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18.12.09

Top 10 - Filmes da década - 6º

Donnie Darko
Donnie Darko, Richard Kelly, 2002



A primeira longa-metragem do argumentista e realizador Richard Kelly - então um desconhecido de 26 anos - sobre um adolescente a quem aparece um coelho gigante que o informa que o mundo vai acabar dentro de 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos é um dos mais fascinantes, originais, e enigmáticos filmes da década.

Um fiasco de bilheteira aquando da estreia, tornou-se entretanto um objecto de culto - o que, infelizmente, não impediu que a carreira do realizador nunca mais entrasse nos eixos.

Top 10 - Filmes da década - 7º

Antes do Anoitecer
Before Sunset, Richard Linklater, 2004



Era uma aposta de alto risco de Richard Linklater: dar seguimento a ‘Antes do amanhecer’, o seu filme de culto de 1994, sobre o encontro entre um americano (Ethan Hawkes) e uma francesa (Julie Delpy) num comboio, um dia passado em conjunto em Viena, e um final convenientemente em aberto.

Pois bem, a aposta foi ganha pelo realizador e pelos seus dois actores, que agora também participam no argumento, utilizando a mesma (improvável) receita de sucesso: dois actores, uma hora e pico de conversa, sobre tudo e sobre nada, uma estrutura quase teatral (ambas as histórias se podiam passar num palco; Viena e Paris são mero pano de fundo), sem que o espectador praticamente note esta ‘originalidade’.

‘Antes do amanhecer’ era um filme sobre as esperanças dos 20 anos, ‘Antes do anoitecer’ é um filme sobre as desilusões dos 30. Mas com a esperança de que ainda não é tarde demais. Embora fique tudo em aberto, once again.

17.12.09

Top 10 - Filmes da década - 8º

Duplo Amor
Two Lovers, James Gray, 2008



O meu filme do ano é também um dos meus filmes da década. Um realizador sabático (ao que parece cada vez menos) e um actor genial (pelo menos antes de ficar oficialmente maluco), dão-nos um melodrama sobre a resignação como há muito não víamos.

Ele apaixonou-se, a coisa falhou e ele quase desistiu. Atirou-se outra vez, tornou a falhar e resignou-se à vidinha como ela é. Uma obra-prima dos nossos dias, que só não ponho mais à frente nesta lista por pudor em relação à pouca distância temporal decorrida desde que a vi (e revi).

Top 10 - Filmes da década - 9º

My Blueberry Nights — O Sabor do Amor

My Blueberry Nights, Wong Kar Wai, 2008



'My Blueberry Nights' é um mal-amado de Wong Kar Wai, mas eu acho fascinante esta transposição do seu universo romântico e de solidão para a paisagem on the road americana ao som de Cat Power.

E o que dizer de David Strathairn, de Rachel Weisz, de Natalie Portman? E o que dizer daquele final?

Kar Wai é um dos grandes realizadores em actividade, quer filme em Hong Kong, na Argentina, nos States, ou na lua.

16.12.09

Top 10 - Filmes da década - 10º

Mystic River
Mystic River, Clint Eastwood, 2003



O que primeiro sobressai em 'Mystic River' é o argumento, baseado num policial de Dennis Lehane. É um argumento intrincado, que toca em temas como o destino, as marcas inultrapassáveis do passado, a difusa fronteira entre a inocência e a culpa.

A seguir, o extraordinário elenco: Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Bacon, Márcia Gay Harden, Laura Linney, Laurence Fishburne.

E, só depois, a discreta mise-en-scène de Clint Eastwood (e a sombria fotografia de Tom Stern).

Será, provavelmente, um dos filmes mais contidos de Eastwood, e onde a sua marca ‘autoral’ estará mais difusa. Talvez contribua para isso ele própro não actuar - salvo erro apenas pela segunda vez num filme seu - mas a sua persona não deixa de estar presente, algures entre as personagens de Kevin Bacon e de Sean Penn.

Para um fã de policiais como eu - e, obviamente, este filme é muito mais do que um policial - é uma bênção um argumento destes encontrar um realizador do calibre de Eastwood.

14.12.09

Histórias de Caçadeira

















Um homem morre e no seu funeral aparecem os três filhos de um primeiro casamento, que ele abandonou. O mais enigmático, Son (Michael Shannon, actor com carisma de estrela) mostra o seu repúdio pelo morto. Os filhos do segundo casamento do homem, da sua segunda vida, após se ter tornado um cristão devoto e um pai de família consciencioso, não gostam.

'Histórias de Caçadeira' é um filme de ódios e vinganças, um olhar sobre a América profunda inserido numa linhagem que o cinema independente americano tem sabido prolongar desde os Westerns.

É um filme melancólico e minimalista, apoiado nos actores, na paisagem, e na memória de um certo cinema (americano). Não o perca.

P.S.: Dado o desfasamento temporal entre as estreias dos filmes e a sua referência aqui, que tem sido apanágio desta segunda vida do Duelo, quando eu digo 'Não o perca', leia-se, 'arranje-o em dvd ou na net', bem entendido...).

