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2.1.09

RocknRolla - A Quadrilha



RockandRolla é um retrato da Londres actual vista a partir do submundo do crime. Da Londres da especulação imobiliária e da corrupção a ela associada, dos emigrantes russos (uma das personagens é um bilionário russo, dono de um clube de futebol e de um iate…), das estrelas rock caprichosas, dos gangues, dos pequenos e grandes criminosos de toda a espécie.

Tudo isto narrado naquele estilo chico-esperto que é imagem de marca de Guy Ritchie: argumento engenhoso, diálogos rápidos, uma piada a cada esquina, uma câmara exibicionista, com movimentos lentos, com movimentos rápidos, com cortes bruscos, com uma montagem vistosa.

É sem dúvida um estilo que se pode tornar cansativo e até irritante, mas o filme aguenta-se sempre no fio da navalha, acabando milagrosamente por não resvalar para a auto-indulgência ou para a palhaçada e deixando-se ver bem. Embora no final não possamos de deixar de ficar com a sensação, como resumiu exemplarmente uma amiga com quem vi o filme, que é muita parra e pouca uva.
RocknRolla, Grã-Bretanha, 2008. Realização: Guy Ritchie. Com: Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Mark Strong, Idris Elba, Tom Hardy, Toby Kebbell, Jeremy Piven, Ludacris, Karel Roden.

31.12.08

Boas entradas...

Um dos delirantes momentos do feel good movie do ano, que ao que parece também foi o filme mais visto por cá em 2008. Bendita pátria.

...e um óptimo 2009



“I’ve gone just about as far as I can go with this body"

(a frase do ano, dita por Linda Litzke (Frances McDormand) in 'Burn After Reading', dos irmãos Coen)

30.12.08

2008 - as minhas falhas



Vi recentemente em sala ‘Quatro noites com Anna’ (comme si, comme ça) e em casa ‘O voo do balão vermelho’ (gosto sempre destes filmes em que não se passa nada), mas acabo o ano sem ter (ainda) visto vários filmes que pretendia.

Tenho muita pena de ter perdido ‘Lobos’, ‘The Lovebirds’ e, principalmente, ‘Mal nascida’ (Amálias à parte, é verdadeiramente difícil ver filmes portugueses fora de Lisboa; estes passaram tão fugazmente pelo Porto que nem tive oportunidade de os apanhar); e ainda vou tentar ver ‘California Dreamin’, de Cristian Nemescu (a ‘Nova vaga’ Romena não é tão elogiada em Portugal como merece; fosse Cristian Mungiu português e Miguel Gomes romeno, e eu gostava de ver se muitos tops eram iguais ao que são).

Tenho alguma curiosidade sobre ‘Fome’, ‘Alexandra’ e ‘O segredo de Lorna’ (embora nem Sokurov nem os irmãos Dardenne sejam muito my cup of tea), vê-los-ei se tiver oportunidade para isso em sala.

Last but not the least, faltam-me ver os recém estreados 'Australia' (Baz Luhrmann nunca me desiludiu) e ‘Três Macacos’, de Nuri Bilge Ceylan (cujo excelente ‘Climas' foi o meu filme do ano passado).

É muita coisa. Aliás vejo pelas labels do blogue que este ano vi 84 estreias, menos 5 do que o ano passado…
Pelo que nunca se sabe se o top abaixo ainda é revisto.

Adenda: falta-me também o 'Pas Douce'.

23.12.08

2008 - Top 10



1 - My Blueberry Nights - O sabor do amor, de Wong Kar-Wai

2 - A turma, de Laurent Cantet

3 - Sweeney Todd: o terrível barbeiro de Fleet Street, de Tim Burton

4 - Darjeeling Limited, de Wes Anderson

5 - Este país não é para velhos, de Joel e Ethan Coen

6 - 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu

7 - Corações, de Alain Resnais

8 - A rapariga cortada ao meio, de Claude Chabrol

9 - I'm Not There — Não estou aí, de Todd Haynes

10 - Juno, de Jason Reitman

22.12.08

Caos calmo



Se, na ignorância, me fizessem um Pepsi Challenge com este filme, eu provavelmente apostaria que o realizador não era Nanni Moretti. Há algo na realização, na banda sonora por exemplo (que podia ser mais discreta), que denunciam outra mão. Mas não há duvida que este é um filme de Moretti, no sentido em que a sua personagem se insere completamente na linhagem que vem de Michele Apicella no já distante 'Io sono un autarchico' (1976), se prolongou por meia dúzia filmes e passou testemunho a Nanni himself em 'Querido diário'.

Será porventura impossível Moretti ser um mero actor num filme, como o será com Woody Allen ou como era até certo ponto com Orson Welles, mas é mais do que isso: o Moretti obsessivo, irritado com os outros (mas mais moderadamente), egoísta, de praticamente todos os seus filmes, cá está novamente. Não importa que o argumento seja baseado num livro (mas o próprio escritor Sandro Veronesi já admitiu que inconscientemente se pode ter inspirado em aspectos da personalidade de Moretti!), nem que esteja outro realizador por trás da câmara (Antonio Grimaldi): este Pietro Paladini é Nanni Moretti, ou a persona de Moretti.

