[Yuuharu Atsuta]
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15.4.10
13.4.10
Sobre a pirataria cibernautica
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Paulo Cunha disponibilizou um link para o download de 'Fragmentos de um filme-esmola' e JLR pergunta-lhe se "um investigador do cinema português deve dar caminhos para a pirataria do cinema português?" PC responde que pretendeu "facilitar o acesso dos leitores deste espaço a ficheiros que estão alojados na internet e que são de manifesto interesse para o objecto deste espaço' e acrescenta que 'Pessoalmente, só recorro a estes ficheiros que estão alojados um pouco por toda a rede quando os filmes em questão não se encontram editados ou acessíveis ao público".
É uma questão interessante, agora que os downloads de filmes são uma realidade a que é impossível fechar os olhos.
Parece-me que um bom inicio de discussão está neste excelente post em que Milton do Prado critica quer quem acha que "tem todo o direito de fazer o que quiser com um arquivo eletrônico que chega em suas mãos. Não importa que algumas pessoas possam estar sendo prejudicadas, esse grupo não vai levar isso em consideração", quer quem "é contra cegamente, porque é crime. É o tipo de pessoa que acha que seguir a lei (qualquer tipo de lei) é a solução para todos os problemas da humanidade. " (será mais ao menos a posição de JLR).
E dá a sua opinião: "Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito." (posição que será semelhante à de PC).
E dá a sua opinião: "Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito." (posição que será semelhante à de PC).
E eu? Bom, eu tenho umas centenas de dvds (só um é pirata - foi comprado na China, mais pela curiosidade de seguir um vendedor que me abordou com ar conspirativo e me levou por uma série de quelhos esconsos até ao lugar de venda; aí acabei por lhe comprar, por um euro, ou coisa que o valha, um suposto exemplar de 'Grindhouse' com 'Planet Terror' e 'Death Proof' - mas que fatalmente se verificou - já em Portugal - só ter o segundo; a propósito, acabei por comprar por lá 2 ou 3 dvds perfeitamente legais praticamente pelo mesmo preço...). Eu gosto de comprar dvds, de ter dvds, de ver dvds no leitor de dvd, mas também já saquei uma série de filmes, muitos dos quais dificilmente teria oportunidade de ver de outro modo (e já me aconteceu, como ao Milton, comprar depois o dvd quando é editado).
Sinceramente nunca pensei a sério no assunto, mas a minha posição tende para a do católico não praticante: concordo totalmente com quem defende os direitos de autor e tal, mas não resisto a ir sacando umas coisitas...
12.4.10
De Paris com amor
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Depois do excelente thriller 'sério' (dentro do género 'suspensão da descrença em alerta máximo') 'Busca implacável', Pierre Morel dá-nos agora um thriller dum subgénero a que poderemos chamar técnicamente 'palhaçada'.
Jonathan Rhys Meyers, um cérebro atinadinho da embaixada americana em Paris, cumpre o seu sonho de passar para os Serviços Especiais ao ser-lhe atribuída a missão de acompanhar um agente que chega à capital francesa em missão secreta. Esse agente, John Travolta, que é uma espécie de mistura entre Bruce Willis e Jackie Chan com um piscar de olho a Vincent Vega, tem como principal característica disparar em tudo o que mexe e, como diz modestamente às tantas, mata aí uma pessoa por hora durante o expediente - o que significa aproximadamente uma por minuto de filme.
Morel, como já havia provado, tem dedo para as cenas de acção e orquestra uma mortandade em tom de paródia como já não se via desde 'Shoot`em Up'. Rhys Meyers, na minha opinião, é um actor algo limitado, mas Travolta está como peixe na água e carrega facilmente o filme às costas. A bela Kasia Smutniak dá o toque de sensualidade que se espera de um filme passado à Paris.
Há quem aproveite estas tardes soalheiras de Domingo para ler o jornal numa esplanada à beira mar; eu enfio-me no cinema a ver filmes destes. E nem sempre me arrependo. Ontem, por exemplo.
From Paris with Love, França, 2010. Realização: Pierre Morel. Com: John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kasia Smutniak, Richard Durden, Yin Bing.
