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11.12.08


9.12.08

Top Anos 40

Na sequência do que já foi feito feito com outras décadas, a Liga dos Blogues Cinematográficos vai eleger os melhores filmes dos anos 40. Cada integrante vota em 20. Eis a minha lista:




1. Citizen Kane (O mundo a seus pés), Orson Welles, 1941
2. The Grapes of Wrath (As vinhas da ira), John Ford, 1940
3. Out of the Past (O arrependido), Jacques Tourneur, 1947
4. This Land Is Mine (Esta terra é minha), Jean Renoir, 1943
5. Casablanca, Michael Curtiz, 1942

6. Notorious (Difamação), Alfred Hitchcock, 1947
7. Roma, città aperta (Roma, cidade aberta), Roberto Rossellini, 1945
8. The Philadelphia Story (Casamento escandaloso), George Cukor, 1940
9. Double Indemnity (Pagos a dobrar), Billy Wilder, 1944
10. Brief Encounter (Breve encontro), David Lean, 1946

11. The Great Dictator (O grande ditador), Charles Chaplin, 1940
12. Duel in the Sun (Duelo ao sol), King Vidor, 1946
13. A Matter of Life and Death (Um caso de vida ou de morte), Michael Powell e Emeric Pressburger, 1946
14. Meet me in St.Louis (Não há como a nossa casa), Vincente Minnelli, 1944
15. The Woman on the Beach (A mulher desejada), Jean Renoir, 1947

16. Spellbound (A casa encantada), Alfred Hitchcock, 1945
17. The Woman in the Window (Suprema decisão), Fritz Lang, 1944
18. The Maltese Falcon (Relíquia macabra), John Huston, 1941
19. Detour (Desvio), Edgar G.Ulmer, 1945
20. Sullivan's Travels (A quimera do riso), Preston Sturges, 1941

Também: o meu Top dos anos 50.

5.12.08

Filmes de Novembro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.



Jogo fraudulento, Alfred Hitchcock, 1931 (8)
Holiday, George Cukor, 1938 (10)
Ascenceur pour l’échafaud, Louis Malle, 1958 (8)
Vamo-nos amar, George Cukor, 1960 (10)
Point Blank, John Boorman, 1967 (8)
Um lobisomem Americano em Londres, John Landis, 1981 (8)
Impacto súbito, Clint Eastwood, 1983 (8)
Cotton Club, Francis Ford Coppola, 1984 (8,5)
Caçador branco, coração negro, Clint Eastwood, 1990 (8)
Porco Rosso, H.Miyasaki, 1992 (8,5)
As asas do amor, Iain Softley, 1997 (7)
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4)
Paris, Cedrique Klapisch, 2008
Em Bruges, Martin McDonagh, 2008
Busca implacável, Pierre Morel, 2008
007 — Quantum of Solace, Marc Forster, 2008
Ensaio sobre a cegueira, Fernando Meirelles, 2008
O corpo da mentira, Ridley Scott, 2008
Wackness - À Deriva, Jonathan Levine, 2008
A turma, Laurent Cantet, 2008

3.12.08

A turma



Apesar de ter gostado bastante dos dois filmes de Laurent Cantet que haviam estreado em Portugal, ‘Recursos humanos’ e 'O emprego do tempo’, foi com alguma relutância que me dispus a ir ver ‘A Turma’. A ‘escola’ ou o ‘sistema de ensino’ está certamente entre os temas à face da terra que menos me interessam e filmes ‘sociológicos’ que pretendem ‘contribuir para o debate’ provocam-me pele de galinha. Mas a verdade, é que como dizia François Bégaudeau, que escreveu o livro em que o filme se baseia e neste se interpreta a si mesmo, é difícil detestar ‘A turma’. Eu vou mesmo mais longe: é difícil, pegue-se por onde se pegar, não gostar deste filme.

Embora eu me identifique infinitamente mais com o professor de informática que na sala dos professores desabafa, desesperado, ‘estou farto de aturar estes anormais’ (os alunos, bem entendido), do que com o simpático, tolerante, super-paciente e por isso mesmo vastas vezes irritante François, a verdade é que tudo bate bem neste filme.

