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18.12.08
3 em 1 (ou o método Corman)

16.12.08
Anos 40
15.12.08
Notas Breves #3

12.12.08
Baile de Outono
Às tantas, durante ‘Baile de Outono’, uma mulher diz ao seu companheiro: ‘pareces uma personagem do Bergman’. Também poderia ter dito que ele parecia uma personagem de Antonioni. E ao espectador ocorre também Tarkovsky (pelo formalismo ‘poético’); ou Kaurismäki (pelo ambiente gélido); ou até o P.T.Anderson de ‘Magnolia’ (e não só pela estrutura do filme). E, numa das cenas iniciais, é-nos mostrado um poster de um filme de Cassavetes.
Inicialmente parece-nos que o filme não é mais do que isto: uma acumulação de referências, transferindo as angústias existenciais e a incomunicabilidade de Antonioni para os frios ambientes nórdicos (o filme passa-se nos arrabaldes de Tallin). Mas a realidade é que o realizador estónio vale mais do que isso, e o filme encontra um tom próprio, acabando as suas geométricas deambulações, entre ambientes elegantes e refinados e os feios subúrbios soviéticos, por nos agarrar algo hipnoticamente. Talvez sejam os esparsos toques de humor que surgem para lá do meio do filme, bem como uma espécie de happy end (para uma personagem!), que nos alertem para o facto de o realizador ter uma capacidade de nos manipular (no bom sentido) superior ao que estaríamos à espera. O seu nome não é fácil de fixar, mas vale a pena tentar: Veiko Õunpuu.
Sügisbal/Autumn Ball, Estónia, 2007. Realização: Veiko Õunpuu. Com: Rain Tolk, Taavi Eelmaa, Juhan Ulfsak, Sulevi Peltola, Tiina Tauraite, Maarja Jakobson.
11.12.08
9.12.08
Top Anos 40

1. Citizen Kane (O mundo a seus pés), Orson Welles, 1941
2. The Grapes of Wrath (As vinhas da ira), John Ford, 1940
3. Out of the Past (O arrependido), Jacques Tourneur, 1947
4. This Land Is Mine (Esta terra é minha), Jean Renoir, 1943
5. Casablanca, Michael Curtiz, 1942
6. Notorious (Difamação), Alfred Hitchcock, 1947
7. Roma, città aperta (Roma, cidade aberta), Roberto Rossellini, 1945
8. The Philadelphia Story (Casamento escandaloso), George Cukor, 1940
9. Double Indemnity (Pagos a dobrar), Billy Wilder, 1944
10. Brief Encounter (Breve encontro), David Lean, 1946
11. The Great Dictator (O grande ditador), Charles Chaplin, 1940
12. Duel in the Sun (Duelo ao sol), King Vidor, 1946
13. A Matter of Life and Death (Um caso de vida ou de morte), Michael Powell e Emeric Pressburger, 1946
14. Meet me in St.Louis (Não há como a nossa casa), Vincente Minnelli, 1944
15. The Woman on the Beach (A mulher desejada), Jean Renoir, 1947
16. Spellbound (A casa encantada), Alfred Hitchcock, 1945
17. The Woman in the Window (Suprema decisão), Fritz Lang, 1944
18. The Maltese Falcon (Relíquia macabra), John Huston, 1941
19. Detour (Desvio), Edgar G.Ulmer, 1945
20. Sullivan's Travels (A quimera do riso), Preston Sturges, 1941
Também: o meu Top dos anos 50.
5.12.08
Filmes de Novembro

