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12.3.10
Boa nova
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Está aí mais uma edição das Folhas da Cinemateca, dedicadas a João César Monteiro, com textos de João Bénard da Costa, Luís Miguel Oliveira, Manuel Cintra Ferreira e Maria João Madeira.
(via O Funcionário Cansado)
10.3.10
Shutter Island
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A carreira de Martin Scorsese até à data pode ser dividida, mais coisa menos coisa, em três fases. Uma primeira fase consensual, com várias obras-primas reconhecidas (já lá vamos), que irá até 'O Touro enraivecido', que se poderá prolongar um pouco mais, com um ou outro fogacho posterior (desde logo 'Tudo bons rapazes', que para a maioria dos seus fãs será a sua última obra-prima). Isto varia um bocado (eu, por exemplo, ponho o pouco amado 'Casino' ao nível das suas maiores obras), mas no essencial não será polémico. E numa coisa toda a gente está de acordo: nesta fase Scorsese deu ao mundo dois daqueles filmes "que mudam vidas": 'Taxi Driver' e 'O Touro enraivecido'.
A segunda fase será aquela em que o realizador perdeu a 'graça'. Como já se viu não é fácil determinar onde começa, mas inclui filmes como 'Kundum' (para muitos o seu filme mais fraco), 'A cor do dinheiro', 'A última tentação de Cristo', 'Por um fio', ou 'Gangs de Nova Iorque'. E haverá uma terceira fase, a 'fase Di Caprio' (o novo actor fetish depois do De Niro da época de ouro). Obviamente que simplificamos, mas penso que não estou a afastar-me muito do sentimento geral.
Esta terceira fase será tão polémica como a segunda (Scorsese nunca mais foi um cineasta de unanimidades), pelo que me vou restringir à minha opinião: 'O Aviador' não é grande coisa, mas ''The Departed' e este 'Shutter Island' são dois excelentes thillers. Mas, o "problema" (para o seu 'reconhecimento') é que 'Shutter Island' é, acima de tudo, um filme de argumento. Baseia-se num complexo livro de Dennis Lehane (também o autor de 'Mystic River'), que joga numa data de tabuleiros, e tem um daqueles finais-reviravolta. Estes finais são sempre problemáticos e há quem diga que o teste para ver se um filme lhes sobrevive é se aguentamos uma segunda visão do filme. Eu ainda não o fiz, mas arrisco que sim. 'Shutter Island' tem ritmo, tem tensão, é brilhantemente filmado (inclusive quando arrisca, como nos flashbacks) e tem um actor em grande forma (Di Caprio, é verdade). Apetece dizer que é um grande filme à antiga, ou seja, na grande linhagem Hollywoodiana do film noir. O "problema" é... que não será um filme que mude a vida de ninguém. Esse Scorsese provavelmente não volta, mas toda gente exigirá (ou esperará) que sim. Daí as expectativas em seu torno serem sempre altíssimas.
Mesmo eu, que gostei bastante deste filme, reconheço facilmente que será provável encontrá-lo daqui a dez ou vinte anos num daqueles livros tipo '501 Thrillers You Should See Before You Die', mas não num '501 Movies You Should See Before You Die', onde, lá está, 'Taxi Driver' ou 'O Touro Enraivecido' terão lugar cativo (se a cinefilia ainda não tiver sido substituída por tops de vendas).
Shutter Island, E.U.A., 2010. Realização: Martin Scorsese. Com: Leonardo DiCaprio, Ben Kingsley, Mark Ruffalo, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Jackie Earle Haley, Elias Koteas, Ted Levine.