11.4.10
As ervas daninhas
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Resnais (tal como Godard, tão diferente) tem um lado cerebral muito vincado que me impede de aderir totalmente aos seus filmes. Este não foi excepção, mas a sua inteligência, o seu modo engenhosamente divertido de apresentar as situações (aquele falso 'Fim' ao som da música da 20th Century Fox...), o domínio que o realizador tem de todos os elementos (mais uma vez os cenários merecem um destaque especial), os actores, magníficos como sempre, seduziram-me e por vezes até me encantaram.
Aos 87 anos - só será batido neste campo por Manoel de Oliveira - o realizador francês mantém-se em excelente forma.
Les Herbes Folles, França/Itália, 2009. Realização: Alain Resnais. Com: André Dussollier, Sabine Azéma, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Anne Consigny.
8.4.10
7.4.10
Destaques de Março
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A pedido de inúmeras famílias (um amigo e uma leitora), rendi-me às estrelinhas (conferir no post abaixo). E cinema com estrelas é outra coisa.
Por razões, vá lá, estéticas (desde que mudei de template, depois de um amigo ter criticado a pobreza franciscana do anterior, que passei a ligar a estas coisas) os destaques passam, como se nota, para post próprio.
Por razões, vá lá, estéticas (desde que mudei de template, depois de um amigo ter criticado a pobreza franciscana do anterior, que passei a ligar a estas coisas) os destaques passam, como se nota, para post próprio.
Destaque: O muito, muito divertido 'O fim do Outono', antepenúltimo filme de Ozu, realizado três anos antes da sua morte (com apenas 60 anos). Onde três velhos amigos resolvem fazer de casamenteiros, tentando arranjar um marido, não só para a filha de um amigo falecido, como também para a sua viúva. Simplicidade de meios e agudeza na análise das relações humanas numa sociedade em mudança, como foi imagem de marca do grande mestre Japonês. Imprescindível
Surpresa: As duas primeiras adaptações da trilogia Millenium. Dois competentes thrillers negros (melhor o primeiro), com sotaque sueco.
Cromo: O final, do até aí excelente, 'O Americano tranquilo': aqui o final do romance de Greene é totalmente deturpado, para o livrar do "antiamericanismo". E é estranhíssimo, mesmo para quem nunca leu o livro. Desde 'The Bad Seed' que não via uma coisa assim!
5.4.10
Filmes de Março
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Como é habitual (ou era, e conto que volte a ser), a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 5 estrelas.
*****
O fim do Outono, Yasujiro Ozu, 1960
Fantastic Mr.Fox, Wes Anderson, 2009
****
Desaparecida!, Alfred Hitchcock, 1938
O fim do Outono, Yasujiro Ozu, 1960
Fantastic Mr.Fox, Wes Anderson, 2009
****
Desaparecida!, Alfred Hitchcock, 1938
O Americano tranquilo, Joseph L. Mankiewicz, 1958
Dune, David Lynch, 1984
Estado de guerra, Kathryn Bigelow, 2009
Shutter Island, Martin Scorsese, 2010
***1/2
Point Break, Kathryn Bigelow, 1991
O Mensageiro, Oren Moverman, 2009
New York, I Love You, vários, 2009
Heartless, Philip Ridley, 2009
Alice no país das maravilhas, Tim Burton, 2010
***
Fernando Lopes, Provavelmente, João Lopes, 2008
Point Break, Kathryn Bigelow, 1991
O Mensageiro, Oren Moverman, 2009
New York, I Love You, vários, 2009
Heartless, Philip Ridley, 2009
Alice no país das maravilhas, Tim Burton, 2010
***
Fernando Lopes, Provavelmente, João Lopes, 2008
Millenium 1 - Os homens que odeiam as mulheres, Niels Arden Oplev, 2009
Millenium 2 - A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, Daniel Alfredsson, 2009
**1/2
Los Cronocrímenes, Nacho Vigalongo, 2007
Fora de controlo, Martin Campbell, 2010
Millenium 2 - A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, Daniel Alfredsson, 2009
**1/2
Los Cronocrímenes, Nacho Vigalongo, 2007
Fora de controlo, Martin Campbell, 2010
0
Jennifer's Body, Karyn Kusama, 2009
1.4.10
Canção de amor e saúde
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Depois do excelente ‘Rapace’, “Canção de amor e saúde ” foi para mim uma grande desilusão. Esta curta tem semelhanças com a anterior – João Nicolau é um realizador, para não dizer que é um auteur : dá-nos o retrato de uma geração (glup!) através de uma mera personagem; mantém um tom joãocesarmonteiriano e original ao mesmo tempo; e saca da cartola planos fantásticos (a sequência dos créditos iniciais é uma ideia magnifica).
