até aí.
Penso que terão sido estas e outras opções do realizador (como as ‘manchas brancas’, que não me parecem funcionar mal, apesar de não ‘marcarem’) que criaram tantos anticorpos ao filme, mas também me parece que a colecção de bolas pretas que tem coleccionado em muito lado se deve a alguma má vontade generalizada, como a que aconteceu em relação a ‘Babel’, por exemplo. Achei o virtuosismo de Meirelles bem mais irritante em ‘Cidade de Deus’ do que aqui, em que me parece que apesar de tudo se sentiu mais ‘amarrado’ ao texto de Saramago.
15.11.08
Busca implacável

Os seus contactos disseram-lhe que tem 96 horas para a encontrar antes que o seu rasto se perca e ele não perde tempo, usando todos - mas mesmo todos - os meios para o conseguir.
À semelhança da sua principal personagem (o excelente Liam Neeson num papel a la Eastwood), ‘Busca implacável’ é um thriller sóbrio, negro e eficaz. Não obstante a brutalidade dos meios empregues e a verdadeira carnificina que é perpetrada, tudo é mais entrevisto do que exposto, não havendo qualquer plano gratuito ou supérfluo. Tudo aqui é conciso, despachado e profissional.
Mesmo tendo alguns buracos no argumento (toda a gente fala inglês em Paris...) e diversos momentos bastante inverosímeis, ‘Busca implacável’ é um excelente thriller muito, mas mesmo muito, acima do que para aí anda.
14.11.08
Notas breves #1

Louis Malle tinha apenas 25 anos (e somente a co-direcção com Jacques-Yves Cousteau dum documentário deste no curriculum), quando realizou esta estilizada versão dos noir americanos. Costumam ser elencadas as suas seguintes várias virtudes, com que eu concordo em absoluto: uma bela Jeanne Moreau no papel de uma - apesar de tudo - simpática femme fatale, um dominar impecável das regras do género, uma espantosa fotografia de Henri Decae e uma soberba banda sonora de Miles Davis (na primeira e das raras vezes em que compôs para cinema). Acrescente-se um engenhoso argumento (o protagonista passa quase todo o tempo preso num elevador) e temos um muito interessante filme deste contemporâneo - mas não companheiro - da Nouvelle Vague, que hoje em dia porventura só é recordado por um filme: o autobiográfico ‘Au revoir les enfants’.
Ascenseur pour l'échafaud, Louis Malle, 1958 (8/10)
Um lobisomem Americano em Londres
Dois jovens americanos de mochila às costas passeiam-se pela Inglaterra profunda até que vão dar a um bar chamado ‘The Slaughtered Lamb’! Desconfiam um pouco dos seus antipáticos clientes, mas não seguem o seu conselho: não atravessar as charnecas. E aí começam os seus problemas, ao serem atacados por... adivinhem... um lobisomem. Claro que ninguém acredita nisso, mas um dos rapazes, que viu o clássico ‘The Wolf Man’ com Lon Chaney Jr., percebe logo o que lhes aconteceu.
Algum suspense e muito humor, que inclui umas fantásticas cenas passadas com um disparatado filme porno em fundo (chamado ‘See You Next Wednesday’) tornaram – justamente –este filme um fenómeno de culto.
An American Werewolf in London, John Landis, 1981 (8/10)
Caçador branco, coração negro
Um realizador com uma persona bigger than life (personagem baseada em John Huston, interpretada por Eastwood himself), vai para África realizar um filme, mas só está interessado em caçar um elefante.
‘Caçador branco, coração negro’, que começa em tom ligeiro e acaba em tom trágico, é uma subtil meditação sobre Hollywood e mais uma data de coisas. Um belo Eastwood pré-canonização.
White Hunter, Black Heart, Clint Eastwood, 1990 (8/10)
As asas do amor
Uma realização algo convencional, mas que sabe transmitir toda a força do romance de Henry James. E como penso que este não está traduzido em português, esta é uma boa maneira de o conhecer. Além de que dá direito a uma extraordinária interpretação de Helena Bonham Carter.
The Wings of the Dove, Iain Softley, 1997 (7/10)
12.11.08
007 — Quantum of Solace

Não há uma única cena de cama neste 007. E Bond não diz uma única vez ‘My name is Bond, James Bond’. E não pede uma única vez um Martini ‘shaked, not stirred’. E se diz alguma piada afiada, eu não me lembro.
É certo que continua a haver uma data de mortandade e umas quantas cenas de acção estilosas. Como as que abrem o filme, que aliás me fizeram lembrar bastante ‘The Bourne Ultimatum’. E há uma belíssima Bond Girl (a russa Olga Kurylenko a fazer de boliviana), mas é uma mera agente secreta e eu tenho saudades das Bond Girls que eram físicas nucleares em short pants. E há um grande actor a fazer de vilão (Mathieu Amalric), que faz parte duma organização que derruba ditadores sul-americanos entre outras malfeitorias, mas eu tenho saudades da Spectre e dos vilões com palas num olho.
O que fica não é suficiente para fazer um bom filme de acção? É, mas o herói chama-se James Bond como se podia chamar Jason Bourne. E como filme de acção 'Quantum of Solace' não é tão bom como o 'Ultimatum'. Será que o velho Bond misógino e sem angústias algum dia vai voltar?
Quantum of Solace, E.U.A./Grã-Bretanha, 2007. Realização: Marc Forster. Com: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Arterton, Jeffrey Wright.
Café Bagdad
Hoje vai para o ar mais uma emissão do 'Café Bagdad'.
Como sempre, a Marta Catarino, a Patrícia Jerónimo e eu próprio divagamos e o Pedro Peixoto Costa modera.
Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9), no horário 13h15-13h45, repetindo também às 23h. Supostamente à quinta-feira de duas em duas semanas, mas que se está a tornar um hábito passar às quartas.
9.11.08
Frases (feitas com títulos)
O que Sócrates diria a Woody Allen: trabalhar cansa.