A verdadeira guerrilha que o grupo multi-étnico de adolescentes, mais finos que um coral, movem ao professor, é digna de ser vista e revista. Achando-se cheios de direitos, mas com quase nenhuns deveres, sentem-se à vontade para perguntar ao professor se ele é gay, para lhe dizerem que ele está a implicar com eles só porque os mandou ler um texto, para lhe explicarem que só ‘pães com manteiga’ (i.e. brancos) snobs usam o imperfeito do conjuntivo, por isso não há razão para o aprenderem, para protestarem porque usou o nome 'Bill' num exemplo e não 'Ahmed' ou outro que reflectisse o 'multiculturalismo' da turma, para discutirem em plena aula sobre as selecções de futebol do ‘seu’ país (i.e. Marrocos, o Mali ou outro), etc.,etc. É estarrecedor. E na única ocasião em que o quase-Santo e hiper-paciente François perde a paciência e se excede, eles aproveitam diligentemente o deslize para lhe causarem problemas junto dos colegas (que colaboram alegremente) e da direcção. E o que podem os professores fazer no meio disto tudo? Nada, ou quase nada – podem expulsar o aluno da sua escola, o que fazem a uma dúzia deles por ano.

Ou seja, a extraordinária perseverança e empenho de François, só servem para realçar o enorme falhanço que é a escola (pelo menos uma escola como aquela) hoje em dia. Nem uma pessoa com o seu charme e vocação consegue fazer algo daquele grupo de adolescentes, que já têm os piores defeitos dos pais, que não aceitam a autoridade nem a disciplina, que estão interessados em tudo menos em aprender, muito menos a língua e cultura francesa (a maior parte nem se considera francês). E não deixa de ser irónico que um dos raros exemplos de aproveitamento escolar e bom comportamento, o chinês Wei, esteja em risco de ser devolvido à procedência por os pais não terem os papeis em ordem…

Como retrato da escola, e claro, como retrato da sociedade de que a escola é um microcosmos, este filme é todo um programa, bastante mais pessimista do que a sua aparente descontracção e humor (um milagre) podem fazer supor.

François Bégaudeau, que foi crítico de cinema, queixava-se numa entrevista que 90% das análises ao filme eram ‘sociológicas’, não cinematográficas, mas isso é inevitável numa ficção tão ancorada na realidade. Mas fazendo-lhe a vontade, diga-se que o trabalho de Cantet é extraordinário: todas, mas todas as personagens são absolutamente credíveis, o ambiente da sala de aula é absolutamente realista e quase parece que o realizador se limitou a pôr uma câmara escondida algures e registar o que se passava… Maior elogio à mise en scéne é difícil fazer.

Tal como no caso de ‘O segredo de um Cuscus’, outro filme francês, temos aqui um magnífico exemplo de grande cinema popular (mais de um milhão de espectadores em França).

Entre les Murs, França, 2008. Realização: Laurent Cantet. Com: François Bégaudeau, Lucie Landrevie, Agame Malembo-Emene, Rabah Naït Oufella, Carl Nanor, Esméralda Ouertani, Burak Özyilmaz, Eva Paradiso, Rachel Régulier, Angélica Sancio, Samantha Soupirot, Boubacar Touré, Justine Wu, Atouma Dioumassy, Nitany Gueyes.

Dardos

Um agradecimento rápido ao Cinema Notebook, ao Cesto da Gávea e ao Gonçalo, aka Gonn 1000, por terem referido aqui o tasco nas suas listas dos Prémios Dardos, que andam a correr pela blogosfera.

1.12.08

Wackness - À Deriva



Luke Shapiro, que está a acabar o liceu e é um pequeno passador de droga, tem dificuldade em arranjar namoradas e pensa demasiado nas coisas: vê sempre o ‘lado complicado’ das situações em vez de se ‘deixar ir’, como lhe diz uma rapariga.
O Dr. Squires é um excêntrico psiquiatra, que aceita mal o facto de estar a envelhecer: o seu casamento com uma mulher mais jovem está em ponto morto e ele sente inclusive ciúmes dos rapazes que andam com a sua enteada. O seu meio de combater a depressão é encharcar-se em drogas, aceitando que Luke, seu paciente, lhe pague em ‘produto’.

Entre estas duas almas à deriva na Nova Iorque dos anos 90, que Giuliani quer ‘limpar’, cria-se uma estranha amizade (ou algo que o valha) que serve de motor a este filme.

