Recent Posts

17.4.10

Thirst — Este é o Meu Sangue...


Um padre submete-se a uma nova vacina e, ao contrário dos anteriores cinquenta pacientes, sobrevive-lhe, o que leva os crentes a tomá-lo por um Santo. Mas algo correu mal e, na realidade, ele transformou-se num vampiro. Entretanto envolve-se com uma mulher (casada, cansada), a quem pretende salvar, e o filme trata desse romance atribulado.

'Thirst — Este é o Meu Sangue...' (por uma vez, o tradutor português nem se saiu mal com o titulo...) é, como todos os filmes do coreano Park Chan-wook, um objecto estranho. Este pega num argumento tipo 'série B' e filma-o como um 'filme de autor'. É como se tivessem dado a Wong Kar Wai um argumento destinado a Takeshi Miike. Não exagero: Park filma mesmo muito bem.

Escusado será dizer que, sendo um filme de vampiros, não tem nada a ver com 'Crepúsculos' nem sequer com sanguinolências à Fantasporto (embora haja muito sangue e tenha passado no Fantasporto). É uma história de amor - ou o que queiramos chamar àquela relação - filmada em tom melancólico, com um erotismo culpado e uma violência interiorizada que explode de vez em quando. E que termina  de uma forma espantosa - entre o risível e o dementemente romântico.

Bakjwi / 박쥐 (Thirst), Coreia do Sul/E.U.A, 2009. Realização: Park Chan-wook. Com: Song Kang-ho, Kim Ok-bin, Shin Ha-kyun, Kim Hae-sook, Eriq Ebouaney.

16.4.10

Os filmes mais rentáveis de todos os tempos (e os outros)


Descobri este interessante site onde se trata de ma$$a, com li$ta$ para todos os gostos.

Eis os filmes mais rentáveis de sempre (Most Profitable Movies, Based on Absolute Profit on Worldwide Gross):

 Movie Gross Profit

1 Avatar $1,119,426,956
2 Titanic $721,439,978
3 The Lord of the Rings: The Return of the King $472,513,663
4 Jurassic Park $398,533,974
5 Shrek 2 $389,919,379
6  Star Wars Ep. IV: A New Hope $387,950,000
7 ET: The Extra-Terrestrial $385,955,277
8 The Lord of the Rings: The Two Towers $369,142,189
9 Harry Potter and the Sorcerer's Stone $363,228,946
10 Ice Age: Dawn of the Dinosaurs $352,264,184
11 Star Wars Ep. I: The Phantom Menace $347,144,149
12 Harry Potter and the Chamber of Secrets $339,493,940
13Finding Nemo $339,296,489
14 Independence Day $333,700,439
15 The Dark Knight $326,172,679
16  The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring $325,310,843
17 Harry Potter and the Order of the Phoenix $319,234,432
18 The Lost World: Jurassic Park $318,343,340
19 The Lion King $312,619,753
20 Star Wars Ep. III: Revenge of the Sith $309,499,439

A minha opinião sobre eles? Bom, desde já confessar que vi metade! E gostei da trilogia 'Senhor dos Anéis' (por ordem decrescente). E acho que, enfim,  vale a pena ver o best seller dos best sellers 'Avatar' (o argumento é um bocado infantil, esqueçamos o argumento). Quanto à bonecada, o 'Shreck 2' é bem pior que o 1 e o 'Idade do Gelo 3' é muitíssimo pior que os dois primeiros (excelentes). Do 'Dia da Independência' e deste 'Batman' não gostei mesmo nada. E dos de Mr.Spielberg? Bom, o primeiro  'Jurassic Park' deixa-se ver entre bocejos e quanto ao E.T., bom, quanto ao E.T., já não me lembro lá muito bem dele. Mas se não me impressionou em miudo...

Gosto bem mais das listas Movies With Lowest Budgets to Earn $1 Million at US Box Office e Most Profitable Movies, Based on Return on Investment , cada uma com vários clássicos (e nem estou a falar em 'O Nascimento de uma nação', presente em ambas!).

Uma nota final para as listas dos Biggest Money Losers, onde há a destacar a presença dessa verdadeira pérola camp classic que é 'Alexandre', de Mr.Oliver Stone. Afinal há (alguma) justiça nas coisas.

15.4.10

Tokyo-Ga


[Yuuharu Atsuta]

13.4.10

Sobre a pirataria cibernautica


Por mero acaso fui ter ao blog Novo Cinema Português (1949-80), e mais concretamente a este post, que tem uma interessante troca de comentários entre Jorge Leitão Ramos (JLR) e Paulo Cunha (PC), um dos responsáveis do blog

Paulo Cunha disponibilizou um link para o download de 'Fragmentos de um filme-esmola' e JLR pergunta-lhe se "um investigador do cinema português deve dar caminhos para a pirataria do cinema português?" PC responde que pretendeu "facilitar o acesso dos leitores deste espaço a ficheiros que estão alojados na internet e que são de manifesto interesse para o objecto deste espaço' e acrescenta que 'Pessoalmente, só recorro a estes ficheiros que estão alojados um pouco por toda a rede quando os filmes em questão não se encontram editados ou acessíveis ao público".

