
Confesso que estava a gostar tanto de ‘Vicky Cristina Barcelona’ que até fiquei um bocadinho, como direi, desiludido?, irritado?, quando apareceu a personagem de Penelope Cruz. Estavam-me a saber tão bem aqueles jogos de sedução entre Juan Antonio (excelente Bardem) e Vicky e Cristina que nem queria que se passasse mais nada.
Enfim, continuo a achar que Penelope desequilibra um pouco o filme (parece-me a única personagem que não descola do estereotipo), mas nem assim se quebrou o meu encantamento. O modo como Woody Allen joga com todos os clichés sobre os espanhóis, sobre Barcelona, sobre os americanos, sobre as relações, abertas ou nem por isso, é de mestre. E Vicky e Cristina, meu Deus, nem há palavras para Scarlett e Rebecca Hall, magnífica dupla que Woody em boa hora juntou.
E o modo como Allen combina leveza e gravidade, como põe toda a sala a rir com um filme em que ninguém é verdadeiramente feliz (só o enfadonho marido de Vicky, o que não é muito consolador) e que não acaba bem para uma única personagem.
Acrescento apenas, que desde ‘ Death Proof’ que não saía de um filme com tanta vontade de entrar na sala outra vez para o rever (ainda não tive oportunidade de o fazer, mas não deve passar de hoje). É assim Woody Allen: sempre que o querem enterrar (e eu quase que o fiz com ‘O sonho de Cassandra’), lá saca ele de mais um coelho da sua cartola-universo de obras-imperdiveis.
Vicky Cristina Barcelona, Espanha/E.U.A., 2008. Realização: Woody Allen. Com: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penélope Cruz, Chris Messina, Patricia Clarkson, Kevin Dunn.







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