9.3.10
Estado de guerra
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'Estado de guerra' começa com uma cena muito boa, plena de tensão angustiante, que o resto do filme não desmerece. Exceptuando uma única cena escusada - a da morte do médico 'ingénuo' - por demais previsível e explicativa - deixa a acção falar por si, dando-nos um excelente retrato da guerra. A imagem recorrente dos soldados americanos sobre enorme tensão, a terem de tomar decisões em segundos, enquanto são observados por rostos locais mudos e impassíveis é das mais emblemáticas que me lembro de entre os filmes sobre o Iraque. Aliás, este é o melhor filme sobre a actual guerra no local (tem havido bons filmes sobre o regresso dos soldados - 'No vale de Elah', por exemplo) - também porque é, coisa que nem sempre tem sido salientada, um muito bom filme de acção.
'The Hurt Locker' centra-se no Sargento William James, Will (excelente Jeremy Renner), um desadaptado (um viciado em adrenalina, chama-lhe um colega), que prefere a guerra à família. Não a 'defesa da pátria' ou algo no género, entenda-se, mas a emoção de desarmadilhar bombas no terreno à tranquilidade da vidinha com a mulher e o filho na terra. Repare-se que isto não nos é mostrado glorificando o campo de batalha, a la Rambo. Isto é-nos mostrado enquanto também nos é mostrada a dureza da guerra e percebemos que para a maioria do contingente é um sítio insuportável donde se quer pôr a andar o mais depressa possível (veja-se a cena da espera interminável dos soldados numa posição no deserto, enquanto não têm a certeza de que o campo está totalmente livre de inimigos). Will não é uma personagem de computador, é uma pessoa que põe constantemente a vida em risco, e sentimos que anda a abusar demais da sorte. Dar-nos a compreender Will- e personagem mais politicamente incorrecta no actual cinema americano é difícil - é o derradeiro trunfo deste filme.
The Hurt Locker, E.U.A., 2008. Realização: Kathryn Bigelow. Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Christian Camargo.
8.3.10
E o Óscar para o melhor comentário sobre os Óscares vai para...
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Eduardo Pitta:
Sandra Bullock recebeu o óscar de melhor actriz. Por este andar, um dia Rui Santos (o da SIC) receberá o Prémio Pessoa.
Sandra Bullock recebeu o óscar de melhor actriz. Por este andar, um dia Rui Santos (o da SIC) receberá o Prémio Pessoa.
E os meus planos para hoje à noite são...
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...ver "Estado de guerra" (não, se tivesse ganho o 'Precious' ou o 'The Blind Side', os outros nomeados que não vi, eu não me daria ao trabalho de o fazer. Mas quero ver o tal 'Crazy Heart', que deu a estatueta ao grande Jeff Bridges).
7.3.10
Heartless
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'Heartless' - vencedor do Grande Prémio Melhor Filme-Fantasporto 2010 - é o resultado do cruzamento entre o 'realismo Britânico' e o filme fantástico/terror. A realização é um pouco 'Guy Ritchie', mas o resultado final é mais original do que o que esta síntese consegue transmitir. E, como originalidade é coisa que não anda para aí aos pontapés, há que louvar este filme, que ainda levou para casa os prémios de melhor realizador (Philip Ridley) e melhor actor (Jim Sturges).
Heartless, Grã-Bretanha, 2009. Realização: Philip Ridley. Com: Jim Sturges, Timothy Spall, Clémence Poésy, Eddie Marsan, Joseph Mawle, Nikita Mistry.
5.3.10
Alice no País das Maravilhas
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Gostei muito do 'lado Tim Burton' (todo aquele fantástico imaginário Burtoniano, das paisagem inóspitas à caracterização de todas as personagens); não gostei tanto do 'lado Senhor dos Anéis' (aí o último quarto do filme, com bicharocos e exércitos em batalha); quanto ao 'lado Lewis Carrol', bem, passou-me um pouco despercebido (talvez porque Burton o tomou como seu; mais do que o 'absurdo', ficou o 'diferente').
Tudo somado, o 'lado Tim Burton' chega e sobra para tornar o filme recomendável.
Alice in Wonderland, E.U.A., 2010. Realização: Tim Burton. Com: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Crispin Glover, Anne Hathaway e as vozes de Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman, Christopher Lee, Michael Gough, Timothy Spall.
