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18.1.10
Brevemente
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Os meus 15 filmes de terror preferidos.
(A maior dificuldade tem sido definir o que é um filme de terror. Procurarei não alargar demasiadamente o conceito.)
16.1.10
O gosto dos outros
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Já referi algures que prefiro ver tops e preferências de realizadores que de críticos de cinema, pois geralmente estes são mais 'politicamente correctos', por assim dizer, preocupam-se sempre com o que não deixam de fora.
Por exemplo: o que é que os cineastas que admiro vão ver ao cinema? Eis duas respostas nada previsíveis com que me deparei recentemente:
Jacques Audiard - 'Deixa-me entrar', Still Life'... e há filmes que me tocam por razões fetichistas, como 'Frozen River', que é um filme muito anos 1970...
[ípsilon, 31.12.2009]
Michael Haneke - Dou muito valor aquilo que o Bruno Dumont tem feito, apesar de não ter visto ainda o seu último filme.
[Premiere, Janeiro 2010]
P.S: Também gostei mais de ver as listas da década dos convidados da Cahiers du Cinema que a lista da própria Cahiers. Pode conferi-las no blog do Sérgio Alpendre, aqui.
P.P.S.: Aqui Haneke também confessa que 'disfruto mucho con Woody Allen'! [descoberto via O homem que sabia demasiado]
P.P.S.: Aqui Haneke também confessa que 'disfruto mucho con Woody Allen'! [descoberto via O homem que sabia demasiado]
15.1.10
O Laço Branco
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Este vencedor da Palma de Ouro em Cannes e dos prémios Europeus de cinema, é mais uma radiografia pessimista do ser humano tirada pelo austríaco Michael Haneke (e parece-me importante referir a sua nacionalidade).
'O Laço Branco' é filmado num preto e branco que o próprio cineasta apelidou de 'realista', com actores desconhecidos e com uma austeridade e sobriedade verdadeiramente protestantes. Passa-se numa aldeola alemã, em vésperas da Primeira Grande Guerra, onde uma série de crimes (sobre crianças, mas não só) vêm perturbar a ordem estabelecida (a ordem do Barão, do Pastor, das entidades paternais em geral). E, claro, tem dado origem a toda a espécie de interpretações, desde logo que seria um filme sobre a génese do Nazismo (ou, mais genericamente, do mal).
Eu admiro o cineasta Haneke, maniacamente rigoroso, embora sempre distante, mas tenho alguns problemas com o argumentista Haneke (embora não contrarie, de forma alguma, o seu pessimismo arreigado). E são os mesmos problemas que tenho com Lars Von Trier: parece-me frequentemente que me estão a 'impingir' algo, uma qualquer lição de moral, que querem perturbar o 'burguês' que há no espectador (o problema está no 'impingir'). E parece-me, por vezes, que a 'forma', impecável no caso de Haneke, esconde alguma simplicidade do discurso. É uma sensação mais difusa no cineasta austríaco (que admiro, repito) que no dinamarquês (que abomino), mas ainda assim está lá (também me lembrei, já agora, de Shyamalan - 'A Vila', desde logo - que irrita muito boa gente, mas não a mim, curiosamente).
Seja como for, não faz parte daquela maioria de filmes que entram a cem e saem a duzentos - é um filme que perturba, que fica - e por isso entrará obrigatoriamente nas contas do final do ano.
Das Weisse Band - Eine Deutsche Kindergeschichte, Áustria/Alemanha/França/Itália, 2009. Realização: Michael Haneke. Com: Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Fion Mutert, Burghart Klaussner, Maria-Victoria Dragus, Josef Bierbichler, Susanne Lothar, Roxanne Duran, Miljan Chatelain, Eddy Grahl.
11.1.10
Eric Rohmer (4/4/1920 - 11/1/2010)
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Morreu hoje, aos 89 anos, um dos maiores realizadores da história do cinema, Eric Rohmer. Contabilizando o número impressionante de obras-primas que nos deixa, talvez até se possa dizer, na minha opinião, que era o maior cineasta em actividade.
Por cá saíram recentemente em dvd os 'Contos das 4 estações' e as 'Comédias e Provérbios', que se vieram juntar aos 'Seis contos morais', três packs obrigatórios em qualquer dvdteca que se preze. Depois de Truffaut, que morreu precocemente, é o primeiro dos grandes da Nouvelle Vague que nos deixa.
10.1.10
Estrela Cintilante
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John Keats, um dos maiores poetas do Romantismo, morreu de tuberculose com apenas 25 anos, não tendo obtido em vida reconhecimento nem do público nem da crítica.