Jogo fraudulento, Alfred Hitchcock, 1931 (8)
Holiday, George Cukor, 1938 (10)
Ascenceur pour l’échafaud, Louis Malle, 1958 (8)
Vamo-nos amar, George Cukor, 1960 (10)
Point Blank, John Boorman, 1967 (8)
Um lobisomem Americano em Londres, John Landis, 1981 (8)
Impacto súbito, Clint Eastwood, 1983 (8)
Cotton Club, Francis Ford Coppola, 1984 (8,5)
Caçador branco, coração negro, Clint Eastwood, 1990 (8)
Porco Rosso, H.Miyasaki, 1992 (8,5)
As asas do amor, Iain Softley, 1997 (7)
Undead or Alive, Glasgow Phillips, 2007 (4)
Paris, Cedrique Klapisch, 2008
Em Bruges, Martin McDonagh, 2008
Busca implacável, Pierre Morel, 2008
007 — Quantum of Solace, Marc Forster, 2008
Ensaio sobre a cegueira, Fernando Meirelles, 2008
O corpo da mentira, Ridley Scott, 2008
Wackness - À Deriva, Jonathan Levine, 2008
A turma, Laurent Cantet, 2008
3.12.08
A turma
Embora eu me identifique infinitamente mais com o professor de informática que na sala dos professores desabafa, desesperado, ‘estou farto de aturar estes anormais’ (os alunos, bem entendido), do que com o simpático, tolerante, super-paciente e por isso mesmo vastas vezes irritante François, a verdade é que tudo bate bem neste filme.
A verdadeira guerrilha que o grupo multi-étnico de adolescentes, mais finos que um coral, movem ao professor, é digna de ser vista e revista. Achando-se cheios de direitos, mas com quase nenhuns deveres, sentem-se à vontade para perguntar ao professor se ele é gay, para lhe dizerem que ele está a implicar com eles só porque os mandou ler um texto, para lhe explicarem que só ‘pães com manteiga’ (i.e. brancos) snobs usam o imperfeito do conjuntivo, por isso não há razão para o aprenderem, para protestarem porque usou o nome 'Bill' num exemplo e não 'Ahmed' ou outro que reflectisse o 'multiculturalismo' da turma, para discutirem em plena aula sobre as selecções de futebol do ‘seu’ país (i.e. Marrocos, o Mali ou outro), etc.,etc. É estarrecedor. E na única ocasião em que o quase-Santo e hiper-paciente François perde a paciência e se excede, eles aproveitam diligentemente o deslize para lhe causarem problemas junto dos colegas (que colaboram alegremente) e da direcção. E o que podem os professores fazer no meio disto tudo? Nada, ou quase nada – podem expulsar o aluno da sua escola, o que fazem a uma dúzia deles por ano.
Ou seja, a extraordinária perseverança e empenho de François, só servem para realçar o enorme falhanço que é a escola (pelo menos uma escola como aquela) hoje em dia. Nem uma pessoa com o seu charme e vocação consegue fazer algo daquele grupo de adolescentes, que já têm os piores defeitos dos pais, que não aceitam a autoridade nem a disciplina, que estão interessados em tudo menos em aprender, muito menos a língua e cultura francesa (a maior parte nem se considera francês). E não deixa de ser irónico que um dos raros exemplos de aproveitamento escolar e bom comportamento, o chinês Wei, esteja em risco de ser devolvido à procedência por os pais não terem os papeis em ordem…
Como retrato da escola, e claro, como retrato da sociedade de que a escola é um microcosmos, este filme é todo um programa, bastante mais pessimista do que a sua aparente descontracção e humor (um milagre) podem fazer supor.
François Bégaudeau, que foi crítico de cinema, queixava-se numa entrevista que 90% das análises ao filme eram ‘sociológicas’, não cinematográficas, mas isso é inevitável numa ficção tão ancorada na realidade. Mas fazendo-lhe a vontade, diga-se que o trabalho de Cantet é extraordinário: todas, mas todas as personagens são absolutamente credíveis, o ambiente da sala de aula é absolutamente realista e quase parece que o realizador se limitou a pôr uma câmara escondida algures e registar o que se passava… Maior elogio à mise en scéne é difícil fazer.
Tal como no caso de ‘O segredo de um Cuscus’, outro filme francês, temos aqui um magnífico exemplo de grande cinema popular (mais de um milhão de espectadores em França).
Entre les Murs, França, 2008. Realização: Laurent Cantet. Com: François Bégaudeau, Lucie Landrevie, Agame Malembo-Emene, Rabah Naït Oufella, Carl Nanor, Esméralda Ouertani, Burak Özyilmaz, Eva Paradiso, Rachel Régulier, Angélica Sancio, Samantha Soupirot, Boubacar Touré, Justine Wu, Atouma Dioumassy, Nitany Gueyes.
Dardos
1.12.08
Wackness - À Deriva

'Wackness - À Deriva ' tem um ritmo próprio, a que podemos demorar algum tempo a aderir, mas tem uma série de virtudes que geralmente associamos ao agora mal afamado ‘cinema independente’: argumento inteligente (simultaneamente sobre a chegada à idade adulta e sobre o deixar de ser jovem, com as complicações amorosas/sexuais no centro, num tom não exactamente optimista mas sempre com humor - qualidade que redime muita coisa), diálogos impecáveis, câmara próxima das personagens (e uma excelente fotografia, em tons sépia, de Petra Korner ), banda sonora bem esgalhada (com o Hip hop a liderar) e um muito sólido conjunto de actores, com destaque para o diálogo que se estabelece entre o jovem Josh Peck e o veterano Ben Kingsley, que tem aqui o seu melhor papel em anos.