'Wackness - À Deriva ' tem um ritmo próprio, a que podemos demorar algum tempo a aderir, mas tem uma série de virtudes que geralmente associamos ao agora mal afamado ‘cinema independente’: argumento inteligente (simultaneamente sobre a chegada à idade adulta e sobre o deixar de ser jovem, com as complicações amorosas/sexuais no centro, num tom não exactamente optimista mas sempre com humor - qualidade que redime muita coisa), diálogos impecáveis, câmara próxima das personagens (e uma excelente fotografia, em tons sépia, de Petra Korner ), banda sonora bem esgalhada (com o Hip hop a liderar) e um muito sólido conjunto de actores, com destaque para o diálogo que se estabelece entre o jovem Josh Peck e o veterano Ben Kingsley, que tem aqui o seu melhor papel em anos.

The Wackness, E.U.A., 2008. Realização: Jonathan Levine. Com: Josh Peck, Ben Kingsley, Olivia Thirlby, Famke Janssen, Mary-Kate Olsen.

28.11.08

58



Fazendo contas, Henry Chancellor notou que Bond se deitou com 14 mulheres nos livros que Fleming escreveu, contra 58 nos filmes (...)

José António Barreiros in '00Fleming - Ensaio sobre a imortalidade', livro assaz estranho na sua concepção, mas ainda assim bastante interessante, onde o autor tenta provar que há bastante substância nos livros de Fleming, mas que os filmes com 'o seu harém de espampanantes Bondgirls deram causa a um naufrágio literário'.

22.11.08

O Corpo da mentira



‘O corpo da mentira’ é mais um filme que se encaixa na categoria ‘guerra contra o terrorismo’.
Leonardo di Caprio é um agente da CIA no Médio Oriente, movendo-se entre o Iraque, o Dubai, a Jordânia e outros países da zona que albergam radicais islâmicos. Ele é inteligente, eficaz e duro q.b., mas tem um certo espírito de missão, uma certa crença em fazer as coisas da melhor maneira possível (isto é, prejudicando o menor numero de pessoas possível), que o distingue do seu cínico e pragmático chefe que está em Washington (um belo papel de Russell Crowe) ou do seu aliado de circunstância, o frio e elegante chefe dos serviços secretos jordanos.

‘O corpo da mentira’ oscila entre o thriller político e o filme de acção, e dá-nos uma perspectiva menos esquemática do que o habitual dos grupos locais da Al Qaeda, das dificuldades dos agentes da CIA no terreno, meras peças de uma engrenagem tortuosa e esguia, e da capacidade embasbacante da panfernália tecnológica americana – Crowe no seu gabinete, segue num ecrã todos os passos do seu agente nos desertos árabes (mais uma ideia roubada ao filme mais pilhado dos últimos tempos - ‘The Bourne Ultimatum’).

Ridley Scott dirige a fita com mão segura, e quem não pedir mais do que duas horas de entretenimento sólido, não se poderá queixar muito. Já quem esteja farto de ver sempre a mesma coisa e exija dum filme um módico de originalidade e fulgor estético, terá que procurar noutro lado. Que este nem aquece nem arrefece.

Body Of Lies, E.U.A., 2008. Realização: Ridley Scott. Com: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Golshifteh Farahani, Oscar Isaac, Ali Suliman.

21.11.08

Notas breves #2



Jogo fraudulento
É um dos primeiros filmes sonoros de Hitchcock e algo atípico no seu universo. Baseado numa peça de John Galsworthy, anda à volta de uma disputa de terras entre uma família aristocrata e um novo-rico, que acaba em tragédia. Era dos filmes de que Hitch menos se orgulhava, mas a verdade é que a mise en scene é primorosa e nos agarra por completo. Nem a mocinha (Phyllis Konstam) a representar como se ainda estivesse no tempo do mudo lhe retira o brilho.
The Skin Game, Alfred Hitchcock, 1931 (8/10)