É uma questão interessante, agora que os downloads de filmes são uma realidade a que é impossível fechar os olhos.

Parece-me que um bom inicio de discussão está neste excelente post em que Milton do Prado critica quer quem acha que "tem todo o direito de fazer o que quiser com um arquivo eletrônico que chega em suas mãos. Não importa que algumas pessoas possam estar sendo prejudicadas, esse grupo não vai levar isso em consideração", quer quem "é contra cegamente, porque é crime. É o tipo de pessoa que acha que seguir a lei (qualquer tipo de lei) é a solução para todos os problemas da humanidade. " (será mais ao menos a posição de JLR).

E dá a sua opinião: "Pouca gente usa o verdadeiro potencial da rede: a possibilidade de garimpar pepitas, encontrar tesouros antigos escondidos, revelar algumas jóias raras até um tempo atrás. Não criemos ilusões: o percentual de gente que quer ver um filme do Pedro Costa no lugar de um filme do Spielberg é o mesmo antes e depois da internet. O que muda agora é que um cara que mora em Santo Antônio das Grotas, com uma conexão razoável e alguma paciência, pode baixar o que quiser e não se submeter a um cardápio totalmente restrito." (posição que será semelhante à de PC).
 
E eu? Bom, eu tenho umas centenas de dvds (só um é pirata - foi comprado na China, mais pela curiosidade de seguir um vendedor que me abordou com ar conspirativo e me levou por uma série de quelhos esconsos até ao lugar de venda; aí acabei por lhe comprar, por um euro, ou coisa que o valha, um suposto exemplar de 'Grindhouse' com 'Planet Terror' e 'Death Proof' - mas que fatalmente se verificou - já em Portugal - só ter o segundo; a propósito, acabei por comprar por lá  2 ou 3 dvds perfeitamente legais praticamente pelo mesmo preço...). Eu gosto de comprar dvds, de ter dvds, de ver dvds no leitor de dvd, mas também já saquei uma série de filmes, muitos dos quais dificilmente teria oportunidade de ver de outro modo (e já me aconteceu, como ao Milton, comprar depois o dvd quando é editado).
 
Sinceramente nunca pensei a sério no assunto, mas a minha posição tende para a do católico não praticante: concordo totalmente com quem defende os direitos de autor e tal, mas não resisto a ir sacando umas coisitas...

12.4.10

De Paris com amor


Depois do excelente thriller 'sério' (dentro do género 'suspensão da descrença em alerta máximo') 'Busca implacável', Pierre Morel dá-nos agora um thriller dum subgénero a que poderemos chamar técnicamente 'palhaçada'.

Jonathan Rhys Meyers, um cérebro atinadinho da embaixada americana em Paris, cumpre o seu sonho de passar para os Serviços Especiais ao ser-lhe atribuída a missão de acompanhar um agente que chega à capital francesa em missão secreta. Esse agente, John Travolta, que é uma espécie de mistura entre Bruce Willis e Jackie Chan com um piscar de olho a Vincent Vega, tem como principal característica disparar em tudo o que mexe e, como diz modestamente às tantas, mata aí uma pessoa por hora durante o expediente - o que significa aproximadamente uma por minuto de filme.

Morel, como já havia provado, tem dedo para as cenas de acção e orquestra uma mortandade em tom de paródia como já não se via desde 'Shoot`em Up'. Rhys Meyers, na minha opinião, é um actor algo limitado, mas Travolta está como peixe na água e carrega facilmente o filme às costas. A bela Kasia Smutniak dá o toque de sensualidade que se espera de um filme passado à Paris.

Há quem aproveite estas tardes soalheiras de Domingo para ler o jornal numa esplanada à beira mar; eu enfio-me no cinema a ver filmes destes. E nem sempre me arrependo. Ontem, por exemplo.

From Paris with Love, França, 2010. Realização: Pierre Morel. Com: John Travolta, Jonathan Rhys Meyers, Kasia Smutniak, Richard Durden, Yin Bing.

11.4.10

As ervas daninhas


Há um aspecto desconcertante neste novo filme de Resnais: onde o encaixar. Inicialmente pareceu-me que teria algo de 'Corações', porventura o seu filme mais caloroso; mas rapidamente me apercebi que os 'jogos' cerebrais, tão ao gosto de Resnais, lá estavam, para nos baralhar um pouco; entretanto, ri-me francamente numa mão cheia de cenas (nem sempre acompanhado pela sala); e, quando o filme passou mais abertamente para um registo de absurdo, que estivera sempre a pairar, desisti de vez de o tentar classificar.

