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13.11.09

I'm still unemployed

Did you bang her?
- No
What, hum job? Hand job?
-Man, no. No jobs. I'm still unemployed.

[(500) Days of Summer ]

12.11.09

Os limites do controlo
















Jim Jarmush leva aqui o seu minimalismo discreto (nos dois sentidos da palavra) e melancólico quase ao nível da abstracção.

O impassível Isaach De Bankolé, assassino contratado, pose à samurai (o de Melville e os outros), vagueia por Madrid, por Sevilha, por uma aldeola andaluza, até finalmente cumprir a sua missão. O seu rosto de pedra, os seus fatos elegantes, os seus rituais (2 cafés em chávenas separadas, as trocas de caixas de fósforos com diversas personagens, etc.) é o que interessa ao realizador. E a fotografia (de Christopher Doyle) e a banda sonora (Boris, Earth, Sunn O))),.. ) dão o tom adequado. O argumento não passa de um vago pretexto.

Jarmush permanece igual a si próprio e não sou eu que me queixarei: cada vez gosto mais dos seus filmes.

The Limits of Control, E.U.A./Espanha/Japão, 2009. Realização: Jim Jarmusch. Com: Isaach De Bankolé, Luis Tosar, Tilda Swinton, John Hurt, Gael García Bernal, Bill Murray, Paz de la Huerta.

8.11.09

Os Irmãos Bloom



















Durante 10 minutos, mais exactamente durante o período em que a personagem de Adrien Brody toma conhecimento com a de Rachel Weisz, pareceu-me estar a ver um filme de Wes Anderson. Pelo próprio Brody, por causa das famílias, dos objectos, do guarda-roupa, do tom melancolicamente excêntrico. E isso é bom, claro. Mas essa impressão foi-se desvanecendo por culpa do realizador: a câmara é muito vistosa e é dada muita importância ao argumento, uma história meia confusa que faz lembrar Guy Ritchie. E isso já não é tão bom, claro.

Tal como os dois irmãos Bloom têm dificuldade em cortar o laço umbilical que os liga, apesar das personalidades opostas, Ruffalo teatral, exibicionista, cheio de ideias, e Brody melancólico, sedutor, recatado, também Rian Johnson não se consegue livrar desta bipolaridade. E tem dificuldade em encontrar o tom certo entre a história de golpes cheia de reviravoltas e a história de amor entre dois desadaptados; em conseguir canalizar alguma da energia dispersa numa realização ostensiva para se concentrar mais na atenção aos pormenores, aos sentimentos.

No meio disto tudo o filme perde-se e Johnson acaba por desbaratar algum do crédito ganho com a sua muito boa estreia, ‘Brick’. Um terceiro filme servirá para tirar as dúvidas sobre o caminho que seguirá.

The Brothers Bloom, E.U.A., 2008. Realização: Rian Johnson. Com: Rachel Weisz, Adrien Brody, Mark Ruffalo, Rinko Kikuchi, Maximilian Schell, Robbie Coltrane.

4.11.09

Parabéns!











É assim que o Google hoje comemora o 20º aniversário dos extraordinários Wallace and Gromit, que apareceram pela 1ª vez em 1989 na curta-metragem 'A Grand Day Out', realizada por Nick Park, dos Estúdios Aardman.

Seguir-se-iam mais duas curtas, as obras-primas absolutas  'The Wrong Trousers' (1993) e 'A Close Shave' (1995), surgindo em 2005 a primeira e até à data única longa-metragem, 'The Curse of the Were-Rabbit'.

Os fãs podem ainda descobrir na net uma quarta curta-metragem feita para a televisão em 2008, 'A Matter of Loaf and Death' .

O método é sempre o mesmo: animação stop motion com bonecos de plasticina; os resultados também não variam muito: oscilam entre o muito bom e o génio puro.

A Grand Day Out  (9/10)
The Wrong Trousers (10/10)
A Close Shave (10/10)
The Curse of the Were-Rabbit/A maldição do Coelhomem (8/10)
A Matter of Loaf and Death (7/10)

OBS.: Tanto 'The Curse...' como as 3 primeiras curtas se encontram editadas em dvd por cá.

3.11.09

Onde se fala de Hitchcock, Spielberg, Kubrick, Proust, Jarvis Cocker ...















Arnaud Desplechin entrevista Wes Anderson, ou melhor dizendo, Arnaud Desplechin conversa com Wes Anderson.

(via Cruel Vitória)

1.11.09

Filmes de Outubro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.

(A última vez que postei nesta 'secção' foi em Março. Nesse mês vi 20 filmes, algo habitual à época. Agora ando a bater todos os records negativos neste campo, mas não é por causa de pormenores desses que um viciado em listas vai acabar com a tradição)





















A minha noite em casa de Maud, Eric Rohmer, 1969 (10)
O homem que gostava das mulheres, François Truffaut, 1977 (8,5)
Noce blanche, Jean-Claude Brisseau, 1989 (6,5)
Battle Royale, Kinji Fukasaku, 2000 (7)
Deixa-me entrar, Tomas Alfredson, 2008
Abraços desfeitos, Pedro Almodovar, 2009

30.10.09

Queria dar-lhes a oportunidade de saírem

"Sabia que teria de adicionar uma espécie de prólogo de cinco minutos: os primeiros três permitiriam à audiência acostumar-se ao carácter invulgar do filme, para poder decidir se quer ou não sair da sala. Queria dar-lhes a oportunidade de saírem, no caso de pensarem que talvez durante a próxima hora e meia o filme apenas mostrasse aviões a aterrar."