4.3.10
Jennifer's Body
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'Jennifer’s Body' é tão fraco, tão fraco, que uma pessoa nem sabe por onde começar a bater-lhe. Pelo argumento de Diablo ‘Juno’ Cody, de uma banalidade atroz? (Bandas de rock satânicas? Oferendas de virgens ao diabo? Raparigas transformadas numa espécie de vampiros? Piadolas secas? Booooring!) Pela realização ora incipiente ora ao melhor estilo série de TV teen de domingo à tarde de Karyn Kusama? Por Megan Fox (uma bimba a fazer de bimba)? Tudo aqui é requentado, bocejante, sem piada nenhuma.
Bom, nem tudo. Amanda Seyfried (uma miúda gira a fazer de caixa de óculos) ainda tenta dar alguma dignidade à coisa, mas enfrenta mais dificuldades contra tudo de mau que a rodeia, que a sua personagem contra as forças maléficas que aparecem na fita.
Por uma vez, o elogio vai para os distribuidores portugueses, que deixaram passar esta coisa ao largo, não despejando mais lixo desnecessário nas salas. Deste, desconfio, nem os teens conseguiriam gostar.
Jennifer's Body, E.U.A., 2009. Realização: Karyn Kusama. Com: Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, J.K. Simmons.
3.3.10
O mensageiro
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O Capitão Tony Stone (Woody Harrelson) e o Sargento Will Montgomery (Ben Foster, o Russel de ‘Sete Palmos de Terra', para quem se lembra), têm uma das missões mais ingratas do exército americano: anunciar pessoalmente, ao familiar mais próximo, que um soldado morreu ‘em combate’.
O experiente Stone estabeleceu uma série de regras rígidas, que tenta incutir ao mais novo: não usar eufemismos, dar a notícia apenas ao tal familiar e vir embora sem tocar em ninguém, não esperar pelas pessoas – se não estão volta-se depois, etc. No fundo, são defesas, que a experiência lhe ensinou tornarem a tarefa um pouco mais fácil. Stone anda nos AA e criou uma pose dura que o ajuda a manter-se à tona.
Montgomery é mais novo, mais flexível, ainda não criou a carapaça impenetrável de Stone e não tem problemas em chocar com este quebrando algumas destas regras. Mas algo mais profundo o une ao seu superior: também ele anda perdido na pátria depois da sua comissão no Médio Oriente (onde sofreu mais que Stone) . A namorada de antes da guerra vai casar com outro (e o brinde que Will faz aos noivos é um ponto alto de cinismo desesperado), ele não se esqueceu dos companheiros mortos no Iraque, e não sabe o que fazer da vida.
Mas vê alguma luz ao fundo do túnel na pessoa de uma viúva a quem teve que dar a fatal notícia. Ao contrário de Stone, que tem a vida lixada e inextrincavelmente ligada ao Exército, ele ainda tem alguma esperança num futuro diferente.
Mas vê alguma luz ao fundo do túnel na pessoa de uma viúva a quem teve que dar a fatal notícia. Ao contrário de Stone, que tem a vida lixada e inextrincavelmente ligada ao Exército, ele ainda tem alguma esperança num futuro diferente.
Harrelson e Foster, dois excelentes actores, transmitem uma secura lacónica às suas personagens, tendo suporte na realização sem ponta de lamechice, mas não fria, do argumentista (de 'I'm Not There', por exemplo) Oren Moverman, que se estreia aqui atrás da câmara, e na sombria fotografia de Bobby Bukowski.
Um bom e sólido filme sobre as sequelas da guerra, que depois de ter ganho o Urso de Prata para o melhor argumento na Berlinale do ano passado, estreia agora por cá possívelmente por estar nomeado para dois Óscares (melhor argumento e melhor actor secundário - Woody Harrelson).
The Messenger, E.U.A., 2009. Realização: Oren Moverman. Com: Woody Harrelson, Ben Foster, Jena Malone, Eamonn Walker, Samantha Morton, Steve Buscemi.