Mas perde a concisão do filme anterior e entra em devaneios escusados e que para mim não fizeram qualquer sentido. Dá a ideia que tinha filme para 10 minutos e resolveu esticá-lo para meia hora, enchendo o tempo com sequências por vezes bonitas mas que esquecem o excelente inicio. Ou, se calhar, o que lhe interessava era filmar essas sequências surreais, os raccords pouco usuais, os planos estranhos, e arranjou uma história à sua volta. Seja como for, nunca me pareceu bater a bota com a perdigota, diluindo-se muita da originalidade que lhe reconheci em ‘Rapace’.
‘Rapace’ parecia um filme da maturidade, ‘Canção de amor e saúde’ parece um filme dum puto talentoso a armar ao pingarelho.
(já publicado noutro lado aquando das Curtas de Vila do Conde)
Canção de amor e saúde, Portugal/França, 2009. Realização: João Nicolau. Com: Norberto Lobo, Marta Sena, Ana Francisca, Helena Carneiro, Andreia Bertini, Miguel Gomes.
31.3.10
Millennium 2: A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo
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Devido à minha alergia congénita a best sellers, principalmente na subcategoria calhamaços, nunca li a trilogia 'Millenniun' do malogrado Stieg Larsson. Mas, enquanto Hollywood anda a tratar da respectiva adaptação à tela, resolvi espreitar as duas primeiras fitas com que os seus conterrâneos se anteciparam aos americanos.
‘Millenniun 1 – Os homens que odeiam as mulheres’, realizado por Niels Arden Oplev, é um thriller negro e lacónico, que a partir duma trama policial – a busca de uma mulher desaparecida há 40 anos – leva o jornalista Mikael Blomkvist a deparar-se com temas como as simpatias nazis na Suécia, fraudes económicas, o estupro, o assassínio em série e outros igualmente agradáveis. É uma visão verdadeiramente sombria da humanidade. Talvez a intriga seja despachada um bocado depressa de mais, mas não deve ser fácil condensar, mesmo em duas horas e pico, um tijolo do tamanho do do 1º volume da trilogia.
Em ‘Millenniun 2 – A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo’, que estreou a semana passada nas nossas salas, a realização passa para Daniel Alfredson, e talvez o filme esteja um furo abaixo do seu antecessor (Daniel não tem o enorme talento demonstrado pelo seu irmão Tomas). Mantém algumas das suas virtudes, como as impecáveis interpretações de Michael Nyqvist (Blomkvist, que tem uma invejável barriguinha que o seu sucessor hollywoodiano não terá de certeza) e Noomi Rapace (Lisbeth Salander), e um estilo despachado e frio, muito nórdico, passe o cliché.
Mas o ambiente não é tão negro e, embora o argumento se centre no passado da Lisbeth, a hacker-punk com traumas por desvendar, paradoxalmente as personagens parecem menos desenvolvidas, menos espessas, meros peões ao serviço da trama. Ou talvez isto seja uma mera consequência da ‘moral da história’ de Millennium, em que o mundo (ou pelo menos a Suécia) é visto como uma gigantesca Sin City, onde não passamos (nós os cidadãos comuns, e mais agudamente as mulheres) de meros títeres nas mãos de gente poderosa e sem escrúpulos que domina um mundo angustiante.
Que esta angústia, este ambiente malsão, passe para o espectador, é façanha que torna estes dois filmes não despiciendos.
Flickan som lekte med elden, Suécia/Dinamarca/Alemanha, 2009. Realização: Daniel Alfredson. Com: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Sofia Ledarp, Georgi Staykov.
29.3.10
Kaurismäki é estranho, a Finlândia não
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Os encantadores finlandeses que conheci não tinham nada de tenebrosos nem graves. (...) Não só não eram tenebrosos, como tinham humor e eram perspicazes, amáveis, comunicativos. Não se encontravam estranhezas dignas de registo. Anotei isto na dinâmica esplanada do Grande Hotel Kamp: "[Aki] Kaurismäki é estranho, a Finlândia não."
Enrique Vila-Matas, Diário Volúvel, Editorial Teorema