Werner Herzog, a propósito de 'Fata Morgana',  in  'Sinais de vida. Werner Herzog e o cinema', Grazia Paganelli, Edições 70

23.10.09

Exactamente

"A fotografia de Azul de Kieslowski é muito bonita mas é demasiado assinada, tem demasiados filtros, demasiados efeitos pessoais da parte do director de fotografia.
Isto acontece por vezes com os maiores responsáveis pela fotografia: a fotografia pela qual Nestor Almendros ganhou o Óscar, a de Dias do Paraíso [Terence Malick, 1978], é o exemplo de um trabalho em que o técnico faz valer demasiado a sua presença. Isso pode depender do filme: em Black Narcisus [Quando os sinos dobram, 1947], de Michael Powell, o director de fotografia, Jack Cardiff, fez uma obra extravagante e muito bem conseguida."

Pedro Almodovar, no imprescindível  'Conversas com Pedro Almodovar', Frédéric Strauss, 90º Editora.

22.10.09

Battle Royale
















Quarenta estudantes de uma turma do secundário são enviados para uma ilha onde têm que se entregar a um curioso jogo: têm que se matar uns aos outros em três dias. Das duas, uma: ou há um sobrevivente ou morrerão todos. O sádico professor Kitano (himself) vai anunciando diariamente, através de um altifalante, as mortes ocorridas.

É claro que o pior de cada um vem ao de cima, e a partir de uma certa altura (para alguns a partir do primeiro segundo) o único pensamento é a sobrevivência, o que implica despachar o maior número de colegas possível. Um tema clássico, portanto.

'Battle Royale' é um 'Deus das moscas' em versão videogame. Tem aquela mistura de violência, algum erotismo juvenil (colegiais de mini-saia, um must nipónico) e palermice de que só os japoneses têm o segredo. É também conhecido por ser o filme preferido de Tarantino dos últimos 17 anos.

Classificação: 7/10

Batoru rowaiaru, Japão, 2000. Realização: Kinji Fukasaku. Com: Takeshi Kitano, etc.

21.10.09

François Truffaut (06/02/1932-21/10/1984)


Faz hoje 25 anos que faleceu, com 52 anos de idade, vítima de um tumor cerebral, François Truffaut. Três dias depois seria o seu funeral, seguido por milhares de anónimos, mas também por muitas das mulheres que amou (onde se contam Jeanne Moreau, Claude Jade, Françoise Dorléac, Jaqueline Bisset, Leslie Caron, Catherine Deneuve, Fanny Ardant, Madeleine Morgenstern), tal como ocorreu no funeral de Morane, em o ‘Homem que gostava das mulheres’.

É impossível ser-se um cinéfilo e não amar Truffaut, paradigma por excelência do cinéfilo, de quem se diz que terá visto mais de 3000 filmes entre 1946 e 1956, dois e três por dia, encontrando nas salas de cinema um refúgio a um lar hostil, com um pai ausente e que nunca conheceu (foi o padrasto que lhe deu o apelido) e uma mãe que o não amava (e são os seus filmes que o confirmam, não estou a fazer qualquer tipo de psicologia barata). Dessas sessões começou a organizar arquivos sobre filmes e realizadores, prenúncio da actividade que primeiro o celebraria: a de critico cinematográfico.

E foi apenas um dos mais importantes e influentes do século, cunhando a célebre teoria do cinema de autor, defendendo realizadores americanos como Hitchcock ou Hawks, de quem conhecia os filmes de cor, muitas vezes fotograma a fotograma, contra o cinema francês da época, “a tradição de qualidade”, lançando as sementes para a Nouvelle Vague. Mais tarde teria ainda as célebres conversas com Hitchcock, reunidas num livro de leitura obrigatória a qualquer pessoa que pense o cinema como algo mais que um acompanhamento para comer pipocas.

Se a sua importância como critico é incontestada, a importância dada ao seu legado como realizador tem variado, e penso que não exagerarei ao dizer que hoje em dia colegas seus da Nouvelle Vague como Rohmer, Rivette ou Godard gozam mais dos favores da critica do que Truffaut. Só ‘Os 400 golpes’ e ‘Jules e Jim’ são habitualmente citados como obras-primas e não se costuma ir muito além disso no conhecimento da sua obra. Eu acrescentaria, pelo menos, ‘As duas Inglesas e o continente’ e ‘Atirem sobre o pianista’ como filmes obrigatórios em qualquer lista de ‘melhores de sempre’. E outros, como ‘Beijos roubados’ e ‘Angústia’, contam-se entre os meus filmes preferidos.
Mas há vida para além destes filmes, e não há nenhum dos 24 que realizou (21 longas e três curtas) que não valha a pena ver. Como recordação repesco aqui dois posts que escrevi sobre dois filmes fundamentais para conhecer Truffaut, como cineasta e como homem (e todos os seus filmes são muito autobiográficos, formando a sua obra um conjunto inseparável): ‘A noite Americana’, a maior declaração de amor ao cinema que já vi (e compare-se, por contraste, com as mais que cínicas visões que Hollywood nos deu de si própria) e ‘Amor em fuga’, o filme que encerra o extraordinário ciclo Doinel, 20 anos depois de ‘Os 400 golpes’.

Nunca mais ninguém conseguiu transmitir uma tristeza persistente por trás de uma aparente leveza e leviandade, como Truffaut nestas (e noutras) obras.