Jane Campion centra-se aqui nos três anos finais da sua vida, em que habitava em casa do seu amigo Charles Armitage Brown (de quem é dado um retrato impiedoso, não obstante ser dos raros contemporâneos a reconhecer o talento de Keats) e onde conheceu e se apaixonou por uma vizinha de 18 anos, Frances (Fanny) Brawne. Na verdade foi Fanny a primeira a apaixonar-se e é ela a verdadeira protagonista deste filme: apresentada de início como uma jovem despreocupada que só pensava em roupas e bailes, depressa a conheceremos como uma mulher viva, inteligente (nunca duvidou da qualidade da obra do seu amado, que leu e criticou com propósito) e determinada, que não hesitou em ignorar militantemente as convenções da época em nome do seu amor por Keats (que, não desmerecendo a imagem de bom poeta, não tinha um tostão furado e por isso dificilmente poderia casar com ela).
Ao deslocar o foco para esta paixão, Campion, mesmo sem atingir grandes arroubos, consegue contornar algumas das limitações habituais dos biopics (o didactismo, o tom televisivo) e dá-nos um retrato melancólico e de uma elegância inatacável de uma época, e da paixão de um homem e de uma mulher excepcionais. Grande mérito para este conseguimento têm os principais actores: Ben Whishaw compõe convictamente um Keats inteligente e divertido, apesar da doença e do temperamento, além de ter uma bela voz para declamar os seus (de Keats, bem entendido) poemas; e Abbie Cornish, Fanny, é a alma do filme, sacando um papelão. Das três estrelas em cinco que eu daria a 'Estrela cintilante' se aqui houvesse lugar a notas, uma seria inteirinha para ela.
Bright Star, Grã-Bretanha/Austrália/França, 2009. Realização: Jane Campion. Com: Abbie Cornish, Ben Whishaw, Paul Schneider, Kerry Fox, Edie Martin, Samuel Barnett, Antonia Campbell-Hughes.
7.1.10
Um Profeta
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Malik El Djebena chega à prisão com 19 anos, sem saber ler nem escrever (literal e metaforicamente). Mas tem várias qualidades: aprende depressa, é orgulhoso, adapta-se que nem um camaleão e sabe fazer das fraquezas forças. Para a Máfia Corsa que domina a cadeia ele é o Árabe que faz os trabalhos menores, para os Árabes ele é um Corso. Ele diz sempre que não trabalha para ninguém: apenas para si próprio. A seu tempo todos perceberão isso.
Audiard (o realizador de 'De tanto bater o meu coração parou') filma esta história de aprendizagem num tom seco e eficaz, características também da sua personagem principal (o estupendo Tahar Rahim) e, quase somos tentados a dizer, documental - embora só seja 'documental' (ou 'realista') quando lhe convém. Basta dizer que Djebena nunca deixa de ver fantasmas.
'Um profeta' é muita coisa: é um filme de prisão (e é preciso coragem para pegar num género moribundo), é um filme de gangsters, é um filme social - sobre a França, sobre os Árabes, sobre o racismo. E safa-se muitíssimo bem em todas estas vertentes. É um dos grandes filmes por cá estreados em 2009.
Un Prophète, França/Itália, 2009. Realização: Jacques Audiard. Com: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Gilles Cohen, Reda Kateb, Adel Bencherif, Hichem Yacoubi.
Córtex Frontal
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Também Joana Amaral Dias anda a listar os seus (50) melhores filmes da década 00. Até agora já conseguiu incluir um que eu não só nunca vi, como do qual nunca tinha ouvido falar ('Equilibrium', de Kurt Wimmer).
E quem põe num top 'Donnie Darko' e 'The Royal Tenenbaums', só pode mercer a especial estima cá da casa.
E quem põe num top 'Donnie Darko' e 'The Royal Tenenbaums', só pode mercer a especial estima cá da casa.
5.1.10
O Sindicato dos Polícias Iídiches
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Há uma lei antiga e implacável que qualquer aspirante a cinéfilo aprende cedo: a que determina que 99% das adaptações à tela de livros da sua estima serão uma boa porcaria. Tem também um corolário: não há cinéfilo que, não obstante, deixe de aguardar com expectativa e por vezes com nervoso miudinho a tal próxima adaptação.
Vem isto a propósito da ansiedade que me invadiu quando descobri (está escrito na badana do livro, mas nem reparei) que os irmãos Coen estão a adaptar o viciante 'O sindicato dos polícias Iídiches', de Michael Chabon.
