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21.11.09

Longe da Terra Queimada



















Um dos ódios de estimação de parte da crítica portuguesa e não só, é o mexicano Alejandro González Iñárritu, realizador de 'Amor Cão', '21 Gramas' ou 'Babel'. Todos estes filmes têm em comum o argumentista, Guillermo Arriaga, e este é sem dúvida um dos principais 'culpados' da marca autoral destes filmes, caracterizados por  narrativas não lineares, hiatos temporais, episódios segmentados.

Tal como outros argumentistas 'autores', também Arriaga não resistiu a passar para trás da câmara e realizar um seu argumento. Arriaga é acima de tudo um bom contador de histórias, e essa característica mantém-se nesta obra, em que dois segmentos espaçados temporalmente se vão encandeando, até formarem o puzzle completo, retratando um drama familiar, numa zona de fronteira.

A realização é 'neutra', pondo-se ao serviço do argumento, há um bom naipe de actores, destacando-se Kim Basinger e Charlize Theron, e no global é um filme sólido e adulto, em que o espectador não dá o seu tempo por perdido. Mas, de facto, talvez não ultrapasse o nível de um episódio médio de 'Californication' ou de 'Dexter'...

The Burning Plain, E.U.A., 2008. Realização: Guillermo Arriaga. Com: Kim Basinger, Charlize Theron, Joaquim de Almeida, José María Yazpik, Jennifer Lawrence

20.11.09

Épicos

















(...) penso que, actualmente, uma vez que os homens de letras parecem ter negligenciado os seus deveres épicos, a epopeia, estranhamente, foi salva para nós pelos westerns.

Jorge Luis Borges in 'Entrevistas da Paris Review', Tinta da China Edições

(Julho de 1966)

16.11.09

Megafone






















[O cinema] é de tal modo um meio do realizador que, dos filmes, surgiu apenas um escritor, trabalhando exclusivamente como guionista, a quem pode ser atribuida a designação de génio do cinema. Refiro-me áquele tímido e encantador camponês que foi Zavattini. Que sentido visual! Oitenta por cento dos bons filmes italianos foram feitos a partir de guiões de Zavattini - todos os De Sica, por exemplo.
De Sica é um homem fascinante, uma pessoa talentosa e profundamente sofisticada; no entanto, é acima de tudo um megafone de Zavattini, os filmes dele são em absoluto criações de Zavattini: todos os matizes, os ambientes, o mais pequeno pormenor está claramente indicado nos guiões de Zavattini.

Truman Capote in 'Entrevistas da Paris Review', Tinta da China Edições

14.11.09





13.11.09

I'm still unemployed

Did you bang her?
- No
What, hum job? Hand job?
-Man, no. No jobs. I'm still unemployed.

[(500) Days of Summer ]

12.11.09

Os limites do controlo
















Jim Jarmush leva aqui o seu minimalismo discreto (nos dois sentidos da palavra) e melancólico quase ao nível da abstracção.

O impassível Isaach De Bankolé, assassino contratado, pose à samurai (o de Melville e os outros), vagueia por Madrid, por Sevilha, por uma aldeola andaluza, até finalmente cumprir a sua missão. O seu rosto de pedra, os seus fatos elegantes, os seus rituais (2 cafés em chávenas separadas, as trocas de caixas de fósforos com diversas personagens, etc.) é o que interessa ao realizador. E a fotografia (de Christopher Doyle) e a banda sonora (Boris, Earth, Sunn O))),.. ) dão o tom adequado. O argumento não passa de um vago pretexto.

Jarmush permanece igual a si próprio e não sou eu que me queixarei: cada vez gosto mais dos seus filmes.

The Limits of Control, E.U.A./Espanha/Japão, 2009. Realização: Jim Jarmusch. Com: Isaach De Bankolé, Luis Tosar, Tilda Swinton, John Hurt, Gael García Bernal, Bill Murray, Paz de la Huerta.

8.11.09

Os Irmãos Bloom



















Durante 10 minutos, mais exactamente durante o período em que a personagem de Adrien Brody toma conhecimento com a de Rachel Weisz, pareceu-me estar a ver um filme de Wes Anderson. Pelo próprio Brody, por causa das famílias, dos objectos, do guarda-roupa, do tom melancolicamente excêntrico. E isso é bom, claro. Mas essa impressão foi-se desvanecendo por culpa do realizador: a câmara é muito vistosa e é dada muita importância ao argumento, uma história meia confusa que faz lembrar Guy Ritchie. E isso já não é tão bom, claro.

Tal como os dois irmãos Bloom têm dificuldade em cortar o laço umbilical que os liga, apesar das personalidades opostas, Ruffalo teatral, exibicionista, cheio de ideias, e Brody melancólico, sedutor, recatado, também Rian Johnson não se consegue livrar desta bipolaridade. E tem dificuldade em encontrar o tom certo entre a história de golpes cheia de reviravoltas e a história de amor entre dois desadaptados; em conseguir canalizar alguma da energia dispersa numa realização ostensiva para se concentrar mais na atenção aos pormenores, aos sentimentos.

No meio disto tudo o filme perde-se e Johnson acaba por desbaratar algum do crédito ganho com a sua muito boa estreia, ‘Brick’. Um terceiro filme servirá para tirar as dúvidas sobre o caminho que seguirá.

The Brothers Bloom, E.U.A., 2008. Realização: Rian Johnson. Com: Rachel Weisz, Adrien Brody, Mark Ruffalo, Rinko Kikuchi, Maximilian Schell, Robbie Coltrane.

4.11.09

Parabéns!











É assim que o Google hoje comemora o 20º aniversário dos extraordinários Wallace and Gromit, que apareceram pela 1ª vez em 1989 na curta-metragem 'A Grand Day Out', realizada por Nick Park, dos Estúdios Aardman.

Seguir-se-iam mais duas curtas, as obras-primas absolutas  'The Wrong Trousers' (1993) e 'A Close Shave' (1995), surgindo em 2005 a primeira e até à data única longa-metragem, 'The Curse of the Were-Rabbit'.

Os fãs podem ainda descobrir na net uma quarta curta-metragem feita para a televisão em 2008, 'A Matter of Loaf and Death' .

O método é sempre o mesmo: animação stop motion com bonecos de plasticina; os resultados também não variam muito: oscilam entre o muito bom e o génio puro.

A Grand Day Out  (9/10)
The Wrong Trousers (10/10)
A Close Shave (10/10)
The Curse of the Were-Rabbit/A maldição do Coelhomem (8/10)
A Matter of Loaf and Death (7/10)

OBS.: Tanto 'The Curse...' como as 3 primeiras curtas se encontram editadas em dvd por cá.

3.11.09

Onde se fala de Hitchcock, Spielberg, Kubrick, Proust, Jarvis Cocker ...















Arnaud Desplechin entrevista Wes Anderson, ou melhor dizendo, Arnaud Desplechin conversa com Wes Anderson.

(via Cruel Vitória)

1.11.09

Filmes de Outubro

Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.

(A última vez que postei nesta 'secção' foi em Março. Nesse mês vi 20 filmes, algo habitual à época. Agora ando a bater todos os records negativos neste campo, mas não é por causa de pormenores desses que um viciado em listas vai acabar com a tradição)





















A minha noite em casa de Maud, Eric Rohmer, 1969 (10)
O homem que gostava das mulheres, François Truffaut, 1977 (8,5)
Noce blanche, Jean-Claude Brisseau, 1989 (6,5)
Battle Royale, Kinji Fukasaku, 2000 (7)
Deixa-me entrar, Tomas Alfredson, 2008
Abraços desfeitos, Pedro Almodovar, 2009