Resnais (tal como Godard, tão diferente) tem um lado cerebral muito vincado que me impede de aderir totalmente aos seus filmes. Este não foi excepção, mas a sua inteligência, o seu modo engenhosamente divertido de apresentar as situações (aquele falso 'Fim' ao som da música da 20th Century Fox...), o domínio que o realizador tem de todos os elementos (mais uma vez os cenários merecem um destaque especial), os actores, magníficos como sempre, seduziram-me e por vezes até me encantaram.

Aos 87 anos - só será batido neste campo por Manoel de Oliveira - o realizador francês mantém-se em excelente forma.

Les Herbes Folles, França/Itália, 2009. Realização: Alain Resnais. Com: André Dussollier, Sabine Azéma, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Anne Consigny.

8.4.10

44

7.4.10

Destaques de Março

A pedido de inúmeras famílias (um amigo e uma leitora), rendi-me às estrelinhas (conferir no post abaixo). E cinema com estrelas é outra coisa.
Por razões, vá lá, estéticas (desde que mudei de template, depois de um amigo ter criticado a pobreza franciscana do anterior, que passei a ligar a estas coisas) os destaques passam, como se nota, para post próprio.



Destaque: O muito, muito divertido 'O fim do Outono', antepenúltimo filme de Ozu, realizado três anos antes da sua morte (com apenas 60 anos). Onde três velhos amigos resolvem fazer de casamenteiros, tentando arranjar um marido, não só para a filha de um amigo falecido, como também para a sua viúva. Simplicidade de meios e agudeza na análise das relações humanas numa sociedade em mudança, como foi imagem de marca do grande mestre Japonês. Imprescindível

Surpresa: As duas primeiras adaptações da trilogia Millenium. Dois competentes thrillers negros (melhor o primeiro), com sotaque sueco.

Cromo: O final, do até aí excelente, 'O Americano tranquilo': aqui o final do romance de Greene é totalmente deturpado, para o livrar do "antiamericanismo". E é estranhíssimo, mesmo para quem nunca leu o livro. Desde 'The Bad Seed' que não via uma coisa assim!

5.4.10

Filmes de Março

Como é habitual (ou era, e conto que volte a ser), a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 5 estrelas.


*****
O fim do Outono, Yasujiro Ozu, 1960
Fantastic Mr.Fox, Wes Anderson, 2009

****
Desaparecida!, Alfred Hitchcock, 1938
O Americano tranquilo, Joseph L. Mankiewicz, 1958
Dune, David Lynch, 1984
Estado de guerra, Kathryn Bigelow, 2009
Shutter Island, Martin Scorsese, 2010

***1/2
Point Break, Kathryn Bigelow, 1991
O Mensageiro, Oren Moverman, 2009
New York, I Love You, vários, 2009
Heartless, Philip Ridley, 2009
Alice no país das maravilhas, Tim Burton, 2010

***
Fernando Lopes, Provavelmente, João Lopes, 2008
Millenium 1 - Os homens que odeiam as mulheres, Niels Arden Oplev, 2009
Millenium 2 - A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo, Daniel Alfredsson, 2009

**1/2
Los Cronocrímenes, Nacho Vigalongo, 2007
Fora de controlo, Martin Campbell, 2010

0
Jennifer's Body, Karyn Kusama, 2009

1.4.10

Canção de amor e saúde


Depois do excelente ‘Rapace’, “Canção de amor e saúde ” foi para mim uma grande desilusão. Esta curta tem semelhanças com a anterior – João Nicolau é um realizador, para não dizer que é um auteur : dá-nos o retrato de uma geração (glup!) através de uma mera personagem; mantém um tom joãocesarmonteiriano e original ao mesmo tempo; e saca da cartola planos fantásticos (a sequência dos créditos iniciais é uma ideia magnifica).

Mas perde a concisão do filme anterior e entra em devaneios escusados e que para mim não fizeram qualquer sentido. Dá a ideia que tinha filme para 10 minutos e resolveu esticá-lo para meia hora, enchendo o tempo com sequências por vezes bonitas mas que esquecem o excelente inicio. Ou, se calhar, o que lhe interessava era filmar essas sequências surreais, os raccords pouco usuais, os planos estranhos, e arranjou uma história à sua volta. Seja como for, nunca me pareceu bater a bota com a perdigota, diluindo-se muita da originalidade que lhe reconheci em ‘Rapace’.

‘Rapace’ parecia um filme da maturidade, ‘Canção de amor e saúde’ parece um filme dum puto talentoso a armar ao pingarelho.
 
(já publicado noutro lado aquando das Curtas de Vila do Conde)
 
Canção de amor e saúde, Portugal/França, 2009. Realização: João Nicolau. Com: Norberto Lobo, Marta Sena, Ana Francisca, Helena Carneiro, Andreia Bertini, Miguel Gomes.