Posto isto, diga-se que é um muito bom filme, esta história do executivo que após a morte da mulher passa os dias sentado num banco em frente à escola da filha, sendo os amigos, colegas e conhecidos que se habituam a ir lá ter com ele. O realizador Antonio Grimaldi gere as coisas com mão segura, Moretti continua Moretti e a sua persona não nos cansa, sendo que curiosamente parece que precisou de outro realizador para a continuar, depois dos algo atípicos 'O quarto do filho' e 'O caimão'.

PS: Não deixa de ser curiosa a polémica que houve em Itália por causa da cena de sexo 'cru' envolvendo Moretti. A cena per si não tem nada que não se veja todos os dias noutros filmes; quanto ao facto de ser Moretti a interpretá-la (as pessoas vê-lo-ão como 'um pai'), é esquecer que uma das suas personas, o Michele Apicella de 'Bianca', era... um assassino em série!

Caos Calmo, Itália, 2008. Realizador: Antonio Grimaldi. Com: Nanni Moretti, Valeria Golino, Isabella Ferrari, Alessandro Gassman, Blu Yoshimi, Hippolyte Girardot, Kasia Smutniak, Denis Podalydès, Charles Berling.

18.12.08

3 em 1 (ou o método Corman)



Beech Dickerson é provavelmente o único actor na história a 'tocar tambor no próprio funeral', tendo interpretado o morto e um dos participantes no funeral, em Teenage Caveman (num triunfo do casting polivalente, interpretou também o urso que matou o falecido).

Gary Morris in 'Roger Corman - O anjo selvagem de Hollywood', o catálogo da Cinemateca dedicado ao realizador.

16.12.08

Anos 40

Quer saber quais são os melhores filmes dos anos 40? A Liga dá o seu veredicto.

15.12.08

Notas Breves #3



Verão violento
Comecei a atacar a caixa Valerio Zurlini por aqui (e vou seguir a ordem cronológica). Não sei porquê, do que li sobre Zurlini (pouquíssimo), estava à espera de algo na onda de Antonioni, mas ‘Verão violento’ tem pouco de Antonioni.

Roberta (Eleonora Rossi Drago), a jovem viúva que descobre pela primeira vez o amor na pessoa de um rapaz dez anos mais novo (Carlo/Jean-Louis Trintignant), poderia ser a priori uma personagem de Antonioni, mas o modo como esse amor é tratado e retratado, um amor excessivo, violento, exposto, tem mais a ver, parece-me, com a tradição melodramática americana. De resto, o tempo do filme, a sua fotografia, o mostrar o Verão, a juventude, a vida fácil desta com a guerra ao lado, os ciúmes de Rosanna por Roberta e a sua antipatia por tabela por Maddalena, tudo me pareceu extraordinário, belo, original.

Pensei em ver restantes filmes da caixa de enfiada, mas depois achei que precisava de ter calma, de dar tempo - não é todos os dias que se descobre um cineasta deste tamanho.
Estate Violenta, Valério Zurlini, 1959 (9,5/10)

12.12.08

Baile de Outono



Às tantas, durante ‘Baile de Outono’, uma mulher diz ao seu companheiro: ‘pareces uma personagem do Bergman’. Também poderia ter dito que ele parecia uma personagem de Antonioni. E ao espectador ocorre também Tarkovsky (pelo formalismo ‘poético’); ou Kaurismäki (pelo ambiente gélido); ou até o P.T.Anderson de ‘Magnolia’ (e não só pela estrutura do filme). E, numa das cenas iniciais, é-nos mostrado um poster de um filme de Cassavetes.

Inicialmente parece-nos que o filme não é mais do que isto: uma acumulação de referências, transferindo as angústias existenciais e a incomunicabilidade de Antonioni para os frios ambientes nórdicos (o filme passa-se nos arrabaldes de Tallin). Mas a realidade é que o realizador estónio vale mais do que isso, e o filme encontra um tom próprio, acabando as suas geométricas deambulações, entre ambientes elegantes e refinados e os feios subúrbios soviéticos, por nos agarrar algo hipnoticamente. Talvez sejam os esparsos toques de humor que surgem para lá do meio do filme, bem como uma espécie de happy end (para uma personagem!), que nos alertem para o facto de o realizador ter uma capacidade de nos manipular (no bom sentido) superior ao que estaríamos à espera. O seu nome não é fácil de fixar, mas vale a pena tentar: Veiko Õunpuu.

Sügisbal/Autumn Ball, Estónia, 2007. Realização: Veiko Õunpuu. Com: Rain Tolk, Taavi Eelmaa, Juhan Ulfsak, Sulevi Peltola, Tiina Tauraite, Maarja Jakobson.