Shotgun Stories, E.U.A., 2007. Realização: Jeff Nichols. Com: Michael Shannon, Douglas Ligon, Natalie Canerday, Glenda Pannell, Lynnsee Provence, Michael Abbott Jr., David Rhodes, Travis Smith.

13.12.09

Topmania

O meu dicionário define década como 'série de dez anos', pelo que não será descabido chamar filmes da década aos do período 2000-2009 - embora pelo sentido mais corrente, em que houve a primeira década (ano 1 a 10), a segunda, e por aí adiante, o período a que chamaríamos década devesse ser 2001-2010. Pormenores. Vou então aderir à moda dos balanços da década e postar aqui os meus "10 filmes da década", ou seja os meus 10 filmes destes últimos 10 anos.

Depois, como sempre, postarei os meus 10 filmes do ano.

Finalmente, ando também a preparar um post com os meus 10 filmes de terror preferidos de sempre.

Em suma, reactivar a topmania é um dos grandes objectivos aqui do tasco neste final de ano.

11.12.09

"O que o Porto não precisa"















Não tenho nenhuma ideia para a cinemateca no Porto e muito menos de como ela deve funcionar, mas uma coisa parece-me evidente: ela deve ser tudo menos democrática! Estou farto de cinemas democráticos no Porto. O Porto precisa tanto de cinemas democráticos como de concertos do Pedro Abrunhosa. Desde o outlet em Vila do Conde até ao Arrábida Shopping em Gaia o distrito do Porto está cheio de cinemas democráticos. A cada 10km de auto-estrada há um cinema democrático que não vale um charuto. Se fosse para abrir outro cinema democrático com o nome de Cinemateca não seria precisa nenhuma Cinemateca no Porto. O Porto precisa exactamente de um sítio em que a programação seja elaborada com todos os cuidados, mas que um desses cuidados não seja a mínima preocupação de atrair uma boa quantidade democrática de público. Para isso serve o que há.

10.12.09

Contra Informação













Qualquer pessoa no staff de um jornal acha que pode questionar a opinião do colunista de cinema. O director do jornal, que mostra um respeito cauteloso pelo seu crítico de música, deterá casualmente o crítico de cinema no corredor: "Bom, realmente deitaste abaixo o último filme do Louis Malle. A minha mulher não concorda nada contigo. Ela adorou".

Truffaut escreveu isto em 1975 ( 'What Do Critics Dream About?', incluído em 'The Films In My Life', tradução livre minha), mas em 2009 mantém-se toda a sua actualidade.

A propósito da nomeação de Maria João Seixas para directora da Cinemateca, o jornal i não se lembrou de ninguém melhor a quem pedir a opinião do que a Nuno Artur Silva, 'director-geral das Produções Fictícias'.

Quando for nomeado um novo director da Biblioteca Nacional, aguardamos que o i vá ouvir a opinião de Bruno Aleixo.

7.12.09

Actividade paranormal





















O fenómeno em que este filme se tornou é conhecido: foi rodado numa semana em casa do realizador, com quatro ou cinco actores amigos, e custou 10.000 dólares. Foi comprado pela Deamworks apenas para dele fazer um remake, esteve dois anos na prateleira do estúdio, mas acabou por ser lançado numa dúzia de salas, na sessão da meia-noite. E eis senão quando um marketing sabiamente orquestrado e o passa-palavra dos espectadores foram criando uma bola de neve, que neste momento se cifra na bela quantia de 107 milhões de dólares facturados, só nos States. (o slogan promocional foi "Não veja este filme sózinho", conselho que não pude seguir até porque, ironicamente... estava sozinho na sala de cinema!)

O argumento? Um casal ouve barulhos estranhos durante a noite. Ela, que já tem experiência de actividades paranormais desde criança (mas nunca lhe contou a ele) fica assustadíssima. Ele, que é ultra-racional, só pensa em desvendar o mistério. Compra então uma câmara  (pois claro) e coloca-a a filmar o tempo todo, mormente durante a noite (supostamente vemos todo o filme através desta câmara).

O resultado? Bom, confesso que passei dois terços do filme a pensar "tanto barulho por isto"? Mas, tal como o protagonista masculino, depois de tanta espera, de tantas imagens fixas nocturnas, de tantos ruídos e estremecimentos vagos (o realizador tem a inteligência de nunca mostrar demasiado), quando as coisas começaram a aquecer, senti alguma angústia. E, admito, os dez minutos finais conseguem levar a tensão a níveis acima da média, acabando o filme em grande (se bem que eu preferisse que acabasse numa cena anterior). E, talvez a intenção do realizador fosse mesmo pôr-nos a marinar até este crescendo final.

Tudo somado, diria que é um filme simpático, nos antípodas do 'gore' actual, que não desapontará os fãs de terror e é capaz de assustar verdadeiramente (e é esse o objectivo de um filme como este) o espectador menos batido...

Paranormal Activity, E.U.A., 2007. Realização:Oren Peli. Com: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Ashley Palmer e Amber Armstrong.