Undead or Alive
Por incrível que pareça ao comum dos mortais, continua a haver um mercado florescente de filmes de zombies. Embora raramente cheguem às nossas salas, há duas hipóteses de chegar ao seu contacto: em festivais especializados (este ano em Sitges assisti mesmo a uma maratona zombie, que começou à 1 da matina e, entre curtas e longas, acabou depois do nascer dos sol - eu aterrei lá para as 5) ou procurar naqueles caixotes nos hipermercados com dvds ao preço da uva mijona.
Este 'Undead or Alive' é uma auto denominada zombedie (uma comédia zombie) e ainda um western (esse sim, um género moribundo). Ou seja, faz parte dum subgénero muito vulgar que é a comédia mais ou menos idiota feita por tuta e meia. Esta destaca-se apenas por uma originalidade do argumento: os zombies foram criados… pelo chefe Índio Jerónimo! Esta verdadeiramente não lembrava nem a um careca. Só aconselhável aos mais fanáticos de entre os fanáticos do género.
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4/10)

A irmã da minha noiva
Dois anos antes do sucesso de ‘The Philadelphia Story/Casamento escandaloso’, o mesmo quarteto responsável (realizador Cukor, argumentista Ogden Stewart adaptando Philip Barry, estrelas Grant e Hepburn) experimentou com este ‘Holiday/A irmã da minha noiva’ um grande fiasco, que muito contribuiu para o rótulo de box-office poison se colar a Katherine Hepburn. Mas, uma vez mais, o público é que estava errado. ‘Holiday’ é um filme infinitamente inteligente e divertido, uma obra-prima absoluta da Screwball Comedy, esse género que se encontra – nunca é demais lamentá-lo – mais que morto e enterrado.
Holiday, George Cukor, 1938 (10/10)

Vamo-nos amar
Outro Cukor pouco citado, excepto pelo romance extra-tela que proporcionou entre os seus protagonistas – Marylin Monroe e Yves Montand, nada mais, nada menos. Mas não se deixe o leitor enganar: é um Cukor vintage, e tem a que é por muitos considerada a melhor performance de Marylin no cinema, no seu penúltimo filme, aos trinta e três anos, dois antes da sua morte.
Let’s Make Love, George Cukor, 1960 (10/10)

18.11.08

Ensaio sobre a cegueira



Nunca li ‘Ensaio sobre a cegueira’, mas como qualquer pessoa que já tenha lido algo de Saramago, percebo a dificuldade de adaptar ao cinema um escritor com um estilo tão vincado.

O enredo, sobre uma epidemia que começa a cegar toda a gente, pode ser lido como uma metáfora de uma data de coisas. Mas isso fica mais para o final do filme. Até lá, este tem uma espécie de primeira parte, que ocupa a maior parte da fita, e que se passa num antigo hospício onde os afectados pela cegueira são postos em quarentena pelo governo.

Aqui, o argumento não se distingue muito do de uma data de filmes de suspense/terror/catástrofe, em que um grupo confinado a um espaço limitado, sujeito a uma ameaça, em vez de cooperar para se tentar salvar, rapidamente se desmorona, vindo ao de cima tudo o que de pior há no homem: o egoísmo, a ganância, a inveja, a irracionalidade. O facto de estarem cegos pouco importa neste contexto: a natureza humana é sempre a mesma.

Na minha opinião, o filme aguenta-se bem nesta parte, transmitindo com força este ambiente hostil, degradado, sujo, inumano. Julianne Moore suporta bem a parte de leão que lhe calha e Ruffalo e Bernal não deslustram.

Os problemas chegam quando o grupo sai para a rua. Nesta última meia hora há uma série de opções do realizador que me parecem bastante questionáveis, desde a banda sonora a algumas cenas ‘etéreas’, que transmitem um ambiente assim para o lamechas e pegajoso, que ‘fecha’ mal a metáfora e destrói alguma da tensão que o filme tinha indubitavelmente conseguido criar até aí.

Penso que terão sido estas e outras opções do realizador (como as ‘manchas brancas’, que não me parecem funcionar mal, apesar de não ‘marcarem’) que criaram tantos anticorpos ao filme, mas também me parece que a colecção de bolas pretas que tem coleccionado em muito lado se deve a alguma má vontade generalizada, como a que aconteceu em relação a ‘Babel’, por exemplo. Achei o virtuosismo de Meirelles bem mais irritante em ‘Cidade de Deus’ do que aqui, em que me parece que apesar de tudo se sentiu mais ‘amarrado’ ao texto de Saramago.

Blindness, Canadá/Brasil/Japão, 2008. Realização: Fernando Meirelles. Com: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Mitchell Nye, Danny Glover, Scott Anderson, Sandra Oh.