Neste caso, porém, tenho atenuantes. Não só os manos fizeram um excelente trabalho com McCarthy e 'Este país não é para velhos', como não imagino ninguém mais adequado do que eles para levar à tela este irónico noir, passado num Alasca imaginário povoado de judeus (foi lá, e não em Israel, que arranjaram refugio após a 2ª Grande Guerra), e que Rogério Casanova descreveu como sendo um "pastiche simultâneo de Raymond Chandler e Lenny Bruce e cuja metáfora central é um problema de xadrez concebido por Nabokov".
3.1.10
À l'Aventure
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''À L'Aventure' é a última parte da trilogia de Brisseau dedicada à 'sexualidade feminina' e, seguramente, a menos interessante de todas.
Brisseau mantém todas as obsessões e fantasias sexuais dos filmes anteriores e acrescenta à festa um psiquiatra, como pretexto para tecer ligações entre sexualidade e inconsciente, entre o orgasmo e estados místicos, com sessões de hipnose pelo meio, êxtases provocados por regressões a vidas anteriores e coisas no género. Como se não bastasse acrescenta um plot paralelo em que um taxista (ex-professor de física e ex-aluno de meditação na Índia) nos vai explicando a teoria da relatividade e tecendo comparações entre a imensidão do universo e a insignificância e pequenez do homem...
Escusado será dizer quanto todo este misticismo soa a cliché, a psicologia de pacotilha, a filosofia de... taxista. Parece tudo um pretexto requentado para o voyeurismo do cineasta, que desta vez é salvo apenas in extremis dum erotismo softcore a la 'Orquídea Selvagem' pelo seu grande rigor na mise en scéne. Brisseau é um cineasta e isso salva qualquer coisa (este argumento nas mãos de um tarefeiro daria sem dúvida origem a um desastre de proporções calamitosas), mas não muito. Eu cheguei a duvidar se não me estaria a escapar qualquer tipo de ironia, mas infelizmente penso que o realizador se leva mesmo a sério. Tudo espremido, no final só me ficou a imagem da bela Carole Brana.
P.S.: Como se nota, este blog inicia o ano sob o signo francês. É provável que assim continue por mais uns posts, mas agora com filmes estreados por cá, pode o caro leitor estar descansado.
À l'Aventure, França, 2009. Realização: Jean-Claude Bisseau. Com: Carole Brana, Arnaud Binard, Nadia Chibani, Lise Bellinck.
1.1.10
Tokyo!
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M.Merde!
Parece que os filmes em segmentos voltaram a estar na moda, nomeadamente os que levam uma cidade por título e pretexto.
'Tokyo!' é sem dúvida um dos mais interessantes, desde logo por ter 3 segmentos muito equilibrados, não havendo qualquer elo fraco.
Começamos com o de Michel Gondry, baseado numa graphic novel de Gabrielle Bell, que começa em tons realistas (um jovem casal procura casa e emprego em Tóquio) e acaba em tons surreais. Muito interessante.
A seguir entra Leos Carax, que não deixa os seus créditos por mãos alheias e nos dá o episódio mais bizarro do trio: um lunático que fala uma linguagem esquisita, emerge dos esgotos para aterrorizar a população de Tóquio. O seu nome é, nem mais nem menos que Merde, e diz que obedece ao seu Deus, que o envia para os países que mais detesta. No final é-nos prometida uma sequela em Nova Iorque ("Merde in USA")...
Para o final fica o melhor segmento deste filme em crescendo. É realizado pelo coreano Joon-ho Bong (o realizador de 'The Host/A criatura') e o seu protagonista é um hikikomori, termo que se refere uma daquelas especificidades japonesas, neste caso a pessoas que se recusam a sair de casa e se isolam totalmente da sociedade. É todo um retrato do Japão que nos é dado através de um melancólico homem que se aventura a sair de casa pela primeira vez em 10 anos, depois de se ter apaixonado por uma entregadora de pizza que desmaia à porta de sua casa aquando de um terramoto...
No final, ficamos surpreendidos com dois aspectos raros neste tipo de filmes: a curiosa unidade formal dos três segmentos, e o papel efectivo que o 'elemento Japonês' tem em todos eles, não se limitando nenhum a tomar Tóquio como mera paisagem.
Tokyo!, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, 2008. Realização: Michel Gondry ('Interior Design'), Leos Carax ('Merde'), Joon-ho-Bong ('Shaking Tokyo').








